quinta-feira, 31 de março de 2011

Envelheço na cidade

Ah... esse é meu segundo aniversário na cidade. Aniversários são bichos estranhos: eu gosto deles, gosto de acarinhá-los, mas cada vez que eles chegam me lembram da passagem do tempo, e de como tudo muda, vai mudando, mudou.

Estou na USP. Esse foi meu maior presente de aniversário (apesar de eu ter gostado bastante da bolsa que ganhei também:P), o que deu e dá mais trabalho. O aniversário este ano vem no meio do turbilhão trabalho/letras/casa, sem tempo pra ler ou dormir, e com atrasos nas aulas. Vamos levando...

Estou vendo as pessoas crescerem. Amigos se casando, indo para empregos melhores, mudando de vida, arriscando. Espero ver outros, ainda esse ano, mudando de vida e se arriscando de volta pra cá também. Espero eu mesma ter coragem de arriscar a mudar, mesmo que instantaneamente para pior, se eu precisar. Acho que precisarei.

Quero ter meu milhão de amigos, mesmo que esse milhão não chegue a uma sala cheia. Queria ter todo mundo que gosto no meu aniversário, perto de mim, mas não dá. Então, aceito o que tenho. Preciso aprender a aceitar algumas coisas.

Para finalizar, Aniversário, do Álvaro de Campos, na voz do Paulo Autran. Porque eu amo o Álvaro e porque aniversários são beeeeem legais, mas quando você começa a ficar velha passa a sentir falta de agumas coisas que não voltam...



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Bolsonaro

Acho que não preciso comentar, se você está aqui sabe o que penso de um monte de coisas, incluindo preconceitos de cor ou sexo. Enfim, não vou chover no molhado - vou indicar um texto que fala de aspectos anteriores à polêmica do deputado federal pelo Rio de Janeiro Jair Bolsonaro, do PP (Partido PROGRESSISTA, vejam vocês). Defender a ditadura militar já é ruim o suficiente, mas não para esse senhor. Ele tinha que mostrar preconceito contra vários tipos de pessoas, situações, o que for.

O blog é esse aqui - http://blogdosakamoto.uol.com.br/. O nome do post é "Não quero ser filho de Bolsonaro". Leiam, vale a pena.

Medo de pessoas como esse senhor. medo e raiva de ver que o mundo tem gente assim, ainda. Sempre terá?

segunda-feira, 28 de março de 2011

Não sei esperar...

... e não quero postar no dia certo. Então, vai agora. Aniversário chegando, época perfeita pra lembrar, recomeçar e tentar seguir em frente. Isso.

Para mim, essa música fala de muitas pessoas. Algumas que eu perdi geograficamente, outras que se perderam por própria escolha, outras pela vida, outras por melhores caminhos. In my life I love them all.



In my life

There are places I remember all my life,
Though some have changed,
Some forever, not for better,
Some have gone and some remain.

All these places had their moments
With lovers and friends I still can recall.
Some are dead and some are living.
In my life I've loved them all.

But of all these friends and lovers,
There is no one compares with you,
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new.

Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before,
I know I'll often stop and think about them,
In my life I'll love you more.

Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before,
I know I'll often stop and think about them,
In my life I'll love you more.
In my life I'll love you more.

Na minha vida

Há lugares dos quais vou me lembrar
por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado
Alguns para sempre, e não para melhor
Alguns já nem existem, outros permanecem

Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos, dos quais ainda posso me lembrar
Alguns já se foram, outros ainda vivem
Em minha vida, amei todos eles

Mas de todos esses amigos e amores
Não há ninguém que se compare a você
E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso em amor como uma coisa nova

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais a você

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais a você
Em minha vida... eu amo mais a você

sexta-feira, 25 de março de 2011

Generator

Música do dia - Generator, Foo Figthers (torcendo bastante pelo possível show!!!!)



Lately I'm getting better
Wish I could stay sick with you
But there's too many egos left to bruise
Call it sin, you can call it whatever,
Eating deep inside of you
Well if it were me it's all I'd ever do

(Guitar Solo)

Steal me now and forever
I'll steal something good for you
The criminal in me is no one new
Till you find something better
When there's nothing left to use
And everything starts going down on you

(Chorus)

I'm the Generator, firing whenever you quit
Yeah whatever it is, you go out and it's on
Yeah can't you hear my motored heart
You're the one that started it

Send me out on a tether
Swing it round I'll spin your noose
You let it down
I'll hang around with you,
till you find someone better
When there's no one left to use,
and everyone keeps going down

(Chorus x 2)

I'm the Generator, firing whenever you quit
Yeah whatever it is, you go out and it's on
Yeah can't you hear my motored heart
You're the one that started it

quinta-feira, 3 de março de 2011

01.03.2011

Como muitos aí que vão ler sabem, fui assaltada essa semana. Pela primeira vez na vida. Me considerava uma pessoa rara, por ter escapado dessa experiência. Agora sou rara por outro motivo - as pessoas que me atacaram estão presas.

Foi no caminho pro trabalho, na ponte Cidade Universitária, saindo da USP. Cinco meninas, todas mais novas que eu, me cercaram; uma delas me deu uma chave de braço no pescoço. Elas exigiram dinheiro e o celular. Dinheiro não tinha, então elas levaram o celular e o bilhete único.

Acho que nem nas minhas piores crises eu chorei tanto na vida. Só chorei quando elas foram embora, acho que apenas aí percebi mesmo o que tinha acontecido. Chorei pelo assalto e pelo acúmulo de situações que não vale a pena citar agora, fica pra outra vez. No meio do choro, algumas pessoas me ajudaram. Uma delas, Dayane, me pagou o metrô e ainda me deu R$20,00 para se eu precisasse. Um anjo, de verdade. Não sei o que teria feito sem essa ajuda. Vou agradecer à altura.

Eu sou uma pessoa protegida. Sempre me senti protegida, sei que tem alguém ao meu lado sempre. Acredito em Deus, com uma fé bem própria, mas profunda. Ainda no meio do choro, agradeci (e agradeço) pelas meninas não terem feito nada demais comigo, não terem me machucado, por ter aparecido alguém que se prontificou a me ajudar. Proteção não é só impedir que algo aconteça a você. É também te socorrer quando necessário.

As meninas foram presas, eu fui na delegacia, o Thiago, tadinho, me acompanhou. Fiquei lá horas e ia ficar mais, então falei pro Thiago ir embora. Fiquei sozinha com meus pensamentos. E agora chegamos a eles.

Não estou com raiva das meninas. Estou com uma estranha e enorme sensação de pena. Não é compaixão, não é ódio, não é sede de justiça, não é nada disso. É pena. Elas são muito novas, sabe? Uma de dezoito e as outras de 14 e 15 anos.

Eu não quero saber quais motivos as levaram a me assaltar, não interessa. Nada justifica esse tipo de violência... mas, de novo, não estou com raiva. Na terça-feira, dia do assalto, eu voltei pra casa, tomei banho, comi, dormi na minha cama. Perdi um celular, recuperei o bilhete único, passei por uma situação que ainda está refletindo na minha cabeça. Mas estou em casa, livre, com as minhas coisas, na minha cama. Elas estão presas.

Fiquei pensando em que futuro essas meninas vão ter. Se novas desse jeito já estão perdidas, o que vai acontecer daqui pra frente? É difícil pensar que, qualquer que seja o motivo, elas já estão perdidas. Muito mais que qualquer um de nós jamais esteve. E que elas talvez nem estejam procurando outro caminho.

Estou bem, mas estou estranha. Qualquer pessoa que eu não conheça e chegue perto de mim eu já fico assustada, achando que pode ser assalto. Meu corpo tem reagido assim. Tenho medo de me tornar uma neurótica paranóica com medo de assaltos, hahaha.

Outra coisa que mudou - tudo parece ter menos sentido de importância. Precisei de uma chacoalhada pra acordar, pra ver de novo que nada é tão impossível de resolver, nenhum problema é tão imenso como parece.

As 5 meninas estão presas, eu fiquei a tarde inteira em uma delegacia, saí só às 9 da noite. E fiquei lá porque era meu dever. Pelos menos por um tempo evitei que mais pessoas passassem por uma assalto naquela ponte, cometido por aqueles meninas.

Mas estou bem. Como disse, no final do dia, cansada, eu me deito na minha cama, escrevo esse texto para vocês e durmo. Elas não.