segunda-feira, 6 de julho de 2009

Necessidade, vontade, desejo...

Oi, pessoas que me acompanham. Não, esse post não é sobre nada disso que vocês estão pensando. Sim, estive sumida essa semana, mas foi por boas causas... estive de papo com pessoas que adoro, estive ocupada com planos, preocupações... como já disse aqui, me ocupo. E esses dias me ocupei tanto que nem tive tempo de dar toda a atenção que poderia para todos, mas, enfim, a vida segue.

Estou em paz comigo neste momento, coisa que é meio difícil, e que pode desmoronar de uma hora pra outra, por um detalhezinho besta. Algumas coisas não mudam por mais que você queira, e um dos meus defeitos é não saber ter meio termo. Outro é me cobrar demais. Me cobro em todos os sentidos, em diversos momentos da vida.

Até preferia ser diferente... mas, sabe? Uma vez vi uma frase que dizia para não tentar mudar todos os seus defeitos, porque você não sabe em qual deles está apoiada sua personalidade. É por aí, mesmo.

Ainda estou descobrindo verdades sobre mim, sobre outros... nem sempre coisas positivas, nem sempre que me deixam feliz. Roubando o bordão de um amigo, estou acreditando no mundo, agora. Não que eu tenha que me submeter, mas acredito nele agora mais que antes, e isso veio com meu crescimento nos últimos tempos. É difícil crescer, mudar, tomar decisões que afetam a sua vida e a dos outros. Porém, por nada nesse mundo devemos nos furtar de tomá-las. Não podemos nos dar esse luxo, não mesmo.

Eu quero morar sozinha. Quero mandar na minha vida. Cansei de dar satisfações o tempo todo pra pai e mãe, já passei da idade. E talvez as coisas estejam se encaminhando para que isso aconteça logo. Mesmo que não dê tudo certo, não vou mais mudar essa idéia, que aliás me acompanha desde que eu era pequena. Nunca, nunca mesmo quis sair de casa para casar, acho isso muito... sem imaginação. Qual é a graça de não enfrentar o mundo sozinha? De não dar a cara para bater? Não recrimino quem pensa diferente, mas não entendo. Juro que não entendo quem quer ficar na casa dos pais até arranjar marido/mulher.

Eu já podia estar casada nesse momento. Já podia estar morando com meu futuro marido, mas não quero isso agora pra mim. Preciso de um tempo sendo eu, sem mãe/pai ou responsável. Preciso ser responsável por mim. Preciso me matar de trabalhar pra pagar minhas contas. Preciso acordar cedo e ir domir tarde, como fazia em 2007, mas agora sem ninguém pra me mandar dormir. Preciso de um espaço, nem que seja emprestado. São minhas necessidades básicas: ser mais livre, mesmo que pra isso tenha que perder algumas facilidades e liberdades.

Não digo que vai ser fácil, aliás, "nobody said it was easy"... vai ser bastante difícil no começo, e depois, não tenho ilusões a esse respeito. Mas até prefiro assim.

Torçam por mim, que eu quero mesmo mudar de rumo.

"Reticências

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!

Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!

Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
(...)
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
(...)
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra..."

Nenhum comentário:

Postar um comentário