sábado, 29 de agosto de 2009

Quem? Como? Onde?

Às vezes eu ainda me impressiono com a nossa capacidade de esquecer. Esquecemos coisas importantes, esquecemos em quem votamos, esquecemos em quem não devemos votar e porque. Mas o que me motivou a escrever isso não foi a política, não ainda. Estou madurando uma ideiazinha para escrever aqui sobre isso, mas ela ainda está bem verde. Não, hoje eu quero falar sobre um esquecimento bem específico: o ostracismo.

Esquecemos pessoas. Essa semana estou intrigadíssima com o sumiço do Belchior, a situação bizarra de ele estar desaparecido e ninguém ter percebido. Isso é estranho... como alguém some assim?

O desaparecimento do autor de "Como Nossos Pais" rendeu piadas pela internet, em programas de TV, em conversas. Eu mesma ri muito de algumas piadas, até porque defendo que o humor não tem que ser politicamente correto, ou corre o sério risco de ficar bem mais chato e sem graça que "praça é nossa" e "zorra". Mas uma das piadas, feita no kibeloco, é verdade: ele tá desaparecido desde os anos 70, e não desde agora.

Isso me lembrou o caso do Simonal, de quem eu já falei aqui, uns posts atrás, que também ficou esquecido por anos. Eu nem gosto muito de Belchior... mas não é essa a questão; o que me espanta é que a gente não o conhece! E me faz pensar: quantos artistas não estão por aí esquecidos por nós? E quantos desses são realmente bons, melhores do que muitos que estão no mainstream? Esse pensamento casa com os garimpos que ando fazendo em samba antigo. Tem uns artistas tão bons e tão desconhecidos hoje...

Mesmo Clara Nunes: muita gente vai lembrar de "Morena de Angola", mas eu duvido que vocês conheçam "Peixe com Coco", ou "Portela na Avenida". E um cara chamado Noite Ilustrada, conhecem? Talvez alguém já tenha ouvido aquela que diz "levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima", mas eu não creio que vocês conheçam "O Neguinho e a Madame".

Não, ninguém é obrigado a ter na memória o que eu acabei de citar, que é isso! Não me entendam mal, eu não estou criticando nada. Só me impressiona como tanta gente que fez sucesso, que tinha tanto para oferecer, que fez coisas lindas, cai num desconhecimento, num esquecimento total... Graças ao youtube, e as almas boas que colocam raridades lá, hoje a gente pode resgatar muito do passado. Mas é estranho, e ao mesmo tempo gostoso, descobrir pérolas do que já aconteceu na música e você nem tinha ideia.

Cavem, explorem, fuçem, vão atrás. Não há futuro ou presente sem passado (ok, frase feita, hahaha). E se alguém achar o Belchior, me avisa que eu curiosa!! Ah, vocês não sabem quem é o rapaz? Ok, para facilitar, um clipe: Paralelas, aquela que diz que "no corcovado quem abre os braços sou eu..."


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O samba é a corda, eu sou a caçamba

Fiz umas descobertinhas musicais muito sem querer, e quero passar adiante procês, hehe. Vocês todos ja me ouviram falar de Beirut, de Móveis Coloniais, até cansaram que eu sei. Mas agora estou numa fase meio samba de minha vida, ouvindo Clara Nunes, mulher que eu já conhecia mas estou cavando bastante agora. Mas não é ela minha nova descoberta.

Eu entrei no site da MTV, pra votar no documentário dos Titãs (aliás, entrem lá e votem também, o filme é sensacional... e estará nas lojas dia 1º de setembro!! eeeeeeeeeeee). Em uma das categorias apareceu uma banda, chamada Casuarina, que intrigou a mim e ao Thiago: nenhum dos dois conhecia. Aí, fomos no amigo Youtube, digitamos, vimos uns vídeos... e é genial! Sambão com cara de antigo, gostoso de ouvir, dá vontade de dançar. Recomendo muuuuito pra quem gosta de samba de verdade, não aqueles pagodinhos universitários que eu nem preciso citar nomes.

Pelo que eu entendi, eles são uma banda nova, e está pra sair um cd especial da própria MTV com eles, um daqueles MTV Apresenta. Fiquem de olho nesses caras!!

Pra dar um gostinho, aí vai um vídeo: A Roda Morreu



PS: não fiquem felizes pela falta de poeminhas... eles vão voltar, porque eu sou beeem chata mesmo. Mas virá um cara que ainda não passou por aqui... aguardem.

PS2: sim, eu continuo roqueira, não deixei de ouvir meus rocks diários. Mas, como disse um amigo, o samba é minha lingua mãe... ou pai, já que o sambista oficial de casa é ele.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Solos de Marx não vão me conquistar

Fila da Ponte Orca, 11h40 da manhã, eu já quase atrasada pro trabalho. Na minha frente um casal de "vermelhinhos" (não, não tem nada a ver com o chapolin) hippies. Até aí, tudo bem, vermelhinhos me incomodam, mas se ficarem no seu canto, tá tudo certo. E os vermelhos hippies são bem tranquilos... nem imagino o porquê (maldade detector apitando). Mas, aí, chega um terceiro vermelho, e esse não é hippie; é o tipo mais comum mesmo, sabe, aquele que se acha extremamente revolucionário, subversivo, marxista e todos esses clichês que ele repete sem ter a mais leve idéia do que se trata.

Sabe o que é revolução? Não penso que seja revolucão ficar recitando Karl Marx, vestindo camisas do Che, odiando os imperialistas norte-americanos e idolatrando os Castro. Não é fazer como o tal rapaz, que passou o caminho todo na van e no metrô lendo um texto como se fosse alguma espécie de profeta.

Antes de qualquer coisa, não sou direita, esquerda, centro, nada disso. Só detesto essa falsa revolução, essa pose usada pelos vermelhinhos. Detesto os radicalismos de ambos os lados.

Revolucionário para mim é pai e mãe de família, que acordam as 5 da manhã, atravessam cidades como São Paulo, trabalham o dia todo, enfrentam trânsito, chefes mal-humorados e, quando voltam pra casa, abrem um sorriso de orelha a orelha simplesmente por verem seus filhos bem. Revolução pra mim é você fazer bem para os outros, só porque você tem como fazê-lo, e sem nem precisar que alguém peça. Revolução é seguir com a sua vida sem passar por cima dos outros.

Graças a Deus eu estou cercada de pessoas assim. Esses dias que eu tenho passado aqui em São Paulo são um exemplo: pessoas que eu nem conheço tanto assim estiveram dispostas a abrir mão da própria privacidade para me receber. Uma é meu irmão, mas os outros não tem nenhuma obrigação. E mais: um deles ainda correu atrás de um lugar pra eu ficar mais tempo, e outras pessoas que me conhecem menos ainda vão me aceitar. ISSO é revolução. Um dia espero poder agradecer à altura tudo o que eles fizeram e estão fazendo por mim. Thiago, Leandro, Maurício e agora Laura, muito obrigada!

Pra terminar, música que tem um pouco a ver com o "dia a dia dos trabaiador" desse país.: Caminho Pisado, Paralamas do Sucesso

sábado, 1 de agosto de 2009

Segunda a sexta/ Sábado e domingo

Minha vida começou a ser dividida assim. Na maior parte da semana, rotina de van, metrô e ônibus pela paulicéia desvairada. Final de semana, minha cidade. O começo é sempre muito difícil: quando ouvi quais seriam os jogos da rodada do brasileirão, e lembrei que não ia acompanhar os meninos vendo o jogo, quase chorei no trabalho. Falando com o Bruno, meu namorado, por telefone eu pensava "não vou vê-lo hoje, nem amanhã, só sexta..." e isso ainda doí um pouco, ainda é estranho. Mas estou bem, não se preocupem. É só uma fase de adaptação, eu sei que passa.

Nessa adaptação eu conto com um amigo que fica cada dia mais irmão: Thiago. Sem ele, estaria bem mais triste essa semana, sem nenhuma dúvida. Devo a ele o teto que me abrigou, a companhia. E agradeço imensamente a dois caras que aparecera na minha vida por causa do Thiago, o Maurício e o Leandro, que também me aturaram essa semana, tadinhos... hahahaha. Nem sei se vocês vão ler isso aqui, mas brigada, meninos. Um dia eu ainda vou retribuir tudo o que essas pessoas têm feito por mim.

Nem saí pela cidade essa semana, era dormir, acordar, trabalhar, dormir. No máximo umas conversas boas no Crusp e um filme de um diretor japonês extremamente bom e louco! Estou à procura de lugar para morar, acho que só quando me estabelecer vou conseguir sair e aproveitar que estou em Sampa. Tudo bem, isso será resolvido muito em breve.

Foi tudo muito rápido, não deu tempo para fazer um post dizendo que ia pra São Paulo, que estava perto de realizar algo que eu quero faz tempo, e do que já falei por aqui há algumas semanas. Vou aprender a me virar, ainda não sei, mas aprendo logo (espero). E não, não é para no futuro falar "eu passei por muita coisa na vida", e blablabla. Essa é apenas uma vontade, algo que sempre quis fazer, e que acho necessário mesmo, pelo menos pra mim. Não condeno quem não quer, de jeito nenhum. Meus paradigmas servem para mim, mais ninguém.

Estou com saudades do mar, da umidade, dos cheiros da cidade. Dos amigos, dos pais, dos irmãos. Das conversas despretenciosas de meio de semana. Ah, vou arrastar todos vocês pra cá! hahahahahahahahaha

Vou levando a vida devagar, "pra não faltar amor...". E não estou só; Jeanine, a responsável por essa minha mudança, também tá aqui. Aliás, estou devendo um agradecimento... vou pensar em algo à altura. Brigadinha, Je, de verdade!!

Descer, ver todo mundo, subir de volta. Não vou deixar a minha cidade. Estou em outro lugar, e um lugar para o qual eu sempre quis vir, mas não tem jeito, sou de Santos e bairrista. Santos Pride way of life, hahahahahahaha. Não vivo sem ver o mar da Ponta da Praia. Estou só a 1 hora de casa. Ainda não é dessa vez que vocês se livraram de mim.

Beijos, vejo vocês daqui a pouco!

E só para não perder o costume, indicação do dia: Quanto tempo, Titãs - Sacos Plásticos. Não dá para incorporar o clipe, está desabilitado, mas aqui vai o link do youtube: http://www.youtube.com/watch?v=jHLCwc-4l3U

Assistam, tá muito legal o clipe!!

Quanto tempo, quanto tempo faz
Quanto tempo ficou pra trás

Esqueci de fazer a mala
Fechar a casa
Dizer agora eu vou embora

Eu não, não apaguei a luz
Não corri atrás
Não saí quando chegou a hora

Mas a hora chegou
E ninguém me avisou

O tempo passa tão depressa
Logo acaba, mal começa
Eu tenho pressa
Não vou olhar pra trás

Quanto tempo, quanto tempo faz
Quanto tempo ficou pra trás

Esqueci de olhar pra frente
Sair de repente
Andar até o fim da estrada

Eu não, não tomei coragem
Não segui viagem
Não vi que o tempo passava

Mas o tempo passou
E ninguém me avisou

O tempo passa tão depressa
Logo acaba, mal começa
Eu tenho pressa
Não vou olhar pra trás