quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vadias, Xuxa e uma situação meio complicada pra mim, ainda hoje

A marcha das vadias e a luta contra a sociedade que nos diz para não sermos estupradas, ao invés de dizer aos homens que não estuprem. Essa é uma bandeira que eu abracei sem pensar muito. Afinal, parece bem claro que essa é a atitude correta, não? A marcha aconteceu, eu não pude ir, mas deixei registrado meu apoio e tal. E tive que ouvir de uma pessoa da família "Mas, Amanda, então você é vadia agora?". Pois é, sou.

Há 2 semanas a Xuxa deu um entrevista polêmica, no Fantástico. A entrevista virou comoção nacional, gente defendendo e atacando a Globo e a Xuxa, não se falava de outra coisa. Eu não vi a netrevista, e preferi esperar pra dar minha opinião. E aí li esse post da Lola, que é extremamente sincero e solidário, e acho que ninguém falou melhor desse assunto. E como eu não vou falar melhor, indico a vocês, hehe.

Acontece que isso acabou me fazendo pensar na sorte que eu tive. Quando eu era bem mais nova, por volta de 13 anos, um primo bem mais velho se declarou apaixonado por mim. Entendam bem o que eu vou dizer: isso foi assustador, totalmente assustador, porque ele morava na minha casa. Ele dormia há alguns metros de mim. E ele era grande o suficiente para conseguir me imobilizar facilmente, até porque eu sempre fui magrinha.

Essa história ninguém na minha família tem a menor idéia de que tenha acontecido. A verdade é que eu tive muita, muita sorte, porque ele não era o tipo de cara que estupra, ou força alguma coisa. Era só uma pessoa que achava estar apaixonado (ou estava mesmo, sei lá) por mim. Mas eu morri de medo, mesmo. Eu era criança de tudo, nunca tinha ficado, nem tinha me apaixonado.


Não foi fácil assimilar a informação. Ele pediu desculpas, falou que era pra eu esquecer isso, que nunca ia forçar nada. E eu ali, ouvindo, apavorada e confusa. Fiquei muitos, muitos anos sem ter coragem de contar isso pra ninguém. Tive medo de falar com meus pais, até porque, afinal, nada havia acontecido. E tive medo de ser vista como culpada, medo do que a minha famíla (grande pra cacete e cheia de fofoqueir@s) ia falar. Sério, eu achei que a culpa era minha, que eu deveria ter sido menos legal com ele, que deveria ter ficado mais quieta.

Eu e ele éramos amigos, conversámos muito. Tudo acabou nesse dia - eu não conseguia mais tratá-lo normalmente, e passei a ser extremamente ríspida com ele, pra fazer ele se afastar. Todo mundo percebeu a mudança, claro, entretanto eu não expliquei nada.

A revelação foi feita antes do almoço de natal, e eu lembro que perdi a fome. Lembro também de um dia, o mais aterrorizante de todos - eu acordei no meio da noite e vi ele olhando pra mim, perto da minha cama. Lembro do medo, e de como eu quase gritei, mas ele foi embora e nada fez.

Eu sei que isso me causou um trauma, que podia ser muito maior. Eu sempre fui tímida, magrinha, nunca fui "a garota que se desenvolveu antes". Sempre me achei feia, esquisita. Depois disso, eu tive mais vergonha ainda de mim. Usava umas roupas muito folgadas, me escondia, não quis saber de chegar perto de meninos até pelo menos os 16 anos.

O que eu quero dizer com isso é - se eu, que não sofri nada além do susto e do pequeno trauma, tenho problemas até hoje pra falar disso (consegui falar apenas com amigos, muitos anos depois, e a minha família não faz ideia), imaginem para vítimas de estupro? Imagine uma pessoa pública? Imagine qualquer pessoa?

Acho que, ao inves de demonizar um depoimento desses, devemos apoiá-lo. Não importam as circunstâncias. E digo mais - essa é, provavelmente, a única situação em que eu sou parcial de verdade. Estarei sempre propensa a acreditar se alguém disser que foi estuprad@, até que se prove o contrário. Novamente, não importam as circunstâncias. Transar com uma mulher desacordada é estupro, mesmo que ela seja sua namorada, mesmo que ela tenha trocado carícias com você instantes antes. Se ela mudou de ideia e você não, também é estupro. Não somos obrigadas a transar porque achamos você bonitinho. Se ela não consentiu, É estupro, e ponto final.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

E aí, beleza?

Me apercebi (esse verbo é tão engraçado e regionalista, hehe) que não tenho vindo aqui falar do que anda acontecendo. Não sei se é falta de tempo, ou de paciência, ou medo de falar. Enfim...

O italiano é um língua linda, mas tem um motivo pra ela ser a do Inferno de Dante. Eu tô amando aprender e odiando ao mesmo tempo. Ô saco, é terrível não saber se virar numa língua! Me sinto analfabeta... e sou, hahaha, uma analfabeta lutando pra aprender a usar as malditas consoantes dobradas.

Eu nem falei do show do Foo Fighters, falei? E, meu, faz muito tempo já. Foi o melhor show da vida (porque dos Titãs eu não posso considerar mais, ou nunca terei outra banda nesse posto). Foi uma delícia de show, eu pulei tanto, mas tanto, que fiquei com dores no corpo todo, com ênfase no todo, durante 2 dias. E eu chorei em duas músicas - My Hero e Best Of You. Aliás, decidi que uma frase de Best Of You será tatuada em mim também (além de Beatles e Coldplay). Tenho que parar com os planos de tatuagem e partir pra ação.

Quase fui parar na rua. Sério, corri risco de não ter onde morar... claro que eu sei que não ia pra debaixo da ponte, alguém ia me abrigar por uns tempos e tal. Mas não era uma boa idéia. Por isso procurei e, com a ajuda de vários amigos, achei um colega de quarto. É legal ver que as pessoas se mobilizam por você quando você tá meio desesperada. Grazie a tutti!

Minha vida vai indo. Muitos amigos em São Paulo, os de sempre em Santos, e eu continuo dividida entre as duas cidades. Nunca estou inteira - sempre um pedaço de mim em cada lugar. Gosto tanto das pessoas! Semana que vem passarei um fds aqui. Pensar que passei uns 2 anos sem praticamente nunca ficar aqui em SP.  Se isso mudou é culpa das pessoas de agora =D.

Quero ainda muita coisa, mas antes de tudo quero que o semestre termine, hahaha. E continuo com medo, e deprimindo, e me levantando. Tudo como a vida costuma ser. Nada de novo debaixo do sol.



PS: a qualidade não tá das melhores, mas a música vale muito.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Old College

Tava esperando vir aqui pra falar sobre os vários filmes que tenho visto (finalmente vi Pulp Fiction há pouco mais de 2 semanas), mas fui acometida por assunto mais tomador da minha atenção. Hoje, depois de bastante tempo, tive de novo fortes saudades do jornalismo. Saudades grandes, que tiraram minha atenção dos papos normais, me deixaram meio quieta, pensando. Um amigo estranhou, e eu respondi que era "sensação de domingo". Mas, em seguida, pensei melhor e vi que não era isso - era saudade de ser jornalista.

Deve fazer mais de 3 anos que eu não escrevo uma matéria. Isso é tão estranho, sabe? Eu não saí do jornalismo por não gostar dele, ou por ter me desiludido. Saí porque não encontrei espaço para fazer o que eu quero fazer, que é escrever. Eu ainda sou apaixonada por jornalismo, por ler jornal impresso, por ler revistas. Sei também que não perdi totalmente a mão - uma das minhas lições de casa no italiano foi escrever uma resenha de um livro, como se eu fosse jornalista, o que me divertiu! Apenas não estou jornalista - não sei se um dia voltarei a estar.

Eu escolhi ser jornalista, entrei e saí do curso pensando em fazer a mesma coisa (escrever), porém a vida não entende romantismos e nem todo mundo dá sorte de fazer o que mais gosta. Fui parar em assessorias terríveis, ficava ligando pra redações de jornais pra vender matérias que não são e nunca serão notícias. Cansei de brigar com o mundo, e resolvi mudar de rumo. Não me arrependo. Só tenho saudades enooooormes de fazer matérias, escrever histórias de pessoas, me emocionar e indignar, ajudar a consertar a realidade, ou pelo menos dar uma voz, mesmo que momentaneamente, a quem não tem voz nunca.

Ontem estava numa mesa com amigos da faculdade. Era o retrato do nosso curso - éramos 5 pessoas, só uma delas (meu namorado) trabalhando com jornalismo. Se eu for olhar para meus amigos da UniSantos, quase ninguém está em jornais ou revistas, ou sites de notícia. A maioria foi parar em assessorias. Alguns gostam, alguns somente aturam trabalhar nelas. Eu não consigo nem uma coisa nem a outra.

Bem, sei lá, não sei  que quis dizer com tudo isso. São só pensamentos traduzidos para essa telinha com fundo preto. Tenho saudades de ser jornalista. Saudades do "Baixada Online", das matérias no Dique da Vila Gilda, da matéria sobre mulheres vítimas de violência doméstica, dos perfis que eu fiz, das sessões de fotos, das matérias durante a corrida presidencial que o Alckmin perdeu, do meu TCC. De vez em quando dói um pouco. Hoje tá doendo bem mais...