quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Foi bom, e é bom, e o que será?

Novamente o medo bate à porta. Algumas coisas vão mudar de novo, e que bom! Estou de nova mudança em pouco tempo. A inconstância da minha vida em Sampa me irrita às vezes, mas sinto que agora ela vai diminuir.

Não tenho tido tempo de aproveitar estar aqui, olhar a cidade. Sono sempre fala mais alto que o sol, hehe. Taí um pecado que tenho que corrigir: preguiça.

Já tenho saudades antecipadas em mais ou menos 2 semanas (olhos enchem d'água). Sim, tudo é sempre antecedido, não sei ainda como resetar esse defeito de fabricação. Esse pra mim é um intervalo já um pouco com sabor de despedida, apesar de estar indo para não muito longe, na verdade bem perto.

Nesse pouco tempo aprendi sobre mim, sobre outros, sobre coisas bem bobinhas e outras mais importantes. Estou lendo um livro bem louco, emprestado por um amigo desse tempo, o Lê, companhia bem cotidiana e interessantíssima. Passei algumas noites em conversas com a Laura e o Jessé, e até comemorei aniversário comendo tapioca acompanhada deles e da Alana. Dei assessoria de texto para o Mau mais de uma vez, e adoro, haha. Dei risadas e soube curiosidades com o recém-chegado Diogo. Vi Ídolos e ouvi sobre teatro com a Dai, que enlouquece com o cantor estiloso, hehe. Sem falar, claro, do Thi, minha companhia mais constante sempre.

Não vou esquecer as conversas até tarde sobre escritos, religião, filosofia, vida, música, televisão, qualquer coisa. Tudo é motivo para eu passar um tempo conversando. Nem do casamento mais emocionante que já fui, nem da festinha mais íntima e despojada de aniversário. Nem das sessões de filmes, nem das comidinhas, e muito menos das músicas, danças e conversas de apagão!

Não quero sumir, e não vou, mas não será como antes. O 'todo dia' vai se transformar em 'às vezes'... Não é ruim, é só diferente. O meu problema é me apegar ao presente, com medo de que o futuro chegue e o leve embora (água nos olhos novamente).

Já sinto falta de tudo que ainda está aqui, tanto que pretendia escrever isso quando me fosse, mas não consegui esperar. Agradeço a vocês, todos vocês. Não me deixem desaparecer, ok?

Para terminar, uma música que pra mim sempre representa final e recomeço: Dessa vez, do Nando Reis. Minha preferida dele. Queria achar o clipe oficial, mas não tem. Vai essa versão.



É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer
É bom olhar pra frente, é bom, nunca é igual
Olhar, beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo
É bom e é tão diferente

Eu não vou chorar, você não vai chorar
Você pode entender que eu não vou mais te ver
Por enquanto,
Sorria e saiba o que eu sei: eu te amo

É bom se apaixonar, ficar feliz, te ver feliz me faz bem
Foi bom se apaixonar
Foi bom, e é bom, e o que será?
Por pensar demais eu preferi não pensar demais dessa vez
Foi tão bom e por que será?

Eu não vou chorar, você não vai chorar
Ninguém precisa chorar, mas eu só posso te dizer
Por enquanto,
Que nessa linda estória os diabos são anjos

Eu não vou chorar, você não vai chorar
Você pode entender que eu não vou mais te ver
Por enquanto,
Sorria e saiba o que eu sei eu te amo

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Passos e tentos

Estou com saudades de escrever. Acho mesmo que não nasci pra fazer outra coisa na vida que não escrever. Quero melhorar nisso, quero me tornar o mais próximo que conseguir de meus ídolos, e não é nada fácil, porque meus ídolos são bons demaaaais, hehehe. Mas me comprometo a tentar sempre.

Tentar não é nada confortável. É fazer sem certeza que vai dar certo. O desconhecido ali na frente, nos acenando, e nós sem saber se devemos ou não responder o aceno, e sem saber o que acontecerá se respondermos.

Desde que vim pra São Paulo tenho tentado muito diversas coisas, nem sempre com o resultado esperado. Tento todos os dias ficar bem, não sentir essa saudade imensa que sinto de Santos. Tento não atrapalhar demais os outros com minhas angústias. Tento dar atenção pros meus pais, meu namorado, meus amigos nos finais de semana. Não dá pra ser como eu queria com todo mundo, assumo. Mas eu tento.

Tento também mudar meus defeitos, e essa é a tentativa mais difícil e por vezes infrutífera, ou quase. Me cansa... já fiquei por um triz de desistir disso. Hoje me conheço muito bem, e isso nem sempre é muito bom, não. Pensei nisso esses dias, quando tava entrando no metrô. Explico: este mês várias poesias estão estampadas nas estações. Uma delas, na entrada do metrô Vila Madalena, me faz pensar nisso quase todo dia (a não ser quando estou atrasada e nem leio o que está escrito). O poema fala da impossibilidade de fugir de si mesmo. Ah, como às vezes eu queria fugir de mim, e do que há de mim nos outros...

Ano que vem vou tentar algo pra me aproximar do que penso ser meu caminho. Vou tentar me aprofundar na língua, no escrever. Já ouvi várias opiniões, muitas bastante objetivas e corretas. Pensei em fazer pós, mas não é isso que quero. Quero mais do que uma pós pode me passar, penso de verdade que preciso me afundar nisso até o pescoço. Tenho que tentar pra ver.

Ainda não me achei nesse sentido, mas já dei o primeiro passo. Lembro que até já falei isso aqui, de estar perdida e procurar um caminho. Para achá-lo precisava de um lugar que me desse a base necessária. Achei um emprego legal, que me garante aqui em Sampa e não me chateia. Tudo bem que escuto umas músicas que ninguém merece, mas dá até pra dar risada depois, então tá tudo certo. E eu nem precisei tentar quase pra achar graça nele, hehe.

Bem, aí embaixo vai o poema que falei, de Sá de Miranda. É escrito em português arcaico, por isso vocês vão estranhar umas palavras, hehe. Beijos a todos vocês e 'inté mais ver'.


Comigo me desavim
Sou posto em todo o perigo
Nao posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor da gente fugia;
Antes que esta assi crecesse;
Agora já fugiria
De mim se de mim pudesse.

Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Laranja Mecânica

No final do livro “Laranja Mecânica” o druge mor Alex diz achar que está crescendo. Já até comentei esse trecho aqui, em outro post. Mas lembrei dele novamente hoje. Porque vi o filme na semana passada (finalmente, depois de um tempo que li o livro). E porque novamente chego a essa conclusão: estou crescendo. Por isso que tenho notado tanto todas as mudanças que vem acontecendo nos últimos tempos.

Não sei se gosto de mudanças, nem mesmo quando as peço ou provoco. Tenho aquela mania que quase todo ser humano tem: fazer o novo ficar velho, para me acostumar com ele. Nesse esforço, tenho medo de perder o que o novo traz. Não sei se me fiz entender... rotina, rotina.

Sou medrosa. E odeio isso. Às vezes tenho crises de tristeza, ou de nostalgia, e choro. Tenho chorado bastante, mas não pense que isso é só ruim. É até muito mais positivo, sabe? Lavar a lama de dentro pra fora é bom, e deixa o olhar para o mundo mais nítido.

As rasteiras ainda não acabaram, mas agora começo a procurar lugares mais macios para cair. Já repeti aqui ad infinitum que gostaria de ser diferente em inúmeras características, e sempre me bato com elas. Não vou falar disso hoje de novo.

O certo é que estou me recuperando dos últimos baques, quase pronta pros outros que ainda virão. Talvez esteja ficando mais equilibrada, talvez esteja mesmo crescendo, talvez esteja cansada de dar murro em ponta de faca (só não cresço pros lados, esse ponto tá difícil!! hehe).

Queria ter minhas respostas. Ao mesmo tempo, sei que a vida tem graça porque nós não temos as respostas. Mal comparando, é como algumas matérias da Superinteressante, ou mesmo capítulos da Bíblia, ou ainda as previsões do Nostradamus: não existe uma resposta pronta e acabada, tudo pode depender que quem vê. Tudo tem mais de um lado.

Aqui em São Paulo acabei vendo o melhor e o pior das pessoas. Encontrei anjos pelo caminho, descobri coisas tristes. Graças a Deus o saldo ainda é positivo. O trabalho é divertido, mesmo mudando pra uma rádio que não tem nada a ver comigo, e estou procurando me divertir com isso também... e não é que estou conseguindo?

Sou uma animalzinho sentimental e ...bobo. E por isso, mesmo quando estou triste, ou em crise, aproveito ao máximo os sentimentos. Mesmo os que me fazem mal. Pode parecer loucura... não é. É meu jeito de aprender com eles. Dói, cansa, causa rugas, cabelos brancos e rosto vermelho e molhado. Efeitos colaterais de um remédio, que não importam desde que o tratamento faça efeito.

Agora, poeta novo, por assim dizer: José Saramago.

Poema à boca fechada

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

sábado, 17 de outubro de 2009

Velho Bandido

A única certeza imutável na vida é que tudo muda. Essa é uma regra quase sem exceções. Nem sempre pra melhor, nem sempre pra pior. Só sei que tudo muda, e na maioria das vezes bruscamente, sem mais avisos.

Para quem não entendeu meu último post, eu agora consigo ser mais clara. No dia não conseguia, não estava me sentindo bem e não queria ser franca. Falei de um problema pessoal, da minha família. Minha tia, minha segunda mãe, está com câncer, e o caso é muito grave. Ela pode não resistir ao tratamento que está começando novamente. O primeiro que ela fez, em Santos, não deu certo, e por conta disso a doença se agravou.

Isso me doeu e me dói como se fosse em mim. Minha tia acompanha minha vida desde que eu nasci, quando ela morava com meus pais, recém chegada de Sergipe. E agora ela está passando por um momento difícil. E eu não estou presente como deveria ou gostaria. Porque não consigo, e porque não sei bem como.

Gostaria de mudar algumas coisas que não consigo, em mim e nos outros também. Uma das coisas é minha aparente displicência. Isso sempre acontece comigo: eu às vezes peco por excesso e outras vezes por falta de atenção. Problemas de ser 8 ou 80. Quero um dia alcançar o 45, ou algo por aí, mas como é difícil...

Peço desculpas sinceras para quem não tenho dado a atenção que precisava. Algumas vezes eu não sei o que fazer, e faço tudo errado. Não sou a pessoa equilibrada que gosto de aparentar.. Aconselho bem os outros, mas nem tão bem assim a mim mesma. Cometo inúmeros deslizes, pareço ignorar sentimentos dos outros, mas não ignoro. Sei bem o que todos vocês pensam de mim, sentem ou deixam de sentir por mim. Sei bem mais do que vocês imaginam. No entanto, não sou coerente, não faço sempre o que acho que seria certo. Muitas vezes não consigo não errar.

Peço desculpas pelos meus erros, e não digo que nunca mais vou cometê-los. Vou sim, e por vezes vou cometer os mesmos novamente. É burrice, sim, mas quem disse que não sou burra? Tento muito mudar coisas em mim, e sei que é possível, porém ainda não consegui. E tem algumas características que é provável que eu não melhore. Se mudar, talvez seja para pior.

Um amigo me disse que quando você ama alguém, quando você é amigo de alguém, é amigo da pessoa inteira, não só das boas partes. Entendam minhas partes ruins, ocas, bandidas. Tentarei entender as de vocês.

Podem ter certeza que eu nunca quero magoar ninguém, ou fazer nada por mal. Estou tentando mudar isso em mim também: retirar as maldades da minha vida. Não as quero mais. Esse é mais fácil, estou mesmo conseguindo.

Já escrevi demais por um dia. Fiquei na dúvida de como completar o post, qual música colocar. Acabei de me decidir - vai uma do Casuarina, Velho Bandido.

E, Tia, não sei se você vai ler isso, mas não pense que eu não me importo. Me importo muito sim. Amo você.



Eu que sou filho de um pai teimoso
Descobri maravilhado que sou mentiroso
Sou feio, desidratado, infiel
Bolinha de papel
Que nunca vou ser réu dormindo

Eu descobri como um velho bandido
Que já pude estar perdido neste céu de zinco

Eu que só tenho essa cabeça grande
Penso pouco, falo muito e sigo adiante
Descobri que a velha arca já furou
Quem não desembarcou
Dançou na transação dormindo

E como eu fui o tal velho bandido
Eu vou ficar matando rato pra comer
Dançando rock pra viver
Fazendo samba pra vender
Sorrindo

E quem tirar onda contigo
Vai se ver...

domingo, 27 de setembro de 2009

Bicarbonato de Soda

Mais uma vez caída. Só para variar, caída. Essas últimas semanas tem sido difíceis, tenho enfrentado alguns problemas que nem imaginava que existiam. Nada no trabalho, que está muito bem. É na vida pessoal, nas famílias.

Não vou entrar em detalhes, não vale a pena, e não quero expor ninguém. Só vou dizer que estou muito abalada, me sinto sem chão, caída mesmo. Não sei o que fazer, e continuo pecando pela ingenuidade. Às vezes detesto mesmo ser ingênua, acredita na boa vontade, na verdade. Esqueço que, se tudo é relativo, a verdade também o é.

A fase tá difícil, estou levando rasteiras, mas ainda penso que tudo pode melhorar... algo em mim não me deixa pensar o contrário. Apesar de tudo, não consigo deixar de ser assim. Ainda vou levar muito na cabeça por confiar, ainda vou derramar muitas lágrimas por acreditar. Mas não posso deixar de acreditar. Sem minhas esperanças, o que vai ser de mim?

Bicarbonato de Soda - Álvaro de Campos

Súbita, uma angústia...
Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Que amigos que tenho tido!
Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
Que esterco metafísico os meus propósitos todos!

Uma angústia,
Uma desconsolação da epiderme da alma,
Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço...
Renego.
Renego tudo.
Renego mais do que tudo.
Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.
Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na
circulação do sangue?
Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?

Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! Vou existir.
E-xis-tir...
E--xis--tir ...

Meu Deus! Que budismo me esfria no sangue!
Renunciar de portas todas abertas,
Perante a paisagem todas as paisagens,

Sem esperança, em liberdade,
Sem nexo,
Acidente da inconseqüência da superfície das coisas,
Monótono mas dorminhoco,
E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Que verão agradável dos outros!

Dêem-me de beber, que não tenho sede!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Go Back

Parece às vezes que eu tenho mais vontade de escrever quando estou triste por algum motivo qualquer. É como se escrever fosse uma terapia, uma sessão de descarrego, sei lá. Aí, venho aqui e despejo esse monte de palavras, esperando que alguém leia ou não. Não sei o que espero quando escrevo. Como falei aqui uma vez, não tenho pretensão nenhuma com esse blog. Só sinto uma vontade enorme e incontrolável de escrever qualquer coisa.

Essa semana aconteceram algumas coisas chatas, outras tristes, outras diferentes. Os meninos e a loira estão agora trabalhando comigo aqui em Sampa. Isso até causou um fato... mas não vou comentar, já comentei no post anterior. Mais três santistas na Paulicéia... hehe.

Mas eu ainda estou com uma angústia aqui dentro do peito, que não se dissipa. Em parte por antecipar fatos... sofro sempre por antecipação, não tem jeito. Mas sobretudo é medo, e cansaço. Medo do que veio e ainda vem. Cansaço de não conseguir agir da forma que gostaria sempre, de me policiar para não fazer errado, de pecar por negligência às vezes, ou por excesso. Problemas de quem não tem meio termo...

Mas não, não se preocupem comigo, estou muito bem. Está tudo certo aqui, gosto do meu trabalho, me divirto apesar de "algumas" pesares. Não há de ser nada, tratar com pessoas é mesmo difícil, e conto com a minha intuição para me avisar. E ela já apitou, então estou alerta.

Termino com um poeminha, voltei a lê-los. Como estou angustiada, aí vai meu escritor preferido nestes momentos: Álvaro de Campos, "Não":

Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.

Devagar...
Sim, devagar...
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar...
Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima...
Talvez isso tudo...

Mas o que me preocupa é esta palavra devagar...
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo...
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Saia de mim a verdade

Sabe o que é olhar para um fundo branco, querer dizer um monte de coisas e nem saber como começar? Sabe o que é se sentir uma pessoa ruim, ruim de verdade, que não merece uma migalha sequer de qualquer coisa? E sabe o que é se sentir meio culpada por algo que você não fez de propósito, e que isso ajudou a causar um abismo?

Se não sabe, saiba que a ignorância é uma bênção. Mas eu prefiro saber. Prefiro ter a experiência, prefiro sinceramente. Nem que pra isso eu precise passar por algum tipo de crise... afinal, passo por tantas mesmo, mais uma, menos uma...

Estava bem, até pensando de forma positiva em algumas coisas imutáveis. Mas algo me fez voltar ao “Seria o Rolex”. Sei o que foi, mas não foi só isso. Tem muitas coisas que eu gostaria de não ter em mim, de não ter feito aos outros, e principalmente de não deixar que os outros fizessem a mim. Sou facilmente atingível, e isso me irrita! Muito!

Eu só sei que não me arrependo dos meus deslizes, só me entristeço com o que eles ocasionaram e ainda podem ocasionar. Não queria ser um agente da erosão que ajudou a desenhar uma espécie de cânion... Não desejei que nenhum dos meus erros machucassem outros. I never meant to hurt...

Nunca mais irei deixar de agir da forma que acho melhor por conta das outras pessoas. A não ser em casos extremos. Várias mudanças se operaram em mim, lembram? Essa é uma delas. Não me importa mais se acham que está tudo indo pelo caminho errado. Aprendi a muito custo que minha intuição é a melhor guia... mas mesmo ela precisa de mapas.

Ainda não deixei de me mirar em exemplos próximos. Mas tento entender que nem sempre o que é certo e acabado para alguém também o é para mim. Na maioria das vezes não é.

Tenho medos novos, claro, afinal minha vida está quase toda nova. Medos que vem de noite, do nada, batem à minha consciência e me confundem. Do mesmo jeito que vem, vão. Os medos antigos estão também fortes, mas deles eu sei cuidar...

Não sei quanto tempo algumas coisas vão durar. Por isso, insisto em aproveitar sempre, mesmo sendo chata por isso. Não me importa; se não incomodar demais, continuo.

Desculpem, dessa vez não vou me explicar. Vou tomar emprestado o estilo de um amigo, ou dois, e deixar tudo bem no ar. Entenda quem entender... se não entende, não sabe, lembre-se: a ignorância é uma bênção!

Pra terminar, quero que vocês entendam essas linhas acima mais ou menos da forma que as aqui debaixo são descritas: trecho de “O sim contra o sim”, João Cabral de Melo Neto.

Marianne Moore*, em vez de lápis,
emprega quando escreve
instrumento cortante:
bisturi, simples canivete.

Ela aprendeu que o lado claro
das coisas é o anverso
e por isso as disseca:
para ler textos mais corretos.

Com a mão direita ela as penetra
com lápis bisturi,
e com eles compõe,
de volta, o verso cicatriz.

E porque é limpa a cicatriz
econômica, reta,
mais que o cirurgião
se admira a lâmina que opera.”

*Marianne Moore é uma poetisa americana

sábado, 29 de agosto de 2009

Quem? Como? Onde?

Às vezes eu ainda me impressiono com a nossa capacidade de esquecer. Esquecemos coisas importantes, esquecemos em quem votamos, esquecemos em quem não devemos votar e porque. Mas o que me motivou a escrever isso não foi a política, não ainda. Estou madurando uma ideiazinha para escrever aqui sobre isso, mas ela ainda está bem verde. Não, hoje eu quero falar sobre um esquecimento bem específico: o ostracismo.

Esquecemos pessoas. Essa semana estou intrigadíssima com o sumiço do Belchior, a situação bizarra de ele estar desaparecido e ninguém ter percebido. Isso é estranho... como alguém some assim?

O desaparecimento do autor de "Como Nossos Pais" rendeu piadas pela internet, em programas de TV, em conversas. Eu mesma ri muito de algumas piadas, até porque defendo que o humor não tem que ser politicamente correto, ou corre o sério risco de ficar bem mais chato e sem graça que "praça é nossa" e "zorra". Mas uma das piadas, feita no kibeloco, é verdade: ele tá desaparecido desde os anos 70, e não desde agora.

Isso me lembrou o caso do Simonal, de quem eu já falei aqui, uns posts atrás, que também ficou esquecido por anos. Eu nem gosto muito de Belchior... mas não é essa a questão; o que me espanta é que a gente não o conhece! E me faz pensar: quantos artistas não estão por aí esquecidos por nós? E quantos desses são realmente bons, melhores do que muitos que estão no mainstream? Esse pensamento casa com os garimpos que ando fazendo em samba antigo. Tem uns artistas tão bons e tão desconhecidos hoje...

Mesmo Clara Nunes: muita gente vai lembrar de "Morena de Angola", mas eu duvido que vocês conheçam "Peixe com Coco", ou "Portela na Avenida". E um cara chamado Noite Ilustrada, conhecem? Talvez alguém já tenha ouvido aquela que diz "levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima", mas eu não creio que vocês conheçam "O Neguinho e a Madame".

Não, ninguém é obrigado a ter na memória o que eu acabei de citar, que é isso! Não me entendam mal, eu não estou criticando nada. Só me impressiona como tanta gente que fez sucesso, que tinha tanto para oferecer, que fez coisas lindas, cai num desconhecimento, num esquecimento total... Graças ao youtube, e as almas boas que colocam raridades lá, hoje a gente pode resgatar muito do passado. Mas é estranho, e ao mesmo tempo gostoso, descobrir pérolas do que já aconteceu na música e você nem tinha ideia.

Cavem, explorem, fuçem, vão atrás. Não há futuro ou presente sem passado (ok, frase feita, hahaha). E se alguém achar o Belchior, me avisa que eu curiosa!! Ah, vocês não sabem quem é o rapaz? Ok, para facilitar, um clipe: Paralelas, aquela que diz que "no corcovado quem abre os braços sou eu..."


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O samba é a corda, eu sou a caçamba

Fiz umas descobertinhas musicais muito sem querer, e quero passar adiante procês, hehe. Vocês todos ja me ouviram falar de Beirut, de Móveis Coloniais, até cansaram que eu sei. Mas agora estou numa fase meio samba de minha vida, ouvindo Clara Nunes, mulher que eu já conhecia mas estou cavando bastante agora. Mas não é ela minha nova descoberta.

Eu entrei no site da MTV, pra votar no documentário dos Titãs (aliás, entrem lá e votem também, o filme é sensacional... e estará nas lojas dia 1º de setembro!! eeeeeeeeeeee). Em uma das categorias apareceu uma banda, chamada Casuarina, que intrigou a mim e ao Thiago: nenhum dos dois conhecia. Aí, fomos no amigo Youtube, digitamos, vimos uns vídeos... e é genial! Sambão com cara de antigo, gostoso de ouvir, dá vontade de dançar. Recomendo muuuuito pra quem gosta de samba de verdade, não aqueles pagodinhos universitários que eu nem preciso citar nomes.

Pelo que eu entendi, eles são uma banda nova, e está pra sair um cd especial da própria MTV com eles, um daqueles MTV Apresenta. Fiquem de olho nesses caras!!

Pra dar um gostinho, aí vai um vídeo: A Roda Morreu



PS: não fiquem felizes pela falta de poeminhas... eles vão voltar, porque eu sou beeem chata mesmo. Mas virá um cara que ainda não passou por aqui... aguardem.

PS2: sim, eu continuo roqueira, não deixei de ouvir meus rocks diários. Mas, como disse um amigo, o samba é minha lingua mãe... ou pai, já que o sambista oficial de casa é ele.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Solos de Marx não vão me conquistar

Fila da Ponte Orca, 11h40 da manhã, eu já quase atrasada pro trabalho. Na minha frente um casal de "vermelhinhos" (não, não tem nada a ver com o chapolin) hippies. Até aí, tudo bem, vermelhinhos me incomodam, mas se ficarem no seu canto, tá tudo certo. E os vermelhos hippies são bem tranquilos... nem imagino o porquê (maldade detector apitando). Mas, aí, chega um terceiro vermelho, e esse não é hippie; é o tipo mais comum mesmo, sabe, aquele que se acha extremamente revolucionário, subversivo, marxista e todos esses clichês que ele repete sem ter a mais leve idéia do que se trata.

Sabe o que é revolução? Não penso que seja revolucão ficar recitando Karl Marx, vestindo camisas do Che, odiando os imperialistas norte-americanos e idolatrando os Castro. Não é fazer como o tal rapaz, que passou o caminho todo na van e no metrô lendo um texto como se fosse alguma espécie de profeta.

Antes de qualquer coisa, não sou direita, esquerda, centro, nada disso. Só detesto essa falsa revolução, essa pose usada pelos vermelhinhos. Detesto os radicalismos de ambos os lados.

Revolucionário para mim é pai e mãe de família, que acordam as 5 da manhã, atravessam cidades como São Paulo, trabalham o dia todo, enfrentam trânsito, chefes mal-humorados e, quando voltam pra casa, abrem um sorriso de orelha a orelha simplesmente por verem seus filhos bem. Revolução pra mim é você fazer bem para os outros, só porque você tem como fazê-lo, e sem nem precisar que alguém peça. Revolução é seguir com a sua vida sem passar por cima dos outros.

Graças a Deus eu estou cercada de pessoas assim. Esses dias que eu tenho passado aqui em São Paulo são um exemplo: pessoas que eu nem conheço tanto assim estiveram dispostas a abrir mão da própria privacidade para me receber. Uma é meu irmão, mas os outros não tem nenhuma obrigação. E mais: um deles ainda correu atrás de um lugar pra eu ficar mais tempo, e outras pessoas que me conhecem menos ainda vão me aceitar. ISSO é revolução. Um dia espero poder agradecer à altura tudo o que eles fizeram e estão fazendo por mim. Thiago, Leandro, Maurício e agora Laura, muito obrigada!

Pra terminar, música que tem um pouco a ver com o "dia a dia dos trabaiador" desse país.: Caminho Pisado, Paralamas do Sucesso

sábado, 1 de agosto de 2009

Segunda a sexta/ Sábado e domingo

Minha vida começou a ser dividida assim. Na maior parte da semana, rotina de van, metrô e ônibus pela paulicéia desvairada. Final de semana, minha cidade. O começo é sempre muito difícil: quando ouvi quais seriam os jogos da rodada do brasileirão, e lembrei que não ia acompanhar os meninos vendo o jogo, quase chorei no trabalho. Falando com o Bruno, meu namorado, por telefone eu pensava "não vou vê-lo hoje, nem amanhã, só sexta..." e isso ainda doí um pouco, ainda é estranho. Mas estou bem, não se preocupem. É só uma fase de adaptação, eu sei que passa.

Nessa adaptação eu conto com um amigo que fica cada dia mais irmão: Thiago. Sem ele, estaria bem mais triste essa semana, sem nenhuma dúvida. Devo a ele o teto que me abrigou, a companhia. E agradeço imensamente a dois caras que aparecera na minha vida por causa do Thiago, o Maurício e o Leandro, que também me aturaram essa semana, tadinhos... hahahaha. Nem sei se vocês vão ler isso aqui, mas brigada, meninos. Um dia eu ainda vou retribuir tudo o que essas pessoas têm feito por mim.

Nem saí pela cidade essa semana, era dormir, acordar, trabalhar, dormir. No máximo umas conversas boas no Crusp e um filme de um diretor japonês extremamente bom e louco! Estou à procura de lugar para morar, acho que só quando me estabelecer vou conseguir sair e aproveitar que estou em Sampa. Tudo bem, isso será resolvido muito em breve.

Foi tudo muito rápido, não deu tempo para fazer um post dizendo que ia pra São Paulo, que estava perto de realizar algo que eu quero faz tempo, e do que já falei por aqui há algumas semanas. Vou aprender a me virar, ainda não sei, mas aprendo logo (espero). E não, não é para no futuro falar "eu passei por muita coisa na vida", e blablabla. Essa é apenas uma vontade, algo que sempre quis fazer, e que acho necessário mesmo, pelo menos pra mim. Não condeno quem não quer, de jeito nenhum. Meus paradigmas servem para mim, mais ninguém.

Estou com saudades do mar, da umidade, dos cheiros da cidade. Dos amigos, dos pais, dos irmãos. Das conversas despretenciosas de meio de semana. Ah, vou arrastar todos vocês pra cá! hahahahahahahahaha

Vou levando a vida devagar, "pra não faltar amor...". E não estou só; Jeanine, a responsável por essa minha mudança, também tá aqui. Aliás, estou devendo um agradecimento... vou pensar em algo à altura. Brigadinha, Je, de verdade!!

Descer, ver todo mundo, subir de volta. Não vou deixar a minha cidade. Estou em outro lugar, e um lugar para o qual eu sempre quis vir, mas não tem jeito, sou de Santos e bairrista. Santos Pride way of life, hahahahahahaha. Não vivo sem ver o mar da Ponta da Praia. Estou só a 1 hora de casa. Ainda não é dessa vez que vocês se livraram de mim.

Beijos, vejo vocês daqui a pouco!

E só para não perder o costume, indicação do dia: Quanto tempo, Titãs - Sacos Plásticos. Não dá para incorporar o clipe, está desabilitado, mas aqui vai o link do youtube: http://www.youtube.com/watch?v=jHLCwc-4l3U

Assistam, tá muito legal o clipe!!

Quanto tempo, quanto tempo faz
Quanto tempo ficou pra trás

Esqueci de fazer a mala
Fechar a casa
Dizer agora eu vou embora

Eu não, não apaguei a luz
Não corri atrás
Não saí quando chegou a hora

Mas a hora chegou
E ninguém me avisou

O tempo passa tão depressa
Logo acaba, mal começa
Eu tenho pressa
Não vou olhar pra trás

Quanto tempo, quanto tempo faz
Quanto tempo ficou pra trás

Esqueci de olhar pra frente
Sair de repente
Andar até o fim da estrada

Eu não, não tomei coragem
Não segui viagem
Não vi que o tempo passava

Mas o tempo passou
E ninguém me avisou

O tempo passa tão depressa
Logo acaba, mal começa
Eu tenho pressa
Não vou olhar pra trás

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Traíras? Santo Inquérito? Meninas do Brasil? Quem casa quer casa...

Me peguei várias vezes pensando na minha época de teatro essa semana. Faz tempo já, mais de 4 anos... saí no segundo ano da faculdade, por pura falta de tempo. Não, não sou boa atriz, estou beeem longe disso. Mas, ah, como eu gostava do teatro!! De participar, em cena ou nos bastidores, de ver peças e cenas dos outros, de falar mal do grupos que a gente não gostava. Era tudo muito participativo, gostoso, simples, não havia maldade de verdade. Éramos uma família teatral, as "3 Faces da Lua".

O fundador do grupo, Daniel Maia, e o diretor/cenógrafo/figurinista/escritor/sonoplasta/ maquiador e o que mais aparecesse Waldir Correia. Como aprendi com esses dois! Aprendi coisas que levei pra minha vida, mesmo. Porque eu costumo dizer que o teatro me tornou uma pessoa melhor; hoje em dia não sei mentir direito por causa dele. Você deve ter pensado: "mas não seria exatamente o contrário?". Não, acredite. O teatro me fez uma pessoa mais transparente, mais carinhosa com os outros, menos presa a conceitos puramente moralistas, e não morais, o que é bem diferente.

Lembro dos amigos extremamente especiais pra mim, aliás, não só pra mim. Thaís, Rodrigo, Iasmin, Hellen, Thiago Basile... esses eram os mais próximos, mas não esqueci dos outros, só não vou citar. Minha família teatral, junto do Dani e do Tio. Como tenho saudades daquelas tardes de sábado no Aristóteles!!! Meus olhos enchem d'água de verdade lembrando disso... de como a gente aprontava, das encenações no meio da rua, dos lanches no shopping, de esperar o ônibus pra Praia Grande e/ou São Vicente, da promessa que eu e o primo fizemos de nos casar aos 40 anos, se os dois ainda estivessem solteiros, e de como meu nome ia ficar: amanda andrade idem, ou andrade², ou novamente andrade... hahahahahahahahaha.

Foram muitas cenas, peças, dramas e comédias. Muitas tardes à base de pão, presunto, queijo e refrigerante comprados em conjunto. Muitas festas, videokês, premiações. Sobretudo pro Waldir, que levava todos os prêmios possíveis e imagináveis... aliás, ainda leva!

Eu sei, esse post só vai fazer sentido mesmo pra quem esteve comigo nessa época, que viveu comigo isso tudo... ou pra quem eu já contei parte das histórias. Peço licença, mas queria muito falar sobre esse tempo. Porque ele é parte intríseca de mim. O teatro moldou muito do que sou hoje. E, esses dias, lembrando de tudo, vi que era uma época sem maldade. Nós tirávamos sarro dos kabukenses, dos furiosos, da "arcadia dentálica"... mas esse era o máximo de maldade que existia. Eu podia dizer que amava, e ninguém ia achar estranho se eu dissesse isso para um menino ou menina. Porque todo mundo ali se entendia. Éramos mesmo uma família.

Hoje a situação mudou, por circunstâncias da vida, tudo bem. Mas vocês todos sempre vão ter um lugarzinho aqui, comigo. Onde eu vou carrego vocês.

Taíca, Primo, Mina, Lena, Basilis, Dani, Tio... continuo amando todos vocês.


Não que eu queira dizer adeus, mas aí vai uma música pra vocês: Móveis Coloniais de Acaju, Adeus



Quando eu vivo esse encontro,
Eu digo adeus
Refaço os meus planos
Pra rimar com os seus

Abandono o que é pronto
E digo adeus
Eu trago os meus sonhos
Pra somar aos seus

E toda vez que vier
Felicidade vai trazer
A cada vez que quiser
Basta a gente querer
Ser desta vez a melhor

E toda vez que vier
Felicidade a mais
A cada vez que quiser
Basta a gente dizer
Só uma vez
Uma só voz

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Do You Remember?

Qual é a memória mais antiga da vida de vocês? Vocês se lembram de algo muito, muito velho, e que por algum motivo desconhecido os marcou? Lembranças são meio difíceis de entender... e ultimamente tenho me lembrado de fatos muito antigos, alguns de mais de 10 anos...

Às vezes me basta um cheiro, um perfume, uma música, e pronto: lá vem uma lembrança. É engraçado como algumas ainda me deixam um pouco triste, mesmo que tenham acontecido há eras!! Minha memória é sensorial, e quando eu lembro e é como se vivesse tudo de novo. Nem sempre isso é confortável, mas é positivo. Só tem memórias quem viveu.

Tenho um pouco de medo de um dia esquecer o que me aconteceu, as pessoas que passaram pela minha vida. Acho que isso só ia acontecer se eu tivesse Alzheimer, ou algo parecido, hehe. Não gosto e nem quero esquecer nem mesmo do que foi ruim, ou que me deixou confusa, transtornada. Porque tudo isso é parte de mim... e não estou afim de deixar partes de mim por aí.

Mas eu falava de lembrar... lembro de quando eu tinha 3 anos, e quebrei uma divisória do guarda-roupa de uma vizinha, hahahaha. Fiquei com medo de levar bronca, e nem contei pra ninguém! Fingi que não tinha feito nada... e até hoje acho que a minha vizinha não entendeu o que aconteceu.

Lembro de assistir o Chacrinha (ih, acabo de entregar o quanto sou velha, hahaha) quando eu tinha, sei lá, uns 4 anos... e lembro do dia em que ele morreu, e foi levado num carro do corpo de bombeiros pelo Rio de Janeiro. Não fiquei triste porque ainda não sabia o que era a morte.

Lembro de brincar na escola, lembro dos garotos que eu odiava e das briguinhas que eu arranjava com eles, porque eles eram meninos, e só por isso. Ah, não sei se as crianças de hoje ainda brigam só por serem meninos e meninas, mas espero que sim. Era tão divertido!!

Lembro de crescer entre livros e lendo feito uma desesperada, de me achar muito feia, de me sentir menor, sozinha... e do primeiro garoto que eu realmente gostei, e de todos os outros, claro. Mas o primeiro é o primeiro. Me marcou tanto que até hoje, quando ouço algumas músicas, me lembro imediatamente dele (Bruno, não fique com ciúmes!!). Ele também foi o primeiro grande amigo que perdi, porque foi pra longe... e eu me lembro perfeitamente da dor (quase física... não, física mesmo). Até porque ela se repetiu depois, e deve se repetir ainda... mas isso é outra história.

Me lembro de muitos momentos. E quando isso acontece, parece que estou vendo todas as pessoas, sentindo tudo de novo. O começo do meu namoro com o Bruno, as brigas de faculdade, os passeios no palio do André pela Baixada Santista, as aventuras nos carros do Nogueira; os dias sem fazer nada na Facos, depois da aula, e as frases que escrevíamos na lousa; as tardes inteiras que passei fazendo nada com a Hellen, no shopping ou no Sesc, e as fotos roubadas de revistas.

As fotos que tiramos, com a câmera do Jama ou não, pelos motivos mais banais e divertidos; as matérias do Baixada On Line, e o dia em que deixamos o Felipe sozinho atualizando o carnaval; os passeios em São Paulo, as minhas 359 idas no Museu da Língua Portuguesa, e todos que eu já obriguei a ir comigo (hahahaha); as sessões de cinema em Sampa e os passeios "nóia" em museus, quase todos na companhia do Thiago; as "grandes voltas" até o Gonzaga que dei em companhia do "túnel", e as sessões de domingo no Cinemark. Os ensaios da banda dos caras mais legais que eu conheço, as risadas e as fofocas com a primeira dama do guitarrista.Os papos intermináveis do MSN de madrugada, na companhia dos notívagos de plantão.

Não, esse post não é uma despedida, não estou indo embora. Eu só estou sentimental hoje, queria falar das minha lembranças. Isso faz um bem!

Lembrem-se sempre que eu não esqueço de nenhum de vocês!

Pra terminar, um poeminha que não tem muito a ver com nada, mas é divertido. De Manuel Bandeira, Pneumotórax:

"Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .— Respire.
...............................................................................................................
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Necessidade, vontade, desejo...

Oi, pessoas que me acompanham. Não, esse post não é sobre nada disso que vocês estão pensando. Sim, estive sumida essa semana, mas foi por boas causas... estive de papo com pessoas que adoro, estive ocupada com planos, preocupações... como já disse aqui, me ocupo. E esses dias me ocupei tanto que nem tive tempo de dar toda a atenção que poderia para todos, mas, enfim, a vida segue.

Estou em paz comigo neste momento, coisa que é meio difícil, e que pode desmoronar de uma hora pra outra, por um detalhezinho besta. Algumas coisas não mudam por mais que você queira, e um dos meus defeitos é não saber ter meio termo. Outro é me cobrar demais. Me cobro em todos os sentidos, em diversos momentos da vida.

Até preferia ser diferente... mas, sabe? Uma vez vi uma frase que dizia para não tentar mudar todos os seus defeitos, porque você não sabe em qual deles está apoiada sua personalidade. É por aí, mesmo.

Ainda estou descobrindo verdades sobre mim, sobre outros... nem sempre coisas positivas, nem sempre que me deixam feliz. Roubando o bordão de um amigo, estou acreditando no mundo, agora. Não que eu tenha que me submeter, mas acredito nele agora mais que antes, e isso veio com meu crescimento nos últimos tempos. É difícil crescer, mudar, tomar decisões que afetam a sua vida e a dos outros. Porém, por nada nesse mundo devemos nos furtar de tomá-las. Não podemos nos dar esse luxo, não mesmo.

Eu quero morar sozinha. Quero mandar na minha vida. Cansei de dar satisfações o tempo todo pra pai e mãe, já passei da idade. E talvez as coisas estejam se encaminhando para que isso aconteça logo. Mesmo que não dê tudo certo, não vou mais mudar essa idéia, que aliás me acompanha desde que eu era pequena. Nunca, nunca mesmo quis sair de casa para casar, acho isso muito... sem imaginação. Qual é a graça de não enfrentar o mundo sozinha? De não dar a cara para bater? Não recrimino quem pensa diferente, mas não entendo. Juro que não entendo quem quer ficar na casa dos pais até arranjar marido/mulher.

Eu já podia estar casada nesse momento. Já podia estar morando com meu futuro marido, mas não quero isso agora pra mim. Preciso de um tempo sendo eu, sem mãe/pai ou responsável. Preciso ser responsável por mim. Preciso me matar de trabalhar pra pagar minhas contas. Preciso acordar cedo e ir domir tarde, como fazia em 2007, mas agora sem ninguém pra me mandar dormir. Preciso de um espaço, nem que seja emprestado. São minhas necessidades básicas: ser mais livre, mesmo que pra isso tenha que perder algumas facilidades e liberdades.

Não digo que vai ser fácil, aliás, "nobody said it was easy"... vai ser bastante difícil no começo, e depois, não tenho ilusões a esse respeito. Mas até prefiro assim.

Torçam por mim, que eu quero mesmo mudar de rumo.

"Reticências

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!

Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!

Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
(...)
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
(...)
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra..."

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Don't Stop 'Till You Get Enough

Sei bem que ontem (25/06) ninguém falou em outra coisa após às 7 da noite. Eu, pelo menos, não falei. Meu, é surreal saber que o cara morreu. Como assim?!?! Ele morre? Eu estava tão acostumada com ele vivo e estranho, desde sempre, que pra mim é muito, muito surreal. Não tenho outra palavra...

Ou melhor, tenho sim: triste. É tudo muito triste na história do maior artista pop... desde os maus tratos do pai, passando pela adolescência, até o adulto problemático, ainda muito criança para enfrentar o mundo. Mas, na boa, isso todo mundo já falou: falarei dele como artista, e as coisas que mais me impressionavam nele.

Primeiro, o início: adoro os Jacksons Five!!! E ele era uma coisa muito fofa pequenininho, cantando melhor que os marmanjos irmãos dele. Minha preferida é o grande sucesso "ABC", que todo mundo conhece. Gosto demais dessa! Olha o vídeo aí:



A qualidade do vídeo não tá a melhor, mas a música é ótima! Não consigo ouvir e ficar parada, não dá!!

O garoto cresce, vai pra carreira solo, e faz clássicos, ainda novinho, carinha de criança... negão de voz especial, não grave como a que a gente sempre espera de um negro. Fantástico. Uma das minha preferidas é "Rock With You", do link aqui embaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=7hK3Y1Ehv9c

Infelizmente ela está desabilitada para incorporação, então fica o link. Deem um pulinho no youtube, deixem de ser preguiçosos! hehe.

Ele foi um rei também nos vídeos... fez clipes lendários, e é dono do mais clássico de todos, "Thriller", mas esse nem é meu preferido. O melhor de todos, na modesta opinião desta que vos escreve, é "Beat It"!!! Porque é muito tosco, é engraçado, é genial, hahaha. E é de uma das minha músicas preferidas. Também tem o problema da incorporação, porém nesse eu vou dar um jeito: vou postar o vídeo dissecado pelo Marcos Mion, na época do Piores Clipes do Mundo. E, acredite, eu SEI a coreografia toda, hahahaha.



Vai envelhecendo, vai perdendo a mão, um pouco... mais por conta das crises pessoais que qualquer outra coisa. Tudo bem: ele já era o artista mais importante. E antes de tudo, faz outro clássico, desta vez com Paul McCartney, "Say, Say, Say"



Por fim, a mensagem que esse artista, que dispensa apresentações (tanto que não toquei no nome dele, de propósito) deixou, pra mim, é: "Don't Stop 'Till You Get Enough" - Não pare até conseguir o suficiente. Então, não paremos... Michael, Rest In Peace.

http://www.youtube.com/watch?v=4_hz2am90Hk

terça-feira, 23 de junho de 2009

Penso, pena que seja... muito**

Passei esse final de semana aparando mais algumas arestas, e descobrindo outras que vão precisar ser aparadas. Não dei atenção a tudo que queria, a todos que queria, da forma que queria. Começo a pensar novamente se eu não estou errada, se a minha verdade é verdade. Não por influência de conversas, e sim das inúmeras mudanças que estão se processando na minha cabeça. Meu windows está sendo atualizado, assim no presente contínuo mesmo,e eu não tenho certeza se a nova versão vai ser a melhor. Só que, uma vez atualizado, não há como voltar atrás, não dá para me formatar.

Uma vez Albert Einstein disse que tudo é relativo. Eu concordo... aliás, quem sou eu pra discordar de Einstein (hehehe)? O tempo também é. Estava vivendo uma semana que começou no dia 9 de junho, e só agora está acabando. Mais uma vez, aprendo que tenho que ouvir minha intuição, que graças a Deus é beeem insistente... ela teve que gritar comigo esses dias, porque eu não queria ouví-la. Por fim ouvi.

Estou cansada demais, de situações, de pessoas, de pensamentos meus e dos outros... cansada, e intolerante. Não que isso mude muito o meu modus operandi. A mudança é aqui dentro, não no jeito que trato as pessoas. "O que há em mim é sobretudo cansaço — Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada; Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço" (Álvaro de Campos)

Às vezes tenho medo de mim. Medo do que sei que sou capaz, medo de ser injusta, medo das decisões que eu tomo. Não é um medo que paralisa, mas que me leva a enfrentá-lo. Dessa forma, o medo é positivo. Porém, ainda assim, aterroriza, e muito!

Ainda agora há pouco pensava em algumas decisões que podem me mostrar um caminho na vida, me deixar menos perdida. Acho que finalmente vou começar a encontrá-lo, não tenho certeza. Para isso, vou precisar de coragem... que não sei se tenho. Temo ser fraca demais, temo não conseguir encarar vida nova, em outro lugar. Sou um pássaro que ainda não deu seu primeiro voo. Ou melhor: que já voou, mas que ainda não tem a segurança dos grandes voadores.

Quero escrever, ser jornalista de fato e de direito. Mas não vejo isso muito próximo. O que me entristece...

Queria um máquina do tempo, pra consertar coisas. Queria ser cartomante, saber meu futuro, para tomar as decisões corretas. Não quero e não posso errar, mas sou humana, demasiadamente humana. Gosto de saber que não sou perfeita, e ao mesmo tempo queria ser a melhor pessoa. Não sou. Também tenho medo de ferir os outros, de magoar. Parece altruísmo? Não é; é autodefesa. Não tenho mais (quase) ilusões sobre mim nem sobre os outros, sei agora que não existem pedestais.

Ando melancólica ainda, e isso se reflete aqui. Juro que tentei pensar em um post mais feliz, mas não consegui. Essa é a verdade que está se passando em mim, e como esse espaço é bem biográfico, peço licença à vocês, mas foi assim que saíram essas maltraçadas linhas. Tenho mesmo alma de poeta. Só não descobri como usá-la de um jeito mais prático. Ninguém mais morre de ideais românticos... melhor assim, pois eu seria uma forte candidata.

Por fim, uma música dos Paralamas do Sucesso - Capitão de Indústria. Define meu cansaço, como estou, excetuando, claro, a parte do trabalho, por motivo óbvios =P. O vídeo não tá muito bom, mas a música vale.

PS: * *Talvez vocês saibam, mas digo mesmo assim, hehe: o título é uma brincadeira com o início da música Conto De Fraldas, do Tom Zé: "Penso, pena que seja pouco, só penso pensamento que possa te procurar, de cá, de lá"




Eu às vezes fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais

Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer

É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei
Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas

Ah, Eu acordo prá trabalhar
Eu durmo prá trabalhar
Eu corro prá trabalhar

Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer

Eu não vejo além da fumaça
Que passa e polui o lar
Eu nada sei
Eu nao vejo além disso tudo
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas

Eu acordo prá trabalhar
Eu durmo prá trabalhar
Eu corro prá trabalhar

Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer

É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei
Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas

Ah, Eu acordo prá trabalhar
Eu durmo prá trabalhar
Eu corro prá trabalhar

terça-feira, 16 de junho de 2009

Estava à toa na vida...

Olá todos vocês que tem paciência de me acompanhar. Ando meio chata, não? Meio sentimental, meio emo até, hahaha. Sabem como é, alma de poeta...

Hoje estou mais tranquila, mais positiva com os meus pensamentos tortos. Chego a conclusão que não vale a pena gastar tanto tempo me torturando, tentando me adequar, tentando fazer as coisas todas entraem nos eixos. Sabem, às vezes é absolutamente necessário sair dos eixos para enxergar mais claramente. Será que os loucos é que estão certos?

Escrever essas linhas tem sido muito bom pra desafogar minha mente, minhas ideias, minha cabeça. Mas não quero só encher a de vocês. Não. Estou à toa na vida, aproveito pra pensar nela. E como tenho algum tempo livre, penso até demais.

Acabei de ler "Clockwork Orange", ou Laranja Mecânica. Livro ótimo, retrato de um modo de agir que eu não entendo. Acho que nunca vou entender a violência gratuita, ou ultraviolência, como ela é chamada no livro. Não vi o filme, mas verei logo. Estou curiosa para ver o Alex, personagem principal, na tela.

Vi "O Poderoso Chefão 1" na última sexta-feira. Muito bom!!! Comprido, mas nem parece... agora quero ver os outros, completar a trilogia. Trata de mais um mundo diverso do meu, mas, ao mesmo tempo, dá pra fazer analogias. O amor e companheirismo, as pessoas que se aproveitam de situações, as traições... tudo muito humano. Engraçado como somos seres estranhos, capazes de atos lindos e absurdos.

Ainda estou perdida, tento achar meu caminho... talvez por isso mudei algumas maneiras de pensar. Nada drástico demais, só aparei arestas que nem sabia que existiam. Me sinto como o Alex no final do Laranja Mecânica: estou crescendo, vejam só!

À toa, sim, mas nunca desocupada. Me ocupo, nem que seja de me ocupar.

Para terminar, Fernando Pessoa... ah, não reclamem, esse é curtinho e eu dei folga suficiente de poemas, vai...

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Ps: Sim, postei em dois dias seguidos. Sei lá, deu vontade. Se ainda não leram, leiam o anterior.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Sobre Meninos, Meninas e Lobos

Na vida tudo, absolutamente tudo, é cíclico. Vocês já repararam nisso? No modo que os acontecimentos parecem se repetir, parecem destinados mesmo a acontecer? É mais ou menos isso que anda passando pela minha cabeça ultimamente. Tudo faz parte de um ciclo, parece estar apenas esperando que tomemos as decisões para mostrar sua cara, e na nossa própria cara exibir sua lógica estranha.

Nós dividimos as coisas, para simplificar, e por isso complicamos. Dividimos os nossos mundos em certo e errado, de acordo com o que acreditamos. Mas é uma pretensão muito grande não mudar de opinião. Já fui muito pretensiosa; levava a ferro e fogo o que pensava, dividia o mundo em preto e branco, esquecendo que há o cinza, e em várias gradações. Agora, não sei mais se estou certa... na verdade, me pergunto: o que é certo?

A única resposta a que chego é que certo é seguir as suas leis pessoas, dadas as devidas proporções. Não é certo roubar, não é certo matar, nem trair, claro que não. Continuo pensando assim. Mas se até a lei dos homens, que nada mais é que um apanhado de letras sem sentimentos (porque esse é seu dever, não sentir) perdoa, por exemplo, quem mate em legítima defesa, quem sou eu para ir contra a legítima defesa de cada um? Muitas vezes nós agimos de forma que os outros não vão entender, mas que vai nos preservar. E autopreservação é mais que uma necessidade, é um instinto.

Sei que somos racionais, e por termos esse privilégio aceitamos também obrigações implícitas. Mas ainda somos animais, mesmo assim. Por isso, tenho tentado não julgar os outros, por mais que isso seja difícil. É quase impossível, na verdade. Porém, quem sou eu para saber o que alguém deve fazer? "Que sei eu do que serei, eu que nem sei quem sou?"

Sou julgada, e sei bem que muitas vezes condenada, todos os dias. Entendo que me julguem, mas não sou obrigada a aceitar os vereditos.

Mas esse era pra ser um post mais positivo... hehehe. Então, vou mostrar que de tudo retiro algo bom: começo, mais do que nunca, a me conhecer, a ver em mim imagens de meus pais, de meus amigos, e essas imagens me ajudam a criar um código de ética próprio. Gosto de saber que tem gente a minha volta que se preocupa comigo, e que tenta me alertar, mesmo que de uma maneira pra mim torta e irritante. Se me irrito, me incomodo, é porque me importo, nada mais que isso. E se me importo, é porque amo. E se amo, sempre vou tentar entender.

Meu gênio é difícil, meu estilo é difícil, sou mesmo muito difícil de entender. É tudo 8 ou 80, não há meio termo. Isso é um defeito... mas também me torna quem sou. Apenas quero respeito, amizade, carinho, amor em vários graus e vertentes. Não é o que todos queremos?

Repito o que já disse: amo vocês, meus amigos. De verdade, e intensamente. Por favor, tentem me entender.

Pra terminar, música: , do cd Tudo ao Mesmo Tempo Agora - Titãs



Você já tentou varrer a areia da praia?
Já ficou no escuro ouvindo o canto da cigarra?
Já ficou no espelho rindo sozinho da sua cara?
Já dormiu sem ninguém num canto de rodoviária?
Já dormiu com alguém por migalha?
Você já tentou varrer a areia da praia?

Você já tentou varrer a areia da praia?
Já perdeu a hora quando o tempo pára?
Já gritou uma palavra até perder a fala?
Já colocou todas as roupas do armário na mala?
A sua casa já desmoronou no meio da sala?
Você já tentou varrer a areia da praia?

Já quis demais alguma coisa já quis alguma coisa já?
Jamais quis alguma coisa já?
Já?

Você já tentou varrer a areia da praia?
Já viu sumir a última estrela da madrugada?
Já ficou um dia, um mês, um ano sem fazer nada?
Já colocou todas as roupas do armário na mala?
A sua casa já desmoronou no meio da sala?
Você já tentou varrer a areia da praia?
Jamais quis alguma coisa já quis alguma coisa já?
Já quis demais alguma coisa já?
Já? Já!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Algumas considerações... acho

Tem algumas coisinhas que eu quero falar, nem sei bem por onde começar, mas já estou começando. A vida é muito irônica, cíclica, engraçada até, pra quem souber rir dela e de si mesmo. Tem acontecido algumas coisas que eu já meio que previa, outras que eu torcia pra que não acontecessem, outras que foram surpresa. Não só comigo; aliás, principalmente com os outros, o que me afeta até mais do que se apenas comigo.

Sou uma ...boba, que tenta ser má, diz a todos que é má, mas no fundo é só uma ...boba mesmo. Muitas pessoas, nos últimos doze meses, me fizeram bem e mal, me fizeram rir e chorar, me deixaram feliz e com muita raiva. Muitas me supreenderam por aparecer, outras por reaparecer, outras por sumir. Sempre vivo cercada de gente, mesmo que não pessoalmente; às vezes as pessoas me fazem companhia mais na minha cabeça do que fisicamente ao lado. Sei lá. Acho que é um pouco da minha melancolia aflorada, que faz com que eu esteja sempre com algo me ocupando a mente. Sabe como é, cabeça vazia...

Torci muito por algo que não deu certo, infelizmente, na última quinta-feira. Não importa saber o que foi, só que não vai. Sinto muito... mesmo... Mas acredito em destino, como já disse aqui. Talvez seja melhor assim.

Pessoas muito próximas a mim, e não tão próximas nos últimos tempos (acontece, né?) sofreram um pouco, ou ainda estão sofrendo, nos últimos dias. É pena, mas o que nós seríamos sem passar por isso? Um bando de pessoas menores, mesquinhas e, sem dúvida, infelizes. Sei como é difícil acreditar nisso às vezes, porém é a mais pura verdade. Torço agora para que dessas dores saiam boas conclusões... mesmo que egoístas a princípio. Só a princípio, hein?

Nem tudo foi ruim. Muitas supresas boas me marcaram ultimamente. Reconheço que mudanças estão fazendo bem a alguns, e isso é importante. De tudo que acontece dá pra se tirar proveito, digo isso por experiência. Ando preocupada com várias coisas, como arranjar emprego... mas cheguei a conclusão de que tudo tem seu tempo. Era isso que queria dizer aqui hoje, talvez... Tudo tem seu tempo. Absolutamente tudo.

Continuo aprendendo sobre mim, sobre o que sou capaz. Às vezes me pego tentando resolver problemas meus e dos outros, às vezes me pego com preguiça de resolver coisas que estão bem ao meu alcance, às vezes resolvo não resolver nada, deixar a água correr. Não me assusto mais com quase nada... isso é assustador?

Muitos de vocês vão entender só metade do que está escrito aqui, muitos vão entender menos, alguns vão entender quase tudo, talvez ninguém entenda nada. Não faz mal. Só queria escrever sobre o que está aqui dentro de mim no momento. Estou com tantos pensamentos ao mesmo tempo que precisava organizá-los. Sei que as pessoas que me fizeram mal, as que eu falei lá no início, provavelmente nem saibam o mal que me fizeram. As que me fizeram bem há mais chance que saibam. Mas a vida segue o rumo, seu ciclo, com graça, com ironia. É assim.

Por fim, não é uma poema, é uma música do Caetano Veloso, cantada por Roberto Carlos, e que eu amo: Força Estranha



Eu vi um menino correndo, eu vi o tempo
Brincando ao redor do caminho daquele menino,
Eu pus os meus pés no riacho e acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei

Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga
A vida é amiga da arte, é a parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou

Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha

Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista
O tempo não pára no entanto ele nunca envelhece
Aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são
É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão

Eu vi muitos homens brigando, ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta
E a coisa mais certa de todas as coisas
Não vale um caminho sob o sol
E o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada, é o sol

Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sacos Plásticos e manequins

Eu fui, meus caros!! Eu fui pra São Paulo, passei frio dois dias seguidos, mas falei com eles! E comprei o cd novo, que estou ouvindo sem parar, hehe. De quem? Dos Titãs!!! Eu falei com todos eles, pouquinho, mas falei. E estou bem feliz, como aquelas fãs idiotas mesmo. Admito, sou idiota!

Fui acompanhada do Thiago (brigadinha, moço!) nessa aventura gelada. Tava um frio em Sampa que eu vou te contar, justo eu que odeio passar frio... Se valeu a pena? Muito! Tô feliz até agora... os encontros com eles foram na terça e na quarta, e hoje já é madrugada de sexta.

Mas deixa eu contar, que já enrolei demais: como vocês devem saber, e eu escrevi no post passado, os Titãs são a minha banda preferida. Eu sou fã enlouquecida, adoro todas as fases da banda, sei que ela não está nos melhores dias, mas não me importo. Amor incondicional, que deixa pra lá as músicas nem tão boas e as ruins, e olha pras que são muito boas, ótimas e excelentes.

Fiquei sabendo da sessão de autógrafos e da gravação do clipe, em São Paulo. Tinha que ir, nem que fosse sozinha!!! E fui, comprei o cd novo - Sacos Plásticos - (sim, eu ainda compro cds...), que está com o encarte todo autografado, lindo! E falei com as pessoas que mais ouço na vida. Foram todos muito simpáticos, com destaque para o Tony e o Charles, dois caras muito legais. Tive dois pontos altos na primeira noite: o primeiro quando falava com o Sérgio, que tava meio mal humorado... aí ele viu minha carinha de fã idiota, achou bonitinho e o rosto dele se transformou em um sorriso muito sincero.

E o ponto mais alto foi, claro, a conversa com meu titã preferido, o Paulo. Ele perguntou meu nome, eu falei, ele autografou e me devolveu o encarte. Eu aproveitei e disse: "Cara, eu te adoro!". Ele pegou a minha mão, segurou entre as duas mãos dele, e me respondeu: "Que bom! Brigado!". Eu sei, sou uma fã idiota, já escrevi isso... e ganhei a noite, a semana, o mês!

Dia seguinte, gravação do clipe, e lá vamos nós passar frio no Sta. Ifigênia. Muito legal ver o clipe sendo feito, eles ali ao lado, trabalhando, muita gente parando sem saber o que estava acontecendo. Ouvi o seguinte diálogo: "De quem é o clipe?" - "É de uma banda de rock, o Paralamas". Hahahahahahaha, tive que corrigir... e não é que a pessoa só acreditou em mim quando começou a tocar a música?

Me diverti, foi tudo muito bom, amei cada segundo, mesmo. Agradeço a todo mundo que me aturou, sobretudo ao meu companheiro nessa jornadinha, que teve que conversar comigo enquanto eu tava com aquela cara de idiota atarrachada no rosto. Feliz demais!!

Uma das músicas, já das minhas preferidas, Deixa eu Entrar:

"Esquece o certo e o errado
Entende bem o meu recado
Esquece a reza e o cuidado
Reza a Deus e ao diabo

Deixa, deixa eu entrar
Deixa, deixa eu ficar

Abre a porta do teu quarto
Troca o papo, tá furado
De ter medo e de pecado
Quem tem culpa, tá culpado

Deixa eu entrar
De frente ou de lado
Atravessar o teu sonho molhado
Deixa eu entrar
Em cima ou embaixo
Ser teu escravo, teu dono, teu criado

Corpo fechado, por que tanto resguardo"

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ídolos

Não, não vou falar desses programas de tv que formam novos ídolos para o povão (nada contra, só não é esse o assunto). Quero falar hoje dos meus ídolos. Mas não pense também que você vai encontrar por aqui apenas os ídolos de música, filme, livros, o que for. Quero falar dos meus ídolos, os de pedra, de barro, de carne e osso, de ilusão. Todos eles... ou quase, pode ser que eu esqueça alguns.

Tenho meus ídolos "normais", que todo mundo tem. Sou apaixonada pelos Titãs, por exemplo. Minha banda preferida, de todas as existentes do mundo, e que tem um vocalista que eu amo (até casaria com ele, acredite): o Paulo Miklos, aquele que é beeem feinho mesmo. Tenho inúmeros outros ídolos na música (Paralamas, Orishas, Beirut, Chico Buarque, Foo Fighters...), tenho ídolos nos livros (Fernando Pessoa, Luiz Fernando Veríssimo, José Roberto Torero, Marcos Rey...). Porém, mais que isso, tenho sorte - convivo com meus maiores ídolos.

Sim, o que vou dizer agora vai ser brega, hehe. Meus maiores ídolos são meus pais e meus amigos. Meus pais, porque me ensinaram tudo que sei, ou quase tudo. Porque me mostraram que é possível, sim, casar e continuar casado por amor, mesmo que os tempos nunca fiquem fáceis. Minha mãe porque me ensinou a lutar na vida, sempre. Meu pai porque me ensinou a dar valor pra coisas bobas e importantes, e para amigos.

E agora meus amigos. Todos vocês que convivem comigo, em maior ou menor grau, de alguma forma são meus ídolos também. Primeiro, porque vocês conseguem conviver comigo, com minhas chatices, minhas repetições - isso já merece medalha! Depois, porque cada um de vocês me ensinou alguma coisa. Não vou citar nomes, não quero ser injusta. Como disse no meu quem sou eu, aí do lado, amo meus amigos. E meu namorado está incluído na lista de amigos, pois antes de tudo ele é um amigo também.

Hesitei antes de fazer esse post, estava tentando ser o menos piegas possível, hehehehe. Contudo vi que não há como. Quero que vocês saibam: vocês são meus ídolos. E eu tenho sorte de ter tanta gente que gosta de mim ao meu lado, seja há mais de 10 anos, seja a pouco mais de 1.

E para terminar, me justifico: se essa é uma carta de amor...

"Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

(...)

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)"

Álvaro de Campos / Fernando Pessoa

quarta-feira, 27 de maio de 2009

The importance of being idle

Como muitos (senão todos) de vocês sabem, não estou trabalhando no que gostaria. Meu sonho, desde que pensei em entrar em jornalismo, sempre foi escrever, para um jornal ou revista. E isso é mais difícil do que parecia no começo, principalmente porque os meus estágios não foram nessa área. Até já fiz matérias, que foram publicadas em jornal e revista, mas nada que suprisse essa minha vontade.

Pra mim, é complicado falar disso, porque eu ando me sentindo meio perdida nesse aspecto. Estou procurando um caminho, ainda não encontrei... mas não é exatamente disso que eu vim falar aqui. Queria falar da importância de ser um desocupado, por sinal a tradução literal do título aí de cima (pra quem não sabe, é uma música do Oasis).

Estou um pouco perdida, mas não me sinto culpada por estar assim. Já tive dias em que ficava pensando "Deve ter algo errado comigo, porque não é possível que eu não consiga trabalhar com o que quero". Depois de muito pensar, cheguei a conclusão de que não é bem assim. As coisas acontecem quando tem que acontecer, não antes nem depois. E isso é o que chamamos de destino.

Não sei se vocês acreditam em destino. Eu acredito piamente. Não estou dizendo que nós não possamos mudar nada, não possamos agir de uma forma diferente, taí o tão famoso livre-arbítrio. No entanto, mesmo isso acontece de acordo com quem nós somos e como aproveitamos as oportunidades que surgem. Quantas vezes já me perguntei porque algumas coisas dão certo e outras não? E sempre, lá na frente, acabo descobrindo que havia, sim, um motivo.

Acreditar nisso me tranquiliza, mas não me faz esperar que tudo caia do céu, como mágica. Também não é isso que quero dizer. Temos sim, que correr atrás, mesmo sem apoio, mesmo que pareça uma imensa bobagem o que vamos fazer. Se é o que você quer fazer, faça, e não permita que te impeçam. Mas descubra primeiro o que exatamente você quer da vida. Eu descobri, já há algum tempo, e cada vez mais me convenço que sei o que quero. Só me falta achar um caminho pra isso.

Pra terminar, lá vem meu poeminha, hahaha. Não desisto! Porém ele vai editado, porque é meio comprido. Fala, "tio" Carlos Drummond de Andrade:

"Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche** na vida.

(...)

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo,
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo."

** gauche é uma palavra francesa - pronuncia-se “goxe” - que significa esquerdo, mas também serve para designar o desajeitado, estranho, acanhado, deslocado. Combina com o post...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

"Ninguém sabe o duro que dei..."

Tinha uma idéia já prontinha pra escrever aqui, mas, por motivo de força maior, vou adiá-la. Essa semana eu vi algo que tenho que dividir com o maior número de pessoas possível. Trata-se de um filme, o do título aí de cima: "Simonal - Ninguém sabe o duro que dei".

Não conhecia (e ainda não conheço) muito do Wilson Simonal, e foi exatamente por isso que me interessei em ver esse documentário. Dirigido pelo Cláudio Manoel (ele mesmo, o casseta), além de Micael Langer e Calvito Lea, o longa conta a história da carreira de Simonal, que em um momento fazia mais de 320 shows lotados por ano, e de uma hora pra outra sumiu completamente dos palcos.

A figura do Simonal me intrigava desde bem mais nova. Minha mãe cantava as músicas dele em casa, então eu conhecia alguma coisinha sobre ele... mas achava tão estranho, afinal eu nunca ouvia falar dele em lugar nenhum. Não era como a jovem guarda, ou a bossa nova. Era como se ele não existisse... O motivo depois eu soube: tinha algo a ver com delação de colegas para a ditadura. Mesmo assim, tudo muito nebuloso.

Com apenas isso na cabeça, assisti o filme. E o que vi não vou esquecer: vi um artista que simplesmente comandava o público, como se fosse regente de orquestra. Ele fazia o que queria com quem ia assistí-lo, de verdade! A presença de palco dele é impressionante demais, não acreditaria se não fossem os vídeos garimpados. Mais uma descoberta pra minha coleção: esse artista magnético, muitas vezes genial, que inclusive lutou - à sua moda particular - contra o racismo. Saí do cinema absolutamente embasbacada, e com vontade de procurar mais. Adoro quando isso acontece!

Mais importante do que a polêmica foi ver o artista em ação. Ele realmente não merecia o ostracismo em que caiu, pelo menos não por esse motivo...

O post já está grande, e eu não quero tirar o gostinho de surpresa de quem ainda não viu o documentário, então aqui vai o recado final: deem um jeito de assistir esse longa, seja em São Paulo (onde eu vi), seja esperando vir pra Santos, seja esperando sair em dvd. Vale muito a pena. Só pra dar uma mostra, aqui vai a promo do filme:



Espero que vocês curtam. E como já me alonguei, hoje ficamos sem poeminha (comemorem, eu deixo, hahaha)

PS: estou tendo um probleminha com os comentários aqui. Deve ser erro do blogspot. Se você quiser mesmo comentar, hehe, clica no título do post que você conseguirá! Beijocas!!!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Dance with Somebody**

Olá! Como estão vocês?

Então, como eu disse no meu primeiro post, eu tenho feito descobertas sobre mim, sobre os outros, sobre vários assuntos. E vejo que algumas pessoas ainda se surpreendem muito comigo, apesar de me conhecerem até bem. Acho isso positivo, significa que há sempre o que se descobrir sobre os outros, sobre si mesma.

Esse "nariz de cera" (para quem não sabe, significa texto introdutório, geralmente desnecessário, hehe) me serviu para entrar num assunto simples, na verdade: meu gosto por dançar. Eu sempre dancei, desde pequena, quando subia nos pés do meu pai pra dançar com ele, ou ele me carregava no colo (ele é meio alto, e eu nunca fui alta). Ainda pequena, aprendi a sambar sozinha, depois aprendi quase todas as outras danças também sozinha, de observar os outros.

Dançar é uma das poucas coisas que me fazem sentir totalmente livre. Quando você dança, pode fazer o que quiser, pode pular, pode desafiar a gravidade, esquecer por um momento o que acontece em volta, apenas ouvir e sentir a vibração da música e acompanhar com seu corpo. É um instante em que você não pensa, não mede, não teme, se entrega.

Eu costumo ser muito tímida, não gosto nada de chamar a atenção, acho que todos que me conhecem sabem disso. E até disso a dança me liberta: quando estou dançando, me transformo em outra Amanda. Eu tomo coragem, fecho os olhos ou não olho pra ninguém e danço (sim, porque se eu percebo que estão olhando pra mim eu desconcentro...).

Eu realmente aconselho vocês a dançarem, muito. E não tem essa de dançar errado, de "eu não sei, sou desajeitado". Não existe dançar errado!! Acreditem em mim. Como a maioria das atividades que nos libertam, dançar se aprende dançando. Você não precisa seguir passos marcados, precisa sentir a música, percebê-la entrando pelos seus ouvidos, passeando pela sua pele, lhe tomando de assalto.

Dance qualquer ritmo, se entregue à música. E aproveite esse momento até suas últimas forças, até seu pés e suas costas não suportarem mais. Como diria a música de uma banda amiga, vá de "corpo, alma e rima".

E só para provar que eu sou mesmo chata, um versinho bem curto do "tio" Carlos Drummond de Andrade.:

Poesia

Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

** o título é o nome de uma música de um grupo chamado Mando Diao. Conheço quase nada deles, só essa música, mas escutem inteira, é legal - http://www.youtube.com/watch?v=8nh931yRQIM

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pretensões? Não, obrigada!

Não tenho pretensão nenhuma fazendo esse blog. Não pretendo salvar o mundo, nem causar impacto, nem nada parecido. Queria um espacinho pra falar de minhas opiniões, que tenho de monte, sobre muitos, muitos assuntos. Não sei que rumo vou dar a essas conversas, e gosto assim, sem saber mesmo. Por falta de pretensões também não estou escrevendo numa linguagem culta... escrevo do jeito que me vem à cabeça.

Mas por que esse discurso? Porque eu vou falar hoje de umas coisinhas que andam me chamando a atenção estes dias. Estou numa fase meio melancólica ou, como diria Bruno Rios, depressiva. Não, não estou em depressão, bem longe disso. É quem tem dias na minha vida que eu me sinto um pouquinho, bem pouquinho, tristinha e me vem uma certa melancolia. Eu até gosto dela, foi minha companheira durante tantos anos... mas essa é outra história.

O bom é que, nessas fases, leio feito uma desesperada, sobretudo poesias. Mas não qualquer poesia: quem já conversou comigo sobre isso sabe que eu não sou lá muito fã de poemas romantiquinhos, tipo "meu amor é como a luz das estrelas...". Gosto mais de: "NÃO: Não quero nada/Já disse que não quero nada/ Não me venham com conclusões!/ A única conclusão é morrer". Não sou radical: também gosto de textos de amor, porém tudo tem limite.

E hoje resolvi dividir com vocês uma descoberta não tão recente, mas bem legal: o Jornal de Poesia. Nesse site tem poesias de diversos autores, podem fuçar, é bem legal. O endereço da página principal é http://www.revista.agulha.nom.br/poesia.html . No pé da página tem um índice por letra do primeiro nome do autor, e dá pra achar de tudo. Então, quem quiser dá uma espiada lá.

Sim, eu sou uma chata que adora mandar os outros lerem... desculpa aí, hehe. É que eu tenho alma de poeta... mais ou menos. Um dia tomo coragem e posto aqui um poeminha meu, da minha pequeníssima safra... que talvez aumente, quem sabe?

E para não perder o costume, termino com um poema, dessa vez de Fernando Pessoa/ele mesmo:

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Decidi!!!

Depois de muita hesitação, eis que resolvi fazer um blog. Depois de muitos me darem essa idéia (Thiago, Isa... e outros), fui finalmente convencida, por um amigo (você mesmo, Leo) acho que só faltava esse empurrão. Bem, aqui está o primeiro post... e como é o primeiro, vou falar de coisa meio desconexas, não liguem. Ah, mas se você está lendo isso provavelmente me conhece, então não vou me explicar demais.

Eu já pensei várias vezes em fazer um blog, e nunca fiz. Porque, se fizesse, quereria que alguém lesse, e se ninguém lesse me sentiria... sei lá, meio abandonada. Afinal, de que vale escrever se ninguém lê? Porém, cheguei a conclusão de que isso é besteira. Se ninguém ler isso aqui, paciência. A minha necessidade de escrever falou mais alto. Nunca tive paciência pra "querido diário" (sou meio macho em alguns quesitos, como esse), portanto não esperem atualização diária... mas vou me forçar a vir aqui sempre.

Tenho descoberto muitas coisas, sobre o mundo, sobre os outros, sobre mim. Cada dia algo novo me aparece, uma sensação, um pensamento, um texto, uma banda, uma música. Minha vida sempre foi movida à música, dança... coisas que aprendi com meu pai. Tem sempre uma música tocando na jukebox da minha cabeça. Agora mesmo, estou ouvindo dentro dela "Un Dernier Verre", do Beirut (não conhece? procure, é encantador!). Nasci pra humanas, e pra morrer pobre: tudo o que eu gosto de fazer não dá dinheiro! "Mas, tudo bem, eu sei que um dia vai, e outro vem..." e as coisas podem sempre mudar.

Então, pra quem teve a paciência de ler até aqui, brigada. Falo demais... e parece que escrevo demais também. Deixo meu poder de síntese para a Amanda jornalista, que talvez aparece por aqui às vezes. Ou não. Veremos...

Pra terminar, um poema que tem estado na minha cabeça (junto com as músicas... depois me perguntam por que eu sou confusa!):

"Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser"

Ricardo Reis/ Fernando Pessoa