quinta-feira, 3 de março de 2011

01.03.2011

Como muitos aí que vão ler sabem, fui assaltada essa semana. Pela primeira vez na vida. Me considerava uma pessoa rara, por ter escapado dessa experiência. Agora sou rara por outro motivo - as pessoas que me atacaram estão presas.

Foi no caminho pro trabalho, na ponte Cidade Universitária, saindo da USP. Cinco meninas, todas mais novas que eu, me cercaram; uma delas me deu uma chave de braço no pescoço. Elas exigiram dinheiro e o celular. Dinheiro não tinha, então elas levaram o celular e o bilhete único.

Acho que nem nas minhas piores crises eu chorei tanto na vida. Só chorei quando elas foram embora, acho que apenas aí percebi mesmo o que tinha acontecido. Chorei pelo assalto e pelo acúmulo de situações que não vale a pena citar agora, fica pra outra vez. No meio do choro, algumas pessoas me ajudaram. Uma delas, Dayane, me pagou o metrô e ainda me deu R$20,00 para se eu precisasse. Um anjo, de verdade. Não sei o que teria feito sem essa ajuda. Vou agradecer à altura.

Eu sou uma pessoa protegida. Sempre me senti protegida, sei que tem alguém ao meu lado sempre. Acredito em Deus, com uma fé bem própria, mas profunda. Ainda no meio do choro, agradeci (e agradeço) pelas meninas não terem feito nada demais comigo, não terem me machucado, por ter aparecido alguém que se prontificou a me ajudar. Proteção não é só impedir que algo aconteça a você. É também te socorrer quando necessário.

As meninas foram presas, eu fui na delegacia, o Thiago, tadinho, me acompanhou. Fiquei lá horas e ia ficar mais, então falei pro Thiago ir embora. Fiquei sozinha com meus pensamentos. E agora chegamos a eles.

Não estou com raiva das meninas. Estou com uma estranha e enorme sensação de pena. Não é compaixão, não é ódio, não é sede de justiça, não é nada disso. É pena. Elas são muito novas, sabe? Uma de dezoito e as outras de 14 e 15 anos.

Eu não quero saber quais motivos as levaram a me assaltar, não interessa. Nada justifica esse tipo de violência... mas, de novo, não estou com raiva. Na terça-feira, dia do assalto, eu voltei pra casa, tomei banho, comi, dormi na minha cama. Perdi um celular, recuperei o bilhete único, passei por uma situação que ainda está refletindo na minha cabeça. Mas estou em casa, livre, com as minhas coisas, na minha cama. Elas estão presas.

Fiquei pensando em que futuro essas meninas vão ter. Se novas desse jeito já estão perdidas, o que vai acontecer daqui pra frente? É difícil pensar que, qualquer que seja o motivo, elas já estão perdidas. Muito mais que qualquer um de nós jamais esteve. E que elas talvez nem estejam procurando outro caminho.

Estou bem, mas estou estranha. Qualquer pessoa que eu não conheça e chegue perto de mim eu já fico assustada, achando que pode ser assalto. Meu corpo tem reagido assim. Tenho medo de me tornar uma neurótica paranóica com medo de assaltos, hahaha.

Outra coisa que mudou - tudo parece ter menos sentido de importância. Precisei de uma chacoalhada pra acordar, pra ver de novo que nada é tão impossível de resolver, nenhum problema é tão imenso como parece.

As 5 meninas estão presas, eu fiquei a tarde inteira em uma delegacia, saí só às 9 da noite. E fiquei lá porque era meu dever. Pelos menos por um tempo evitei que mais pessoas passassem por uma assalto naquela ponte, cometido por aqueles meninas.

Mas estou bem. Como disse, no final do dia, cansada, eu me deito na minha cama, escrevo esse texto para vocês e durmo. Elas não.

2 comentários:

  1. É, infelizmente estamos rodeados de pessoas ruins, ignorantes e sem educação.
    Eu acredito que tudo pode melhorar, só depende de cada um!
    E tudo o que acontece com a gente é culpa nossa! Talvez aconteceu isso com você para você aprender algo! Aprendi isso e levo comigo pra sempre. Hoje sei que toda reação tem sua ação.

    Graças a Deus você está bem e é isso que importa!

    Que Deus ilumine esse mundo e livre-nos de todo e qualquer mal. E o que eu peço diariamente é a PAZ!

    Beijos.

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  2. Onde está o povo dos Direitos Humanos nessa hora? Pois é, nem vou entrar nesse terreno senão vai dar pau entre a gente. haha O mais importante é que você está bem.
    Beijos

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