sexta-feira, 17 de julho de 2009

Traíras? Santo Inquérito? Meninas do Brasil? Quem casa quer casa...

Me peguei várias vezes pensando na minha época de teatro essa semana. Faz tempo já, mais de 4 anos... saí no segundo ano da faculdade, por pura falta de tempo. Não, não sou boa atriz, estou beeem longe disso. Mas, ah, como eu gostava do teatro!! De participar, em cena ou nos bastidores, de ver peças e cenas dos outros, de falar mal do grupos que a gente não gostava. Era tudo muito participativo, gostoso, simples, não havia maldade de verdade. Éramos uma família teatral, as "3 Faces da Lua".

O fundador do grupo, Daniel Maia, e o diretor/cenógrafo/figurinista/escritor/sonoplasta/ maquiador e o que mais aparecesse Waldir Correia. Como aprendi com esses dois! Aprendi coisas que levei pra minha vida, mesmo. Porque eu costumo dizer que o teatro me tornou uma pessoa melhor; hoje em dia não sei mentir direito por causa dele. Você deve ter pensado: "mas não seria exatamente o contrário?". Não, acredite. O teatro me fez uma pessoa mais transparente, mais carinhosa com os outros, menos presa a conceitos puramente moralistas, e não morais, o que é bem diferente.

Lembro dos amigos extremamente especiais pra mim, aliás, não só pra mim. Thaís, Rodrigo, Iasmin, Hellen, Thiago Basile... esses eram os mais próximos, mas não esqueci dos outros, só não vou citar. Minha família teatral, junto do Dani e do Tio. Como tenho saudades daquelas tardes de sábado no Aristóteles!!! Meus olhos enchem d'água de verdade lembrando disso... de como a gente aprontava, das encenações no meio da rua, dos lanches no shopping, de esperar o ônibus pra Praia Grande e/ou São Vicente, da promessa que eu e o primo fizemos de nos casar aos 40 anos, se os dois ainda estivessem solteiros, e de como meu nome ia ficar: amanda andrade idem, ou andrade², ou novamente andrade... hahahahahahahahaha.

Foram muitas cenas, peças, dramas e comédias. Muitas tardes à base de pão, presunto, queijo e refrigerante comprados em conjunto. Muitas festas, videokês, premiações. Sobretudo pro Waldir, que levava todos os prêmios possíveis e imagináveis... aliás, ainda leva!

Eu sei, esse post só vai fazer sentido mesmo pra quem esteve comigo nessa época, que viveu comigo isso tudo... ou pra quem eu já contei parte das histórias. Peço licença, mas queria muito falar sobre esse tempo. Porque ele é parte intríseca de mim. O teatro moldou muito do que sou hoje. E, esses dias, lembrando de tudo, vi que era uma época sem maldade. Nós tirávamos sarro dos kabukenses, dos furiosos, da "arcadia dentálica"... mas esse era o máximo de maldade que existia. Eu podia dizer que amava, e ninguém ia achar estranho se eu dissesse isso para um menino ou menina. Porque todo mundo ali se entendia. Éramos mesmo uma família.

Hoje a situação mudou, por circunstâncias da vida, tudo bem. Mas vocês todos sempre vão ter um lugarzinho aqui, comigo. Onde eu vou carrego vocês.

Taíca, Primo, Mina, Lena, Basilis, Dani, Tio... continuo amando todos vocês.


Não que eu queira dizer adeus, mas aí vai uma música pra vocês: Móveis Coloniais de Acaju, Adeus



Quando eu vivo esse encontro,
Eu digo adeus
Refaço os meus planos
Pra rimar com os seus

Abandono o que é pronto
E digo adeus
Eu trago os meus sonhos
Pra somar aos seus

E toda vez que vier
Felicidade vai trazer
A cada vez que quiser
Basta a gente querer
Ser desta vez a melhor

E toda vez que vier
Felicidade a mais
A cada vez que quiser
Basta a gente dizer
Só uma vez
Uma só voz

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Do You Remember?

Qual é a memória mais antiga da vida de vocês? Vocês se lembram de algo muito, muito velho, e que por algum motivo desconhecido os marcou? Lembranças são meio difíceis de entender... e ultimamente tenho me lembrado de fatos muito antigos, alguns de mais de 10 anos...

Às vezes me basta um cheiro, um perfume, uma música, e pronto: lá vem uma lembrança. É engraçado como algumas ainda me deixam um pouco triste, mesmo que tenham acontecido há eras!! Minha memória é sensorial, e quando eu lembro e é como se vivesse tudo de novo. Nem sempre isso é confortável, mas é positivo. Só tem memórias quem viveu.

Tenho um pouco de medo de um dia esquecer o que me aconteceu, as pessoas que passaram pela minha vida. Acho que isso só ia acontecer se eu tivesse Alzheimer, ou algo parecido, hehe. Não gosto e nem quero esquecer nem mesmo do que foi ruim, ou que me deixou confusa, transtornada. Porque tudo isso é parte de mim... e não estou afim de deixar partes de mim por aí.

Mas eu falava de lembrar... lembro de quando eu tinha 3 anos, e quebrei uma divisória do guarda-roupa de uma vizinha, hahahaha. Fiquei com medo de levar bronca, e nem contei pra ninguém! Fingi que não tinha feito nada... e até hoje acho que a minha vizinha não entendeu o que aconteceu.

Lembro de assistir o Chacrinha (ih, acabo de entregar o quanto sou velha, hahaha) quando eu tinha, sei lá, uns 4 anos... e lembro do dia em que ele morreu, e foi levado num carro do corpo de bombeiros pelo Rio de Janeiro. Não fiquei triste porque ainda não sabia o que era a morte.

Lembro de brincar na escola, lembro dos garotos que eu odiava e das briguinhas que eu arranjava com eles, porque eles eram meninos, e só por isso. Ah, não sei se as crianças de hoje ainda brigam só por serem meninos e meninas, mas espero que sim. Era tão divertido!!

Lembro de crescer entre livros e lendo feito uma desesperada, de me achar muito feia, de me sentir menor, sozinha... e do primeiro garoto que eu realmente gostei, e de todos os outros, claro. Mas o primeiro é o primeiro. Me marcou tanto que até hoje, quando ouço algumas músicas, me lembro imediatamente dele (Bruno, não fique com ciúmes!!). Ele também foi o primeiro grande amigo que perdi, porque foi pra longe... e eu me lembro perfeitamente da dor (quase física... não, física mesmo). Até porque ela se repetiu depois, e deve se repetir ainda... mas isso é outra história.

Me lembro de muitos momentos. E quando isso acontece, parece que estou vendo todas as pessoas, sentindo tudo de novo. O começo do meu namoro com o Bruno, as brigas de faculdade, os passeios no palio do André pela Baixada Santista, as aventuras nos carros do Nogueira; os dias sem fazer nada na Facos, depois da aula, e as frases que escrevíamos na lousa; as tardes inteiras que passei fazendo nada com a Hellen, no shopping ou no Sesc, e as fotos roubadas de revistas.

As fotos que tiramos, com a câmera do Jama ou não, pelos motivos mais banais e divertidos; as matérias do Baixada On Line, e o dia em que deixamos o Felipe sozinho atualizando o carnaval; os passeios em São Paulo, as minhas 359 idas no Museu da Língua Portuguesa, e todos que eu já obriguei a ir comigo (hahahaha); as sessões de cinema em Sampa e os passeios "nóia" em museus, quase todos na companhia do Thiago; as "grandes voltas" até o Gonzaga que dei em companhia do "túnel", e as sessões de domingo no Cinemark. Os ensaios da banda dos caras mais legais que eu conheço, as risadas e as fofocas com a primeira dama do guitarrista.Os papos intermináveis do MSN de madrugada, na companhia dos notívagos de plantão.

Não, esse post não é uma despedida, não estou indo embora. Eu só estou sentimental hoje, queria falar das minha lembranças. Isso faz um bem!

Lembrem-se sempre que eu não esqueço de nenhum de vocês!

Pra terminar, um poeminha que não tem muito a ver com nada, mas é divertido. De Manuel Bandeira, Pneumotórax:

"Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .— Respire.
...............................................................................................................
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Necessidade, vontade, desejo...

Oi, pessoas que me acompanham. Não, esse post não é sobre nada disso que vocês estão pensando. Sim, estive sumida essa semana, mas foi por boas causas... estive de papo com pessoas que adoro, estive ocupada com planos, preocupações... como já disse aqui, me ocupo. E esses dias me ocupei tanto que nem tive tempo de dar toda a atenção que poderia para todos, mas, enfim, a vida segue.

Estou em paz comigo neste momento, coisa que é meio difícil, e que pode desmoronar de uma hora pra outra, por um detalhezinho besta. Algumas coisas não mudam por mais que você queira, e um dos meus defeitos é não saber ter meio termo. Outro é me cobrar demais. Me cobro em todos os sentidos, em diversos momentos da vida.

Até preferia ser diferente... mas, sabe? Uma vez vi uma frase que dizia para não tentar mudar todos os seus defeitos, porque você não sabe em qual deles está apoiada sua personalidade. É por aí, mesmo.

Ainda estou descobrindo verdades sobre mim, sobre outros... nem sempre coisas positivas, nem sempre que me deixam feliz. Roubando o bordão de um amigo, estou acreditando no mundo, agora. Não que eu tenha que me submeter, mas acredito nele agora mais que antes, e isso veio com meu crescimento nos últimos tempos. É difícil crescer, mudar, tomar decisões que afetam a sua vida e a dos outros. Porém, por nada nesse mundo devemos nos furtar de tomá-las. Não podemos nos dar esse luxo, não mesmo.

Eu quero morar sozinha. Quero mandar na minha vida. Cansei de dar satisfações o tempo todo pra pai e mãe, já passei da idade. E talvez as coisas estejam se encaminhando para que isso aconteça logo. Mesmo que não dê tudo certo, não vou mais mudar essa idéia, que aliás me acompanha desde que eu era pequena. Nunca, nunca mesmo quis sair de casa para casar, acho isso muito... sem imaginação. Qual é a graça de não enfrentar o mundo sozinha? De não dar a cara para bater? Não recrimino quem pensa diferente, mas não entendo. Juro que não entendo quem quer ficar na casa dos pais até arranjar marido/mulher.

Eu já podia estar casada nesse momento. Já podia estar morando com meu futuro marido, mas não quero isso agora pra mim. Preciso de um tempo sendo eu, sem mãe/pai ou responsável. Preciso ser responsável por mim. Preciso me matar de trabalhar pra pagar minhas contas. Preciso acordar cedo e ir domir tarde, como fazia em 2007, mas agora sem ninguém pra me mandar dormir. Preciso de um espaço, nem que seja emprestado. São minhas necessidades básicas: ser mais livre, mesmo que pra isso tenha que perder algumas facilidades e liberdades.

Não digo que vai ser fácil, aliás, "nobody said it was easy"... vai ser bastante difícil no começo, e depois, não tenho ilusões a esse respeito. Mas até prefiro assim.

Torçam por mim, que eu quero mesmo mudar de rumo.

"Reticências

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!

Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!

Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
(...)
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
(...)
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra..."