Às vezes eu ainda me impressiono com a nossa capacidade de esquecer. Esquecemos coisas importantes, esquecemos em quem votamos, esquecemos em quem não devemos votar e porque. Mas o que me motivou a escrever isso não foi a política, não ainda. Estou madurando uma ideiazinha para escrever aqui sobre isso, mas ela ainda está bem verde. Não, hoje eu quero falar sobre um esquecimento bem específico: o ostracismo.
Esquecemos pessoas. Essa semana estou intrigadíssima com o sumiço do Belchior, a situação bizarra de ele estar desaparecido e ninguém ter percebido. Isso é estranho... como alguém some assim?
O desaparecimento do autor de "Como Nossos Pais" rendeu piadas pela internet, em programas de TV, em conversas. Eu mesma ri muito de algumas piadas, até porque defendo que o humor não tem que ser politicamente correto, ou corre o sério risco de ficar bem mais chato e sem graça que "praça é nossa" e "zorra". Mas uma das piadas, feita no kibeloco, é verdade: ele tá desaparecido desde os anos 70, e não desde agora.
Isso me lembrou o caso do Simonal, de quem eu já falei aqui, uns posts atrás, que também ficou esquecido por anos. Eu nem gosto muito de Belchior... mas não é essa a questão; o que me espanta é que a gente não o conhece! E me faz pensar: quantos artistas não estão por aí esquecidos por nós? E quantos desses são realmente bons, melhores do que muitos que estão no mainstream? Esse pensamento casa com os garimpos que ando fazendo em samba antigo. Tem uns artistas tão bons e tão desconhecidos hoje...
Mesmo Clara Nunes: muita gente vai lembrar de "Morena de Angola", mas eu duvido que vocês conheçam "Peixe com Coco", ou "Portela na Avenida". E um cara chamado Noite Ilustrada, conhecem? Talvez alguém já tenha ouvido aquela que diz "levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima", mas eu não creio que vocês conheçam "O Neguinho e a Madame".
Não, ninguém é obrigado a ter na memória o que eu acabei de citar, que é isso! Não me entendam mal, eu não estou criticando nada. Só me impressiona como tanta gente que fez sucesso, que tinha tanto para oferecer, que fez coisas lindas, cai num desconhecimento, num esquecimento total... Graças ao youtube, e as almas boas que colocam raridades lá, hoje a gente pode resgatar muito do passado. Mas é estranho, e ao mesmo tempo gostoso, descobrir pérolas do que já aconteceu na música e você nem tinha ideia.
Cavem, explorem, fuçem, vão atrás. Não há futuro ou presente sem passado (ok, frase feita, hahaha). E se alguém achar o Belchior, me avisa que eu tô curiosa!! Ah, vocês não sabem quem é o rapaz? Ok, para facilitar, um clipe: Paralelas, aquela que diz que "no corcovado quem abre os braços sou eu..."
INVENTÁRIO DE PERDAS
Há 7 meses