Assisti a dois filmes muito bons no último final de semana. Os dois tratam de assuntos diferentes, são filmes diferentes - um é uma ode à Paris (ah, Paris...), o outro é ficção nerd ao estilo de Goonies. Ou seja, à primeira vista, um não tem nada a ver com o outro. Sim e não - para mim, o grande tema é a saudade, o saudosismo, a nostalgia.
Vou explicar melhor - assisti "Meia Noite em Paris", de Wood Allen, e "Super 8", de J. J. Abrams e Steven Spielberg. Dois filmes que me conquistaram cada um de seu jeito. Começando pelo primeiro, "Meia Noite..." é lindo, lindo, lindo. Já nas primeiras cenas ele nos apresenta a cidade, nos deixa entrar nela, nos quer bem vindos. A história é contada pelas aventuras inesperadas de Gil Pender, escritor de roteiros hollywoodianos que deseja escrever um livro "de verdade", um grande romance.
Ele vai com a noiva e a familia dela para Paris, cidade onde queria ter vivido durante os anos 20, época em que seus heróis da literatura, música e pintura (Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Salvador Dalí, Cole Porter, entre outros) estavam por lá. Ele é um saudosista de uma época que não viveu, um romântico nessa acepção da palavra. Gil está de casamento marcado, e encontram amigos da noiva, Inez, na cidade, com os quais ele não consegue se sentir bem. Começa, então a sair sozinho por Paris, e em uma noite acontece o impossível - ele viaja no tempo, para 1920, para encontrar seus ídolos!
A reconstituição da época e das personalidades é um show à parte, mas não vou entrar muito nesse mérito, para não estragar as cenas. Dou apenas o destaque para Salvador Dalí e os outros surrealistas, engraçadíssimas as cenas com eles. E Ernest Hemingway está sensacional!
No entanto, o principal é mesmo Paris, o palco dessa aventura. A todo momento faz-se uma ode em homenagem a cidade luz, "mais bela sob a chuva". De tal forma que saí do filme totalmente enlevada pela atmosfera captada da tela. A única coisa que conseguia pensar era: "Por que eu não estou em Paris? Por que não largo tudo e vou viver lá, escrever um livro, como também é meu sonho?". O próprio filme dá a resposta a esse anseio, de certa forma - não vou revelar; assista e entenda o motivo.
Agora, "Super 8". Quando era mais nova e tinha tempo pra ficar em casa vendo sessão da tarde, nunca deixava de ver "Os Goonies". Considero o filme um pequeno clássico juvenil, e sei que muitos críticos concordam comigo, hehe. É extremamente divertido ver os sustos e as aventuras daquele grupo de meninos e meninas... e como esquecer o Sloth? Lembranças de infância, que já se apresentava levemente nerd =P.
Pois bem, "Super 8" tem tudo para ser "Os Goonies" de hoje, com umas pitadas de "ET, o Extraterrestre". Conta a história de um grupo de meninos e uma menina, que estão fazendo um filme de zumbis para participar de um concurso. Durante as filmagens de uma das cenas, os garotos presenciam um graaande e muito estranho acidente de trem... e aí começam os problemas para eles e a cidadezinha onde moram.
O longa tem todos os ingredientes: a amizade entre os garotos, a disputa velada pela garota, a coragem, a curiosidade. Já o vejo como um novo clássico, com o perdão da contradição. Deu vontade de ser mais nova, para ter esse filme como referência da minha infância... mas tudo bem, aproveitei muito o filme, mesmo já estando mais velha.
E é justamente aqui que entra a minha comparação entre os dois filmes. Para mim, os longas trazem bem forte o sentimento de saudosismo, memorabília. Em Paris, o personagem é nostálgico, e o público acompanha essa saudade e a entende. Em Super 8, a nostalgia é do diretor, J. J. Abrams, do produtor, Spielberg, e do público. Quem gostou e teve a infância marcada por filmes como "Os Goonies" vai assistir para sentir uma saudade diferente, que se faz ao ver referências na tela. Em Paris, Gil é saudosista, e nos encanta com suas referências. Em Super 8 ficamos encantados com as memorias que o diretor usa, para nos encantar com a nossa própria saudade. Ah, o cinema... thou art a heartless bitch!


