sexta-feira, 24 de junho de 2011

USP Fellings

Eu sempre fui boa aluna. Sempre passei bem, tendo que estudar pouco, porque conseguia absorver as informações nas aulas. Nunca fiquei de recuperação na escola, e nos 4 anos de Jornalismo peguei apenas um exame.

Por isso, logo após fazer a 2ª prova de linguística, fiquei muuuuuuuuuito deprimida. Porque me esforcei muito, estudei a sério, como não tinha estudado para a anterior, e não foi o bastante. Prestei atenção, fiz os exercícios, quase enlouqueci com os detalhes, e me saí muito (mesmo) melhor que na primeira prova. Contudo, não foi suficiente.

Estou escrevendo sem saber ainda minha nota final, e morrendo de medo de ter reprovado, porque, sim, essa possibilidade também existe. Se não reprovei, na melhor das hipóteses estou de “rec”.

Me sinto derrotada e inútil. Sei qual é meu problema - não dá pra fazer um bom ano na USP e trabalhar ao mesmo tempo. Sobretudo se esse ano é o 1º. É loucura tentar estudar e ler tudo que os professores mandam enquanto você tem uma atividade que te ocupa 10h30, pelo menos, por dia, contando tempo de trabalho e de deslocamento pela cidade. O que resta de tempo não dá para administrar como eu queria. Pode ser que alguém consiga. Eu não consigo.

Nas últimas 2 semanas eu só dormi mais de 5 horas de quarta para quinta-feira, feriado. Isso nclui os finais de semana. Esforço para dar conta do semestre, não só linguística, claro. Muita gente faz isso, ou já fez, e sabe como é ruim. Eu já vivi isso, e sei o que causa na minha saúde - meu princípio de gastrite voltou a reclamar, por exemplo, e eu voltei a pegar mais gripes.

Como dizia, eu sempre fui boa aluna. Não estou acostumada a ir mal em matérias. Só que não tenho alternativa - ou é assim, ou não é. Ou eu faço desse jeito ou não faço. Me dói pensar no meu esforço e ver que ele não resolve nem metade do que precisaria, e saber que eu não tenho mais de onde tirar esforço. Não dá tempo, não estou dando conta, e estou muito triste por isso. Queria estar feliz com o curso, que é muito bom e do qual eu tenho gostado, mas tá difícil. Me sinto pela metade, parece que estou fazendo tudo errado, nada é o bastante. Não sei o que fazer. Ou melhor, sei, mas não posso fazer.

A sensação é de derrota mesmo. Não posso reprovar este ano em nenhuma matéria, ou não terei créditos (nota) para fazer uma língua ano que vem, e assim perderei um ano. Realmente não sei o que fazer. Já pensei em desistir. Talvez eu esteja tentando dar um passo maior que minhas pernas. Talvez deva deixar de sonhar, encarar a realidade da vida, trabalhar em alguma assessoria qualquer, ganhar dinheiro pra pagar as contas, ter meus filhos, parar de adiar meu casamento. Eu tenho planos bons pra minha vida. Tenho o Bruno, tenho um futuro que quero dividir com ele. Talvez seja hora de eu parar de sonhar com um emprego que eu goste mais, parar de sonhar com a única coisa que me deixa feliz, que é escrever. Talvez seja hora de crescer de uma vez, assumir responsabilidades, deixar de lado esses sonhos bobos. Meu problema é ser essa romântica incorrigível e idiota, que quer melhorar, quer saber mais, quer viver das palavrinhas.

Não tô pronta pra desistir... E, sim, isso é um pedido de socorro, pra vocês e pra mim.

Preciso sobreviver, viver e estudar. Alguém tem a receita?

sábado, 11 de junho de 2011

As letras, o CQC, os plural e os peito de fora

Assuntos - CQC, cartilha do MEC, mamaço... várias coisas. É tanto assunto pra tratar que nem sei por onde começo. Vou começar pelo mais antigo, então.

Como vocês sabem, sou aluna de letras na USP. Entre as 4 matérias (complicadíssimas, por sinal - minhas notas tão um horror) que tenho, existe uma chamada Introdução aos Estudos de Língua Portuguesa, ou IELP, para os íntimos. Nessa aula estudamos variações na língua falada e escrita - e aprendemos como o que era errado foi sendo aceito e virando certo, ao longo do tempo e com a força do uso. Mas não é esse o ponto...

No meio do semestre, uma polêmica no mundo das letras: a cartilha do MEC e o capítulo que trata da língua falada, dos erros da vertente popular do português e de preconceito linguístico. Quem quiser, pode acessar a cartilha aqui. Mas eu vou explicar o que diz o capítulo, mesmo assim, hehe. Esse pedacinho do livro fala da língua falada que, acredite ou não, é muito diferente da língua escrita. No livro, existe a frase “os livro mais interessante estão emprestado”. Lá está escrito que essa frase não é correta de acordo com a norma culta da língua, mas que é falada pelas pessoas na versão popular. E aí vieram os baluartes da correção dizer que é um absurdo ensinar a falar errado. É nada! Não me diga, tá errado ensinar errado? Uau, não sabia. ¬¬

Vamos lá - quando você tá de conversa com seus amigos, você fala certo o tempo todo? Gente, nem eu que sou chatona com essas coisas falo. Eu não digo que vou à praia, por exemplo. Eu vou na praia. Tá errado... mas você entendeu, não?

Ainda assim, o livro não defende que alguém fale assim, nem ensina a falar errado, escrever errado. Até porque isso as pessoas já sabem, ninguém precisa ensinar. O livro só explica que há contexto para usar o português formal, e outros para o informal. E que se você falar “os livro mais interessante estão emprestado” em uma entrevista de emprego, ou em um texto formal escrito, você vai sofrer as consequências disso, como o preconceito linguístico, que existe. Porém, não tem problema falar isso entre seus amigos... o máximo que vai acontecer é eles tirarem sarro de você. É alguma mentira?

Um dos jornalistas sagrados e canônicos do Brasil, Clóvis Rossi, chegou a afirmar que falar em preconceito linguístico é como dizer que alguém que comete um assassinato sofre preconceito jurídico. Alguém explica pra ele que “matar o português”, nesse caso, não é dar um tiro no dono da padaria? Ele comparou mesmo falar “a gente vamos” com tirar a vida de alguém? Por favor...

Pois bem, com isso chegamos ao segundo assunto: o CQC. Sempre assisti o programa, sempre o defendi, mas eles andam pisando na bola muito feio. Não vou citar as piadas meio sem noção que Rafinha Bastos e Danilo Gentili têm feito. O CQC resolveu fazer uma matéria falando do livro do MEC. E foi extremamente tendencioso, tirando a frase do contexto, não explicando o que diz o restante do capítulo e, o que é pior, não ouvindo o outro lado, regra básica de jornalismo. Admiro muito tudo que o programa é capaz de fazer, o Tas é meu ídolo de infância, mas dessa vez a decepção foi complicada. Faltou ouvir o outro lado! Como se faz uma matéria com um lado só, gente? Como se fala de algo sem saber do que se trata? Cadê os estudiosos do tema, cadê os linguístas? Quem duvidar, aqui está o vídeo.

Agora, vamos aos peitos de fora. Descobri, sexta-feira à tarde, que está havendo uma polêmica entre uma blogueira e o já citado Marcelo Tas. Em um comentário na versão do CQC na internet, o CQC 3.0, os três apresentadores falaram sobre mães que amamentam crianças em público. A minha mãe tinha um pouco de vergonha de amamentar em público, pudor dela. Então, quando meus irmãos choravam de fome, ela dava de mamar com um fraldinha em cima do peito. Decisão dela. Agora, se eu vejo uma mulher amamentando o filho na rua, não sei onde está o problema. Se ela não se importa, e se este é um momento bonito, afinal ela está dando alimento a um filho, tem algum problema nisso? Ah, vá, algum menino vai me dizer que nunca viu um peito, e só de ver algum já fica sem poder se controlar? E alguma menina vai dizer que não se sente bem vendo peitos? Não olha, ué.

A blogueira Lola, do http://escrevalolaescreva.blogspot.com/ , em dois posts - aqui e aqui , foi quem levantou a polêmica. E, pasme, ela foi ameaçada de processo judicial pelo Marcelo Tas por ter expressado sua opinião! É sério - eu não queria acreditar, mas é sério. Justo quem, justo o Tas querendo processar uma pessoa que expôs sua opinião. Inconcebível...

Dito isso, declaro meu apoio à blogueira. Lola, não concordo com todas as suas posturas, mas nessa você conta comigo. E espero que o Tas caia em si, veja a bobagem que é isso tudo e não desfaça o carinho que eu sempre tive por ele. Mas, qualquer coisa, se ele se sentir ofendido por mim também... entro na campanha: #tasmeprocessa.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Literários de terça

Sabe o que mais?
Espero que tudo fique exatamente como está.
Que nada mais mude, nada, nada. Nada.

Cansei.
Estou como estou, e assim ficarei, e acabou-se.

Quem buscar, quiçá não achará mais.
Não estou. Não existo, não sou, não penso.
O inferno e o inimigo são eu.

Quer a verdade? Olha-a em mim.
Mas, sinto muito dizer, a verdade também não existe.

Não há nada errado em não querer mais nada.
Entenda – não quero mais nada.
O nada passou a ser tudo que está presente.

Ausências? Sentir a ausência é negá-la,
E não nego, não é possível. Não, é possível...

Quero... isso mesmo, esta aqui
Parada, fria, revelada, espelhada,
Aos gritos, surda, em silêncio.

- Como está? Melhor? Não? Desde quando?

Ah, vão-se embora todos! Todos! Vão!