terça-feira, 28 de dezembro de 2010

19.15.12.09.04.01~.15 / de 1 a 26

Ela está aqui.
Chegou pontualmente atrasada, às doze horas e vinte e quatro minutos
duma tarde já sem sol.
Quando eu disse tchau a alguém que precisava ir.
I said goodbye, she said hello.

Ela me acompanha.
Está em cada gesto, cada palavra que falo, cada pensamento.
Está nos tijolos, na tinta branca manchada de umidade, nas janelas fechadas.
A vejo no reflexo do espelho.
Me segue, e não tenho escolha.

Aqui não há nada que a faça ir embora.
Havia... não há mais.

Às vezes parece que ela se vai...
Ela se esconde, desaparece
para chegar sempre pontualmente atrasada
no instante em que eu digo tchau porque preciso ir.

Ela está aqui, e não sei mais o que fazer.

Queria ter força mas me falta cedilha.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Pensando

Semana passada tentei algumas coisas. Quase nenhuma deu certo, só o presente do Bruno e o passeio na Galeria do Rock, que me rendeu mais uma camiseta legal, dessa vez de Big Bang Theory. De resto, nada deu muito certo... tentei me acostumar com a falta de um oásis, como escrito no outro post, e não consegui até agora. Não sei se vou. Tentei ficar mais contente, deu certo apenas um dia. Tentei não me sentir sozinha, não deu certo mesmo. Tentei ganhar na loteria, o prêmio acumulou. Tentei me curar de uma tosse persistente, o ar condicionado não deixa.

Estou me sentindo meio estranha e sozinha ainda. O que ninguém vai entender direito, uma vez que tenho pessoas em volta, pessoas que gostam de mim. Mas me sinto mais sozinha agora, e essa sensação está aqui o tempo todo. Agora sei que não posso esperar que algo aconteça e me tire essa sensação. Nada vai acontecer. Preciso aprender a conviver com isso, e ponto final.

Não estou otimista, nem pessimista - tento, agora, me concentrar em outras coisas, como sempre fiz e sei que dá certo só por algum tempo. Mas é o que eu tenho no momento.

Tenho uma segunda fase da Fuvest pra passar, e não vejo muitas chances, mas vamos lá! Estudo e rezo, hehehe. Se passar pra segunda fase, acho que sou capaz até de me converter de vez a alguma religião, hahahahha. Say hallelujah!

Torçam por mim, em todos os sentidos, inclusive na loteria.

Pra terminar, música que não tem nada a ver, mas é lindinha e será a música de ninar da minha filha quando eu tiver uma! hehe

Essa onda não me pega - Sérgio Britto

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal

Uma música que eu acho muito bonitinha, de natal, e bem antiga. Depois volto aqui e coloco vídeo da Judy Garland cantando... Feliz aniversário do menininho!


"Have yourself a merry little Christmas,
Let your heart be light
From now on,
our troubles will be out of sight

Have yourself a merry little Christmas,
Make the Yule-tide gay,
From now on,
our troubles will be miles away.

Here we are as in olden days,
Happy golden days of yore.
Faithful friends who are dear to us
Gather near to us once more.

Through the years
We all will be together,
If the Fates allow
Hang a shining star upon the highest bough.
And have yourself A merry little Christmas now"

"Tenha um pequeno e feliz natal,
Deixe que seu coração seja iluminado.
De agora em diante, nossos problemas ficarão fora de nossas vistas.

Tenha um pequeno e feliz natal,
Deixe a época natalina alegre.
De agora em diante, nossos problemas estarão bem longe.

Aqui estamos nós, como nos tempos antigos,
Felizes e dourados dias que se foram.
Velhos amigos que são queridos para nós,
Reunidos junto a nós
Uma vez mais.

Através dos anos, nós todos temos estado juntos,
Se os santos assim permitem.
Pendure uma estrela brilhante sobre o galho mais alto
E tenha um pequeno e feliz natal agora"

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Esquecer é uma necessidade

Quando você se sente assim, meio estranho, meio faltando algo, você começa a lembrar de como era antes de se sentir assim. É desse jeito que estou. Lembrando de muita coisa, boa e ruim. O fim de ano próximo também ajuda nisso, claro, hehe.

Mas... enfim, sinto faltas. Penso em como minha vida tem sido, no que tenho pensado, o que tem acontecido. E bate arrependimento, de algumas coisas que fiz, do modo como fiz. Infelizmente, não há como voltar pra mudar... mas eu também não tenho certeza que quero mudar.

Meu humor não tá dos melhores, estou me sentindo estranha no mundo. É como se eu tivesse sempre um copo d'água perto de mim e, de repente, me visse no deserto sem nada em volta, nem a possibilidade de um oásis. É isso - perdi meu oásis, que me fazia não perceber, às vezes, que "Grandes são os desertos, e tudo é deserto", como diria o Álvaro de Campos.

Não sei como vou me acostumar com essas faltas. Sinto falta de coisas que lembro, e talvez esse seja o problema. Citando outro dos meus queridos, "Esquecer é uma necessidade", já disse Machado de Assis. Não sei o que fazer com essa vontade que às vezes tenho de largar tudo e ir embora. Vontade que tem sido mais constante nos últimos dias...

Todo mundo precisa de um oásis, eu também. Meu oásis mais possível no momento está longe daqui, e eu não tenho acesso sempre que quero. O que eu tinha aqui ao lado se foi, não volta mais.

Estala, coração de vidro pintado!

"Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.

Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.

Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.

Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.

Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.

Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.

Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!

Mais vale arrumar a mala.
Fim."

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O que me move

Post musical - Duas músicas que vou ouvir bastante esses dias. E que indico, sem sombra de dúvidas, para vocês. Ouça pelo menos uma vez cada uma delas, hehehe. São lindas - e falam muito comigo. Enjoy it!

A primeira, Sérgio Britto (sim, o titã!) e Marina De La Riva, com "Pra te alcançar":



"Pra te alcançar, pra te soltar, pra depois te prender
E me lembrar de te lembrar, pra depois esquecer
Pra te esperar, pra te ganhar, pra depois te perder
E me mostrar, pra te mostrar, e depois esconder

Não por você, nem vem por mim
Pode até o sol sair
Não por nós dois, nem por ninguém
Pode até o tempo abrir

Roda, roda, roda, o pôr do sol nos espera
Roda, roda, roda, é tudo igual ao que era
Roda, roda, roda, o pôr do sol nos espera
Roda, roda, olha as luzes no sinal

Pra te alcançar, pra te soltar, pra depois te prender
E me lembrar de te lembrar, pra depois esquecer
Pra te esperar, pra te ganhar, pra depois te perder
E me mostrar, pra te mostrar, e depois esconder

Não por você, nem vem por mim

Não por nós dois, nem por ninguém
Pode até o tempo abrir

Roda, roda, roda, o pôr do sol nos espera
Roda, roda, roda, é tudo igual ao que era
Roda, roda, roda, o pôr do sol nos espera
Roda, roda, olha as luzes no sinal

o pôr do sol nos espera
é tudo igual ao que era
o pôr do sol nos espera
Roda, roda, olha o anúncio no jornal

Alugo casa no ponto mais charmoso e exclusivo de Juquehy, a 50 metros do mar. São dois quartos com ar condicionado, sala de estar, tv e varanda. Livre para o ano novo e o carnaval."

PS
: a parte do anúncio é da música mesmo, não tenho casa em Juquehy, haha

Agora, Tulipa Ruiz, com "Às Vezes":



"Às vezes quando eu vou à Augusta
O que mais me assusta é o teu jeito de olhar
De me ignorar
Todo em tons de azul

Teu ar displicente invade meu espaço
E eu caio no laço exatamente do jeito
Um crime perfeito
It's all right, baby blue

Garupa de moto, a quina da loto saiu pra você
Sem nome e o endereço é de hotel, eu mereço
Até outra vez

Às vezes quando eu chego em casa
O silêncio me arrasa e eu ligo logo a TV
Só então eu ligo pr'ocê, descubro que já sumiu

Não sei em qual festa que eu te garimpei
Cantanto "lay mister lay", será que foi no meu tio?
Ou em algum bar do Brasil...
Sei lá, eu fui mais de mil

Cheguei bem tarde, o vinho estava no fim
E alguém passou o chapéu pra mim e gritou
É grana pra mais bebum e eu não paguei

Às vezes quando eu vou ao shopping
Escuto "Money for Nothing" e então começo a lembrar
Que eu tocava num bar e que uma corda quebrou

Foi um Deus-nos-acuda, eu apelei pro meu Buda
Te peguei pelo braço e nós fomos embora
Eu disse: Baby, não chora, amor de primeira hora

A vida é chata, mas ser platéia é pior
E que papel o meu
Chá quente na cama, sorvete, torta, banana, lua de mel

Às vezes quando eu vou ao centro da cidade
Evito, mas entro no mesmo bar que você
Nem imagino o porquê, se eu nem queria beber

Reparo em sua roupa, na loira ao seu lado
No seu ar cansado que nem mesmo me vê
Olhando pr'ocê, pedindo outro "fernet"

Será que não chega, já estou me repetindo
Eu vivo mentindo pra mim
Outro sim, outra "trip", outro tchau
Outro caso banal, tão normal, tão chinfrim

Às vezes eu até pego uma estrada
E a cada belo horizonte eu diviso o seu rosto
A face oculta da lua soprando ainda sou sua

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Pra Sempre...?

A gente sempre se depara com coisas que parecem eternas, e sempre sabemos que nada é eterno. Tudo tem seu tempo determinado. E, por mais que queiramos prolongar, não dá, não há como.

O que eu sempre faço é aproveitar ao máximo tudo o que posso aproveitar. Curtir mesmo os momentos... o problema é que, por mais que isso ajude, atrapalha na mesma medida, porque dá mais saudade ainda quando acaba. Sofro por isso, por antecipação e enquanto acontece, sempre. Mas ainda prefiro assim. Melhor ter saudade e lembrar que não ter do que lembrar. Mas, como nada é eterno, talvez um dia isso passe também.

Tenho que aprender a deixar as coisas seguirem seu rumo. Mas isso é outra história...

Por isso, música do dia - Efêmera, de Tulipa Ruiz. Sim, descoberta musical mais nova!

“Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se acontece alguma coisa nessa tarde de domingo
Congele o tempo pra eu ficar devagarinho
com as coisas que eu gosto e que eu sei que são efêmeras
e que passam perecíveis
e acabam, se despedem, mas eu nunca me esqueço

Por isso eu vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho
Martelo o tempo pra eu ficar mais pianinho
com as coisas que eu gosto e que nunca são efêmeras
e que estão despetaladas, acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço

Vou ficar mais um pouquinho, eu vou

Vou ficar mais um pouquinho
para ver se acontece alguma nessa tarde de domingo
Vou ficar mais um pouquinho
para ver se eu aprendo alguma nessa parte do caminho”

domingo, 5 de dezembro de 2010

?

Porque eu não me basto.
Porque eu me sinto sozinha no fim do dia, sempre.
Porque faz falta ouvir eu te amo dos amigos.
Porque faz falta ter alguém para ouvir minhas lamúrias e secar minhas lágrimas.
Porque faz falta ver o namorado sempre.
Porque eu voltei a chorar sozinha e sem fazer barulho.
Porque eu não sei tomar porres.
Porque eu quero carinho.
Porque eu estou com falta de ar.
Porque eu não vejo meu mar quando quero ver.
Porque eu não sei se vou passar na prova.
Porque eu não sei se adianta estudar.
Porque o único sal deste momento vem dos meus olhos.
Porque quero gritar até doer a garganta.

Porque sou eu.

Christmas Lights - Coldplay



When you're still waiting for the snow to fall
Doesn't really feel like Christmas at all

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A chata e a 7ª arte

Tô ficando muito chata com filmes. Muito mesmo. Vou ao cinema pensando sempre se o filme vai me dar a sensação de “ganhei duas horas da minha vida” ou não, e cada vez menos filmes me dão. Dos últimos que vi, depois do Tropa, acho que apenas um ou dois me satisfizeram. Os outros, alguns até de diretores consagrados, nem chegaram perto.

Sendo mais clara: me lembro de ter assistido, nos últimos tempos, o filme do Ayrton Senna, uma comédia romântica bem bobinha chamada “Juntos pelo Acaso”, “RED”, “Como Esquecer” e “Você vai encontrar o homem da sua vida”. Desses, apenas do do Ayrton e RED valeram mesmo a pena.



O do Ayrton Senna vocês devem saber qual é - é o documentário sobre a carreira, até o acidente. Assisti numa sessão lotada em Santos, e lembrar daquele dia de maio de 94 foi inevitável. Lembrei do que fazia, onde estava, como recebi a notícia. Lembrei que torcia pro Nelson Piquet antes de torcer por ele (ok, estou velha, hahaha). E fiquei torcendo, irracionalmente, para que o acidente não acontecesse, e o Senna sobrevivesse. O que, claro, não seria possível...

E quando chega a curva Tamborello, e o carro bate, a sensação é de estar vendo ao vivo, mas desta vez entendendo muito mais do que a criança de 10 anos que viu aquela cena. Assistam, se ainda não viram, e se tiver saído dos cinemas já, baixem, ou comprem o dvd. Mas vejam, sobretudo se vocês gostavam do Senna.



Já o “RED - Aposentados e perigosos” é puramente para divertir, filme de espionagem, com ação e piadas inteligentes. O longa fala da vida de agentes secretos aposentados, que começam a ser perseguidos pela própria CIA, e tem que se virar pra fugir. O elenco do filme é ótimo, com destaque para John Malkovich, sensacionalmente engraçado; Bruce Willis, que está um “Duro de Matar” com senso de humor; e Hellen Mirren, muito bem como a única representante feminina dentre os aposentados e perigosos. Me arrancou muitas risadas em uma sessão quase vazia de segunda à tarde (ah, as férias...).

Aliás, o próprio nome do filme é uma piada - primeiro com os inimigos da época em que os agentes trabalhavam, já que RED era o nome que designava os comunistas. No filme, RED significa Retired Extremely Dangerous, ou Aposentado Extremamente Perigoso. Divertidíssimo!

Já os outros me decepcionaram. Quer dizer, a comédia romântica não, eu sabia o que esperar. Mas “Como Esquecer” e “Você vai encontrar o homem da sua vida”... esperava muito mais. Não que sejam filmes ruins. O primeiro é o tão comentado filme em que a Ana Paula Arósio faz uma lésbica. O longa é até bem montado, mas... não me convenceu. Não pela Arósio, que está bem diferente, fechada, densa e quase perto de ficar feia (ela não tem como ficar feia. Raiva!). Mas algo no filme falta, os atores não estão entrosados, não sei... dá sensação que faltou alguma coisa, ou que o filme foi feito antes do tempo. Não é ruim, mas não gostei.

O último filme é um Woody Allen legítimo... o que eu começo a achar que não cai no meu gosto pessoal. Só assisti 3 filmes dele, portanto não posso afirmar com certeza, mas acho que ele me enganou com “Vicky Cristina Barcelona”, que gostei muito e recomendo (mas cuidado - o filme dá tilt no cérebro). Os outros dois que vi, “Tudo pode dar certo” e esse, hum, de novo sensação de faltou algo. O anterior ainda é melhor que esse, tem uma amarração mais elaborada, não acaba por falta de fita na câmera (ainda se usa fita?), impressão que tive do mais novo.

Bom, acho que tô ficando chata... Veremos numa próxima sessão. Próximo desejo de consumo - Abutres, filme explicado neste link: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/12/estreia-o-impacto-de-abutres-faz-argentina-mudar-leis-do-pais.html

Pessoas, vejam filmes! E me contem! Hehe, adoro indicações!