quarta-feira, 9 de abril de 2014

Daqui pra lá

Esse post tem duas músicas. A primeira é essa:



Bem, vamos lá - começo com uma citação de um filme, pra que vocês consigam entender o que eu quero dizer. Vocês assistiram "Menina de Ouro", aquele mesmo, da boxeadora? Em um momento do filme, o personagem do Morgan Freeman disse uma frase que ficou marcada na minha memória. Segundo ele, cada boxeador tem um número X de lutas, e só aquele número. Quando o boxeador alcança esse número, não luta mais - ou porque se aposentou, ou porque sofreu acidente, ou seja lá qual for o motivo. Aquela é a última luta, ponto final. E nunca dá pra saber ao certo quando esse número vai chegar.

Eu quero parafrasear essa crença aqui - acho que a gente tem um número X de lágrimas a derramar por cada pessoa que nos faz sofrer, qualquer que seja o motivo. Depois disso, as lágrimas secam. Você não chora mais.

Digo isso porque já aconteceu comigo, mesmo eu não tendo formalizado dessa maneira. Mas, em algum momento, acontece o último choro e eu me canso. Meu coração se cansa de se importar tanto.

Isso aconteceu comigo no último dia 31 de março. É, no meu aniversário. De repente, a pessoa que me fez chorar nos últimos 18 meses... não me fez chorar de novo ao "esquecer" de me desejar feliz aniversário. E essa pessoa sabe o que significa para mim não ter me dado parabéns. Até porque essa pessoa também dá valor a esses pequenos gestos, talvez até mais do que eu.

Foi estranho - eu estava chateada, mas não deprimida. Quando me dei conta do "esquecimento", não chorei, não tive ânsias de escrever, gritar no inbox do facebook. Me dei conta, pensei que aquilo era triste... e continuei a escovar os dentes antes de dormir. Não fiquei indiferente, porém não foi o fim do mundo, como poderia ter sido.

Eu sempre digo que, enquanto eu reclamo, significa que eu me importo. E quando eu paro de reclamar, significa que eu deixei de me importar. Isso não é exato, eu não sei se deixo de me importar, mas com certeza no momento em que eu paro de reclamar é porque  aquilo não tem o mesmo peso que tinha. Isso já aconteceu comigo em relação a amigos antes. E torna a acontecer agora.

Eu finalmente cansei. Cansei de correr atrás, de querer ser legal, de querer "fazer as pazes" de alguma forma. Eu ainda quero saber como está, desejarei sempre que seja feliz, muito feliz. Mas algo se quebrou e eu não sei se haverá peça de reposição.

Não queria que fosse assim e não sei se isso é bom ou ruim ou nenhum dos dois. Ainda me pego pensando, querendo contar uma novidade, só que não me brotam lágrimas nos olhos ao me dar conta que eu não posso telefonar. Parece que as lágrimas secaram mesmo.

Por fim, meu aniversário em Santos foi ótimo e em São Paulo também. Recebi muitos parabéns, muitos abraços, muitas mensagens e ligações de quem não ia conseguir me ver. Olhei em volta nos dois encontros e só vi pessoas queridas. Não quero reclamar mais a falta de alguém, quero dar valor às presenças.

E aí, entra a segunda música: quando eu olhar pro lado, eu quero estar cercado só de quem me interessa.