quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Foi bom, e é bom, e o que será?

Novamente o medo bate à porta. Algumas coisas vão mudar de novo, e que bom! Estou de nova mudança em pouco tempo. A inconstância da minha vida em Sampa me irrita às vezes, mas sinto que agora ela vai diminuir.

Não tenho tido tempo de aproveitar estar aqui, olhar a cidade. Sono sempre fala mais alto que o sol, hehe. Taí um pecado que tenho que corrigir: preguiça.

Já tenho saudades antecipadas em mais ou menos 2 semanas (olhos enchem d'água). Sim, tudo é sempre antecedido, não sei ainda como resetar esse defeito de fabricação. Esse pra mim é um intervalo já um pouco com sabor de despedida, apesar de estar indo para não muito longe, na verdade bem perto.

Nesse pouco tempo aprendi sobre mim, sobre outros, sobre coisas bem bobinhas e outras mais importantes. Estou lendo um livro bem louco, emprestado por um amigo desse tempo, o Lê, companhia bem cotidiana e interessantíssima. Passei algumas noites em conversas com a Laura e o Jessé, e até comemorei aniversário comendo tapioca acompanhada deles e da Alana. Dei assessoria de texto para o Mau mais de uma vez, e adoro, haha. Dei risadas e soube curiosidades com o recém-chegado Diogo. Vi Ídolos e ouvi sobre teatro com a Dai, que enlouquece com o cantor estiloso, hehe. Sem falar, claro, do Thi, minha companhia mais constante sempre.

Não vou esquecer as conversas até tarde sobre escritos, religião, filosofia, vida, música, televisão, qualquer coisa. Tudo é motivo para eu passar um tempo conversando. Nem do casamento mais emocionante que já fui, nem da festinha mais íntima e despojada de aniversário. Nem das sessões de filmes, nem das comidinhas, e muito menos das músicas, danças e conversas de apagão!

Não quero sumir, e não vou, mas não será como antes. O 'todo dia' vai se transformar em 'às vezes'... Não é ruim, é só diferente. O meu problema é me apegar ao presente, com medo de que o futuro chegue e o leve embora (água nos olhos novamente).

Já sinto falta de tudo que ainda está aqui, tanto que pretendia escrever isso quando me fosse, mas não consegui esperar. Agradeço a vocês, todos vocês. Não me deixem desaparecer, ok?

Para terminar, uma música que pra mim sempre representa final e recomeço: Dessa vez, do Nando Reis. Minha preferida dele. Queria achar o clipe oficial, mas não tem. Vai essa versão.



É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer
É bom olhar pra frente, é bom, nunca é igual
Olhar, beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo
É bom e é tão diferente

Eu não vou chorar, você não vai chorar
Você pode entender que eu não vou mais te ver
Por enquanto,
Sorria e saiba o que eu sei: eu te amo

É bom se apaixonar, ficar feliz, te ver feliz me faz bem
Foi bom se apaixonar
Foi bom, e é bom, e o que será?
Por pensar demais eu preferi não pensar demais dessa vez
Foi tão bom e por que será?

Eu não vou chorar, você não vai chorar
Ninguém precisa chorar, mas eu só posso te dizer
Por enquanto,
Que nessa linda estória os diabos são anjos

Eu não vou chorar, você não vai chorar
Você pode entender que eu não vou mais te ver
Por enquanto,
Sorria e saiba o que eu sei eu te amo

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Passos e tentos

Estou com saudades de escrever. Acho mesmo que não nasci pra fazer outra coisa na vida que não escrever. Quero melhorar nisso, quero me tornar o mais próximo que conseguir de meus ídolos, e não é nada fácil, porque meus ídolos são bons demaaaais, hehehe. Mas me comprometo a tentar sempre.

Tentar não é nada confortável. É fazer sem certeza que vai dar certo. O desconhecido ali na frente, nos acenando, e nós sem saber se devemos ou não responder o aceno, e sem saber o que acontecerá se respondermos.

Desde que vim pra São Paulo tenho tentado muito diversas coisas, nem sempre com o resultado esperado. Tento todos os dias ficar bem, não sentir essa saudade imensa que sinto de Santos. Tento não atrapalhar demais os outros com minhas angústias. Tento dar atenção pros meus pais, meu namorado, meus amigos nos finais de semana. Não dá pra ser como eu queria com todo mundo, assumo. Mas eu tento.

Tento também mudar meus defeitos, e essa é a tentativa mais difícil e por vezes infrutífera, ou quase. Me cansa... já fiquei por um triz de desistir disso. Hoje me conheço muito bem, e isso nem sempre é muito bom, não. Pensei nisso esses dias, quando tava entrando no metrô. Explico: este mês várias poesias estão estampadas nas estações. Uma delas, na entrada do metrô Vila Madalena, me faz pensar nisso quase todo dia (a não ser quando estou atrasada e nem leio o que está escrito). O poema fala da impossibilidade de fugir de si mesmo. Ah, como às vezes eu queria fugir de mim, e do que há de mim nos outros...

Ano que vem vou tentar algo pra me aproximar do que penso ser meu caminho. Vou tentar me aprofundar na língua, no escrever. Já ouvi várias opiniões, muitas bastante objetivas e corretas. Pensei em fazer pós, mas não é isso que quero. Quero mais do que uma pós pode me passar, penso de verdade que preciso me afundar nisso até o pescoço. Tenho que tentar pra ver.

Ainda não me achei nesse sentido, mas já dei o primeiro passo. Lembro que até já falei isso aqui, de estar perdida e procurar um caminho. Para achá-lo precisava de um lugar que me desse a base necessária. Achei um emprego legal, que me garante aqui em Sampa e não me chateia. Tudo bem que escuto umas músicas que ninguém merece, mas dá até pra dar risada depois, então tá tudo certo. E eu nem precisei tentar quase pra achar graça nele, hehe.

Bem, aí embaixo vai o poema que falei, de Sá de Miranda. É escrito em português arcaico, por isso vocês vão estranhar umas palavras, hehe. Beijos a todos vocês e 'inté mais ver'.


Comigo me desavim
Sou posto em todo o perigo
Nao posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor da gente fugia;
Antes que esta assi crecesse;
Agora já fugiria
De mim se de mim pudesse.

Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim.