terça-feira, 28 de dezembro de 2010

19.15.12.09.04.01~.15 / de 1 a 26

Ela está aqui.
Chegou pontualmente atrasada, às doze horas e vinte e quatro minutos
duma tarde já sem sol.
Quando eu disse tchau a alguém que precisava ir.
I said goodbye, she said hello.

Ela me acompanha.
Está em cada gesto, cada palavra que falo, cada pensamento.
Está nos tijolos, na tinta branca manchada de umidade, nas janelas fechadas.
A vejo no reflexo do espelho.
Me segue, e não tenho escolha.

Aqui não há nada que a faça ir embora.
Havia... não há mais.

Às vezes parece que ela se vai...
Ela se esconde, desaparece
para chegar sempre pontualmente atrasada
no instante em que eu digo tchau porque preciso ir.

Ela está aqui, e não sei mais o que fazer.

Queria ter força mas me falta cedilha.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Pensando

Semana passada tentei algumas coisas. Quase nenhuma deu certo, só o presente do Bruno e o passeio na Galeria do Rock, que me rendeu mais uma camiseta legal, dessa vez de Big Bang Theory. De resto, nada deu muito certo... tentei me acostumar com a falta de um oásis, como escrito no outro post, e não consegui até agora. Não sei se vou. Tentei ficar mais contente, deu certo apenas um dia. Tentei não me sentir sozinha, não deu certo mesmo. Tentei ganhar na loteria, o prêmio acumulou. Tentei me curar de uma tosse persistente, o ar condicionado não deixa.

Estou me sentindo meio estranha e sozinha ainda. O que ninguém vai entender direito, uma vez que tenho pessoas em volta, pessoas que gostam de mim. Mas me sinto mais sozinha agora, e essa sensação está aqui o tempo todo. Agora sei que não posso esperar que algo aconteça e me tire essa sensação. Nada vai acontecer. Preciso aprender a conviver com isso, e ponto final.

Não estou otimista, nem pessimista - tento, agora, me concentrar em outras coisas, como sempre fiz e sei que dá certo só por algum tempo. Mas é o que eu tenho no momento.

Tenho uma segunda fase da Fuvest pra passar, e não vejo muitas chances, mas vamos lá! Estudo e rezo, hehehe. Se passar pra segunda fase, acho que sou capaz até de me converter de vez a alguma religião, hahahahha. Say hallelujah!

Torçam por mim, em todos os sentidos, inclusive na loteria.

Pra terminar, música que não tem nada a ver, mas é lindinha e será a música de ninar da minha filha quando eu tiver uma! hehe

Essa onda não me pega - Sérgio Britto

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal

Uma música que eu acho muito bonitinha, de natal, e bem antiga. Depois volto aqui e coloco vídeo da Judy Garland cantando... Feliz aniversário do menininho!


"Have yourself a merry little Christmas,
Let your heart be light
From now on,
our troubles will be out of sight

Have yourself a merry little Christmas,
Make the Yule-tide gay,
From now on,
our troubles will be miles away.

Here we are as in olden days,
Happy golden days of yore.
Faithful friends who are dear to us
Gather near to us once more.

Through the years
We all will be together,
If the Fates allow
Hang a shining star upon the highest bough.
And have yourself A merry little Christmas now"

"Tenha um pequeno e feliz natal,
Deixe que seu coração seja iluminado.
De agora em diante, nossos problemas ficarão fora de nossas vistas.

Tenha um pequeno e feliz natal,
Deixe a época natalina alegre.
De agora em diante, nossos problemas estarão bem longe.

Aqui estamos nós, como nos tempos antigos,
Felizes e dourados dias que se foram.
Velhos amigos que são queridos para nós,
Reunidos junto a nós
Uma vez mais.

Através dos anos, nós todos temos estado juntos,
Se os santos assim permitem.
Pendure uma estrela brilhante sobre o galho mais alto
E tenha um pequeno e feliz natal agora"

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Esquecer é uma necessidade

Quando você se sente assim, meio estranho, meio faltando algo, você começa a lembrar de como era antes de se sentir assim. É desse jeito que estou. Lembrando de muita coisa, boa e ruim. O fim de ano próximo também ajuda nisso, claro, hehe.

Mas... enfim, sinto faltas. Penso em como minha vida tem sido, no que tenho pensado, o que tem acontecido. E bate arrependimento, de algumas coisas que fiz, do modo como fiz. Infelizmente, não há como voltar pra mudar... mas eu também não tenho certeza que quero mudar.

Meu humor não tá dos melhores, estou me sentindo estranha no mundo. É como se eu tivesse sempre um copo d'água perto de mim e, de repente, me visse no deserto sem nada em volta, nem a possibilidade de um oásis. É isso - perdi meu oásis, que me fazia não perceber, às vezes, que "Grandes são os desertos, e tudo é deserto", como diria o Álvaro de Campos.

Não sei como vou me acostumar com essas faltas. Sinto falta de coisas que lembro, e talvez esse seja o problema. Citando outro dos meus queridos, "Esquecer é uma necessidade", já disse Machado de Assis. Não sei o que fazer com essa vontade que às vezes tenho de largar tudo e ir embora. Vontade que tem sido mais constante nos últimos dias...

Todo mundo precisa de um oásis, eu também. Meu oásis mais possível no momento está longe daqui, e eu não tenho acesso sempre que quero. O que eu tinha aqui ao lado se foi, não volta mais.

Estala, coração de vidro pintado!

"Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.

Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.

Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.

Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.

Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.

Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.

Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!

Mais vale arrumar a mala.
Fim."

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O que me move

Post musical - Duas músicas que vou ouvir bastante esses dias. E que indico, sem sombra de dúvidas, para vocês. Ouça pelo menos uma vez cada uma delas, hehehe. São lindas - e falam muito comigo. Enjoy it!

A primeira, Sérgio Britto (sim, o titã!) e Marina De La Riva, com "Pra te alcançar":



"Pra te alcançar, pra te soltar, pra depois te prender
E me lembrar de te lembrar, pra depois esquecer
Pra te esperar, pra te ganhar, pra depois te perder
E me mostrar, pra te mostrar, e depois esconder

Não por você, nem vem por mim
Pode até o sol sair
Não por nós dois, nem por ninguém
Pode até o tempo abrir

Roda, roda, roda, o pôr do sol nos espera
Roda, roda, roda, é tudo igual ao que era
Roda, roda, roda, o pôr do sol nos espera
Roda, roda, olha as luzes no sinal

Pra te alcançar, pra te soltar, pra depois te prender
E me lembrar de te lembrar, pra depois esquecer
Pra te esperar, pra te ganhar, pra depois te perder
E me mostrar, pra te mostrar, e depois esconder

Não por você, nem vem por mim

Não por nós dois, nem por ninguém
Pode até o tempo abrir

Roda, roda, roda, o pôr do sol nos espera
Roda, roda, roda, é tudo igual ao que era
Roda, roda, roda, o pôr do sol nos espera
Roda, roda, olha as luzes no sinal

o pôr do sol nos espera
é tudo igual ao que era
o pôr do sol nos espera
Roda, roda, olha o anúncio no jornal

Alugo casa no ponto mais charmoso e exclusivo de Juquehy, a 50 metros do mar. São dois quartos com ar condicionado, sala de estar, tv e varanda. Livre para o ano novo e o carnaval."

PS
: a parte do anúncio é da música mesmo, não tenho casa em Juquehy, haha

Agora, Tulipa Ruiz, com "Às Vezes":



"Às vezes quando eu vou à Augusta
O que mais me assusta é o teu jeito de olhar
De me ignorar
Todo em tons de azul

Teu ar displicente invade meu espaço
E eu caio no laço exatamente do jeito
Um crime perfeito
It's all right, baby blue

Garupa de moto, a quina da loto saiu pra você
Sem nome e o endereço é de hotel, eu mereço
Até outra vez

Às vezes quando eu chego em casa
O silêncio me arrasa e eu ligo logo a TV
Só então eu ligo pr'ocê, descubro que já sumiu

Não sei em qual festa que eu te garimpei
Cantanto "lay mister lay", será que foi no meu tio?
Ou em algum bar do Brasil...
Sei lá, eu fui mais de mil

Cheguei bem tarde, o vinho estava no fim
E alguém passou o chapéu pra mim e gritou
É grana pra mais bebum e eu não paguei

Às vezes quando eu vou ao shopping
Escuto "Money for Nothing" e então começo a lembrar
Que eu tocava num bar e que uma corda quebrou

Foi um Deus-nos-acuda, eu apelei pro meu Buda
Te peguei pelo braço e nós fomos embora
Eu disse: Baby, não chora, amor de primeira hora

A vida é chata, mas ser platéia é pior
E que papel o meu
Chá quente na cama, sorvete, torta, banana, lua de mel

Às vezes quando eu vou ao centro da cidade
Evito, mas entro no mesmo bar que você
Nem imagino o porquê, se eu nem queria beber

Reparo em sua roupa, na loira ao seu lado
No seu ar cansado que nem mesmo me vê
Olhando pr'ocê, pedindo outro "fernet"

Será que não chega, já estou me repetindo
Eu vivo mentindo pra mim
Outro sim, outra "trip", outro tchau
Outro caso banal, tão normal, tão chinfrim

Às vezes eu até pego uma estrada
E a cada belo horizonte eu diviso o seu rosto
A face oculta da lua soprando ainda sou sua

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Pra Sempre...?

A gente sempre se depara com coisas que parecem eternas, e sempre sabemos que nada é eterno. Tudo tem seu tempo determinado. E, por mais que queiramos prolongar, não dá, não há como.

O que eu sempre faço é aproveitar ao máximo tudo o que posso aproveitar. Curtir mesmo os momentos... o problema é que, por mais que isso ajude, atrapalha na mesma medida, porque dá mais saudade ainda quando acaba. Sofro por isso, por antecipação e enquanto acontece, sempre. Mas ainda prefiro assim. Melhor ter saudade e lembrar que não ter do que lembrar. Mas, como nada é eterno, talvez um dia isso passe também.

Tenho que aprender a deixar as coisas seguirem seu rumo. Mas isso é outra história...

Por isso, música do dia - Efêmera, de Tulipa Ruiz. Sim, descoberta musical mais nova!

“Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se acontece alguma coisa nessa tarde de domingo
Congele o tempo pra eu ficar devagarinho
com as coisas que eu gosto e que eu sei que são efêmeras
e que passam perecíveis
e acabam, se despedem, mas eu nunca me esqueço

Por isso eu vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho
Martelo o tempo pra eu ficar mais pianinho
com as coisas que eu gosto e que nunca são efêmeras
e que estão despetaladas, acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço

Vou ficar mais um pouquinho, eu vou

Vou ficar mais um pouquinho
para ver se acontece alguma nessa tarde de domingo
Vou ficar mais um pouquinho
para ver se eu aprendo alguma nessa parte do caminho”

domingo, 5 de dezembro de 2010

?

Porque eu não me basto.
Porque eu me sinto sozinha no fim do dia, sempre.
Porque faz falta ouvir eu te amo dos amigos.
Porque faz falta ter alguém para ouvir minhas lamúrias e secar minhas lágrimas.
Porque faz falta ver o namorado sempre.
Porque eu voltei a chorar sozinha e sem fazer barulho.
Porque eu não sei tomar porres.
Porque eu quero carinho.
Porque eu estou com falta de ar.
Porque eu não vejo meu mar quando quero ver.
Porque eu não sei se vou passar na prova.
Porque eu não sei se adianta estudar.
Porque o único sal deste momento vem dos meus olhos.
Porque quero gritar até doer a garganta.

Porque sou eu.

Christmas Lights - Coldplay



When you're still waiting for the snow to fall
Doesn't really feel like Christmas at all

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A chata e a 7ª arte

Tô ficando muito chata com filmes. Muito mesmo. Vou ao cinema pensando sempre se o filme vai me dar a sensação de “ganhei duas horas da minha vida” ou não, e cada vez menos filmes me dão. Dos últimos que vi, depois do Tropa, acho que apenas um ou dois me satisfizeram. Os outros, alguns até de diretores consagrados, nem chegaram perto.

Sendo mais clara: me lembro de ter assistido, nos últimos tempos, o filme do Ayrton Senna, uma comédia romântica bem bobinha chamada “Juntos pelo Acaso”, “RED”, “Como Esquecer” e “Você vai encontrar o homem da sua vida”. Desses, apenas do do Ayrton e RED valeram mesmo a pena.



O do Ayrton Senna vocês devem saber qual é - é o documentário sobre a carreira, até o acidente. Assisti numa sessão lotada em Santos, e lembrar daquele dia de maio de 94 foi inevitável. Lembrei do que fazia, onde estava, como recebi a notícia. Lembrei que torcia pro Nelson Piquet antes de torcer por ele (ok, estou velha, hahaha). E fiquei torcendo, irracionalmente, para que o acidente não acontecesse, e o Senna sobrevivesse. O que, claro, não seria possível...

E quando chega a curva Tamborello, e o carro bate, a sensação é de estar vendo ao vivo, mas desta vez entendendo muito mais do que a criança de 10 anos que viu aquela cena. Assistam, se ainda não viram, e se tiver saído dos cinemas já, baixem, ou comprem o dvd. Mas vejam, sobretudo se vocês gostavam do Senna.



Já o “RED - Aposentados e perigosos” é puramente para divertir, filme de espionagem, com ação e piadas inteligentes. O longa fala da vida de agentes secretos aposentados, que começam a ser perseguidos pela própria CIA, e tem que se virar pra fugir. O elenco do filme é ótimo, com destaque para John Malkovich, sensacionalmente engraçado; Bruce Willis, que está um “Duro de Matar” com senso de humor; e Hellen Mirren, muito bem como a única representante feminina dentre os aposentados e perigosos. Me arrancou muitas risadas em uma sessão quase vazia de segunda à tarde (ah, as férias...).

Aliás, o próprio nome do filme é uma piada - primeiro com os inimigos da época em que os agentes trabalhavam, já que RED era o nome que designava os comunistas. No filme, RED significa Retired Extremely Dangerous, ou Aposentado Extremamente Perigoso. Divertidíssimo!

Já os outros me decepcionaram. Quer dizer, a comédia romântica não, eu sabia o que esperar. Mas “Como Esquecer” e “Você vai encontrar o homem da sua vida”... esperava muito mais. Não que sejam filmes ruins. O primeiro é o tão comentado filme em que a Ana Paula Arósio faz uma lésbica. O longa é até bem montado, mas... não me convenceu. Não pela Arósio, que está bem diferente, fechada, densa e quase perto de ficar feia (ela não tem como ficar feia. Raiva!). Mas algo no filme falta, os atores não estão entrosados, não sei... dá sensação que faltou alguma coisa, ou que o filme foi feito antes do tempo. Não é ruim, mas não gostei.

O último filme é um Woody Allen legítimo... o que eu começo a achar que não cai no meu gosto pessoal. Só assisti 3 filmes dele, portanto não posso afirmar com certeza, mas acho que ele me enganou com “Vicky Cristina Barcelona”, que gostei muito e recomendo (mas cuidado - o filme dá tilt no cérebro). Os outros dois que vi, “Tudo pode dar certo” e esse, hum, de novo sensação de faltou algo. O anterior ainda é melhor que esse, tem uma amarração mais elaborada, não acaba por falta de fita na câmera (ainda se usa fita?), impressão que tive do mais novo.

Bom, acho que tô ficando chata... Veremos numa próxima sessão. Próximo desejo de consumo - Abutres, filme explicado neste link: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/12/estreia-o-impacto-de-abutres-faz-argentina-mudar-leis-do-pais.html

Pessoas, vejam filmes! E me contem! Hehe, adoro indicações!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Rio?

Tarde do dia 25 de novembro. Eu fui até a Feira do Livro na Usp, comprei 4 livros novos pra minha estante, esperei horas em uma fila da Companhia das Letras, depois ônibus e cheguei em casa quando começou a chover. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, pessoas fugiam de balas, se escondiam em suas casas e locais de trabalho, por causa de uma guerra bárbara.

Escrevi aqui sobre violência, inclusive sobre Tropa de Elite 2. Já nem sei quantas vezes vi notícias que me fizeram agradecer por não estar na cidade maravilhosa. O que está acontecendo agora por lá é uma das tragédias mais anunciadas que já pudemos testemunhar. Todo mundo sabia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde. E o que foi feito?

O governo do Rio de Janeiro defende a invasão das favelas pela polícia, como solução. Seria uma solução fabulosa, se vivêssemos em um mundo perfeito, com autoridades que não se vendem por um carro, uma promoção, alguns milhares de reais. Seria perfeito se não tivéssemos uma população pobre, obrigada a viver em locais sem nenhuma condição e que se submete a pagar a bandidos por proteção contra bandidos piores. Seria ótimo se não tivéssemos um sistema que favorece o tráfico de drogas e usuários que o sustentam. Não é nesse mundo que vivemos.

Nesse momento, sentada aqui escrevendo, tento pensar numa solução. Não, não tenho a pretensão de conseguir a solução, não sou boa o suficiente pra isso. Só não queria escrever mais um texto sobre isso, falar disso, sem ter uma esperança qualquer. Cansa conversar sobre isso e não saber o que fazer.

Vocês talvez conheçam a música Jeremy, do Pearl Jam. Ela foi escrita baseada em dois fatos reais: primeiro, um menino que se matou em frente a classe na escola - ele era quieto, tinha poucos amigos, e um dia foi pra escola e no meio da aula de inglês, saiu da sala, voltou com um revólver e se matou. A outra história o próprio Eddie Vedder quase testemunhou - um garoto que também se matou, na escola dele, quando ele era jovem. Ele chegou a ouvir o tiro.

Por que esses garotos se mataram? Talvez porque eles falassem e ninguém os ouvisse, talvez por não suportarem mais a vida, talvez por nos alertar de algo, talvez só porque estavam tristes. Mas uma morte assim sempre serve para nos chamar atenção para algum problema.

O Rio é o nosso Jeremy, agora. Eles está com a arma apontada para a própria cabeça, e nós estamos olhando, sem saber o que fazer para impedir o suicídio. Talvez não consigamos encontrar uma solução a tempo, e ele morra. Quantos mais deixaremos morrer?

Amigos, não quero parecer o capitão Nascimento no primeiro filme, porém acredito que um jeito de começar a vencer o tráfico é PARAR DE USAR DROGAS! Ou legalizar! Não sei se legalizar é uma boa opção, mas pior do que está acho difícil ficar.

Não adianta subir o morro e matar todo mundo, logo terá mais gente assumindo os postos vazios. Então, por favor, defender que a polícia tem que matar todo mundo não vai mudar nada!

E, desculpem os termos a seguir, mas é foda ver que tem gente pensando na Copa do mundo. Na boa, foda-se a Copa do mundo, foda-se a Olimpíada, tem gente morrendo lá, caralho! Tem criança correndo de balas, ok? Dá pra pensar nisso agora, e esquecer os jogos?

Se cuidem, todos vocês. Torço pelo Rio. Que nosso Jeremy sobreviva.



Jeremy - Pearl Jam


At home
Drawing pictures of mountain tops
With him on top, lemon yellow Sun
Arms raised in a "V"
The dead lay in pools of maroon below

Daddy didn't give attention
To the fact that mommy didn't care
King Jeremy the wicked
Oh, ruled his world

(2x)
Jeremy spoke in class today

Clearly I remember
Picking on the boy
Seemed a harmless little fuck

Oh, but we unleashed a lion
Gnashed his teeth
And bit the recess lady's breast

How could I forget?
And he hit me with a surprise left
My jaw left hurting

Oh, dropped wide open
Just like the day
Oh, like the day I heard

Daddy didn't give affection, no
And the boy was something
That mommy wouldn't wear
King Jeremy the wicked
Oh, ruled his world

(3x)
Jeremy spoke in class today

Try to forget this (Try to forget this)
Try to erase this (Try to erase this)
From the blackboard

(2x)
Jeremy spoke in class today

(2x)
Jeremy spoke
Spoke

Jeremy spoke in class today

Tradução

Em casa
Desenhando figuras de topos de montanhas
Com ele no topo, sol amarelo limão
Braços erguidos em V
Os mortos estendidos em poças de cor marron embaixo deles

Papai não deu atenção
Para o fato de que a mamãe não se importava
Rei Jeremy, o perverso
Governou seu mundo

Jeremy falou na aula de hoje
Jeremy falou na aula de hoje

Me lembro claramente
Perseguindo o garoto
Parecia uma sacanagem inofensiva

Mas nós libertamos um leão
Que rangeu os dentes
e mordeu os seios da menina na hora do intervalo

Como eu poderia esquecer
E me acertou com um soco de esquerda de surpresa
Meu maxilar ficou machucado

Deslocado e aberto
Assim como no dia
Como dia em que ouvi

Papai não dava carinho
E o garoto era algo
Que mamãe não aceitaria
Rei Jeremy, o perverso
Governou seu mundo

(3x)
Jeremy falou na aula de hoje

Tente esquecer isto
Tente apagar isto
Do quadro negro

(2x)
Jeremy falou na aula de hoje

(2x)
Jeremy falou
Falou

Jeremy falou na aula de hoje

Paul

O show que eu não fui, por falta de grana, o show que eu não vi, por causa da Multishow (go to hell, multishow) e dos Giants de Nova York e a minha música preferida que eu não ouvi. Desculpem o mau jeito, eu fiquei muuuuuuuito irritada no domingo, e não vou ter chance de ver esse show nunca mais, então não me conformo muito bem.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

The fool on the hill

Música linda, e que fala como me sinto hoje.



Day after day alone on the hill
The man with the foolish grin is keeping perfectly still
But nobody wants to know him
They can see that he's just a fool
And he never gives an answer
But the fool on the hill
Sees the sun going down
And the eyes in his head
See the world spinning around

Well on his way his head in a cloud
The man of a thousand voices talking perfectly loud
But nobody ever hears him
Or the sound he appears to make
And he never seems to notice
But the fool on the hill
Sees the sun going down
And the eyes in his head
See the world spinning around

And nobody seems to like him
They can tell what he wants to do
And he never shows his feelings
But the fool on the hill
Sees the sun going down
And the eyes in his head
See the world spinning around

Round and round and round
He never listens to them
He knows that they're the fools
The don't like him
But the fool on the hill
Sees the sun going down
And the eyes in his head
See the world spinning around

Tradução - O Tolo na montanha

Dia após dia, sozinho na montanha
O homem com o sorriso tolo permanece imóvel
Mas ninguém quer saber dele
Poder ver que ele é só um tolo
Que nunca dá resposta alguma.
Mas o tolo na montanha
Vê o sol se pondo
E os olhos em sua cabeça
Veem o mundo girando ao redor.

Bem do seu jeito, com a cabeça nas nuvens
O homem tem centenas de vozes lhe falando claramente
Mas ninguém sequer o ouve
Ou aos sons que ele produz
E ele nunca parece se importar.
Mas o tolo na montanha
Vê o sol se pondo
E os olhos em sua cabeça
Veem o mundo girando ao redor.

E ninguém parece gostar dele
Podem dizer o que ele pretende fazer
E ele nunca mostra seus sentimentos.
Mas o tolo na montanha
Vê o sol se pondo
E os olhos em sua cabeça
Veem o mundo girando ao redor.

Girando girando girando
Mas ele nunca os ouve
Sabe que são eles os tolos
Os que não gostam dele
Mas o tolo na montanha
Vê o sol se pondo
E os olhos em sua cabeça
Veem o mundo girando ao redor.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Socos nos rins


Sábado à noite, corrida atrás de ingressos para “Tropa de Elite 2”. Depois de um final de semana e um feriado tentando ver, finalmente ingresso comprado. E caro, mas deixemos isso pra lá (ano que vem, quem sabe, volto a pagar meia-entrada, hehe).

Entramos na sala bem cedo, para pegar bons lugares. O “nós” eramos eu, Bruno, Aline, Patrícia, André e Felipe. Sentamos e esperamos ainda uns 20 minutos pro filme começar.

No fundão tinha uma galera grande fazendo barulho antes do filme. Pensei: “Pronto, é uma daquelas sessões. Vou ouvir um monte de elogios aos policiais matando todo mundo”.

Por incrível que pareça, eu estava enganada. Não sei se por causa do filme, do novo tom de um agora Coronel Nascimento maduro, até envelhecido, ou se por causa do novo vilão. Claro que aconteceram manifestações, mas nem de longe o que eu esperava.

Agora, o longa. É engraçado como os dois “Tropa” não mudaram minha opinião em absoluto. Na verdade, só reforçaram minhas idéias. Não, não sou reaça, não acho que a polícia deve sair matando, mesmo que mate bandidos. Muito pelo contrário, aliás - acredito firmemente que ninguém tem o direito de matar, sobretudo o Estado. Não aderi à massa que gritava de satisfação ao ver as torturas do 1º filme... e não estou condenando que o fez. Só não foi assim pra mim.

Entrei na sala de cinema com o pensamento de quem vai votar nulo para presidente no 2º turno, porque quem eu acreditava não está mais no páreo. Saí da mesma forma e com mais uma indignação para somar às minhas - dessa vez contra as milícias e a farsa da política de pacificação das favelas.

O filme faz crítica feroz a um governo que mascara, apoia ou finge não ver os policiais na versão milicianos. Em dado momento, há uma invasão a uma comunidade, sob o pretexto de expulsão dos traficantes e pacificação. Farsa - os crimes apenas mudam de lado, dos bandidos para os policiais. O que é bem mais perigoso, uma vez que policiais sabem como agem os dois lados dessa moeda.

Aqui, apenas uma suposição: vi uma crítica às Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Posso estar errada, não conheço a fundo a questão, mas me pareceu que o filme tratava muito mais do que milícia. Em “Tropa”, os grandes bandidos estão dentro da polícia. O que me garante que não estejam nessas UPPs? E o que vai acontecer se esse formato for exportado para estados como São Paulo?

Não quero convencer ninguém a seguir meu exemplo, minhas ideias, nem a votar nulo. Se você acha que é válido votar em um dos dois, tendo votado em outro no 1º turno, muito bem. Se você votou em um dos dois, e vai continuar com o apoio, muito bem também. Não há certo e errado, há a sua opinião. A minha é essa, e o filme só me dá mais razões para continuar nessa linha.

No início do filme, quando o Fraga fala sobre o Bope (vídeo abaixo), a Patrícia virou-se para mim e disse: “Parece você falando!”. Parecia mesmo. Sei que tenho tendências a me tornar uma partidária de causas perdidas. Acredito na política de não matar, por mais que a pessoa “mereça”. Não digo que, se acontecesse algo muito grave comigo ou com alguém que eu amasse, eu não gostaria de ver o culpado sofrer, até talvez quisesse matá-lo com minhas próprias mãos. No entanto, falando de fora, não aceito nenhum tipo de pena de morte.

Você pode pensar “é fácil falar”. Na verdade é difícil pensar assim, e pra falar é necessário um pouquinho de coragem, porque essa posição vai contra a da maioria. Meus pais, meus amigos, quase todos pensam que justiça feita pelas próprias mãos também é justiça. Eu penso que não. Só não sou ativista de direitos humanos por preguiça, ou falta de coragem/vontade.

Ver o filme me deixou pensando nisso tudo acima. Na saída da sessão, quase ninguém falava. Pareciam todos ainda sob o efeito do que viram. Na minha sessão, não teve ninguém aplaudindo o momento em que o Coronel Nascimento surra um político. Nem comemorando cada morte como uma catártica satisfação de vontades primitivas. O que vi foi pessoas saindo pensativas, tanto quanto eu.

Pensar só talvez não adiante, e nós sabemos disso. Gostaria de dizer que é um começo, mas sei que não basta. Estamos acostumados a nos omitir. Eu estou acostumada a me omitir, não vou protestar nas ruas, como fazem os jovens e nem tão jovens na França. Aliás, em geral não concordo com a postura de quem protesta, sobretudo desses garotinhos autointitulados de esquerda. Por não querer me unir à eles, me omito. Infelizmente, isso não ajuda.

No próximo dia 1º de novembro, início das minhas férias, teremos um(a) novo (a) presidente, que eu não escolherei, nem queria que ocupasse esse lugar. Não acredito em nenhum dos dois candidatos, e não vou escolher o menos ruim, não dessa vez. Se todos que quisessem uma mudança real fizessem o que acreditam, acho que nosso país estaria em outro caminho. Pelo menos não estou sozinha - tive mais de 20 milhões comigo.

Tropa 2 é osso duro de roer. Pegou um, pegou geral, pegou a mim. Talvez ainda pegue você, e você saia com a sensação de um soco bem dado em cada um dos rins.

PS: vocês tem todo o direito de discordar e, se quiserem, comentem discordando. Não tem censura aqui, hehe.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Quereis a verdade?

É engraçada essa coisa de viver, não? Você aprende que deve ser independente, aprender a se virar... para na verdade apenas depender de outros, seja patrão, seja o que for.

Você descobre que não consegue viver como queria, nem fazer tudo o que queria, porque não nasceu com dinheiro pra isso.

Vocè se vê sozinho, acompanhado, e no fundo nada muda. Você está sempre só.

Arranja coisas pra fazer, pra ocupar a cabeça, e quando, por um momento, está só com seus pensamentos, que mais é sair correndo dali.

O que eu mais tenho feito na minha vida nos últimos 15 meses é sentir: solidão, saudade, falta, me sentir errada, péssima, má. Sinto amores muito grandes, e o tamanho deles acaba me sufocando. E quando não estou sufocada não consigo respirar, ainda assim.

Estou cansada de sentir. Cansada dessa solidão imensa que aparece quando estou aqui, sentada, e não tem ninguém pra me ouvir lamentar, ou rir, ou contar uma história. Cansada do gosto das minhas lágrimas.

Não sei mais nada. Me sinto burra toda vez que olho para os livros que, apesar do meu esforço (insuficiente), não sinto me levar pra minha próxima fuga. Tenho medo de acordar daqui a 10 anos e descobrir que fiz tudo errado.

Eu tento não ser depressiva. Tento não encher o saco de todo mundo com meus lamentos. Mas não sou forte o suficiente pra isso, e acabo atrapalhando todo mundo e me atrapalhando também. Sei que voces estão cansados de me ouvir.

Queria muito ser diferente do que sou. Me sinto uma idiota repetindo aqui sempre as mesmas coisas, sempre o mesmo samba de uma nota só. Me sinto egoísta pensando em pessoas com problemas tão mais sérios que os meus. Me sinto sozinha, porque sei que não há como explicar pra ninguém o que exatamente se passa comigo, não consigo traduzir em palavras.

Aí você faz um blog. Escreve coisas por vezes desconexas, algumas pessoas leem, nenhuma delas entende por inteiro. What's the point?

Vocês querem a verdade? Eu não sou um bom lugar, e vocês não precisam aguentar meus lamentos. Vocês tem todo o direito de não me ouvir mais, não me ler mais, não prestar mais atenção em mim. Eu queria poder fazer o mesmo.

Everybody Hurts - R.E.M ( Todo mundo se machuca - a tradução da música tá ai embaixo)



When your day is long
And the night the night is yours alone
When you're sure you've had enough of this life
Hang on

Don't let yourself go
'Cause everybody cries
And everybody hurts, sometimes

Sometimes everything is wrong
Now it's time to sing along
When your day is night alone (Hold on, hold on)
If you feel like letting go (Hold on)
If you think you've had too much of this life
To hang on

'Cause everybody hurts
Take comfort in your friends
Everybody hurts
Don't throw your hand, oh no
Don't throw your hand
If you feel like you're alone
No, no, no, you're not alone

If you're on your own in this life
The days and nights are long
When you think you've had too much of this life
To hang on

Well, everybody hurts
Sometimes, everybody cries
And everybody hurts, sometimes
But everybody hurts, sometimes
So hold on

Tradução:
Quando seu dia é longo
E a noite - a noite é solitária,
Quando você tem certeza de que já teve o bastante desta vida,
Continue em frente

Não desista de si mesmo,
Pois todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes...

Às vezes tudo está errado,
Agora é hora de cantar sozinho.
Quando seu dia é uma noite solitária (aguente firme, aguente firme)
Se você tiver vontade de desistir (aguente firme)
Se você achar que teve demais desta vida,
Para prosseguir...

Pois todo mundo se machuca,
Consiga conforto em seus amigos.
Todo mundo se machuca...
Não se resigne, oh, não!
Não se resigne
Quando você sentir como se estivesse sozinho.
Não, não, não, você não está sozinho...

Se você está sozinho nessa vida,
Os dias e noites são longos,
Quando você sente que teve demais dessa vida para
seguir em frente

Bem, todo mundo se machuca
Às vezes, todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes
Mas todo mundo se machuca, às vezes
Então aguente firme

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Algo mudou...

Alguma coisa mudou no meu mundo esta semana.

Essa semana não foi (e não está sendo ainda) fácil, não. Passei (ainda passo) por uma crise de confiança. Em mim e nos outros. Não estou legal, não vou mentir, e sim, este post vai ser meio depressivo. Pois é, gente, voltei à velha carga!

Por alguns motivos me senti lançada em 2000, 2001, quando eu era sozinha no meio de um monte de gente. Quando eu não conseguia falar do que eu sentia de verdade pra ninguém, e chorava sozinha no banheiro, em silêncio. Assim, ninguém saberia a verdade sobre mim, nunca. Eu me lembro perfeitamente dessa época, e de como era ruim. Tinha, como tenho até hoje, ótimos amigos (uma me acompanha desde antes disso e até hoje) e não era por mal, eu só não conseguia falar.

Depois de entrar no teatro, muito disso mudou. Mexendo com sentimentos, como a gente mexe em atuação, o jeito de encará-los na vida real muda também. Então, consegui falar de coisas que nunca falaria. Aliás, se não fosse isso, não escreveria aqui, de jeito nenhum. O teatro mudou minha vida, também.

Mas Alguma coisa mudou no meu mundo esta semana. Me senti sozinha num momento em que não podia. Me senti, não - ainda me sinto. Tão sozinha que não consigo falar mais claramente sobre isso. A crise de confiança começou em mim, nas minhas escolhas, no que tem sido minha vida. Não desgosto do meu trabalho, mas não é o que eu sonho em fazer, não é o que eu gostaria de fazer, não é o que eu amo, não é o que me move.

Entrei e saí da faculdade de jornalismo querendo apenas uma coisa: escrever. Quero escrever, escrever, escrever! E não faço isso, e não estou nem perto de fazer, e me vejo cada vez mais longe, e isso me desespera de uma maneira que só eu sei. Não consigo, por mais que eu queira, mostrar o quanto isso dói.

Voltei a me transparentar em lágrimas por causa disso. Mais - gritei de dor, chorei até o maxilar doer, até não ter mais lágrimas. E não tive onde me agarrar. Como em 2000, quando alguém foi embora, e eu não sabia o que fazer com tudo que eu sentia. Vi aquela menina de 16 anos aqui de novo.

Isso refletiu no trabalho, por outros motivos mais. Me peguei fragilizada em frente de pessoas que não tinham como entender meus motivos. Chorei como se fosse uma criança na escola, quando é repreendida pela professora. Alguém me puxou pela mão, me levou pra conversar, mas eu não pude me explicar, por mais que me explicasse. Outra pessoa se assustou e me abraçou, outra ainda se preocupou e não soube bem o que fazer, só me perguntou mais tarde o que houve. Mandei notícias para alguém ao mar. Uma pessoa me machucou como nunca. Eu perdoei, de verdade, mas ainda dói.

Tudo isso fez uma semana de dias bem difíceis, mas que passaram mais rápido do que imaginei. Mais tarde verei meu mar, e talvez tudo melhore um pouco. Ou não, não sei. Mas pelo menos vou poder descansar um pouco que seja dos problemas, apesar de não fugir deles. A dor ainda está aqui, e não vai sair até eu achar meu caminho. Ainda estou perdida, e agora não sinto chão firme sob meus pés.

Alguma coisa mudou no meu mundo esta semana.

PS: amigos, queridos, não se preocupem demais. Não vou morrer de tristeza, nem vou me matar, acho isso covardia demais. Sei que vocês gostam de mim, sei que vocês estão aqui sempre. Não é disso que estou falando. É como eu vi uma vez no filme "PS: Eu te amo" - não importa o que você faça, você estará sempre sozinho. E nisso estamos todos juntos.

Eu Vezes Eu - Titãs



Eu vezes eu,
Espalhados em mim
Eu, mínimo, múltiplo, comum
Eu menos eu
Do que resta de mim
Eu, máximo, único, nenhum

Ela, ele, vocês
Vezes eles, os outros
Eu e eu outra vez
Nervo, músculo e osso

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O que você faz?

Não queria necessariamente usar meu blog pra falar disso, mas não deu. Li algo hoje que não consegui deixar de lado. Ah, sim, explicando: vou falar das eleições deste ano. Finalmente.

Não sei se todos vocês sabem, mas este ano minhas diretrizes políticas mudaram um pouco. Continuo a votar nas pessoas, e não no partido, isso eu não pretendo mudar. Mas outras coisinhas estão diferentes.

Por exemplo, este ano não vou votar no candidato "menos ruim". Trazendo para o futebol, é como dizia o Pepe (ex-jogador do Santos): não tenha um jogador ruim no seu time, porque os bons se machucam. Não vou eleger um político ruim, porque os bons não vão ter força, vão se "machucar". Se for preciso, farei algo que vai contra minhas crenças, e votarei nulo. Sim, nunca gostei dessa idéia de votar nulo, mas me recuso a votar em qualquer um só para não anular.

Não decidi todos os meus votos ainda. Governador e deputados estão em aberto. Decidi apenas presidente e senadores - o que já é muito, até outro dia não tinha nenhum deles resolvido. Votarei em Marina Silva, e esse é meu voto mais sincero. Ela não vai ganhar, mas não importa, pois nenhum dos outros candidatos merece meu voto, sobretudo os que estão no topo das pesquisas.

Mas o que me fez vir aqui falar disso? Esse link - http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2010-09-01_2010-09-30.html#2010_09-15_08_44_18-10045644-0. Esse é um blog de política, do Josias de Souza, que eu entro vez ou outra. Não concordo com muito do que ele diz, mas, enfim, cada um sabe de si.

O post que me incomodou foi o de nome "Dirceu: Brasil tem ‘excesso de liberdade’ de imprensa". Fala de uma palestra dada pelo Zé Dirceu, aquele que se digladiava com o Bob Jeff na época do mensalão, foi cassado e não pode se candidatar até 2016. Quando, sem dúvida, ele voltará, se estiver vivo até lá. Para não ser injusta, o Thiago me enviou um link com o outro lado (até parece jornalista, hehe), do próprio explicando seus pontos de vista - http://www.zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=10080&Itemid=2

Não vou aqui fazer acusações e reverberar o que se diz do Zé Dirceu. Graças a Bob Jeff (que é outro pilantra), estamos livres de tê-lo como presidente oficial. Mas não estamos livres para sempre dele. A minha visão desse é bem particular - para mim ele é um apaixonado pelo poder, e o quer ter a todo custo, mesmo que nos bastidores. Aliás, é nos bastidores que ele se mostra ainda mais eficiente, e poderoso. Diferentemente do Aécio Neves e do Ciro Gomes, que, na minha opinião, são outros apaixonados pelo poder, mas só o poder não basta - eles precisam do status, dos holofotes. Talvez por isso o primeiro namore tantas misses, e o segundo uma atriz famosa...

Nessas eleições, temos políticos para todos os gostos, dos palhaços aos picaretas. Nem vou entrar no mérito das candidaturas bizarras, não vale a pena. O que vim falar é de política, não dessas piadas sem graça.

Também não estou aqui para dizer como vocês, meus caros, devem votar. Eu mesma não sei, estou ainda conjecturando. Só queria desabafar um pouco contra esse cenário que antevemos. Pelo jeito, teremos uma presidenta, e, infelizmente, alguém que eu não admiro, nem gostaria de ver nessa posição. A maioria vence, sempre, e quem sou eu para ir contra a democracia?

Pelo jeito [2], alguns senhores que aí estão há anos vão continuar, alguns que fazem gracinhas vão entrar, os cantores irão para o senado, para a câmara. Sabem, pensar nisso tudo dá um desânimo perigoso. Sim, porque dá vontade de mandar todo mundo passear, não votar em ninguém, me anular mesmo, de todas as formas, como meus pais fizeram durante muito tempo. Porém, não posso me anular, a não ser no caso citado lá em cima.

Penso em tanto tempo, tantas mortes, tanta luta durante os anos de chumbo, veneno, porradas, sumiços. E apenas aí eu me reanimo um pouco. Hoje temos uma liberdade pela qual muitos lutaram, e parece que não nos damos conta. Não sentimos na pele o que se passou até o ano em que eu nasci, em que o Tancredo Neves ganhou mas não assumiu, época em que as letras MDB não eram sinônimo de Quércia. Por fazer tanto tempo, parece que não aconteceu conosco. É muito bonito de ver nas paginas de história, nas aulas de faculdade, nas músicas de festivais. E só.

Vocês me conhecem, sabem o que eu penso sobre os vermelhinhos e os arrotos de revolução. Não quero uma revolução - quero a liberdade. Liberdade sem que alguém meça e diga que é demais, nem de menos. Liberdade não deve ser medida.

Nosso sistema atual é falho, em alguns pontos cai de podre, precisa de pessoas diferentes, e o povo não as elege, por falta de educação, informação, memória. Ainda assim o que temos é melhor que liberdade nenhuma.

domingo, 5 de setembro de 2010

Post atrasado


Já escrevi aqui que o samba é minha língua paterna, certo? Por causa de meu pai, conheço samba desde a barriga da minha mãe. Lembro de músicas que eu cantava quando era um menininha, e não só samba - chorinho, Elis Regina, Chico Buarque, Roberto Carlos. Língua paterna.

Há duas semanas fui em um show muuuuuuuuuuito bom, de sambão, que meu pai com toda a certeza iria adorar. Casuarina, grupo ( e não banda... tão estranho isso) do qual eu já falei aqui algumas vezes. Subimos a serra eu, Bruno, Aline, Patrícia e Thiago. Destes, apenas Thiago e eu para ver o show. Como disse o Bruno, tinha mais gente pra passear com ele do que pra ver o show comigo, hehe.

Casa cheia, sono do Thiago, cansaço e antecipação de solidão de domingo - que aliás foi mesmo solitário. Mas começam os acordes de Canto do Trabalhador, e parece que todo o resto não importava. Me deixei preencher pelo samba, pelas batidas do tan tan, o som da flauta e do violão... e as vozes de Gabriel Azevedo e João Cavalcanti (aaaaah).



Sim, sou roqueira, sempre fui, sempre serei. Mas nada me impede de gostar, e muito, desse ritmo. Não confundam com pagode, por favor - é até um sacrilégio chamar um estilo que conta com tanta gente boa (Paulinho da Viola, Cartola, Adoniran Barbosa, Clara Nunes, Noel Rosa...) com esse tipo de música que é modinha hoje em dia.

Dancei, sambei demais, suei, me cansei, mas não queria parar. Sabia quase todas as músicas, e me soltei como sempre me solto quando danço. Como é bom sentir o ritmo pulsando na sua pele, respirar de acordo com as pausas e retomadas da música. Dançar é ouvir a música com todos os sentidos.

Adiciono mais uma paixão à minha lista - João Cavalcanti, eu caso (calma, Bruno, hahaha). Com o plus de que meu sogro seria... o Lenine!!!

Ah, meus caros, que vontade imensa de ir a mais shows! Quando estiver no Rio, parada obrigatória na noite da Lapa, sem dúvida.

Swing do Campo Grande - Casuarina (originalmente Novos Baianos, vejam só!)




Minha carne é de carnaval
Meu coração é igual
Minha carne é de carnaval
Meu coração é igual

Aqueles que tem uma seta
e quatro letras de amor
Por isso onde quer que eu ande
Em qualquer pedaço eu faço
Um campo grande
Um campo grande
Um campo grande ê
Um campo grande epa!

Eu não marco touca
Eu viro touca, eu viro moita
Eu não marco touca
Eu viro touca, eu moita

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sabe?

Tenho DRs diárias comigo. E o pior é que nunca ganho as DRs, hahhaha.

Gosto de pensar sozinha, às vezes, mas só por escolha. Se sou obrigada a isso, vira pesadelo.

Lembro das várias Amandas que já fui, e que não quero voltar a ser. Lembro de pessoas do meu passado, de quem eu não tenho notícias, e gostaria de ter. Meu problema talvez seja ter memória.

Andar me faz bem, mesmo debaixo de sol. Sempre soube disso, e não estou falando de um bem físico. Falo de bem aqui dentro.

Idéias estranhas se entranham mais fácil dos que as que fazem sentido.

Estou conseguido economizar pela 1ª vez na vida. É sério, nunca antes na história dessa Amanda eu economizei. Nada como ter objetivos.

Se eu passar no vestibular, muita coisa vai mudar no meu dia a dia. Mesmo.

Papear, sobre qualquer assunto, é terapia. Dá mais certo que divã de psiquiatra.

Queria ter mil poderes, ou mil reais livres por mês. O que fosse mais fácil.

Quero que chova! Não aguento mais esse tempo seco (Alguém sabe onde se faz transplante de nariz? E se muda junto todas as vias aéreas?).

"To lead a better life,
I need my love[s] to be here"



Eleanor Rigby - Beatles (minha preferida)

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

Eleanor Rigby picks up the rice in the church where a wedding has been
Lives in a dream
Waits at the window, wearing the face that she keeps in a jar by the door
Who is it for?

All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?

Father McKenzie writing the words of a sermon that no one will hear
No one comes near
Look at him working, darning his socks in the night when there's nobody there
What does he care?

All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

Eleanor Rigby died in the church and was buried along with her name
Nobody came
Father McKenzie wiping the dirt from his hands as he walks from the grave
No one was saved

All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Toda Cor

A folha em branco sempre aceitou tudo. Esse fundo é preto, mas aceita quase tudo também. Desde meus tempos de faculdade de jornalismo, sei o poder que tem quem tecla esses quadradinhos pretos com letras brancas (apesar de que, naquela época, os quadrados eram brancos, ou amarelados, com letras pretas). Pensava nisso, em como podemos escrever coisas sem sentido, ou com, e pronto - está eternizado até que o google nos esqueça.

Sempre falei aqui de mim, das minhas preferências, do que me entristece, enfim, do que me toca. Acho que é para isso que serve esse fundo preto - para clarear minhas idéias, mudar o tom do que se pessa aqui dentro, ou pelo menos repassar a vocês que me leem. E, ao mesmo tempo, muito deixo nas entrelinhas, guardado para uns poucos que se deem ao trabalho de escarafunchar, ou vir me perguntar ... e que deem a sorte de eu estar num dias de tons pastéis e com paciência para me explicar.

Passei um tempo sem escrever porque não queria me repetir demais. De tão exploradas, minhas tristezas desbotam à vista dos outros. Continuo com os mesmos medos, e alguns são acrescidos à conta. Medos adultos demais para minhas vontades por vezes rebeldes. Não adianta, não quero ser forçada a nada, e, pior ainda, meu espírito não se aquieta.

Às vezes quero simplesmente me deixar ficar pelo caminho, deixar passar tudo ao largo. Há momentos em que me irrita a necessidade de ser protagonista da minha vida. Não sei se nasci para ser cor primária. Contudo, não entendam errado - disse que queria simplesmente isso, mas não disse que consigo. Na verdade, não consigo.

Já tive tantos planos que foram mudados, adaptados, repensados. Jornalismo é um deles, e existem outros. A vida sempre se pinta das cores que nos cabem, quer queiramos ou não. Acredito em destino, com livre arbítrio, que apesar de livre apenas o reforça. Queria saber o que me está separado ali adiante. Mas não, não me contem.

Outro dia, falando disso, me deixei transparentar em lágrimas, por telefone. Dói lembrar que há mais de 1 ano não escrevo uma matéria. Que há mais de 1 ano não faço uma entrevista. Dói, porém é melhor que doa, para eu saber que ainda existe algo daquela menina que se formou aqui.

Mudei tanto, de casa, de cotidiano, de vida, de amigos. Alguns continuam, outros apareceram, outros voltaram. É a ciranda da vida. E como cansa os sentidos vê-la em NTSC, ou PAL-M.

PS: Esse não é um post triste, cinza, ou preto e branco. É um post de cores quentes.



Paperback Writer - Beatles

Paperback writer
Writer, writer

Please, sir or madam, can you read my book?
It took me years to write, will you take a look?
It's based on a novel by a man named Lear
And I need a job, so I want to be a paperback writer,

Paperback writer!

It's a dirty story of a dirty man
And his clinging wife doesn't understand
His son is working for the daily mail
It's a steady job, but he wants to be a paperback writer,

Paperback writer!

Paperback writer
Writer, writer

It's a thousand pages, give or take a few
I'll be writing more in a week or two
I can make it longer if you like the style
I can change it 'round, but I want to be a paperback writer,

Paperback writer!

If you really like it, you can have the right
You can make a million for you overnight
If you must return it, you can send here
But I need a break, and I want to be a paperback writer,

Paperback writer!

Paperback writer
Writer, writer

quinta-feira, 15 de julho de 2010

São Paulo - cidade - confusão - solidão - multidão - acalento

Um post de uma amiga do trabalho me fez pensar esta semana. O post é esse aqui http://emduascidades.blogspot.com/2010/07/antes-do-tempo.html (desculpa se estou invadindo teu blog, Lilian). E olha que eu já tava pensando... enfim, pensei no tempo que estou aqui, no tempo que tenho passado longe de casa.

Não sou a única a se sentir assim. Nem vou citar nomes, mas acho que quase todo mundo que está assim, meio dividido entre dois lugares, pensa se vale a pena. Ainda acho que vale, vale muito a pena. Tenho planos, quero realizá-los. Se um dia não achar que não vale mais, volto.

Hoje, depois do trabalho, não tava afim de ir direto pra casa, e nem de cozinhar pra mim. Então, fui comer sozinha no Center 3. Depois de pegar meu gnochi na Spoleto (adoro Spoleto!), sentei pra comer. E olhando ao redor, vi algumas pessoas também comendo sozinhas. Claro que a maioria dos sentados na praça de alimentação estava acompanhado, mas tinha bastante gente comendo sozinho.

Achei curioso, e lá fui pensar de novo. Engraçado, numa cidade tão grande, com tanta gente, a solidão está sempre ali ao lado. Essa é companhia certa.

A cidade é grande, é estranha, não é exatamente acolhedora. De tão cosmopolita, é meio impessoal. Você não se vê refletido em seu rosto, como já disse Caetano. Mas nem por isso vou chamar tudo aqui de mau gosto - aqui conheci pessoas, aqui trabalho, aqui me divirto. Aqui estão parte dos meus caros (infelizmente não todos).

Sei bem como me sinto às vezes, quando subo a serra sem ter vontade, quando acordo pensando que vou ter que enfrentar o trânsito, quando não basta só falar com o Bruno por telefone, quando penso que não converso mais com meus irmãos, meu pai e minha mãe como antes. Dói, uma dor quase física. Mas isso também é crescer. Só não vou deixar tudo de lado, esquecer minha Santos, meu mar. Isso Nunca!

São Paulo - a tomo em goles, a sinto descer pela garganta, e o gosto que fica no final nem sempre é bom. Mas os remédios nem sempre tem gosto de morango como polaramine, hahahaha (desculpa, não resisti a piada ruim).

Música do dia - Canto do trabalhador, Casuarina - Sambão!



Canto do Trabalhador
Casuarina

Vamos trabalhar sem fazer alarde
Pra pisar com força o chão da cidade
A vida não tem segredo
Quem sentado espera a morte é covarde
Mas quem faz a sorte é que é de verdade
É só acordar mais cedo

É só regar, pra alimentar o arvoredo
Por essa luta eu não retrocedo
Pra ver toda a mocidade
Com os frutos da liberdade
Escorrendo de entre os dedos
Que é pra enterrar de uma vez seus medos

Vamos trabalhar sem fazer alarde...

Se não mudar, o barco bate no rochedo
E vai pro fundo como um brinquedo
É bom cantar a verdade
Pro povo de uma cidade
E deixar de arremedo
E aí vai virar mais um samba-enredo

Vamos trabalhar sem fazer alarde...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sua impossível chance

Quando comecei este blog, há pouco mais de um ano (sim, ele já fez aniversário), tinha uma vida beeem diferente da de agora. Mas como algumas coisas não mudam, apenas se substituem, a melancolia que me fez começar não foi embora. Não, não fiquem preocupados; não estou triste, só... pensando.

Tenho chegado em casa cada vez mais cansada, e sem ânimo pra estudar pro vestibular que vem aí, e no qual sei que vou ficar insuportável se não passar. Acordar cedo, pra mim, é muito difícil. Me culpo por não dar a atenção que deveria a algo que planejo, e que vai mudar meu rumo, me dar um novo caminho. Ao mesmo tempo, estou aqui escrevendo, ao invés de ler história, geografia, qualquer coisa.

Estou tão cansada... e como ninguém aqui pode ouvir meus lamentos sem fazer alguma cara ruim, ou algum comentário desalentador, escrevo. Assim me sinto desabafando sem receber lições de moral em troca.

Sabe, às vezes eu tenho raiva de pessoas que amo, e que me dão broncas. Sei que as mereço, mas me faz falta, pelo menos vez ou outra, uma passada de mão na cabeça, um "vai ficar tudo bem", um " não fica assim", umas palavrinhas sem o tom de sabedoria inata. Sei que muitas vezes eu faço exatamente o que estou reclamando com os outros. Porém, é sempre como último recurso.

Tava pensando... se eu estou aqui, é por algum motivo. Acredito que tudo tenha uma razão para acontecer. E me pergunto: qual a minha? Às vezes faz falta uma bola da cristal, o futuro nas cartas.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Eia

Quero falar, mas não quero falar. Então, vou falar não falando.

Às vezes não tenho noção do que faço, do que falo. Às vezes magoo a mim mesma, me irrito e a outros. Às vezes quero fugir, ficar sozinha, e não sei como fazer isso.

Neste momento, queria estar sozinha, em algum canto fechado, um museu, uma livraria, um lugar com música, nem que fosse no meu celular. Um lugar em que estivesse sozinha e anônima.

E queria andar, andar, andar até meus pés doerem, minhas costas me matarem. E depois chegar em casa, cansada e aliviada, tomar um banho e dormir.

Se pudesse, teria subido a serra a pé.

Alberto Caeiro

“Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei de fazer das minhas sensações.
Não sei o que hei de ser comigo sozinho.
Quero que ela me diga qualquer cousa para eu acordar de novo.”

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Just like a waving flag

Copa do mundo, o assunto mais recorrente em todos os lugares. Sempre demoro um pouquinho a me contagiar com esse clima, mas acabo me deixando levar pela onda de "patriotismo quadrienal", como diria um amigo. E aí começo a querer ver e ouvir os jogos, me irrito com a escalação da seleção brasileira... esse ano, então, o que eu xinguei o Dunga por ele ter chamado o Doni, não está escrito.

Meu, o Doni??? Ele já era ruim quando era goleiro do Santos, e eu comecei a namorar o Bruno, há 6 anos. Tanto que o gato do Bruno, na época, chamava-se Doni, porque quando alguém jogava uma bolinha para ele, ele rebatia e não defendia. Sim, meu namorado deu esse nome ao gato por conta disso, é verdade. E o gato já está morto, tadinho, não viu seu xará na seleção do Dunga. Sorte dele.

Enfim, escalações à parte, gosto de copa do mundo tanto quanto de finais de campeonatos, mesmo que meu time / seleção não esteja até o fim. É bem legal esse clima de decisão que tem todos os jogos, até os Argélia X Eslovênia (13/06 às 8h30) da vida. Durante um mês todo mundo fica entendido em geopolítica, sabendo sobre a história da libertação da África do Sul, comentando o apartheid. Nos lembramos que a Sérvia não carrega mais "e Montenegro", e descobrimos mais um jogo desses ótimos para ver: Sérvia X Gana (13/06, às 11h00). Aliás, estou dando dicas sensacionais para este domingo, não?

Lembramos de odiar mais do que nunca a Argentina, e ao mesmo tempo torcer para que ela vá a final. Já pensaram, uma final entre Brasil e Argentina? Falando nisso, se você não tem namorado (a), ou até tem, mas vai vê-lo só mais tarde, Argentina X Nigéria - 12/06, às 11h00.

Minha relação com futebol já foi bem mais próxima, até 1995, na final do Brasileirão, na qual meu time (pra quem não sabe, Santos) foi garfado pelo árbitro Márcio Rezende de Freitas. Nunca esqueci esse nome. Eu tinha 11 anos, e era um torcedora que tinha tudo para virar roxíssima. Porém, desde então, não consigo mais levar futebol tão a sério. Então, me permito torcer apenas quando me dá vontade, e não me importar mais tanto.

A maioria dos torcedores concorda que o amor pelo time é maior que pela seleção. Ok, também acho. Mas Copa é Copa, e vale a pena ver, mesmo quando a gente perde. E quando ganha, então, melhor ainda. A copa de 94 foi a primeira que eu acompanhei direito, tinha 10 anos e já entendia o que estava acontecendo. E me lembro dos jogos, do sofrimento com alguns deles, dos gols, dos jogadores... lembro de abraçar a minha família, descer para a rua, ver as pessoas felizes, os carros festejando, buzinando... lembro até que perdi um brinco que adorava no meio da bagunça na avenida da praia.

Em 98 foi estranho perder daquele jeito... mas não se pode ganhar todas. Em 2002 foi uma copa com sono, de madrugada, mas bem divertida, com todo mundo em casa, meus irmãos já maiores, também entendendo o que acontecia. Em 2006, copa durante a faculdade, Brasil fora da final, ainda assim assisti até o fim. No entanto, para eleger a inesquecível, não tenho como escolher outra: 94.

Não vi a abertura, ouvi na Band News, durante o trabalho. Mas tudo bem, não é exatamente a coisa que acho mais divertida do mundo assistir abertura de copa. Boa parte da copa estarei trabalhando, mas espero ver os jogos do Brasil, pelo menos, e não só ouvir enquanto trabalho. Vamos ver...

Só pra registrar, Brasil X Coréia do Sul 15/06, às 15h30 / Brasil X Costa do Marfim, 20/06 às 15h30 / Brasil X Portugal, 25/06 às 11h00. E como sou otimista, Brasil X Argentina 11/07 às 15h30, hehehehehehe.

Ah, sim, e para terminar - Música da copa - Waving Flag em duas versões:

A primeira, com direito a flash mob



Oh, oh, oh, oh, oh...

Give me freedom, give me fire
Give me reason, take me higher
See the champions take the field now
You define us make us feel proud

In the streets are, as a lifting
As we lose our inhibition
Celebration is surround us
Every nation all around us

Singing forever young
Singing songs underneath the sun
Let's rejoice in the beautiful game
And together at the end of the day

We all say

When I get older I will be stronger
They'll call me freedom
Just like a waving flag
And then it goes back

When I get older I will be stronger
They'll call me freedom
Just like a waving flag
And then it goes back

Oh, oh, oh, oh, oh...

Give you freedom, give you fire
Give you reason, take you higher
See the champions, take the field now
You define us, make us feel proud

In the streets are, as a lifting
As we lose our inhibition
Celebration is surround us
Every nation all around us

Singing forever young
Singing songs underneath that sun
Let's rejoice in the beautiful game
And together at the end of the day

We all say

When I get older I will be stronger
They'll call me freedom
Just like a waving flag
And then it goes back

When I get older I will be stronger
They'll call me freedom
Just like the a waving flag
And then it goes back

Oh, oh, oh, oh, oh...

And we all will be singing it


A segunda, com a versão do Skank



Gol de placa, de trinvela, no cantinho, pra desempatar
É de letra, de cabeça, bicicleta, pra comemorar,
A bola vai rolar! Entre a camisa e o coração! Grito la do fundo entao,
É campeão! É campeão!
E quando ela rola, o mundo para, só na torcida sem respirar,
E quando ela passa pelo goleiro, o Brasil inteiro vai comemorar!
Comemorar! Comemorar!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Lost - de novo


Ok, eu sei, estou me repetindo. Mas tinha que falar um pouco mais do assunto que tomou conta do meu dia, do meu final de semana, da minha última semana, sei lá, tomou conta de mim. Preciso falar!! Mas não se preocupem, não vou contar o final (até porque tem mais de uma pessoa ainda assistindo a série e lendo este blog).

Muitos não entenderam, muitos entenderam e não gostaram do final. Eu gostei, e gostei demais! O final foi lindo, absolutamente sensacional, catártico, como escrevi no orkut. Várias vezes fiquei com os olhos cheios d'água, vendo os personagens que acompanhei durante 5 anos (o primeiro ano eu vi na Globo, ou seja, com 1 de atraso). Me emocionei tanto com a cena final que, só de lembrá-la aqui, já fico com os olhos cheios d'água de novo.

Não tenho como não dizer: é a melhor série que já vi na vida! Isso porque, como li em um blog depois do final, os fãs de Lost não apenas assistem a série - eles vivem a série, se deixam viciar, permitem que ela faça parte permanente das suas vidas. Como falei no outro post, me peguei sendo uma fã nerd, e adorando!

Lost é uma experiência de vida, mostra a fé e a ciência, o místico e o dito real, sempre um ao lado do outro e muitas vezes, por causa unicamente das escolhas de cada uma das personagens, um contra o outro. Não vou explicar meus capítulos favoritos, por respeito a quem está lendo e ainda não viu. Mas as duas horas e meia finais, com certeza, entram na lista, junto a momentos lindos, reveladores e tristes de todas as temporadas.

Estou me sentindo órfã. Não me cansei ainda de procurar informações, ler posts falando do final. Não estou pronta para "let it go and move on", como disseram os personagens em um dos capítulos. Ainda estou vendo a 5ª temporada com meu pupilo, então a hora de me despedir vem vindo. Mas como é difícil dizer tchau!

Ao mesmo tempo, é muito bom saber que acabou sem ficar se esticando até a exaustão, até perder a graça e o sentido. Vai ser sempre bom lembrar de todos, dos meus preferidos, dos que eu amei odiar, de tudo.

Muitos vão dizer: mas faltou explicar tantos mistérios, é falta de respeito com os fãs, etc. Fair enough. No final muitas perguntas ficaram sem resposta. Porém, sabe que diferença isso faz? Nenhuma. Lost não foi feita para dar respostas prontas, acabadas, mastigadas; quem assiste tem que saber que deve entendê-la como achar melhor, como bem quiser, e não esperar por um final todo explicadinho.

Lost é uma ode aos mistérios, não às respostas. Quer respostas mastigadas? Veja outras tramas, novelas. Essa série vale pelo caminho, não pelo final. Ela trata de pessoas, relações, "Live Together, Die Alone" (juntos vivemos, sozinhos morremos). E é, digo de novo, a maior experiência que eu poderia ter com um seriado!

See you in another life, brotha!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Perdida... Ê!

Eu vejo Lost. Sou fã fiel da série, que está acabando. E, sim, esse vai ser um post meio inútil, não tô afim de falar sério. (Aviso - Não contém spoilers... pelo menos até a 4ª temporada)

A série entrou na minha vida totalmente sem querer e por acaso. Num domingo eu cheguei em casa, logo após acabar o Fantástico (que eu não assisto há séculos, gracie Dio). Na Globo, começava um programa, e de repente caiu um avião na frente dos meus olhos, em uma praia aparentemente inabitada de algum lugar do Pacífico Sul. Impactante. Fiquei curiosa, comecei a acompanhar, me viciei e cá estou eu, 5 anos depois, aguardando ansiosa pelos 3 últimos capítulos. Desde a 3ª temporada sem depender da Globo, graças ao terra.com.br, e agora com os dvs até a 4ª temporada (a quinta ainda está muito cara).

Não sei se já falei dessa minha paixãozinha, mas muita gente que me conhece, senão todos, sabe o quanto eu gosto dessa série. A crítica diz que Lost é uma revolução na maneira de se acompanhar uma história, sobretudo para norte-americanos, que não estão acostumados a histórinhas com continuação em próximos capítulos. Geralmente, salvo exceções esporádicas, as séries americanas propõem um problema e o resolvem naquele mesmo capítulo (vide "The Mentalist", "Cold Case", "Big Bang Theory", "Two and a Half Men", "Friends", entre outras).

Contudo, o principal diferencial de Lost está nos seus fãs, que não se contentaram apenas com os capítulos: os mais normais (tipo eu) entraram em sites, procuraram informações, participaram de fóruns na internet, assistiram a cenas extras, gravadas apenas para despistar. Os mais anormais criaram blogs extremamente completos para falar apenas sobre o assunto, imitaram e colocaram na internet para impressão os rótulos da Dharma Iniciative (grupo de cientistas que faz parte da série), fizeram resenhas detalhadas, podcasts e até uma wikipédia sobre lost - a lostpédia, que tem versão em português.

Eu me peguei procurando e debatendo informações, criando teorias (na maioria erradas, diga-se de passagem) sobre o final, agindo como fã nerd, tudo pela internet. Até porque não tinha com quem conversar sobre Lost - ninguém que eu conhecia assistiu a série durante tanto tempo quanto eu. Neste último ano acabei encontrando alguns fãs de Lost, e iniciei um no vício, mas que está ainda na 4ª temporada. Por respeito ao meu "pupilo", hahahahaha, não vou contar nada demais aqui.

Nunca havia acompanhado uma série de tv assim, em tempo real, com os acontecimentos borbulhando. E nunca vi uma série como Lost. Vocês sabem que eu não sou exatamente uma pessoa que chora em qualquer filme, e quando falo que choro geralmente isso significa uma lágrima de cada olho. Pois chorei um vendo o capítulo no computador, e não foi a primeira vez. Não posso contar o porquê, aliás, nem adiantaria, e não é esse o objetivo. Quero mesmo é dizer o quanto essa série é emocionante, e sob todas as formas de emoção. É sensacional como ela te envolve na trama, nos mistérios, te faz ter raiva, torcer a favor e contra, rir bastante, simpatizar e odiar.

Agora que está acabando, mal posso esperar pelo final e, ao mesmo tempo, sei que vou sentir falta. Nada que eu não sobreviva, hehehe. Perdi a conta de quantas vezes quase caí pra trás, com as surpresas tão bem arquitetadas pelos produtores. Sei que muitos dos mistérios criados não vão ser solucionados, sei que talvez não goste do final (pelo que tenho visto, pode ser mesmo que eu não goste), mas, sabe, às vezes a gente tem que se deixar levar por essas coisinhas bobas e importantes como uma série de tv, um filme, uma música. Nada que te toca de verdade o coração é inútil, fútil, sem sentido.

Me deixei e deixo levar por aqueles pouco mais de 40 minutos num mundo com regras malucas, ursos polares em ilhas tropicais, experiências com eletromagnetismo e viagens no tempo, números que atraem má sorte (4,8,15,16,23,42). Dependendo do capítulo, me deixei levar por até mais tempo - fiquei tão chocada com o último que não conseguia pensar em outra coisa por pelo menos meia hora. Ainda estou chocada, por falar isso.

Mesmo que vocês não assistam Lost, um conselho: divirtam-se com algum seriado, virem fãs, procurem informações, riam e se admirem com o que os fãs bem mais xiitas que você conseguem fazer. É uma experiência mesmo divertida!

Para ilustrar, Lost em 8min15seg (informações só até a 3ª temporada)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Novas

Algumas coisinhas aconteceram nos últimos tempos, mas eu acabei não escrevendo por aqui, atropelada por um sentimento que tinha que expressar. Porém, agora que a minha chuva pessoal deu um espaço pro sol, falo pra vocês.

Minha tia está CURADAAAAAAAAAAAAA! O câncer foi-se! Melhor notícia que tive nos últimos tempos. Ela sofreu, batalhou, aguentou, pensou que ia morrer, sobreviveu. Nós sofremos com ela, e agora tudo acabou! Graças a Deus! Como eu fiquei feliz com isso! Ela é como uma segunda mãe, e pensar que ela tava passando por isso foi tão difícil como se fosse comigo. E agora que acabou, que alívio maravilhoso!

Andei fazendo coisinhas interessantes: fui num jogo de vôlei (quase dormi, mas a culpa não foi do jogo, foi minha mesmo, hehe), fui na final do Paulistão (sou alvinegro da Vila Belmiro, o Santos vive no meu coração); saí com pessoas novas num sábado paulista; estudei (menos do que devo), me diverti.

Estou acompanhando, juntamente com o Thiago, aulas de Fernando Pessoa na USP. Uma delas, inclusive, me fez acordar às 6 e meia. O que eu não faço pelo Álvaro de Campos! E semana que vem, vou acordar nesse horário de novo, para ver a análise dos meus dois poemas preferidos, "Lisbon Revisited" (o primeiro a gente nunca esquece) e "Tabacaria". O assustador é ver como eu, muitas vezes, me pareço com o Pessoa, sobretudo com o Álvaro. Depressivo, hehe.

Quero comprar um bongô! Vi um na Teodoro Sampaio e me apaixonei. Queria aprender a tocar percussão, não sei quando vou conseguir isso (sim, é uma espécie de cobrança, Thi), mas aquele bongozinho me conquistou.

Fui no museu da língua portuguesa, nova exposição, sobre erros de português. E lá vi uma frase fantástica: "A fé move montanhas. Mas os ecologistas são contra".

Sei que alguns de vocês ficaram preocupados com meu último post. Não liguem. Vou continuar sem explicar, mas estejam certos que tá tudo bem.

A vida segue como quase sempre. Continuo com medos, continuo vendo o mundo por uma ótica por vezes torta, por vezes incerta. Não sou exatamente quem eu queria, mas ainda bem - se já fosse tudo o que queria, de valeria continuar?

Amo, não sei se odeio, rio, choro. Nada(e tudo) de novo debaixo do sol.



Palavras - Titãs

"Palavras não são más
Palavras não são quentes
Palavras são iguais
Sendo diferentes

Palavras não são frias
Palavras não são boas
Os números pra os dias
E os nomes pra as pessoas

Palavra eu preciso
Preciso com urgência
Palavras que se usem
em caso de emergência

Dizer o que se sente
Cumprir uma sentença
Palavras que se diz
Se diz e não se pensa

Palavras não têm cor
Palavras não têm culpa
Palavras de amor
Pra pedir desculpas

Palavras doentias
Páginas rasgadas
Palavras não se curam
Certas ou erradas

Palavras são sombras
As sombras viram jogos
Palavras pra brincar
Brinquedos quebram logo

Palavras pra esquecer
Versos que repito
Palavras pra dizer
De novo o que foi dito

Todas as folhas em branco
Todos os livros fechados
Tudo com todas as letras
Nada de novo debaixo do sol"

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Acontece

Tem certas coisas que eu não aprendo nunca, por mais que queira. Minha intuição às vezes até avisa, outra vezes ela mesma percebe que nada vai adiantar e fica no seu canto, esperando que eu dê com o rosto no muro, para quem sabe numa próxima vez ela consiga se fazer ouvir.

Acontece sempre como todo mundo: nós somos feridos apenas pelos que gostamos. Alguns amores são incondicionais, e você perdoa, desculpa, deixa de lado, engole em seco e sente a mágoa descer lentamente pela garganta. E pensa que será só dessa vez. Então acontece tudo de novo. E de novo. E de novo. Até que, em um dado momento, o pedaço correpondente do seu coração está tão machucado que fica mais duro. E você sente bem menos quando esse trecho exato é pisoteado. Ainda dói, mas bem menos.

Muitas vezes fico pensando em como ainda sou ingênua, ainda acredito nas pessoas e que elas não vão querer fazer nada de ruim. Mas não quero com isso me fazer de inocente, não é essa a questão. Só acabo me enganando com as pessoas às vezes, como acontece com todo mundo.

Também sou capaz de atitudes horríveis; já magoei pessoas, já me descontrolei e falei o que não precisava, nem deveria. Sabendo disso, hoje me vigio, tomo muito mais cuidado com o que faço, o que digo e para quem. Mesmo aqui, no blog, escrevo bem mais pelas entrelinhas que diretamente. Porém, apesar de tudo, me recuso a mudar minha vida, minha maneira de ver o mundo, por conta de pessoas que não merecem. E sigo não aprendendo que era justamente isso que eu precisaria fazer. Sei estar errada, me machuco por isso, no entanto não mudo, e não sei se quero mudar.

Uma ou outra característica eu mudei: por exemplo, não interfiro mais na vida de todos, como fazia. Não tento mais ajudar a todo custo todo mundo, e não mais quase enlouqueço com os problemas alheios. Isso nunca mais.

Não serei específica, como vocês devem ter percebido no texto, porque não vem ao caso. Esse blog funciona como uma válvula de escape para mim, mas não quero magoar ninguém nem causar impacto algum, então não vou me explicar.


Fernando Pessoa - Não digas nada


"Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada."

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Estrada

Esta semana não estava com a menor vontade de subir. Sim, desço toda semana, e vou continuar descendo, é extremamente necessário para a minha sanidade mental. Vez ou outro pode ser que fique por aqui, talvez desça apenas no sábado de manhã, mas não vou deixar de descer.

Não entendo quem veio pra cá e se acostumou a não descer. Não quero impor meu certo e errado, só não entendo. Se eu ficasse aqui em cima sempre ia enlouquecer rapidinho.

Domingo, dia de subir, tava com uma sensação estranha no final da tarde. Entrei no ônibus, senti um peso, fiquei mais estranha. Quando, já na serra, olhei pela janela e vi as luzes de Santos se afastando, me bateu uma tristeza, um aperto no peito... as luzes ofuscaram meus olhos, e eu não contive as lágrimas.

Não estou aqui para reclamar do meu trabalho, motivo maior pelo qual eu subo toda semana. Não reclamo porque me divirto com o que faço, com as pessoas, e porque, se eu comparar com quase todos os meus empregos anteriores, esse ganha de longe. Também não vim reclamar de São Paulo, cidade que eu continuo a gostar, como já disse mais de uma vez. É só uma angústia vinda muitas vezes do nada, um desconforto, uma saudade antecipada.

E meu problema não é nem só saudade de Santos. Digo mais: ando me sentindo de lugar nenhum, desencaixada.

É como um trecho do poema que vou colocar aqui embaixo: me sinto como o Álvaro, ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra (no caso, Sampa), deixando Lisboa (no caso, Santos) por não poder ficar lá, e com a certeza de quando chegar a Sintra terá pena de não ter ficado em Lisboa.

Sempre que fico assim, procuro o motivador da crise, e dessa vez não foi diferente. Procurei, procurei, e parece que o motivo foi justamente algo muito, muito bom que aconteceu semana passada: fiz 6 anos de namoro na ultima terça-feira, dia 13 de abril. SEIS anos! Há seis anos conhecia o Bruno, aos poucos me apaixonava, aos poucos me acostumava com ele sempre ali do lado, o tempo todo que eu precisasse. Aos poucos ia passando pela faculdade, algumas vezes ajudando, outras vezes ajudada por ele também. Saudade disso. Falta.

Mas não foi o peso do tempo, ou necessariamente da distância apenas. É mais por não saber como será daqui pra frente, e querer não querendo que as coisas voltassem ao que eram a 1 ano. Querer não querendo. Dualidades da vida.

Una-se isso a todos os meus receios, tudo o que eu sinto de angústia normalmente, e o resultado foi a cena descrita acima.

Estou melhor, mas o medo de inúmeras coisas ainda está aqui. Ah, que raiva de não poder trazer o passado na algibeira...

Não lembro se já o coloquei aqui, talvez sim, mas aí vai:

Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra - Álvaro de Campos

Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,
Ao luar e ao sonho, na estrada deserta,
Sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco
Me parece, ou me forço um pouco para que me pareça,
Que sigo por outra estrada, por outro sonho, por outro mundo,
Que sigo sem haver Lisboa deixada ou Sintra a que ir ter,
Que sigo, e que mais haverá em seguir senão não parar mas seguir?

Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa,
Mas, quando chegar a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa.
Sempre esta inquietação sem propósito, sem nexo, sem conseqüência,
Sempre, sempre, sempre,
Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma,
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida...

Maleável aos meus movimentos subconscientes do volante,
Galga sob mim comigo o automóvel que me emprestaram.
Sorrio do símbolo, ao pensar nele, e ao virar à direita.
Em quantas coisas que me emprestaram eu sigo no mundo
Quantas coisas que me emprestaram guio como minhas!
Quanto me emprestaram, ai de mim!, eu próprio sou!

À esquerda o casebre — sim, o casebre — à beira da estrada
À direita o campo aberto, com a lua ao longe.
O automóvel, que parecia há pouco dar-me liberdade,
É agora uma coisa onde estou fechado
Que só posso conduzir se nele estiver fechado,
Que só domino se me incluir nele, se ele me incluir a mim.

À esquerda lá para trás o casebre modesto, mais que modesto.
A vida ali deve ser feliz, só porque não é a minha.
Se alguém me viu da janela do casebre, sonhará: Aquele é que é feliz.
Talvez à criança espreitando pelos vidros da janela do andar que está em cima
Fiquei (com o automóvel emprestado) como um sonho, uma fada real.
Talvez à rapariga que olhou, ouvindo o motor, pela janela da cozinha
No pavimento térreo,
Sou qualquer coisa do príncipe de todo o coração de rapariga,
E ela me olhará de esguelha, pelos vidros, até à curva em que me perdi.
Deixarei sonhos atrás de mim, ou é o automóvel que os deixa?

Eu, guiador do automóvel emprestado, ou o automóvel emprestado que eu guio?

Na estrada de Sintra ao luar, na tristeza, ante os campos e a noite,
Guiando o Chevrolet emprestado desconsoladamente,
Perco-me na estrada futura, sumo-me na distância que alcanço,
E, num desejo terrível, súbido, violento, inconcebível,
Acelero...
Mas o meu coração ficou no monte de pedras, de que me desviei ao vê-lo sem vê-lo,

À porta do casebre,
O meu coração vazio,
O meu coração insatisfeito,
O meu coração mais humano do que eu, mais exato que a vida.

Na estrada de Sintra, perto da meia-noite, ao luar, ao votante,
Na estrada de Sintra, que cansaço da própria imaginação,
Na estrada de Sintra, cada vez mais perto de Sintra,
Na estrada de Sintra, cada vez menos perto de mim...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Cosmo Ético

Espia pela fresta. Ela não está entre iguais.

As belas aldeãs falam línguas que não entende, nem faz questão de entender. Não sabe se está certa em não querer... mas não pensa estar errada. Apenas espia.

Ela não pretende se render, nem fazer parte dessa cosmítica de nomes famosos, marcas indeléveis nos outros. Mundo tão diverso do seu. E ainda bem?

Talvez haja quem julgue que deveria ser próximo, uma vez que é natural de sua espécie. E talvez o fosse, se ela se importasse; Contudo, não se importa. Na verdade, até bem pouco tempo ignorava muito do que ouve nas conversas.

Porém, agora que observa, o que vem das falas das belas aldeãs a incomoda, tanto quanto a espanta. Pensa em quanto tempo, palavras, espaço, atenção, valores desperdiçados. E por motivos tão óbvios, rasos, desimportantes a seu ver.

Em seus pensamentos, as críticas não recorrem à pobrezas, misérias, desastres ou outros assuntos quaisquer, naturalmente considerados mais importantes. Não; ela não quer se fingir superior, não nega sua pequenez, seus interesses menores.

O que realmente a espanta é o fato puro e simples de que ela se espantar. É ela se sentir estrangeira nesta aldeia, na qual trafega todos os dias. É ver um mundo que não está nem perto do seu, e ainda assim fica logo ao lado.

Pensa, por alguns segundos, se deveria se juntar a esse mundo, e enquanto pensa espia mais um pouco. Resolve: não se unirá. Continuará a espiar, de perto ou não. Ouvirá as conversas das belas aldeãs, finjirá participar às vezes, se quiser, mas nunca se unirá.

O que espiou desse mundo, de belas aldeãs, é suficiente para saber que ela, definitivamente, não o quer para si.