quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Algo mudou...

Alguma coisa mudou no meu mundo esta semana.

Essa semana não foi (e não está sendo ainda) fácil, não. Passei (ainda passo) por uma crise de confiança. Em mim e nos outros. Não estou legal, não vou mentir, e sim, este post vai ser meio depressivo. Pois é, gente, voltei à velha carga!

Por alguns motivos me senti lançada em 2000, 2001, quando eu era sozinha no meio de um monte de gente. Quando eu não conseguia falar do que eu sentia de verdade pra ninguém, e chorava sozinha no banheiro, em silêncio. Assim, ninguém saberia a verdade sobre mim, nunca. Eu me lembro perfeitamente dessa época, e de como era ruim. Tinha, como tenho até hoje, ótimos amigos (uma me acompanha desde antes disso e até hoje) e não era por mal, eu só não conseguia falar.

Depois de entrar no teatro, muito disso mudou. Mexendo com sentimentos, como a gente mexe em atuação, o jeito de encará-los na vida real muda também. Então, consegui falar de coisas que nunca falaria. Aliás, se não fosse isso, não escreveria aqui, de jeito nenhum. O teatro mudou minha vida, também.

Mas Alguma coisa mudou no meu mundo esta semana. Me senti sozinha num momento em que não podia. Me senti, não - ainda me sinto. Tão sozinha que não consigo falar mais claramente sobre isso. A crise de confiança começou em mim, nas minhas escolhas, no que tem sido minha vida. Não desgosto do meu trabalho, mas não é o que eu sonho em fazer, não é o que eu gostaria de fazer, não é o que eu amo, não é o que me move.

Entrei e saí da faculdade de jornalismo querendo apenas uma coisa: escrever. Quero escrever, escrever, escrever! E não faço isso, e não estou nem perto de fazer, e me vejo cada vez mais longe, e isso me desespera de uma maneira que só eu sei. Não consigo, por mais que eu queira, mostrar o quanto isso dói.

Voltei a me transparentar em lágrimas por causa disso. Mais - gritei de dor, chorei até o maxilar doer, até não ter mais lágrimas. E não tive onde me agarrar. Como em 2000, quando alguém foi embora, e eu não sabia o que fazer com tudo que eu sentia. Vi aquela menina de 16 anos aqui de novo.

Isso refletiu no trabalho, por outros motivos mais. Me peguei fragilizada em frente de pessoas que não tinham como entender meus motivos. Chorei como se fosse uma criança na escola, quando é repreendida pela professora. Alguém me puxou pela mão, me levou pra conversar, mas eu não pude me explicar, por mais que me explicasse. Outra pessoa se assustou e me abraçou, outra ainda se preocupou e não soube bem o que fazer, só me perguntou mais tarde o que houve. Mandei notícias para alguém ao mar. Uma pessoa me machucou como nunca. Eu perdoei, de verdade, mas ainda dói.

Tudo isso fez uma semana de dias bem difíceis, mas que passaram mais rápido do que imaginei. Mais tarde verei meu mar, e talvez tudo melhore um pouco. Ou não, não sei. Mas pelo menos vou poder descansar um pouco que seja dos problemas, apesar de não fugir deles. A dor ainda está aqui, e não vai sair até eu achar meu caminho. Ainda estou perdida, e agora não sinto chão firme sob meus pés.

Alguma coisa mudou no meu mundo esta semana.

PS: amigos, queridos, não se preocupem demais. Não vou morrer de tristeza, nem vou me matar, acho isso covardia demais. Sei que vocês gostam de mim, sei que vocês estão aqui sempre. Não é disso que estou falando. É como eu vi uma vez no filme "PS: Eu te amo" - não importa o que você faça, você estará sempre sozinho. E nisso estamos todos juntos.

Eu Vezes Eu - Titãs



Eu vezes eu,
Espalhados em mim
Eu, mínimo, múltiplo, comum
Eu menos eu
Do que resta de mim
Eu, máximo, único, nenhum

Ela, ele, vocês
Vezes eles, os outros
Eu e eu outra vez
Nervo, músculo e osso

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O que você faz?

Não queria necessariamente usar meu blog pra falar disso, mas não deu. Li algo hoje que não consegui deixar de lado. Ah, sim, explicando: vou falar das eleições deste ano. Finalmente.

Não sei se todos vocês sabem, mas este ano minhas diretrizes políticas mudaram um pouco. Continuo a votar nas pessoas, e não no partido, isso eu não pretendo mudar. Mas outras coisinhas estão diferentes.

Por exemplo, este ano não vou votar no candidato "menos ruim". Trazendo para o futebol, é como dizia o Pepe (ex-jogador do Santos): não tenha um jogador ruim no seu time, porque os bons se machucam. Não vou eleger um político ruim, porque os bons não vão ter força, vão se "machucar". Se for preciso, farei algo que vai contra minhas crenças, e votarei nulo. Sim, nunca gostei dessa idéia de votar nulo, mas me recuso a votar em qualquer um só para não anular.

Não decidi todos os meus votos ainda. Governador e deputados estão em aberto. Decidi apenas presidente e senadores - o que já é muito, até outro dia não tinha nenhum deles resolvido. Votarei em Marina Silva, e esse é meu voto mais sincero. Ela não vai ganhar, mas não importa, pois nenhum dos outros candidatos merece meu voto, sobretudo os que estão no topo das pesquisas.

Mas o que me fez vir aqui falar disso? Esse link - http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2010-09-01_2010-09-30.html#2010_09-15_08_44_18-10045644-0. Esse é um blog de política, do Josias de Souza, que eu entro vez ou outra. Não concordo com muito do que ele diz, mas, enfim, cada um sabe de si.

O post que me incomodou foi o de nome "Dirceu: Brasil tem ‘excesso de liberdade’ de imprensa". Fala de uma palestra dada pelo Zé Dirceu, aquele que se digladiava com o Bob Jeff na época do mensalão, foi cassado e não pode se candidatar até 2016. Quando, sem dúvida, ele voltará, se estiver vivo até lá. Para não ser injusta, o Thiago me enviou um link com o outro lado (até parece jornalista, hehe), do próprio explicando seus pontos de vista - http://www.zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=10080&Itemid=2

Não vou aqui fazer acusações e reverberar o que se diz do Zé Dirceu. Graças a Bob Jeff (que é outro pilantra), estamos livres de tê-lo como presidente oficial. Mas não estamos livres para sempre dele. A minha visão desse é bem particular - para mim ele é um apaixonado pelo poder, e o quer ter a todo custo, mesmo que nos bastidores. Aliás, é nos bastidores que ele se mostra ainda mais eficiente, e poderoso. Diferentemente do Aécio Neves e do Ciro Gomes, que, na minha opinião, são outros apaixonados pelo poder, mas só o poder não basta - eles precisam do status, dos holofotes. Talvez por isso o primeiro namore tantas misses, e o segundo uma atriz famosa...

Nessas eleições, temos políticos para todos os gostos, dos palhaços aos picaretas. Nem vou entrar no mérito das candidaturas bizarras, não vale a pena. O que vim falar é de política, não dessas piadas sem graça.

Também não estou aqui para dizer como vocês, meus caros, devem votar. Eu mesma não sei, estou ainda conjecturando. Só queria desabafar um pouco contra esse cenário que antevemos. Pelo jeito, teremos uma presidenta, e, infelizmente, alguém que eu não admiro, nem gostaria de ver nessa posição. A maioria vence, sempre, e quem sou eu para ir contra a democracia?

Pelo jeito [2], alguns senhores que aí estão há anos vão continuar, alguns que fazem gracinhas vão entrar, os cantores irão para o senado, para a câmara. Sabem, pensar nisso tudo dá um desânimo perigoso. Sim, porque dá vontade de mandar todo mundo passear, não votar em ninguém, me anular mesmo, de todas as formas, como meus pais fizeram durante muito tempo. Porém, não posso me anular, a não ser no caso citado lá em cima.

Penso em tanto tempo, tantas mortes, tanta luta durante os anos de chumbo, veneno, porradas, sumiços. E apenas aí eu me reanimo um pouco. Hoje temos uma liberdade pela qual muitos lutaram, e parece que não nos damos conta. Não sentimos na pele o que se passou até o ano em que eu nasci, em que o Tancredo Neves ganhou mas não assumiu, época em que as letras MDB não eram sinônimo de Quércia. Por fazer tanto tempo, parece que não aconteceu conosco. É muito bonito de ver nas paginas de história, nas aulas de faculdade, nas músicas de festivais. E só.

Vocês me conhecem, sabem o que eu penso sobre os vermelhinhos e os arrotos de revolução. Não quero uma revolução - quero a liberdade. Liberdade sem que alguém meça e diga que é demais, nem de menos. Liberdade não deve ser medida.

Nosso sistema atual é falho, em alguns pontos cai de podre, precisa de pessoas diferentes, e o povo não as elege, por falta de educação, informação, memória. Ainda assim o que temos é melhor que liberdade nenhuma.

domingo, 5 de setembro de 2010

Post atrasado


Já escrevi aqui que o samba é minha língua paterna, certo? Por causa de meu pai, conheço samba desde a barriga da minha mãe. Lembro de músicas que eu cantava quando era um menininha, e não só samba - chorinho, Elis Regina, Chico Buarque, Roberto Carlos. Língua paterna.

Há duas semanas fui em um show muuuuuuuuuuito bom, de sambão, que meu pai com toda a certeza iria adorar. Casuarina, grupo ( e não banda... tão estranho isso) do qual eu já falei aqui algumas vezes. Subimos a serra eu, Bruno, Aline, Patrícia e Thiago. Destes, apenas Thiago e eu para ver o show. Como disse o Bruno, tinha mais gente pra passear com ele do que pra ver o show comigo, hehe.

Casa cheia, sono do Thiago, cansaço e antecipação de solidão de domingo - que aliás foi mesmo solitário. Mas começam os acordes de Canto do Trabalhador, e parece que todo o resto não importava. Me deixei preencher pelo samba, pelas batidas do tan tan, o som da flauta e do violão... e as vozes de Gabriel Azevedo e João Cavalcanti (aaaaah).



Sim, sou roqueira, sempre fui, sempre serei. Mas nada me impede de gostar, e muito, desse ritmo. Não confundam com pagode, por favor - é até um sacrilégio chamar um estilo que conta com tanta gente boa (Paulinho da Viola, Cartola, Adoniran Barbosa, Clara Nunes, Noel Rosa...) com esse tipo de música que é modinha hoje em dia.

Dancei, sambei demais, suei, me cansei, mas não queria parar. Sabia quase todas as músicas, e me soltei como sempre me solto quando danço. Como é bom sentir o ritmo pulsando na sua pele, respirar de acordo com as pausas e retomadas da música. Dançar é ouvir a música com todos os sentidos.

Adiciono mais uma paixão à minha lista - João Cavalcanti, eu caso (calma, Bruno, hahaha). Com o plus de que meu sogro seria... o Lenine!!!

Ah, meus caros, que vontade imensa de ir a mais shows! Quando estiver no Rio, parada obrigatória na noite da Lapa, sem dúvida.

Swing do Campo Grande - Casuarina (originalmente Novos Baianos, vejam só!)




Minha carne é de carnaval
Meu coração é igual
Minha carne é de carnaval
Meu coração é igual

Aqueles que tem uma seta
e quatro letras de amor
Por isso onde quer que eu ande
Em qualquer pedaço eu faço
Um campo grande
Um campo grande
Um campo grande ê
Um campo grande epa!

Eu não marco touca
Eu viro touca, eu viro moita
Eu não marco touca
Eu viro touca, eu moita