Democracia: substantivo feminino
Rubrica: política.
1 - governo em que o povo exerce a soberania
2 - sistema político em que os cidadãos elegem os seus dirigentes por meio de eleições periódicas
3
- regime em que há liberdade de associação e de expressão e no qual
não existem distinções ou privilégios de classe hereditários ou
arbitrários
4 - Derivação: por extensão de sentido: país em que prevalece um governo democrático
Democratizar: verbo transitivo direto e pronominal
1 - conduzir (algo, alguém ou a si mesmo) à democracia; tornar(-se) democrata
2 - tornar(-se) popular; colocar(-se) ao alcance do povo, da maioria da população
(fonte: dicionário Houaiss)
Me
sinto ludibriada hoje. Enganada por uma farsa mal encenada de uma
porção de pessoas que se dizem maioria. Maioria? Dentre mais de 4 mil
alunos, elas são quantas? Quatrocentas, quinhentas pessoas? Nem isso.
Ludibriada
por uma falsa democracia, que não ouviu nem metade de quem interessava.
Por um grupo de pessoas que pensa ter voz ativa. Por um grupo de
pessoas que decidiu por uma greve sem sentido, sem começo, sem final,
sem pé nem cabeça. Greve de alunos? E isso servirá para quê? Para
conscientizar o governador? Sim, como não... ele vai ficar sensibilizado
com os alunos de 5 cursos, e justamente dos cursos tido como de
"vagabundos".
Mas me sinto ludibriada principalmente por
mim mesma. Eu me enganei, me iludi. Ainda acreditei que existisse alguém
com alguma sensatez no movimento estudantil. E que, se não existisse,
que os outros, que representam a verdadeira maioria, conseguiriam
avançar. Mero engano. Só os de sempre por lá, como é usual. Só os que
sempre me afastaram da defesa dessas causas. Só os de sempre. Sempre.
Semana
passada a votação para desocupação do prédio da FFLCH me deu
esperanças, apesar de ter sido ignorada pelo grupo que invadiu a
Reitoria. Sim, porque essas pessoas que agora defendem a "democrática"
decisão de greve não respeitaram a mesma democracia uma semana antes.
Muita gente estava lá, meus caros. Não adianta dizer que não - vocês
sabem que naquele dia perderam, e mesmo assim resolveram montar
acampamento na Reitoria.
Eu sou absoluta e totalmente
contra a PM no Campus. Vou repetir, em letras garrafais, só pra ficar
claro: SOU CONTRA A PM NA USP. Sei perfeitamente que essa não é a
solução. Mas greve de alunos? Para quê? Para chamar a atenção de quem?
Todas
as lideranças estudantis na Letras estavam a favor da greve, tanto que
não havia quem representasse o outro lado. Se não fosse alguns dos
nossos, esse lado nem teria sido representado. E para defender a greve, e
posteriormente o piquete, havia um sem número de pessoas.
Impressionante como o movimento estudantil não muda, nem com o tempo,
nem com o lugar, nem com a cidade.
Eu não tenho mais 18
anos, e não descobri que existe política ontem. Eu sou formada em outra
faculdade de humanas, jornalismo. Lá também existia movimentação, lá
também acontecia ameaça de greve, piquete, mesmo sendo particular. Já vi
tudo isso mais de uma vez, já participei de passeata contra aumento de
mensalidades, já fui a festas, assembléias... Já vi tudo isso, minha
gente. E sabe no que vai dar? Em nada. Daqui a 4, 5, 8 anos que seja,
todos vocês do movimento estudantil vão sair da faculdade, e esquecer
as causas. Porque É isso que acontece. É EXATAMENTE isso que acontece.
Já vi muito revolucionário de cabelo comprido se vender ao primeiro que
oferece emprego. Já vi partidários ferrenhos da esquerda e dos partidos
de esquerda trabalhando na assessoria de imprensa do PSDB. Já vi esse
filme.
Eu continuo me ludibriando, mesmo enquanto escrevo
esse texto. Sempre fui partidária de causa impossíveis. Passei as
últimas semanas defendendo de quem quer que fosse a causa desses últimos
protestos na USP, e sempre deixei claro que a maconha não tem nada a
ver com isso. Fui em todas as últimas votações, compartilhei textos,
discuti com amigos, me irritei com pessoas que não tem a menor ideia do
que se passa na USP e falam bobagem. Andei com o colante contra a
homofobia até ele se esgarçar na bolsa. E pra quê? Pra que um grupo de
pessoas que NÃO representa a maioria ( e vocês SABEM disso) decidisse
que, se eu quiser entrar em aula amanhã, vou ter que passar por um
piquete.
Piquete? Que raios de democracia é essa, que me
impede de agir como eu quiser, sem infringir leis? Que me impede o ir e
vir? Que quer me obrigar a aceitar o desejo da MINORIA? Que espécie de
movimento é esse, que vai entrar em guerra com quem quiser fazer o que é
seu direito, estudar?
Sem piquete não há greve. Olha
só... é mesmo? Mas por que o medo de que as pessoas vão para as aulas?
Não, não respondam, eu sei o motivo - vocês tem medo por saberem que a
maioria irá pras aulas, porque é o que a MAIORIA QUER. Não é? Alguém tem
coragem de me dizer que não é?
Vocês venceram essa. Ganharam o coração de alguns incautos para a causa. Mas me perderam mais uma vez, e a muitos, também.
Eu
vou continuar a me enganar, me ludibriar. Mas essa farsa chamada
movimento estudantil não me engana faz tempo. Essa farsa mal encenada, e
sem graça. Essa farsa responsável por momentos ridículos e risíveis,
como a tentativa de retirada de uma faixa (muito mal feita, por sinal)
por alunos no prédio da História, e a corrida desenfreada para evitar a
retirada da dita faixa, aos gritos de "é a polícia, é a polícia".
Eu
declaro aqui - vou furar essa greve SIM. Quer me comparar à direita,
aos PMs, ao raio que o parta? Compare, fique à vontade. Eu vou furar a
greve, porque é meu direito também.
Como dizia a tal faixa quase retirada "Democracia de cu é rola"
PS: sim, cu não tem acento... alguém podia aproveitar e corrigir a faixa supracitada.
INVENTÁRIO DE PERDAS
Há 7 meses