
Sábado à noite, corrida atrás de ingressos para “Tropa de Elite 2”. Depois de um final de semana e um feriado tentando ver, finalmente ingresso comprado. E caro, mas deixemos isso pra lá (ano que vem, quem sabe, volto a pagar meia-entrada, hehe).
Entramos na sala bem cedo, para pegar bons lugares. O “nós” eramos eu, Bruno, Aline, Patrícia, André e Felipe. Sentamos e esperamos ainda uns 20 minutos pro filme começar.
No fundão tinha uma galera grande fazendo barulho antes do filme. Pensei: “Pronto, é uma daquelas sessões. Vou ouvir um monte de elogios aos policiais matando todo mundo”.
Por incrível que pareça, eu estava enganada. Não sei se por causa do filme, do novo tom de um agora Coronel Nascimento maduro, até envelhecido, ou se por causa do novo vilão. Claro que aconteceram manifestações, mas nem de longe o que eu esperava.
Agora, o longa. É engraçado como os dois “Tropa” não mudaram minha opinião em absoluto. Na verdade, só reforçaram minhas idéias. Não, não sou reaça, não acho que a polícia deve sair matando, mesmo que mate bandidos. Muito pelo contrário, aliás - acredito firmemente que ninguém tem o direito de matar, sobretudo o Estado. Não aderi à massa que gritava de satisfação ao ver as torturas do 1º filme... e não estou condenando que o fez. Só não foi assim pra mim.
Entrei na sala de cinema com o pensamento de quem vai votar nulo para presidente no 2º turno, porque quem eu acreditava não está mais no páreo. Saí da mesma forma e com mais uma indignação para somar às minhas - dessa vez contra as milícias e a farsa da política de pacificação das favelas.
O filme faz crítica feroz a um governo que mascara, apoia ou finge não ver os policiais na versão milicianos. Em dado momento, há uma invasão a uma comunidade, sob o pretexto de expulsão dos traficantes e pacificação. Farsa - os crimes apenas mudam de lado, dos bandidos para os policiais. O que é bem mais perigoso, uma vez que policiais sabem como agem os dois lados dessa moeda.
Aqui, apenas uma suposição: vi uma crítica às Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Posso estar errada, não conheço a fundo a questão, mas me pareceu que o filme tratava muito mais do que milícia. Em “Tropa”, os grandes bandidos estão dentro da polícia. O que me garante que não estejam nessas UPPs? E o que vai acontecer se esse formato for exportado para estados como São Paulo?
Não quero convencer ninguém a seguir meu exemplo, minhas ideias, nem a votar nulo. Se você acha que é válido votar em um dos dois, tendo votado em outro no 1º turno, muito bem. Se você votou em um dos dois, e vai continuar com o apoio, muito bem também. Não há certo e errado, há a sua opinião. A minha é essa, e o filme só me dá mais razões para continuar nessa linha.
No início do filme, quando o Fraga fala sobre o Bope (vídeo abaixo), a Patrícia virou-se para mim e disse: “Parece você falando!”. Parecia mesmo. Sei que tenho tendências a me tornar uma partidária de causas perdidas. Acredito na política de não matar, por mais que a pessoa “mereça”. Não digo que, se acontecesse algo muito grave comigo ou com alguém que eu amasse, eu não gostaria de ver o culpado sofrer, até talvez quisesse matá-lo com minhas próprias mãos. No entanto, falando de fora, não aceito nenhum tipo de pena de morte.
Você pode pensar “é fácil falar”. Na verdade é difícil pensar assim, e pra falar é necessário um pouquinho de coragem, porque essa posição vai contra a da maioria. Meus pais, meus amigos, quase todos pensam que justiça feita pelas próprias mãos também é justiça. Eu penso que não. Só não sou ativista de direitos humanos por preguiça, ou falta de coragem/vontade.
Ver o filme me deixou pensando nisso tudo acima. Na saída da sessão, quase ninguém falava. Pareciam todos ainda sob o efeito do que viram. Na minha sessão, não teve ninguém aplaudindo o momento em que o Coronel Nascimento surra um político. Nem comemorando cada morte como uma catártica satisfação de vontades primitivas. O que vi foi pessoas saindo pensativas, tanto quanto eu.
Pensar só talvez não adiante, e nós sabemos disso. Gostaria de dizer que é um começo, mas sei que não basta. Estamos acostumados a nos omitir. Eu estou acostumada a me omitir, não vou protestar nas ruas, como fazem os jovens e nem tão jovens na França. Aliás, em geral não concordo com a postura de quem protesta, sobretudo desses garotinhos autointitulados de esquerda. Por não querer me unir à eles, me omito. Infelizmente, isso não ajuda.
No próximo dia 1º de novembro, início das minhas férias, teremos um(a) novo (a) presidente, que eu não escolherei, nem queria que ocupasse esse lugar. Não acredito em nenhum dos dois candidatos, e não vou escolher o menos ruim, não dessa vez. Se todos que quisessem uma mudança real fizessem o que acreditam, acho que nosso país estaria em outro caminho. Pelo menos não estou sozinha - tive mais de 20 milhões comigo.
Tropa 2 é osso duro de roer. Pegou um, pegou geral, pegou a mim. Talvez ainda pegue você, e você saia com a sensação de um soco bem dado em cada um dos rins.
PS: vocês tem todo o direito de discordar e, se quiserem, comentem discordando. Não tem censura aqui, hehe.