quarta-feira, 27 de julho de 2011

História

De repente ela se viu só.
Janela fechada, 4 paredes, luz apagada, cobertas.
Não descobriu como não se importar, e dormir sem mais.
Não sabe como abandonar.

Só um momento...; e os poucos graus pesam.
Tira os óculos para não ver de longe.
Não vê e nada fala. Só ouve
ruídos que já lhe disseram tanto.

Outro dia, outro tempo, todos à mesma altura.
Até que algo veio, ficou,
mas não trouxe calor.
Não há calor ali.

Diz-se que a história é contada pelos vencedores.
Não, não. Ela é contada por sobre os perdedores.
Que escutam e atentos esperam
não tendo escolha a não ser olhar pra cima.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Lista de supermercado

Pão / leite
requeijão / coragem
sabonete / macarrão
companhia / escova de dente
calma / chocolate
arroz / amor
amizade / conforto
calor / presunto
milho verde / desejo
música / sabão em pó

Em débito.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

♫ And the tears come streaming down your face ♫

Problemão quase resolvido, não ficarei sem eira nem beira, ao que parece. Mas... deveria estar feliz, não estou. Vou ficar ainda mais sozinha, ainda mais fechada, ainda mais pequena, apertada. Não suporto essa solidão terrível que me invade. Não quero mais brincar de ser sozinha. Essa brincadeira não tem a menor graça.

Sim, meus caros, deprimi forte. Danei-me. Quero correr daqui neste instante e ir pro colo de mãe, do namorado, um amigo serviria. Mas quero colo, não telefone ou conversas virtuais. É bastante duro não ter onde se agarrar. Quero cafuné, quero abraço. Não abraço ninguém durante a semana, e isso dói mais do que parece.

Não sei ser de outro jeito, infelizmente. E cansei de tentar mudar, uma vez que não adianta mesmo. Danei-me, sempre danar-me-ei, então dane-se.

Preciso de outra vida, outra alma, outro tudo. Queria ser mais pragmática.

E as aulas já já recomeçam...

Republicando:

"Autenticação

Sou menor. Bem menor do que gostaria de ser
Pequena, um décimo, um átomo.

Parece-me que diminuo com os segundos
E todos são grandes demais para ver

Indesculpavelmente menor,
e, sendo assim, não peço desculpas

O exagero ao contrário é
A pequenez que força enxergar tudo maior

Mas no mundo não há lugar para os pequenos
Não. Tudo há de se mostrar em largo tamanho

Deem-me maioridade, comprovantes, contracheques
Nada vai adiantar, continuo menor.

O que é maior em mim não se pode ver;
Sente-se. O que nasceu do eufemismo?

Mesmo adormecida, ela está aqui, sempre aqui.
E, enquanto estiver, e durar, serei menor. "

sexta-feira, 15 de julho de 2011

(mais ou menos) Novas

Bom, pra começar acho que devo dizer que passei nas matérias, inclusive na qual estava de recuperação, ou exame, como queiram chamar. Não fui muuuuito bem, mas valeu a pena passar um final de semana estudando numa casa de praia em que todo mundo se divertia. So much fun! Ainda tenho boas chances de me formar em italiano, e é isso o que importa!

Por enquanto, a vida segue.

Estas últimas semanas foram estranhas, engraçadas, divertidas e extremamente raivosas. Estava num mau humor incrível ontem, porque tenho um problema grande pra resolver, e preciso começar a resolvê-lo... a questão é que não depende só de mim, então não posso simplesmente colocar um ponto final imediato, e isso me enlouquece! Sério, eu fiquei muito perto de enlouquecer, me descontrolar e pular no pescoço de alguém. Com muito esforço e muito rock pesado, isso foi controlado, está passando.

Conheci muita gente nova nessas férias. Gostei de quem conheci e conversei. Me diverti muito com pessoas que não fariam parte de meu mundo não fosse por um amigo relativamente novo, que eu lutei (ainda luto) pra que não se torne daquela categoria, sabe? Não sei se vai dar certo... Acho que não sei ser de outro jeito, mesmo. Ninguém mandou ser essa depressiva carente, sobretudo carente de amor de amigo. E tem algo melhor que amor de amigo?

Não cito nomes até porque nem sei se alguma dessas novas pessoas vai ler isso aqui, haha. Vergonha master de mostrar essas mal traçadas linhas.

Mas, meus caros mais antigos, não sumam. Preciso muito de vocês.

Eu realmente cansei de brincar de ser adulta... só que estou velha demais pra voltar atrás.

Ontem senti uma falta absurda do mar. Vou à praia esse final de semana, em algum momento, só para olhar bem pra ele e me sentir pequena de novo.

Tenho pensado na perfeição, e acredito mesmo que não quero nem ficar perto de quem seja perfeito. Quero as falhas, os defeitos, o que está errado, mesmo que me doa, e dói. Não espero mais o melhor - me assumo pessimista, o copo está meio vazio.

Perguntei, via facebook, se saudade pode virar outra coisa. Me responderam "arte" e "história". Arte ela já virou mais de uma vez. Não queria que ela virasse história, porém não está nas minhas mãos.

Pra terminar - minha solidão é uma pessoa. A única que sempre me acompanha, a todo momento.

Álvaro de Campos / Fernando Pessoa:

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

domingo, 3 de julho de 2011

TAMTA

Eu não sei fazer música. Mas eu canto, porque acho essencial, e danço, porque isso eu sei fazer. Como é bom, nesses dias estranhos, cantar a plenos pulmões e dançar sem coreografia, amarras, limites, com a dança deve ser. Em cada berço, em cada fosso que essa solidão viscosa, grossa, surja, tento colocar um pouco de música. A música salva - por isso minha relação com ela vai virar 3 tatuagens, assim que tiver dinheiro e coragem pra isso, hehe (se não virar mais, pode ser...).

Tô tentando não acumular mais raiva e rancor, nem que pra isso eu tenha que deixar de ser tão boazinha, samaritana, generosa, filantrópica. Sempre cuido dos problemas dos outros, e essa é uma maneira de fugir dos meus. Não que isso vá mudar de vez, já que é parte integrante do que eu sou, mas tenho por força que cuidar dos meus problemas. Eu vezes Eu, sabe? Eu contra mim, eu a favor de mim. Eu, mínima, múltipla, comum, única e nenhuma. Preciso crescer... dentro de 30 segundos, 15, 10, contagem regressiva.

Quero que saia de mim, e das pessoas de quem eu gosto, tudo que está estagnado. Que seja expelido, exorcizado, vá embora. Se eu pudesse, queria me dividir, me multiplicar, e ter sempre quem eu amo bem e à minha volta...Sei que nem tudo o que é ruim pode sumir, nem o que é bom se manter sempre. Então aproveito este instante em que meu peito bate, retumba, e sigo vivendo. E o mundo segue seu curso. Agora, a chuva evapora lá fora. Agora, não me despedi, falta uma palavra, e não quero ir. Agora sinto a língua em minha boca... mas agora, na verdade, a criança sou eu, dentro dessa selva adulta.

Não falo tanto da minha felicidade. Essas páginas estão sempre mais carregadas de tristeza, porque é aqui que eu a exteriorizo. Não é por não falar em felicidade que eu não goste de felicidade, nem que eu não a sinta. É simplesmente o fato de eu ser mais uma alegre deprê, tenho tendência a me sentir mais nostálgica, saudosa mesmo, que simplesmente alegre. Isso para mim é perfume. Hoje, por exemplo, não estou triste. Mas quem disse que consigo passar isso para essas linhas? Alma de poeta, meus caros.

Sou extremada e contraditória. Quero tudo ao mesmo tempo agora, mas uma coisa de cada vez. Já quis demais algumas coisas, continuo querendo outras. Quero aprender que o fácil é o certo. Porque é mesmo.

Se você está aqui... Obrigado.



Você já tentou varrer a areia da praia?
Já ficou no escuro ouvindo o canto da cigarra?
Já ficou no espelho rindo sozinho da sua cara?

Já dormiu sem ninguém num canto de rodoviária?
Já dormiu com alguém por migalha?
Você já tentou varrer a areia da praia?

Você já tentou varrer a areia da praia?
Já perdeu a hora quando o tempo para?
Já gritou uma palavra até perder a fala?

Já colocou todas as roupas do armário na mala?
A sua casa já desmoronou no meio da sala?
Você já tentou varrer a areia da praia?

Já quis demais alguma coisa já quis alguma coisa já?
Jamais quis alguma coisa já? Já?

Você já tentou varrer a areia da praia?
Já viu sumir a última estrela da madrugada?
Já ficou um dia, um mês, um ano sem fazer nada?

Já colocou todas as roupas do armário na mala?
A sua casa já desmoronou no meio da sala?
Você já tentou varrer a areia da praia?

Jamais quis alguma coisa já quis alguma coisa já?
Já quis demais alguma coisa já?
Já? Já!



Expire o ar que inspirar
Respire quando você respirar
Diga o que tem a dizer
Acaba sendo o que tinha que ser
Esqueça isso, tanto faz
Ande não olhe pra trás
Olhe por onde anda
Faça o que o coração manda

Diga como é que se sente
Levante-se, siga em frente
Faça o que está fazendo
Não o que estou lhe dizendo
Use se quiser usar
Use depois de agitar
É proibido parar
Olhe antes de atravessar

O fácil é o certo, o certo é o fácil
O fácil é o certo
O fácil é o certo, o certo é o fácil
O fácil é o certo
O fácil é o certo, o fácil é fácil
O fácil é o certo
O fácil é o certo, o certo é certo
O fácil é o certo

Não importa o que você fez
Há sempre uma próxima vez
Não se perca, não pare
Escolha o menor dos males
Faça o que quer fazer
Aconteça o que acontecer
Tanto faz como se chama
Entregue-se ao que você ama

O fácil é o certo, o certo é o fácil
O fácil é o certo
O fácil é o certo, o certo é o fácil
O fácil é o certo
O fácil é o certo, o fácil é fácil
O fácil é o certo
O fácil é o certo, o certo é certo
O fácil é o certo