terça-feira, 24 de junho de 2014

Tomara.

Eu acho engraçado e vejo como algumas pessoas não sabem nada de mim quando eu sou "xingada" de comunista e feminista. Como se isso fosse ofensa pra mim.

Eu não posso me considerar comunista por N razões, mas feminista eu sou desde que me lembro. E nenhum dos dois qualificadores me ofende, muito pelo contrário.

Infelizmente a pessoa que deixou uma mensagem de voz no meu whatsapp me "xingando" não vai ver isso aqui. Mas eu queria dizer, para futuros xingamentos e para outros que queiram assim me xingar - Eu posso não ser velha, mas não sou criança. Tenho 30 anos. Não nasci em berço de ouro, nasci numa família que sempre lutou pra pagar as contas e nem sempre conseguiu pagar tudo em dia. Não tenho carro nem nenhuma propriedade minha. Não ganho salário de marajá e estou na minha segunda faculdade porque tive que recomeçar minha vida financeira/profissional praticamente do zero. Já tive pensamentos  e posicionamentos que hoje sou contra. E eu não sou de esquerda porque acho vermelho uma cor bonita. Eu pensei a respeito, eu li, eu me informei. Eu não tenho esse posicionamento por brincadeira. Eu não sou massa de manobra nem o idiota útil. Eu já estive do lado de lá, já estive no centro.

Eu já vi de perto o que é política, o que a polícia é capaz de fazer. Eu sou jornalista e já pisei meus pés por meses seguidos em comunidades nas quais eu só podia andar acompanhada da responsável pela associação de melhoramentos. Eu já conversei com mulheres que precisam se esconder dos pais dos próprios filhos porque senão elas morrem. Eu tenho amigas que sofreram abusos. Eu já tive problemas dessa ordem. Eu já fui assaltada e não desejei a morte das meninas que me assaltaram. Eu entrei em brigas e quase bati em pessoas porque elas estavam discriminando uma amiga negra, ou um amigo homossexual. Eu já deixei de falar com pessoas por causa de coisas que essas pessoas acreditavam.

E uma característica em mim nunca mudou - eu sempre fui e sempre serei defensora de causas impossíveis. Eu defendo minorias. Eu apoio defesas das minorias das quais eu não faço parte. Eu serei uma velhinha que vai dar bengaladas em caras que assediam moças no metrô. Eu serei a senhorinha chata que não deixará os outros fazerem piadas preconceituosas.

E eu sei o que me falam, desde sempre - que eu ainda vou aprender muito, que eu ainda vou levar muito na cabeça por causa de tudo isso. E eu quero responder a todos que falam isso - TOMARA. Tomara que eu leve muito na cabeça, que eu passe ainda por muita coisa. Porque no dia que eu não tiver mais nada pra aprender e/ou pra defender, eu estarei morta. Porque eu espero errar muito ainda. Porque eu prefiro errar buscando fazer o que eu acredito do que simplesmente parar de fazer porque eu sei que vai dar errado. E isso é idealista SIM. E eu sou idealista SIM. Isso não é uma fase, é a minha vida, é quem eu sou.

Eu quero um mundo justo, sempre quis, sempre quererei. Foi buscando esse mundo justo que eu fui mudando minhas ideias. Foi pensando sobre esse mundo justo que eu fui mudando minhas posições. Então, por favor, parem de dizer que isso vai passar. NÃO VAI PASSAR. Só não vai.

E se um dia eu discordar de novo do que eu pensava, ótimo, porque eu estou certa que será uma discordância sem sair da minha busca e da minha crença num mundo mais justo.

Quer me xingar de feminista, comunista, idealista e sei lá mais o que? Isso para mim é elogio. Pode continuar.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Cores


"Ela sempre gostou de escarlate, mesmo quando não sabia o que era esse escarlate ainda. Mas diziam pra ela que o certo seria gostar de fúcsia, ou talvez de cores áureas. Ela até podia achar escarlate legal, bonito, mas não era pra ela. Essa cor era destinada àquelas estranhas, sabe? Esquisitonas e revoltadas por nada.

- Não seja escarlate, isso é radical demais. Escarlate não combina bem com anil, querida. Você quer viver sem completar sua paleta de cores? Seja colorida, não colorista.

As mesmas pessoas que eram contra a sua porção escarlate também não gostavam do arco-íris, do nanquim, dos tons gris, do translúcido. Achavam que cada cor tinha que ter seu par determinado e que sair disso era ruim. Não que eles fossem contra, claro, até pintavam com outras cores. Mas cada tom correspondia à sua paleta.

- Sempre foi assim no mundo, é o certo. E mesmo que não seja, você não vai c
onseguir mudar. Você e essas ideias impressionistas, veja se pode!

Ela passou (ainda passa) por isso, porém resolveu que ia ser escarlate e pronto. Que era uma escolha dela - essa cor ela podia escolher. E que ela ia lutar por ela e pelas outras que odeiam escarlate por terem nascido numa sociedade em que o anil e o branco são mais fortes e têm mais direitos. Não importa que essas outras a olhem e tratem como mais uma esquisitona impressionista e colorista. Ou colornazi intolerante.

Ela queria só que todo mundo pudesse usar sua paleta como quisesse. Quem ninguém fosse obrigado a gostar/ser de determinado tom só porque o mundo acha que ele é melhor, é o certo. Ela sente medo pelas pessoas que são de cores ainda mais marginalizadas. A cor dela é uma escolha, e já dá problemas. Imagina as pessoas que não são de determinada cor por escolha? Que nasceram "da cor errada"? Que são vistas como querendo "aparecer" quando tem a coragem de gritar pro mundo que são de cores "diferentes"? E ela se enfurece ao ver alguém marginalizar e maltratar cores tão lindas... ou dizer que nanquim vale menos. Que translúcido e gris não são nem cores.

Ela também gostaria de pintar livremente, sem que algum anil passasse e lhe gritasse alguma coisa porque ela é escarlate. E ela sabe que as fúcsias também passam por isso, e também se sentem mal, e também não merecem. Ela gostaria de viver sem medo que algum cerúleo lhe jogasse em um canto qualquer e lhe empurrassem sua cores à força. Ou mesmo um lápis lazúli conhecido se aproveitasse de algum momento de fraqueza para forçar seus tons. E queria respeito às outras cores, todas elas.

Ela conheceu outras escarlates e se espantou com os diversos tons. Não há um só escarlate, e que bom! Ela mudou aos poucos e, apesar de não se reconhecer em alguns dos tons, não vê nada errado em todos eles. Só não aceita mais preconceitos dentre escarlates e contra translúcidas e gris, por exemplo.

Alguns dias, ela tem vontade de desistir, de não tentar, de não mostrar que outras pinturas são tão corretas quanto as ditas "normais", que o escarlate é tão lindo quanto o fúcsia, que todas as cores têm seu espaço e devem ser respeitadas e que as cores marginalizadas merecem equidade. Porque isso cansa. Cansa muito. Tira seu tempo de pintura, de estudar impressionismo, expressionismo, de observar as cores do mundo. Dá vontade de desistir.

Ela pensa em desistir - mas resiste. Um dia, quem sabe, ela não precisará mais brigar. Até lá, segue fazendo arte. Por e com todas as paletas."

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Empatia.

O que falta no mundo é empatia. Estou certa que quase todos os problemas seriam resolvidos com empatia real. Mas, pra contar e comentar isso da forma que eu quero, vou começar com uma historinha. Eu vou chegar em uma conclusão com isso, prometo!

Em 2011, eu estava numa fase ruim e não ruim. Ruim porque tinha me mudado pra São Paulo há 1 ano e não tinha me adaptado direito, não tinha feito amigos aqui, me sentia terrivelmente sozinha e chorava todo domingo quando subia a serra pra trabalhar num emprego que pagava mal. E não ruim porque foi o ano que eu comecei na Letras, depois de passar 2010 estudando mal e porcamente. Estava meio negativa e tudo tava dando errado. Tudo é exagero - eram pequenas coisas que estavam dando errado e me atrapalhavam no cotidiano.

Aí eu fui assaltada, saindo da USP, de manhã, cerca de 11h, quando estava indo pro trabalho. Assaltada por cinco meninas em cima da Ponte Cidade Universitária. Já falei disso aqui, se quiserem ler. Não aconteceu nada muito sério, só o trauma que ficou pra sempre (toda vez que eu vejo alguém andando na minha direção quando eu tô sozinha eu acho que é assalto, não importa quem seja, homem ou mulher).

Nesse dia, um amigo me falou algo que me deu uma sacudida - disse que eu estava reclamando de tudo que dava errado, o tempo todo. Eu deveria mudar minha postura. Foi um momento complicado pra ele falar isso, e ele falou com jeito, não foi bruto. Mas falou. E aqui meio que deu um estalo em mim. Isso, claro, além da sacudida do assalto.

Eu comecei a exercitar isso de não ficar reclamando de tudo o tempo todo. Não é fácil. Eu ainda exercito isso, tento reclamar rindo, fazendo piada. Eu decidi que ia mudar isso em mim, e eu sou teimosa, então, se decidi, tá decidido, hehe.

Coincidência ou não, nesses cerca de três anos eu mudei em vários aspectos relacionados a isso. Ao parar de dar tanto peso às minha reclamações, eu comecei a olhar com mais paciência pras reclamações e problemas dos outros. Eu sempre me considerei empática, acho mesmo que sempre fui. Porém, isso tomou outra proporção. Minha militância (ou ativismo) mudou. Eu me envolvi mais nas questões que me interessavam e não diziam respeito só a mim. Aprendi e ainda aprendo, e espero mesmo estar evoluindo.

Isso se deu só porque eu resolvi não reclamar tanto? Não. Não vou ficar nessa de "seja positivo e o mundo será melhor", porque isso seria só tolo. O mundo não ficou melhor, a minha postura é que mudou. Eu me tornei (e busco me tornar) cada vez mais empática. Naquele dia mesmo, do assalto - quando eu cheguei em casa, não estava com raiva. Medo, sim, não raiva. Eu pensei nas minhas assaltantes e no ponto a que chega uma pessoa, se submeter a assaltar alguém, qualquer que seja o motivo, se pra comer ou pra comprar um iphone.

Não vou dizer também que sou assim todo dia - tem vários dias em que eu xingo o motorista que não abriu a porta do ônibus ao me ver correndo e saiu do ponto sem me esperar.

No entanto, acredito piamente que se a gente se colocasse no lugar dos outros, quase não haveria problemas e discussões. Crimes de intolerância iriam desaparecer. Porque o que eu vejo é uma onda de intolerância cada vez maior. De pessoas que não se importam com o que o outro sofre, porque, afinal, elas sofrem também com várias coisas. Se eu não me importo com o que o outro sofre, não vou ajudar e não me sentirei mal em atrapalhar.

Tá parecendo pregação, eu sei; mas não é, até porque as religiões agem como concorrentes o tempo todo. E eu não sou adepta de nenhuma.

Eu conversei com dois amigos sobre isso nessas últimas semanas. E a gente chegou no mesmo ponto final - a chave é a empatia. Informação também, mas empatia, sobretudo. Porque só com empatia a gente vai atrás de informações sobre os males dos outros.

Sei lá, não quero posar aqui de moralista. Só acho que, no momento em que a gente parar de dar tanto valor aos contratempos do dia a dia e passar a se importar de verdade com a dor dos outros, muita coisa vai mudar. Intolerância tem matado muito nos últimos tempos. Piadas e opiniões contra pessoas só aumentam, e isso machuca tanto quanto porradas, se não mais. Eu vejo, todos os dias, pessoas sofrendo discriminação, gritando que aquilo dói nelas, e os discriminadores dizendo que não dói, que é exagero. Isso porque eles são incapazes de parar um minuto e pensar: "Pera, será que isso não dói mesmo? Se fosse comigo, doeria?".

Antes de falar de algo, de comentar, de escrever, de postar, de comunicar, se todos nós pensássemos "Isso doeria se fosse contra mim?", o mundo não estaria como está. Não me parece uma conclusão difícil. Parece?

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Daqui pra lá

Esse post tem duas músicas. A primeira é essa:



Bem, vamos lá - começo com uma citação de um filme, pra que vocês consigam entender o que eu quero dizer. Vocês assistiram "Menina de Ouro", aquele mesmo, da boxeadora? Em um momento do filme, o personagem do Morgan Freeman disse uma frase que ficou marcada na minha memória. Segundo ele, cada boxeador tem um número X de lutas, e só aquele número. Quando o boxeador alcança esse número, não luta mais - ou porque se aposentou, ou porque sofreu acidente, ou seja lá qual for o motivo. Aquela é a última luta, ponto final. E nunca dá pra saber ao certo quando esse número vai chegar.

Eu quero parafrasear essa crença aqui - acho que a gente tem um número X de lágrimas a derramar por cada pessoa que nos faz sofrer, qualquer que seja o motivo. Depois disso, as lágrimas secam. Você não chora mais.

Digo isso porque já aconteceu comigo, mesmo eu não tendo formalizado dessa maneira. Mas, em algum momento, acontece o último choro e eu me canso. Meu coração se cansa de se importar tanto.

Isso aconteceu comigo no último dia 31 de março. É, no meu aniversário. De repente, a pessoa que me fez chorar nos últimos 18 meses... não me fez chorar de novo ao "esquecer" de me desejar feliz aniversário. E essa pessoa sabe o que significa para mim não ter me dado parabéns. Até porque essa pessoa também dá valor a esses pequenos gestos, talvez até mais do que eu.

Foi estranho - eu estava chateada, mas não deprimida. Quando me dei conta do "esquecimento", não chorei, não tive ânsias de escrever, gritar no inbox do facebook. Me dei conta, pensei que aquilo era triste... e continuei a escovar os dentes antes de dormir. Não fiquei indiferente, porém não foi o fim do mundo, como poderia ter sido.

Eu sempre digo que, enquanto eu reclamo, significa que eu me importo. E quando eu paro de reclamar, significa que eu deixei de me importar. Isso não é exato, eu não sei se deixo de me importar, mas com certeza no momento em que eu paro de reclamar é porque  aquilo não tem o mesmo peso que tinha. Isso já aconteceu comigo em relação a amigos antes. E torna a acontecer agora.

Eu finalmente cansei. Cansei de correr atrás, de querer ser legal, de querer "fazer as pazes" de alguma forma. Eu ainda quero saber como está, desejarei sempre que seja feliz, muito feliz. Mas algo se quebrou e eu não sei se haverá peça de reposição.

Não queria que fosse assim e não sei se isso é bom ou ruim ou nenhum dos dois. Ainda me pego pensando, querendo contar uma novidade, só que não me brotam lágrimas nos olhos ao me dar conta que eu não posso telefonar. Parece que as lágrimas secaram mesmo.

Por fim, meu aniversário em Santos foi ótimo e em São Paulo também. Recebi muitos parabéns, muitos abraços, muitas mensagens e ligações de quem não ia conseguir me ver. Olhei em volta nos dois encontros e só vi pessoas queridas. Não quero reclamar mais a falta de alguém, quero dar valor às presenças.

E aí, entra a segunda música: quando eu olhar pro lado, eu quero estar cercado só de quem me interessa.

quarta-feira, 26 de março de 2014

O famigerado post de aniversário ataca novamente.

Meu aniversário ainda não passou. Mas tá aí chegando e me deixando feliz e triste. Enfim...

Vou fazer 30 anos. Quando a gente é pequeno, pensa que nessa idade vai estar tudo resolvido, vida nos eixos. Não é bem assim. Só que não dá pra dizer que eu não conquistei nada - sou independente, vivo e trabalho em outra cidade, me reconstruí de caquinhos, viajei pra Itália (farei um post grande sobre isso ainda) e melhorei na língua, continuo a aprender e a gostar disso. Estou feliz na maior parte do tempo.

O problema é que existe a menor parte do tempo, e a ela eu dedico alguma linhas. As pessoas costumam perguntar o que um aniversariante quer ganhar de aniversário, pensando num presente que pode ser embrulhado. Eu me lembro que, quando eu fiz 28 anos, a minha festa foi a que eu fiquei mais feliz. Porque tava todo mundo (ou quase) lá, porque todos estavam conversando numa boa. E porque duas pessoas que tinham brigado fizeram as pazes naquele instante. Tudo isso foi meu presente.

Esse ano eu queria, de verdade, um só presente que eu já sei que não vou ganhar.Talvez não ganhe nunca. Queria voltar a ver e falar com uma pessoa. Queria poder conversar com essa pessoa normalmente, sem ficar cheia de dedos e medindo palavras. Queria um abraço e queria olhar pros olhos dessa pessoa e agradecer por tudo que essa pessoa foi (ainda é) pra mim. Por tudo que essa pessoa me fez crescer. Queria um amigo de volta.

Feliz aniversário
Envelheço na cidade.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Karma Drama.

Então, sábado foi um dia tão ruim que eu preciso colocar pra fora. E também devo desculpas e algum tipo de explicação pra algumas pessoas. Por isso, escrevo, que assim é mais fácil.

Eu briguei com uma das pessoas mais próximas de mim nos últimos tempos. E briguei porque perdi parte do controle que tento manter o tempo todo. Porque eu sei do que sou capaz se perder totalmente o controle, e não quero. Se não fosse um amigo me chamar pra terra novamente, eu não sei... (thanks, Poru)

Tudo começou com uma abordagem ruim para algo que o Holz (eu também) vê como problema. Não vou comentar o que é explicitamente porque não quero expor ninguém. O fato que precisa ser explicado é que o Holz não teve todo o tato do mundo ao comentar um assunto com a Nina, e ela não reagiu bem, e os dois discutiram na sexta. Mas ia ficar só nisso, e eu não ia me meter. Nem se deem ao trabalho de perguntar - não vou expor ninguém mais do que já tô expondo. Ok?

A discussão deixou o Holz mexido, triste. E no sábado ele ainda tava assim. Então, quando tava todo mundo no restaurante chinês fazendo piada e barulho enquanto ele tentava falar, ele somatizou. Acontece. Pra não fazer nada, ele preferiu sair dali. Eu de novo não queria me meter. Mas é a partir daí que eu me envolvo.

Quem me conhece há mais de alguns meses sabe que eu entro em briga pelos outros. Eu defendo meus amigos com unhas e dentes. E não suporto o que eu vejo como injustiça. E primeiro eu tento explicar, mostrar os erros. Mas quando alguém ainda por cima me acusa de coisas que eu NÃO fiz, eu perco o controle - no caso, fui acusada de ter defendido um abusador e ter sido complacente com outra situação de abuso.

Uma discussão pessoal virou recriminação à minha militância feminista e eu fui taxada de feminista liberal que defende o namoradinho mascu.

Olha, eu posso ter errado muito na vida, posso ter falado coisas erradas, sobretudo há três anos (época da acusação de ser complacente). Eu era outra pessoa, e errava. Eu sou o que sou hoje e erro. Eu erro. Eu falho. Mas não de má-fé. Não de propósito.

Naquele momento, um amigo nos chama de volta a razão, manda aquietar-nos. Só que pra mim já era tarde, eu já estava no turbilhão. Me sentei, mas minhas mãos já estavam descontroladas, tremendo como se eu estivesse com Parkinson - isso sempre acontece quando eu estou muito nervosa, e é impossível controlar. Eu vi que ia chorar, alguns amigos também. E eu não aceitei ajuda de ninguém, porque ia parecer que eu estava posando de coitadinha. Eu não estava.

Essa pessoa... eu a chamava de irmã. Eu ainda me preocupo, mas não consigo mais olhar nem pra fotos. Eu a tirei da minha timeline, e espero que nenhum de vocês que está lendo isso mostre esse texto pra ela. Porque não é mais da conta dela. Os que (ainda) não brigaram com ela só façam um favor: tentem cuidar dela. Ela vai precisar.

Tem ainda um último ataque dela ao meu espírito, que provavelmente não teve o efeito esperado, mas que me abalou. Aliás, tudo naquele sábado me abalou. E como esse é meu blog, eu falo de mim, então vou falar. Fiquei o sábado inteiro sem comer nada, nem sentir fome. Não conseguia chorar depois que saí do restaurante. Fui pra Santos e tive crises de angústia durante o dia. Crises nas quais minha respiração ficava desordenada e meu estômago e coração apertavam como se alguém estivesse comprimindo os dois. Emagreci um quilo, mais ou menos. Dormi um dos piores sonos, sem sonhos, pesado e ao mesmo tempo leve, com qualquer coisa me acordando. Fiquei repassando situações e pessoas na minha cabeça. Desabafei com um amigo pessoalmente, com outros pela internet. Liguei e recebi diversas ligações do Holz, troquei mensagens, fiz DR (eu odeio DR). Subi no domingo, conversamos sobre o ataque pessoal ao meu espírito, acho que estamos bem. Mas ainda estou esquisita.

E tive que me segurar pra não desestabilizar os outros. Tive medo de ficar sozinha. Tive medo de abandono. Tudo que sentia na minha fase mais depressiva apareceu, e eu lutei (luto ainda) contra, porque não posso sucumbir. Não vou sucumbir.

Estou melhor. Não estou completa, no entanto. Parte de mim está de novo esperando pela próxima tempestade, alerta.

Não digam que eu não mereço nada disso. Eu mereço e não mereço, ao mesmo tempo. As coisas acontecem por um motivo - sim, eu acredito em destino e karma. Eu preciso passar por algumas coisas na vida.

E, querem saber? Nada se compara à dor de terminar meu namoro de 8 anos. Nada foi mais difícil que aquilo. Por mais doloroso e ruim que tenha sido meu fim de semana, aquele foi infinitamente pior. Além disso, depois de passar uns bons dois anos quase depressiva, na beira do abismo, eu aprendi a lidar um pouco com essas situações.

Ontem eu consegui chorar de novo. Depois de um dia de lágrimas que vinham e não desciam, voltavam, ficavam presas. Foi um alívio.

Por fim, agradeço muito a quem se preocupou comigo, e desculpem pela cena no restaurante. Foi uma falta de consideração tremenda, e eu morro de vergonha. Peço desculpas, de verdade.

Beijos, pessoas.