segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Medo

Tenho muitos desses medos aí da música debaixo. Lenine, sensacional como sempre, e Julieta Venegas. Curtam!




Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da

El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá

Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar

Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor

El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar

Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho

De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Quem quer criar desordem?



Eu queria achar um jeito de falar do que está acontecendo no Rio e em São Paulo sem imitar o que vem sendo dito, ou o que eu mesma falei aqui ano passado, também em janeiro, também sobre deslizamentos e desastres. Pois bem - achei um jeito. Vou falar de um projeto que está em tramitação no Congresso e pretende mudar o código florestal. Esse projeto não considera topos de morro como áreas de preservação permanente e libera a construção de casas em encostas. Ou seja, torna legais construções justamente nas áreas que tem mais chance de deslizamento de terra.

Como se não bastasse, o projeto reduz a faixa de preservação ambiental nas margens de rios; hoje, construções só são permitidas com distância de 30 metros do rio. Se aprovado, o projeto diminui essa distância pela metade: 15 metros.

Ok, ok, todos nós sabemos que a lei não tem sido respeitada há muito tempo, e que as pessoas já moram em encostas, topos de morro e próximas a rios. Não faltam exemplos, como a tragédia atual do Rio de Janeiro, que vitimou quase 700 pessoas até agora, e as cheias de rios que alagam partes de São Paulo e cidades do interior, como Franco da Rocha e Jaguariúna. Sim, sem dúvida.

A diferença é que, se esse projeto for em frente, todos esse problemas serão “permitidos por lei”. Ou seja, pessoas vão morrer, perder casas, bairros serão alagados, tudo com base na lei.

O relator do projeto é Aldo Rebelo, o mesmo cara que queria retirar da língua portuguesa todos os estrangeirismos. Pode parecer uma boa idéia, mas na prática isso serviria para que não pudessemos mais falar abajur, arroz, paella, computador e outras coisinhas.

Hoje, se os governos quiserem, podem retirar pessoas que moram irregularmente em encostas, topos de morros e beira de rios e colocar em casas em locais mais seguros. A revisão do Código Florestal legaliza áreas consideradas de risco, o que impediria os governos de retirarem pessoas desses lugares. Se hoje em dia, sendo irregulares, essas construções se multiplicam e subtraem vidas, imaginem se o código for revisado? Os governos não só vão continuar não fazendo nada, ou quase nada, por essa população, como estarão amparados pela lei. Absurdo é pouco.

Para se ter uma idéia, infográfico da Folha de S. Paulo:


Vou colar aqui embaixo trechos de matérias da Folha, fechadas para assinantes, que falam dessa questão. Essas matérias saíram no dia 16 de janeiro, já depois do desastre. Vou colar tambem um link com a opinião de minha candidata derrotada à presidência, Marina Silva.

Espero que os caras que os eleitores brasileiros colocaram lá no Congresso ponham a mão na consciência, e não deixem passar a revisão do código. E que a Dilma saiba o que fazer para prevenir, e não só repassar verbas depois do ocorrido, como fazia seu antecessor.

Entrevista com Aldo Rebelo, para a Folha: Ele nem sabe onde está a legislação para construções em áreas de risco urbanas, só sabe que seus assessores garantiram que não está no projeto dele. Que orgulho que dá dele, não?

Folha - Quais mudanças o Código fará nas regras de ocupação das cidades?
Aldo Rebelo - Eu sou relator do Código Florestal. A lei de uso e ocupação do solo urbano é outra. Tratamos de ocupação para agricultura e pecuária.

O texto fala que encostas a partir de 45 graus nas cidades podem ser ocupadas por casas. Ele também tem reflexos na área urbana...
Não alteramos nem mexemos em nada que tivesse relação com espaço urbano. Só deixamos o que já vinha da lei anterior.

O seu texto cita a regularização fundiária em áreas urbanas consolidadas.
Isso é que já estava na lei. Isso é o que já tem.

Esse item não existe no atual Código Florestal.
Existe numa legislação que torna mais fácil desapropriações para assentamentos urbanos.

A lei é a do programa Minha Casa Minha Vida?
Provavelmente deve ser. Sei porque nossos consultores asseguraram que nada de novo nem diferente entrou na questão do solo urbano. As alterações foram apenas para o uso da reserva legal e áreas de preservação permanente.



Especialista fala sobre a lei, também na matéria da Folha:

“Nos morros, o objetivo da lei atual é preservar a vegetação natural, que aumenta a resistência das encostas e reduz deslizamentos de terra. Nas margens dos cursos d'água -rios, córregos, riachos, ribeirões etc.-, a área reservada visa preservar as várzeas, espaços onde os alagamentos são naturais nas épocas das chuvas fortes.

Boa parte da legislação não é cumprida, principalmente nas cidades. Mas as prefeituras, responsáveis por fiscalizar as regras e impedir a ocupação dessas áreas, têm os dispositivos à disposição.

Mesmo que a ocupação irregular ocorra, os limites atuais facilitam a remoção sem necessidade, por exemplo, de desapropriação de terras, afirma Marcio Ackermann, geógrafo e consultor ambiental, autor do livro "A Cidade e o Código Florestal". Ele diz que as áreas de preservação permanente previstas no Código Florestal coincidem, na maioria, com as áreas de risco de ocupações.

Ackermann cita como exemplo os locais onde morreram pessoas na semana passada em Mauá (Grande SP), e Capão Redondo (zona sul de SP). O mesmo ocorre, diz, na maioria dos locais atingidos pelos deslizamentos na região serrana do Rio.”

Marina Silva: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia/2011/01/18/marina-silva-pede-que-codigo-florestal-seja-barrado.jhtm

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Difícil...

"O que se foi se foi.
Se algo ainda perdura
...é só a amarga marca
na paisagem escura.

Se o que se foi regressa,
traz um erro fatal:
falta-lhe simplesmente
ser real.

Portanto, o que se foi,
se volta, é feito morte.

Então por que me faz
o coração bater tão forte?"

Ferreira Gullar

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Segundo caderno

Porque o Caetano já disse tudo.



Sampa - Caetano Veloso

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços

Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Notícias de última hora

Queria dizer tanta coisa aqui... e não quero, ao mesmo tempo.

A Fuvest, por ora, acabou. E eu ainda não tenho nem idéia se esse tempo de estudo pela metade valeu a pena ou não. Espero que sim. Até tenho um plano B ("I always have a plan" - Ben, em Lost), mas é que gosto tanto do plano A, sabe? Tenho medo de não dar certo, fiz o que pude nas provas, mas não sei se o que eu pude é suficiente. E essa espera acaba apenas perto do meu aniversário, lá pelo dia 20 de março. Vamos ver se o inferno astral vira paraíso.

Pelo menos agora posso ler o monte de livros não vestibulandos que comprei, ver seriados e filmes, sem me sentir culpada por estar trocando momentos de estudo por lazer, hehe. Com isso, a caixa de Friends vai acabar rapidinho.

Ainda me sinto sozinha, e essa sensação ficou mais específica ontem no início da noite. Mas não vou ficar aqui falando disso de novo, porque não quero e não consigo mais, ao menos por enquanto. Se eu me recuperar, quem sabe?

A casa em que moro voltou a ter habitantes, haha. Tava estranho ver quase ninguém na república, agora tenho de volta companheiros pra ver televisão... o problema é que começou o BBB, e não tenho lá muito paciência pra isso.

O boletim de notícias fica por aqui. Nos vemos aí, quando eu conseguir voltar pra cá. É a minha inconstância de publicações no blog - só escrevo quando meu coração permite. Às vezes isso aqui serve como alento, mas ultimamente meu coração anda pesado em demasia.

Chico Buarque - Bye, bye, Brasil (paixão por essa pessoa!)



Oi, coração
Não dá pra falar muito não
Espera passar o avião
Assim que o inverno passar
Eu acho que vou te buscar
Aqui tá fazendo calor
Deu pane no ventilador
Já tem fliperama em Macau
Tomei a costeira em Belém do Pará
Puseram uma usina no mar
Talvez fique ruim pra pescar
Meu amor

No Tocantins
O chefe dos parintintins
Vidrou na minha calça Lee
Eu vi uns patins pra você
Eu vi um Brasil na tevê
Capaz de cair um toró
Estou me sentindo tão só
Oh, tenha dó de mim
Pintou uma chance legal
Um lance lá na capital
Nem tem que ter ginasial
Meu amor

No Tabariz
O som é que nem os Bee Gees
Dancei com uma dona infeliz
Que tem um tufão nos quadris
Tem um japonês trás de mim
Eu vou dar um pulo em Manaus
Aqui tá quarenta e dois graus
O sol nunca mais vai se pôr
Eu tenho saudades da nossa canção
Saudades de roça e sertão
Bom mesmo é ter um caminhão
Meu amor

Baby, bye bye
Abraços na mãe e no pai
Eu acho que vou desligar
As fichas já vão terminar
Eu vou me mandar de trenó
Pra Rua do Sol, Maceió
Peguei uma doença em Ilhéus
Mas já tô quase bom
Em março vou pro Ceará
Com a benção do meu orixá
Eu acho bauxita por lá
Meu amor

Bye bye, Brasil
A última ficha caiu
Eu penso em vocês night and day
Explica que tá tudo okay
Eu só ando dentro da lei
Eu quero voltar, podes crer
Eu vi um Brasil na tevê
Peguei uma doença em Belém
Agora já tá tudo bem
Mas a ligação tá no fim
Tem um japonês trás de mim
Aquela aquarela mudou
Na estrada peguei uma cor
Capaz de cair um toró
Estou me sentindo um jiló
Eu tenho tesão é no mar
Assim que o inverno passar
Bateu uma saudade de ti
Tô a fim de encarar um siri
Com a benção de Nosso Senhor
O sol nunca mais vai se pôr