quinta-feira, 27 de maio de 2010

Lost - de novo


Ok, eu sei, estou me repetindo. Mas tinha que falar um pouco mais do assunto que tomou conta do meu dia, do meu final de semana, da minha última semana, sei lá, tomou conta de mim. Preciso falar!! Mas não se preocupem, não vou contar o final (até porque tem mais de uma pessoa ainda assistindo a série e lendo este blog).

Muitos não entenderam, muitos entenderam e não gostaram do final. Eu gostei, e gostei demais! O final foi lindo, absolutamente sensacional, catártico, como escrevi no orkut. Várias vezes fiquei com os olhos cheios d'água, vendo os personagens que acompanhei durante 5 anos (o primeiro ano eu vi na Globo, ou seja, com 1 de atraso). Me emocionei tanto com a cena final que, só de lembrá-la aqui, já fico com os olhos cheios d'água de novo.

Não tenho como não dizer: é a melhor série que já vi na vida! Isso porque, como li em um blog depois do final, os fãs de Lost não apenas assistem a série - eles vivem a série, se deixam viciar, permitem que ela faça parte permanente das suas vidas. Como falei no outro post, me peguei sendo uma fã nerd, e adorando!

Lost é uma experiência de vida, mostra a fé e a ciência, o místico e o dito real, sempre um ao lado do outro e muitas vezes, por causa unicamente das escolhas de cada uma das personagens, um contra o outro. Não vou explicar meus capítulos favoritos, por respeito a quem está lendo e ainda não viu. Mas as duas horas e meia finais, com certeza, entram na lista, junto a momentos lindos, reveladores e tristes de todas as temporadas.

Estou me sentindo órfã. Não me cansei ainda de procurar informações, ler posts falando do final. Não estou pronta para "let it go and move on", como disseram os personagens em um dos capítulos. Ainda estou vendo a 5ª temporada com meu pupilo, então a hora de me despedir vem vindo. Mas como é difícil dizer tchau!

Ao mesmo tempo, é muito bom saber que acabou sem ficar se esticando até a exaustão, até perder a graça e o sentido. Vai ser sempre bom lembrar de todos, dos meus preferidos, dos que eu amei odiar, de tudo.

Muitos vão dizer: mas faltou explicar tantos mistérios, é falta de respeito com os fãs, etc. Fair enough. No final muitas perguntas ficaram sem resposta. Porém, sabe que diferença isso faz? Nenhuma. Lost não foi feita para dar respostas prontas, acabadas, mastigadas; quem assiste tem que saber que deve entendê-la como achar melhor, como bem quiser, e não esperar por um final todo explicadinho.

Lost é uma ode aos mistérios, não às respostas. Quer respostas mastigadas? Veja outras tramas, novelas. Essa série vale pelo caminho, não pelo final. Ela trata de pessoas, relações, "Live Together, Die Alone" (juntos vivemos, sozinhos morremos). E é, digo de novo, a maior experiência que eu poderia ter com um seriado!

See you in another life, brotha!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Perdida... Ê!

Eu vejo Lost. Sou fã fiel da série, que está acabando. E, sim, esse vai ser um post meio inútil, não tô afim de falar sério. (Aviso - Não contém spoilers... pelo menos até a 4ª temporada)

A série entrou na minha vida totalmente sem querer e por acaso. Num domingo eu cheguei em casa, logo após acabar o Fantástico (que eu não assisto há séculos, gracie Dio). Na Globo, começava um programa, e de repente caiu um avião na frente dos meus olhos, em uma praia aparentemente inabitada de algum lugar do Pacífico Sul. Impactante. Fiquei curiosa, comecei a acompanhar, me viciei e cá estou eu, 5 anos depois, aguardando ansiosa pelos 3 últimos capítulos. Desde a 3ª temporada sem depender da Globo, graças ao terra.com.br, e agora com os dvs até a 4ª temporada (a quinta ainda está muito cara).

Não sei se já falei dessa minha paixãozinha, mas muita gente que me conhece, senão todos, sabe o quanto eu gosto dessa série. A crítica diz que Lost é uma revolução na maneira de se acompanhar uma história, sobretudo para norte-americanos, que não estão acostumados a histórinhas com continuação em próximos capítulos. Geralmente, salvo exceções esporádicas, as séries americanas propõem um problema e o resolvem naquele mesmo capítulo (vide "The Mentalist", "Cold Case", "Big Bang Theory", "Two and a Half Men", "Friends", entre outras).

Contudo, o principal diferencial de Lost está nos seus fãs, que não se contentaram apenas com os capítulos: os mais normais (tipo eu) entraram em sites, procuraram informações, participaram de fóruns na internet, assistiram a cenas extras, gravadas apenas para despistar. Os mais anormais criaram blogs extremamente completos para falar apenas sobre o assunto, imitaram e colocaram na internet para impressão os rótulos da Dharma Iniciative (grupo de cientistas que faz parte da série), fizeram resenhas detalhadas, podcasts e até uma wikipédia sobre lost - a lostpédia, que tem versão em português.

Eu me peguei procurando e debatendo informações, criando teorias (na maioria erradas, diga-se de passagem) sobre o final, agindo como fã nerd, tudo pela internet. Até porque não tinha com quem conversar sobre Lost - ninguém que eu conhecia assistiu a série durante tanto tempo quanto eu. Neste último ano acabei encontrando alguns fãs de Lost, e iniciei um no vício, mas que está ainda na 4ª temporada. Por respeito ao meu "pupilo", hahahahaha, não vou contar nada demais aqui.

Nunca havia acompanhado uma série de tv assim, em tempo real, com os acontecimentos borbulhando. E nunca vi uma série como Lost. Vocês sabem que eu não sou exatamente uma pessoa que chora em qualquer filme, e quando falo que choro geralmente isso significa uma lágrima de cada olho. Pois chorei um vendo o capítulo no computador, e não foi a primeira vez. Não posso contar o porquê, aliás, nem adiantaria, e não é esse o objetivo. Quero mesmo é dizer o quanto essa série é emocionante, e sob todas as formas de emoção. É sensacional como ela te envolve na trama, nos mistérios, te faz ter raiva, torcer a favor e contra, rir bastante, simpatizar e odiar.

Agora que está acabando, mal posso esperar pelo final e, ao mesmo tempo, sei que vou sentir falta. Nada que eu não sobreviva, hehehe. Perdi a conta de quantas vezes quase caí pra trás, com as surpresas tão bem arquitetadas pelos produtores. Sei que muitos dos mistérios criados não vão ser solucionados, sei que talvez não goste do final (pelo que tenho visto, pode ser mesmo que eu não goste), mas, sabe, às vezes a gente tem que se deixar levar por essas coisinhas bobas e importantes como uma série de tv, um filme, uma música. Nada que te toca de verdade o coração é inútil, fútil, sem sentido.

Me deixei e deixo levar por aqueles pouco mais de 40 minutos num mundo com regras malucas, ursos polares em ilhas tropicais, experiências com eletromagnetismo e viagens no tempo, números que atraem má sorte (4,8,15,16,23,42). Dependendo do capítulo, me deixei levar por até mais tempo - fiquei tão chocada com o último que não conseguia pensar em outra coisa por pelo menos meia hora. Ainda estou chocada, por falar isso.

Mesmo que vocês não assistam Lost, um conselho: divirtam-se com algum seriado, virem fãs, procurem informações, riam e se admirem com o que os fãs bem mais xiitas que você conseguem fazer. É uma experiência mesmo divertida!

Para ilustrar, Lost em 8min15seg (informações só até a 3ª temporada)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Novas

Algumas coisinhas aconteceram nos últimos tempos, mas eu acabei não escrevendo por aqui, atropelada por um sentimento que tinha que expressar. Porém, agora que a minha chuva pessoal deu um espaço pro sol, falo pra vocês.

Minha tia está CURADAAAAAAAAAAAAA! O câncer foi-se! Melhor notícia que tive nos últimos tempos. Ela sofreu, batalhou, aguentou, pensou que ia morrer, sobreviveu. Nós sofremos com ela, e agora tudo acabou! Graças a Deus! Como eu fiquei feliz com isso! Ela é como uma segunda mãe, e pensar que ela tava passando por isso foi tão difícil como se fosse comigo. E agora que acabou, que alívio maravilhoso!

Andei fazendo coisinhas interessantes: fui num jogo de vôlei (quase dormi, mas a culpa não foi do jogo, foi minha mesmo, hehe), fui na final do Paulistão (sou alvinegro da Vila Belmiro, o Santos vive no meu coração); saí com pessoas novas num sábado paulista; estudei (menos do que devo), me diverti.

Estou acompanhando, juntamente com o Thiago, aulas de Fernando Pessoa na USP. Uma delas, inclusive, me fez acordar às 6 e meia. O que eu não faço pelo Álvaro de Campos! E semana que vem, vou acordar nesse horário de novo, para ver a análise dos meus dois poemas preferidos, "Lisbon Revisited" (o primeiro a gente nunca esquece) e "Tabacaria". O assustador é ver como eu, muitas vezes, me pareço com o Pessoa, sobretudo com o Álvaro. Depressivo, hehe.

Quero comprar um bongô! Vi um na Teodoro Sampaio e me apaixonei. Queria aprender a tocar percussão, não sei quando vou conseguir isso (sim, é uma espécie de cobrança, Thi), mas aquele bongozinho me conquistou.

Fui no museu da língua portuguesa, nova exposição, sobre erros de português. E lá vi uma frase fantástica: "A fé move montanhas. Mas os ecologistas são contra".

Sei que alguns de vocês ficaram preocupados com meu último post. Não liguem. Vou continuar sem explicar, mas estejam certos que tá tudo bem.

A vida segue como quase sempre. Continuo com medos, continuo vendo o mundo por uma ótica por vezes torta, por vezes incerta. Não sou exatamente quem eu queria, mas ainda bem - se já fosse tudo o que queria, de valeria continuar?

Amo, não sei se odeio, rio, choro. Nada(e tudo) de novo debaixo do sol.



Palavras - Titãs

"Palavras não são más
Palavras não são quentes
Palavras são iguais
Sendo diferentes

Palavras não são frias
Palavras não são boas
Os números pra os dias
E os nomes pra as pessoas

Palavra eu preciso
Preciso com urgência
Palavras que se usem
em caso de emergência

Dizer o que se sente
Cumprir uma sentença
Palavras que se diz
Se diz e não se pensa

Palavras não têm cor
Palavras não têm culpa
Palavras de amor
Pra pedir desculpas

Palavras doentias
Páginas rasgadas
Palavras não se curam
Certas ou erradas

Palavras são sombras
As sombras viram jogos
Palavras pra brincar
Brinquedos quebram logo

Palavras pra esquecer
Versos que repito
Palavras pra dizer
De novo o que foi dito

Todas as folhas em branco
Todos os livros fechados
Tudo com todas as letras
Nada de novo debaixo do sol"

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Acontece

Tem certas coisas que eu não aprendo nunca, por mais que queira. Minha intuição às vezes até avisa, outra vezes ela mesma percebe que nada vai adiantar e fica no seu canto, esperando que eu dê com o rosto no muro, para quem sabe numa próxima vez ela consiga se fazer ouvir.

Acontece sempre como todo mundo: nós somos feridos apenas pelos que gostamos. Alguns amores são incondicionais, e você perdoa, desculpa, deixa de lado, engole em seco e sente a mágoa descer lentamente pela garganta. E pensa que será só dessa vez. Então acontece tudo de novo. E de novo. E de novo. Até que, em um dado momento, o pedaço correpondente do seu coração está tão machucado que fica mais duro. E você sente bem menos quando esse trecho exato é pisoteado. Ainda dói, mas bem menos.

Muitas vezes fico pensando em como ainda sou ingênua, ainda acredito nas pessoas e que elas não vão querer fazer nada de ruim. Mas não quero com isso me fazer de inocente, não é essa a questão. Só acabo me enganando com as pessoas às vezes, como acontece com todo mundo.

Também sou capaz de atitudes horríveis; já magoei pessoas, já me descontrolei e falei o que não precisava, nem deveria. Sabendo disso, hoje me vigio, tomo muito mais cuidado com o que faço, o que digo e para quem. Mesmo aqui, no blog, escrevo bem mais pelas entrelinhas que diretamente. Porém, apesar de tudo, me recuso a mudar minha vida, minha maneira de ver o mundo, por conta de pessoas que não merecem. E sigo não aprendendo que era justamente isso que eu precisaria fazer. Sei estar errada, me machuco por isso, no entanto não mudo, e não sei se quero mudar.

Uma ou outra característica eu mudei: por exemplo, não interfiro mais na vida de todos, como fazia. Não tento mais ajudar a todo custo todo mundo, e não mais quase enlouqueço com os problemas alheios. Isso nunca mais.

Não serei específica, como vocês devem ter percebido no texto, porque não vem ao caso. Esse blog funciona como uma válvula de escape para mim, mas não quero magoar ninguém nem causar impacto algum, então não vou me explicar.


Fernando Pessoa - Não digas nada


"Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada."