domingo, 28 de outubro de 2012

Primeiro porre

Aos 28 anos de idade, tomei meu primeiro porre. Fiquei bêbada pela primeira vez na vida. E foi libertador. E eu não podia ter feito nada melhor. E eu não me arrependo nem por um minuto.

Falei coisas demais, ri, conversei pela primeira vez de verdade com uma pessoa que conheço há quase um ano. Assustei e preocupei um amigo que me conhece há tanto tempo... mas ele entende. Ou entenderá, quando eu estiver reconstruída.

Alguma coisa aconteceu dentro de mim de ontem pra hoje. Ontem estava mal, muito mal. A desilusão não passou, talvez passe um dia. Eu ainda acho que não existe amor em SP. Mas existe amizade, muita amizade. E nesse amor eu vou acreditar sempre.

Eu estou melhor. Pela primeira vez em 2 semanas me sinto inteira, com o pé no chão. Me sinto liberta. E calma. E serena.

Acho que agora vou conseguir procurar meus novos caminhos. E pensar que tudo isso por causa de uma garrafa de tequila. Quer dizer... não por causa da tequila. Meu dia ter sido ruim foi o principal. Mas a participação do meu primeiro porre foi primordial, essencial.

Eu precisava desse momento. Agora posso seguir.

Desculpe se incomodei alguém, se chateei alguém. Desculpem também eu ter falado demais. Mas, quer saber? Falei, não volto atrás, e falaria de novo. E foda-se.

sábado, 27 de outubro de 2012

Não existe amor em SP

Eu achei que existia. Não existe.

Aliás, não sei mais se amor existe. O que existe é você passar tempo, conviver, conhecer. Existe amizade, não existe amor. Aliás, melhor dizendo - o amor existe, mas quando você o encontra, sofre. Tem alguns momentos felizes, se engana dizendo pra si mesmo que vai ficar tudo bem. E fica tudo bem, por um tempo. Mas logo vem o ceifador e leva tudo embora.

Essa vida já me cansou. Tô aceitando doação de outra vida.

Deve ser por isso que tanta gente se ocupa das vidas dos outros - assim não é preciso resolver a sua própria. Deve ser por isso que eu sempre fui psicóloga dos outros - dessa forma eu não precisava pensar nos meus próprios problemas.

Eu quero que o mundo inteiro vá pro inferno.

E eu quero ir pra muito longe daqui, agora. Se eu tivesse como ir, estava nesse momento em Roma, aprendendo italiano de uma vez por todas. Ser triste na Europa deve ser mais divertido.

Na verdade, se eu visse meu mar hoje, já ficaria melhor. Eu acho. Não sei.

A única coisa boa do meu dia é uma barra de Milka.



Não existe amor em SP
Um labirinto místico
Onde os grafites gritam
Não dá pra descrever
Numa linda frase
De um postal tão doce
Cuidado com doce
São Paulo é um buquê
Buquês são flores mortas
Num lindo arranjo
Arranjo lindo feito pra você

Não existe amor em SP
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu

Não precisa morrer pra ver Deus
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você
Encontro duas nuvens em cada escombro, em cada esquina
Me dê um gole de vida
Não precisa morrer pra ver Deus

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O mais difícil

Domingo foi o dia mais difícil da minha vida. E olha que eu já passei por umas barras... Mas nada foi mais difícil do que ter que tomar a decisão de terminar meu namoro. É, pois é, isso mesmo.

A decisão foi tomada aos poucos. E explico ela por aqui porque não tô com vontade nenhuma de dizer a cada um de vocês o que houve, em separado. Então, falo aqui, vocês leem e eu não preciso explicar muito mais.

Estou triste, fiz uma pessoa que eu amo muito chorar e sofrer. Estou sofrendo também, porque são 8 anos. Não são 8 dias. É uma vida, uma história grande demais, e tão bonita. Mas eu não podia continuar fingindo que tava tudo bem, que nada tinha mudado em mim. Meu sentimento por ele mudou, e não há nada que eu possa fazer. Aliás, eu tentei fazer, mas não consegui. Eu falhei.

A vida é uma bosta, essa é a verdade.

Mas é melhor sofrer agora, terminar enquanto a gente não se odeia, enquanto não viramos aqueles casais que nem se oham na mesa de jantar.

Eu não sou mais capaz de fazê-lo feliz. Não sou mais feliz com ele. E, sim, o amo muito. Não sei se um dia vou amar alguém como a ele. Só não posso mais. Não é justo com ninguém.

Minha vida virou uma incógnita. Eu não sei mais como vai ser nada. Eu tinha planos, não tenho mais. Eu tô com medo de tudo, de ficar sozinha, de tudo. Foi a coisa mais difícil e dolorida que eu já fiz na vida. Mais difícil que desistir do jornalismo, mais difícil que mudar pra São Paulo.

Minha cabeça tá uma confusão, meu coração dói, mas tanto a cabeça quanto o coração sabem que estão fazendo o certo. Peço desculpas, não vou explicar muito mais que isso. Peço desculpas também aos amigos. Peço desculpas ao Bruno.

Um dia, espero, vou rir disso. Agora não tá dando pra rir ainda.