O tempo é um "ser" engraçado, adora pregar peças. Pelo menos uma vez por ano ele te lembra da sua mortalidade, de como ele continua a correr, mesmo que você finja não ver. Aniversários me lembram várias coisas, e, sim, eu me importo. Gosto de aniversários, de encontrar pessoas queridas, de receber telefonemas, de ganhar abraços de quem eu amo. Gosto de estar cercada de gente nesse dia.
Ano passado tudo estava bastante diferente. Eu estava desempregada, em Santos, nem tinha este blog. Não sabia de algumas coisinhas sobre mim, sobre os outros próximos de mim. Tinha algumas ilusões que não tenho mais. Como já disse aqui, a ignorância é mesmo uma benção, mas eu prefiro saber.
Agora completo 26 anos, enfrento todos os dias um trânsito de doer, estou trabalhando, tenho planos para o final deste ano que podem mudar os próximos 5 anos, estou em São Paulo, uma cidade da qual sempre gostei e que, apesar dos pesos, continuo gostando, ainda que de um outro modo.
Gosto de fazer balanços do que tenho passado de vez em quando. E aniversários são perfeitos para isso. Estou pensando em muitas coisas desde ontem, no que deveria mudar ainda, no que já desisti de lutar contra, nas coisas boas que me aconteceram. Ano passado eu tinha mais gente à minha volta. Mas, creiam, estou melhor assim. Só estou com uma saudade imensa do mar... nunca passei um aniversário sem ver o mar. Não adianta, posso ir morar no fim do mundo, nos confins do sertão ou de frente para mares mais bonitos que o "meu". Porém, nenhum vai conseguir substituí-lo. Não há mar como o meu mar. Que vontade de olhar pra ele!
Talvez possa não parecer pelo texto, mas estou feliz hoje, sim. Com vontade de fazer todo mundo rir, ouvir risadas. E a vocês que me aturam há tanto tempo, de boa vontade e apesar de todas as minhas chatices, muito obrigada. E parabéns também!! Hehehe
Para acabar, duas coisinhas: um textinho do meu querido Álvaro de Campos, que não tem nada a ver com o texto, mas que eu quis dividir hoje: Símbolos
"Símbolos? Estou farto de símbolos...
Mas dizem-me que tudo é símbolo,
Todos me dizem nada.
Quais símbolos? Sonhos. —
Que o sol seja um símbolo, está bem...
Que a lua seja um símbolo, está bem...
Que a terra seja um símbolo, está bem...
Mas quem repara no sol senão quando a chuva cessa,
E ele rompe as nuvens e aponta para trás das costas,
Para o azul do céu?
Mas quem repara na lua senão para achar
Bela a luz que ela espalha, e não bem ela?
Mas quem repara na terra, que é o que pisa?
Chama terra aos campos, às árvores, aos montes,
Por uma diminuição instintiva,
Porque o mar também é terra...
Bem, vá, que tudo isso seja símbolo...
Mas que símbolo é, não o sol, não a lua, não a terra,
Mas neste poente precoce e azulando-se
O sol entre farrapos finos de nuvens,
Enquanto a lua é já vista, mística, no outro lado,
E o que fica da luz do dia
Doura a cabeça da costureira que pára vagamente à esquina
Onde se demorava outrora com o namorado que a deixou?
Símbolos? Não quero símbolos...
Queria — pobre figura de miséria e desamparo! —
Que o namorado voltasse para a costureira."
E algo que vocês nunca imaginariam aqui: uma música do Renato Teixeira, que eu conheci na voz do Almir Sater (!), Tocando em Frente (depois incluo um clipe). PS: Não, não curto Almir Sater, mas essa música vale a pena.
"Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia.
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz"
INVENTÁRIO DE PERDAS
Há 7 meses