domingo, 28 de outubro de 2012

Primeiro porre

Aos 28 anos de idade, tomei meu primeiro porre. Fiquei bêbada pela primeira vez na vida. E foi libertador. E eu não podia ter feito nada melhor. E eu não me arrependo nem por um minuto.

Falei coisas demais, ri, conversei pela primeira vez de verdade com uma pessoa que conheço há quase um ano. Assustei e preocupei um amigo que me conhece há tanto tempo... mas ele entende. Ou entenderá, quando eu estiver reconstruída.

Alguma coisa aconteceu dentro de mim de ontem pra hoje. Ontem estava mal, muito mal. A desilusão não passou, talvez passe um dia. Eu ainda acho que não existe amor em SP. Mas existe amizade, muita amizade. E nesse amor eu vou acreditar sempre.

Eu estou melhor. Pela primeira vez em 2 semanas me sinto inteira, com o pé no chão. Me sinto liberta. E calma. E serena.

Acho que agora vou conseguir procurar meus novos caminhos. E pensar que tudo isso por causa de uma garrafa de tequila. Quer dizer... não por causa da tequila. Meu dia ter sido ruim foi o principal. Mas a participação do meu primeiro porre foi primordial, essencial.

Eu precisava desse momento. Agora posso seguir.

Desculpe se incomodei alguém, se chateei alguém. Desculpem também eu ter falado demais. Mas, quer saber? Falei, não volto atrás, e falaria de novo. E foda-se.

sábado, 27 de outubro de 2012

Não existe amor em SP

Eu achei que existia. Não existe.

Aliás, não sei mais se amor existe. O que existe é você passar tempo, conviver, conhecer. Existe amizade, não existe amor. Aliás, melhor dizendo - o amor existe, mas quando você o encontra, sofre. Tem alguns momentos felizes, se engana dizendo pra si mesmo que vai ficar tudo bem. E fica tudo bem, por um tempo. Mas logo vem o ceifador e leva tudo embora.

Essa vida já me cansou. Tô aceitando doação de outra vida.

Deve ser por isso que tanta gente se ocupa das vidas dos outros - assim não é preciso resolver a sua própria. Deve ser por isso que eu sempre fui psicóloga dos outros - dessa forma eu não precisava pensar nos meus próprios problemas.

Eu quero que o mundo inteiro vá pro inferno.

E eu quero ir pra muito longe daqui, agora. Se eu tivesse como ir, estava nesse momento em Roma, aprendendo italiano de uma vez por todas. Ser triste na Europa deve ser mais divertido.

Na verdade, se eu visse meu mar hoje, já ficaria melhor. Eu acho. Não sei.

A única coisa boa do meu dia é uma barra de Milka.



Não existe amor em SP
Um labirinto místico
Onde os grafites gritam
Não dá pra descrever
Numa linda frase
De um postal tão doce
Cuidado com doce
São Paulo é um buquê
Buquês são flores mortas
Num lindo arranjo
Arranjo lindo feito pra você

Não existe amor em SP
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu

Não precisa morrer pra ver Deus
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você
Encontro duas nuvens em cada escombro, em cada esquina
Me dê um gole de vida
Não precisa morrer pra ver Deus

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O mais difícil

Domingo foi o dia mais difícil da minha vida. E olha que eu já passei por umas barras... Mas nada foi mais difícil do que ter que tomar a decisão de terminar meu namoro. É, pois é, isso mesmo.

A decisão foi tomada aos poucos. E explico ela por aqui porque não tô com vontade nenhuma de dizer a cada um de vocês o que houve, em separado. Então, falo aqui, vocês leem e eu não preciso explicar muito mais.

Estou triste, fiz uma pessoa que eu amo muito chorar e sofrer. Estou sofrendo também, porque são 8 anos. Não são 8 dias. É uma vida, uma história grande demais, e tão bonita. Mas eu não podia continuar fingindo que tava tudo bem, que nada tinha mudado em mim. Meu sentimento por ele mudou, e não há nada que eu possa fazer. Aliás, eu tentei fazer, mas não consegui. Eu falhei.

A vida é uma bosta, essa é a verdade.

Mas é melhor sofrer agora, terminar enquanto a gente não se odeia, enquanto não viramos aqueles casais que nem se oham na mesa de jantar.

Eu não sou mais capaz de fazê-lo feliz. Não sou mais feliz com ele. E, sim, o amo muito. Não sei se um dia vou amar alguém como a ele. Só não posso mais. Não é justo com ninguém.

Minha vida virou uma incógnita. Eu não sei mais como vai ser nada. Eu tinha planos, não tenho mais. Eu tô com medo de tudo, de ficar sozinha, de tudo. Foi a coisa mais difícil e dolorida que eu já fiz na vida. Mais difícil que desistir do jornalismo, mais difícil que mudar pra São Paulo.

Minha cabeça tá uma confusão, meu coração dói, mas tanto a cabeça quanto o coração sabem que estão fazendo o certo. Peço desculpas, não vou explicar muito mais que isso. Peço desculpas também aos amigos. Peço desculpas ao Bruno.

Um dia, espero, vou rir disso. Agora não tá dando pra rir ainda.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Pequena história de dois amigos

Um lobo, cor clara, olhos claros. Parece quieto, cansado, tímido. Não tem medo, ou quer amedrontar - só está quieto e cansado.

Belo lobo, se aproxima e se deixa acarinhar. Sempre com cuidado, desconfia confiando. De repente, me conta sua vida. Me diz, com sua própria linguagem, de onde veio, o que passou e viu passar por seus olhos, cheios de tempo. Se sente à vontade, acolhido. E me acolhe também, eu, simples passarinho.

Me oferece sua proteção; ignora nossas diferenças, exalta minha fragilidade, como se sempre tivesse buscado algo pra proteger. Me leva para sua vida, me torna uma parte dela. E eu não posso, nem quero, fazer algo que não seja retribuir seu cuidado, da melhor forma que eu puder.

Então ofereço meu cantar, minha pequena voz, meus voos. Retiro as pequenas pragas de sua pele com o bico; escuto atentamente seus uivos e lamentos, tento alegrar seus dias, quase sempre consigo. É a minha vontade, o meu papel.

Tenho nas asas a liberdade dos pássaros, porém não preciso fazer uso dela. Nada me prende ao lobo, a não ser a companhia. E nada é capaz de me fazer querer ir embora.

Com os cuidados, um dia o lobo estará mais curado, menos sozinho, menos cansado. Talvez nesse dia as diferenças entre nós, dois amigos, sejam grandes demais. E eu, passarinho, passarei.

Mas, na verdade, isso não me preocupa, não. Porque eu sei que as almas não tem forma. E nossa companhia é feita pelo encontro delas.

Meu papel sempre será de seu pássaro. Estarei aqui, para cantar, ficar perto, voar ao redor, retirar as pequenas pragas com meu bico. Porque esse sou eu.

Sempre.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Conto - Para Casa

Ele está a caminho de casa. Mesmo caminho de sempre, mesma ladeira, mesmo esforço. Na esquina final da ladeira quase interminável, a casa azul. “Mas... será que eu já vi essa luz acesa? Não me lembro... e esse som... que estranho, não lembro desse som também”. Ele vê só uma luz acesa, apenas a penúltima das 4 janelas do segundo andar. Saindo da casa, talvez dessa janela, um som que pode ser música, ou alguém cantando, ou só algo ritmado. Não dá pra identificar. “Que engraçado... acho que nunca prestei atenção”.

Vida de cidade grande - acordar, trabalhar, comer, trabalhar, enfrentar trânsito infernal... e subir ladeiras para chegar em casa. Aquela é especialmente íngreme, e chegando ao topo ele anda mais 2 quadras ainda. Cidade grande, grandes distâncias. Chega em casa, toma banho, come qualquer coisa e se enfia na internet, procurando alguém pra fingir que não está sozinho. “Amanhã é dia de trabalho, de novo”.

Dia seguinte, rotina normal, trânsito agravado pela chuva torrencial que enche a cidade e parece querer quebrar a janela do ônibus com sua força. Desce no ponto de ônibus, pega seu guarda-chuva (daqueles que cabem na mochila e mal evitam os pingos), e lá vai pela ladeira. Chegando no topo, olha a casa azul... e a mesma cena: luz acesa na penúltima janela, e só nela. E aquele som, que ele ainda não decifra. “É ritmado, sem dúvida. Mas o que é?”. Para um instante sob a chuva, que já molha suas meias, tenta avistar algum vulto, alguma silhueta. Nada vê, e volta a andar com pressa. Dorme mais cedo, e torce, como todos, pela chegada do final de semana.

Chove mais dois dias. Ele começa a ficar sem meias limpas, e continua sem saber que som é aquele, e sem ver quem ou o que o faz. Ainda para, tenta ver, mas desiste logo. E começa a se perguntar se não é idiota demais ocupar sua cabeça com isso. Afinal, já não tem problemas demais? “Jonas, você, cara ocupado, tem seus problemas. Para de pensar nisso, que importância tem não saber o que faz esse barulho? É só um barulho. E se a pessoa descobre que você tá espionando, não vai ficar feliz. É isso - vou deixar essa história pra lá”.

Dia seguinte, e a chuva dá uma trégua. Sol, mas sem muito calor; Trânsito rápido, milagre de final de semana. Sobe a ladeira, avista a casa azul e... janela apagada. “Nossa, que cheiro é esse? De onde vem?”. Ele procura a fonte do cheiro, uma mistura de perfume muito doce e alguma coisa apodrecendo. Ouve o barulho, mas muito baixo, só percebe quando se aproxima da casa azul... e o cheiro parece vir de lá também. Está próximo ao muro alto da casa, que deixa ver apenas o segundo andar. A porta, de madeira pesada e antiga, não tem olho mágico. Só a maçaneta, cor de ouro envelhecido, se destaca na madeira. Todas as luzes estão apagadas, e é como se não houvesse ninguém na casa. O único sinal de alguma 'vida' é o barulho, ritmado, que lembra música. Ainda assim, tão baixo, como se viesse de algum lugar longe, dentro da casa, abafado. “Som vindo de longe, de algum lugar longe. É, sim, é isso. Só não sei como...”.

A casa o intriga novamente. Não se concentra direito no jornal da noite, e fica pensando nela antes de dormir. Cogita a idéia de aproveitar o domingo para investigar... e em seguida descarta a possibilidade, pensando em como isso é absurdo. “Imagina, agir que nem nos filmes. Vou acabar preso por perturbação da ordem. Denunciado por invasão de privacidade”. Decide: amanhã não vai nem passar por aquela rua. Vai fazer outro caminho. Chega disso.

Domingo, volta pra casa. “Amanhã é dia de trabalho". Começa a fazer um caminho novo, mas sua cabeça só pensa em passar na frente da casa azul. Ele quer ver se a luz voltou a acender, se o cheiro sumiu, se o barulho está lá. Não consegue vencer a curiosidade - faz o caminho de sempre, sobe a ladeira e vê a casa com as luzes apagadas, o cheiro um pouco mais forte e o barulho do mesmo jeito, abafado, longe. Nada além disso. Nem sinal de movimentação, nem bichos de espécie alguma, nada. O mistério do outro, intransponível, impenetrável, sem perspectiva de solução. Vai pra casa devagar, olha pra trás, esperando qualquer sinal. Zero.

Está definitivamente intrigado pela casa. Pesquisa na internet, procura saber quem é o dono, se há alguma história misteriosa, notícias, qualquer coisa. Encontra pouca coisa: o endereço, as fotos do Google Street View. Não acha anúncio de aluguel ou venda, mas isso não quer dizer nada - a casa pode ser de uma família há muito tempo, ou ter sido anunciada fora da web. Não há notícias, nem de assassinatos nem de mistérios, como aconteceria nos filmes. “É apenas uma casa azul, com porta de madeira maciça, pesada. Só isso. Convença-se disso de uma vez!”.

Dia seguinte, trabalho, rotina. Ele tenta se controlar, mas espera ansioso pela volta pra casa. Pega o ônibus, desce no ponto, sobe a ladeira quase correndo. Chega à esquina e vê a luz acesa novamente, ouve o barulho mais alto, não sente mais o cheiro. Olha para a janela... e enxerga algo que parece uma silhueta feminina. “Uma mulher! A casa tem uma moradora, afinal!”. Olha encantado para a nova descoberta, e vê o vulto se afastar. Quase grita um ‘não’, mas teme chamar a atenção dessa forma. Contudo, precisa entrar em contato. Precisa falar com ela, precisa descobrir o que há naquela casa. Nada mais importa - ele poderia ter gritado, ela poderia até chamar a polícia, ele pode ser preso por perturbação da ordem, por invasão de privacidade. Tudo o que importa é saber qual é o segredo, o que se esconde na casa.

Ele se dirige à porta. Procura uma campainha, não encontra. Resolver bater com o punho fechado, temendo não fazer barulho suficiente, não ser ouvido. Bate à porta, ouve suas batidas reverberarem num espaço aparentemente vazio. Fica alguns instantes esperando. Quando pensa em bater novamente, ouve passos curtos e lentos. Não há pressa dentro da casa, só fora. A porta se abre. Ele olha, sorri, e entra. A porta se fecha ruidosamente.

Ela esta a caminho de casa. Mesmo caminho de sempre, mesma ladeira, mesmo esforço. Na esquina final da ladeira quase interminável, a casa azul. “Mas... será que eu já vi essas luzes acesas? Não me lembro”. Ela vê duas luzes acesas, a primeira e a penúltima das 4 janelas do segundo andar. Saindo da casa, talvez dessas janelas, um som que pode ser música, ou alguém cantando, ou só algo ritmado. Não dá pra identificar. “Que engraçado... acho que nunca prestei atenção nesse som também”.

terça-feira, 17 de julho de 2012

"Deus da Carnificina" ou "Chupa, Avatar"

A hipocrisia salva? Ou o cinismo é melhor? Ou estamos tão acostumados a ser hipócritas e cínicos que não sabemos mais quando somos sinceros e quando não somos?

Deus da Carnificina não responde nenhuma dessas perguntas, mas de certa forma as instiga. Dois casais, pais e mães de dois meninos colegas de escola envolvidos em uma briga, passam algumas horas em uma casa, e passam por todos os estágios de conversação humana, dos mais "corretos" e bonitinhos aos mais sinceros e não tão bonitinhos assim. O roteiro é inspirado numa peça de teatro, e adaptado pelo diretor, Roman Polanski, e pela autora da peça, Yasmina Reza.

Não vou falar muito da história, pra não estragar as surpresas. Digo apenas que o filme é um ótimo exemplo de como efeitos especiais não fazem falta, desde que tenhamos bons atores em cena. Apenas 4 pessoas participam das ações, na maior parte do tempo dentro de uma sala. O longa se fundamenta nos diálogos e na força dos atores - Christoph Waltz, Kate Winslet (pais do garoto que agrediu) , John C. Reilly e Jodie Foster (pais do garoto que quebrou dois dentes). Todos estão muito bem, mesmo. Não consigo pensar em algo pra falar mal da atuação de nenhum deles. E meu preferido, Christoph Waltz, enfim... nem tenho o que falar, ele é genial sempre. Ponto também para Polanski.

Os conflitos acontecem pela diferença entre as pessoas na sala - e pelas semelhanças, mesmo que momentâneas. Há momentos de ataque e cumplicidade entre todos eles. E os telefones são um 5º personagem, importantíssimo por sinal: Allan, (Waltz) não para de falar no celular; Michael (Reilly) recebe diversas ligações da mãe. Os telefonemas ajudam a contar o tempo, e sempre interrompem momentos importantes, e irritam primeiro Nancy (Winslet), depois Penelope (Foster) e por fim todos os espectadores. Sério. Me deu vontade de pular na tela e desligar aquele maldito celular.


Poderia dizer que é um filme pra rir e pensar. E ele é - mas não só sobre a vida. Ele nos deixou rindo e pensando sobre cinema. Fazia bastante tempo que eu não saí de uma sessão e conversava por tantos minutos sobre o filme, e a maneira como ele foi feito. É por filmes como esse que eu acredito no cinema, e principalmente que 3D não é tudo. Não há efeito especial no mundo que substitua a sensação de ver aquelas 4 pessoas em cena. Até os exageros são na medida, fazem sentido com o perfil dos personagens. Bem, eu gostei demais. Cínico, verdadeiro e sarcástico. Meu tipo de filme =).

PS: E não, não vou colocar o trailer, ele dá informações demais. Vão assistir "no escuro", será bem mais divertido.

domingo, 8 de julho de 2012

Felicidade rima com saudade


(As pessoas crescem, ficam adultas. E seguem suas vidas)

Essa semana eu tive de novo umas saudades insuportáveis, que queriam transbordar dos meus olhos. Chegaram bem perto disso, mas eu as contive, estava no trabalho. Depois vi pessoas, me diverti e esqueci um pouco das lágrimas.

Dia seguinte, conversei com outras pessoas. Recebi notícias, e fiquei feliz. E aí bateu a tristeza de não fazer mais parte do dia a dia de uma pessoa. De não vê-la sempre, de não saber sempre o que tem acontecido. E vem a percepção novamente de como as coisas mudaram. Eu sei, é idiota, completamente idiota. Mas, assim que saí do facebook, minhas saudades conseguiram vencer a barreira e transbordar, com uma mistura de sentimentos - estava feliz e triste. Feliz porque as pessoas crescem, e seguem suas vidas. E triste pela saudade do que passou.

Não me sinto culpada por essa tristeza dessa vez. É só uma puta saudade, de gente e de tempos. Um sentimento de perda sem o menor sentido, como sempre acontece comigo. Estou feliz e deprimida, vejam se pode. E não há nada que ninguém possa fazer, nem eu nem absolutamente ninguém. E, se houvesse algo que alguém pudesse fazer, eu não ia querer que fosse feito. As coisas estão certas como estão, sabe? Não quero que nada mude.

E eu estou exagerando, como sempre. Espero não chatear ninguém com esse texto. Só precisava desabafar mesmo. Bem, fecho esse texto aqui. Chega de transbordar.

Irmãozinho, eu te amo e estou feliz demais por você e pela cunhada. Não entenda errado... quer dizer, sei que você não vai entender errado. Sei que moro no seu coração, que sou sua irmãozinha mais velha e que você sempre vai se importar. E sei que você vai ser feliz demais. E não poderia desejar outra coisa pra você. Beijos gigantes e abraços mais apertados do mundo =D.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

História

Poema antigo, dolorido. Como todos os meus poeminhas

De repente ela se viu só.
Janela fechada, 4 paredes, luz apagada, cobertas.
Não descobriu como não se importar, e dormir sem mais.
Não sabe como abandonar.

Só um momento...; e os poucos graus pesam.
Tira os óculos para não ver de longe.
Não vê e nada fala. Só ouve
ruídos que já lhe disseram tanto.

Outro dia, outro tempo, todos à mesma altura.
Até que algo veio, ficou,
mas não trouxe calor.
Não há calor ali.

Diz-se que a história é contada pelos vencedores.
Não, não. Ela é contada por sobre os perdedores.
Que escutam e atentos esperam
não tendo escolha a não ser olhar pra cima.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Eu e a repercussão

Eu era feminista ferrenha quando era mais nova. Ou pelo menos achava que era. Hoje tenho mais senso crítico do que é ou não machismo, e talvez hoje seja uma feminista melhor. Porém, não sou radical - não vou deixar de falar com um cara porque ele contou uma piada de loira ou de mulher burra, sei lá. Aliás, um dos meus maiores problemas com o feminismo é saber se devo ou não reclamar de uma piada. Defendo a liberdade de humor, desde que não seja gratuito, com o intuito apenas de ofender. E isso vale pras outras piadas ofensivas também, contra gays, judeus, nordestinos. Piada pode até ser ofensiva, mas para isso tem que ser boa, muito boa. E a linha que separa uma piada do puro preconceito é tão tênue...

Quando era mais nova, ouvia várias vezes que eu não deveria ser feminista, e sim feminina. E, bem, não me considero "não feminina", só não sou mulherzinha - não acho o maior barato passar horas dentro de uma loja de cosméticos, não saio correndo atrás das últimas novidades para me embelezar, não uso maquiagem quase nunca, não curto muito usar rosa. E não quero julgar quem o faz, apesar de isso ser difícil às vezes, eu admito. Tenho meus preconceitos, e luto contra eles.

Falo isso porque meu último post foi bastante feminista, e causou desconforto em algumas pessoas. Sim, eu percebo o desconforto mesmo que vocês, amig@s, não falem nada. Conheço vocês o suficiente para isso. É curioso como sempre que eu contei essa minha história pra alguém tive as mais variadas reações - teve gente se colocou no lugar do cara, dizendo que ele deve ter sofrido por gostar de alguém e não ser correspondido; gente que achou que isso era bobagem, a não ser pela parte que o cara me assustou; gente que se sentiu atingido pessoalmente, como se eu dissesse que todos os homens são estupradores em potencial, e que eu sou uma exceção feliz à regra.

Então, eu me sinto mesmo uma exceção à regra, mas não dessa forma. Veja bem - uma cara de 25 anos se sentir atraído por uma menina de 13 anos magrela (nunca tive corpo de mulherão, nem essa "desculpa" ele tinha) não é exatamente normal ou recomendável. E eu acho que não é segredo o que acontece, na maioria das vezes, quando um adulto se interessa por uma criança a qual ele tem acesso.

Mas o que eu mais mexeu comigo foi o depoimento da menina que foi estuprada num assalto. Eu li e fiquei uns minutos sem saber o que responder. Quando eu fui assaltada pelas "spice girls" (eram 5  meninas, hehe), me senti sem chão, frágil e desprotegida, fiquei muito mal. E elas só tinham levado meu celular e meu bilhete único. Eu imagino como ficaria se tivesse passado por um terço do que ela passou. Minha vontade era de abraçá-la, e eu não posso porque continuo sem saber que ela é. Esse é um direito dela, continuar anônima, e eu vou respeitar.

Conversando com um amigo sobre isso, eu vi que me expus um pouco. Porém eu acho que foi válido. Não sei se a opinião de vocês sobre minha pessoa vai mudar, ou mudou. Sei apenas que escrevi, vocês leram e opinaram. Não sou melhor ou pior por conta do que aconteceu ou deixou de acontecer. Mas estou bem, minha vida continuou, e cá estou eu. Hoje em dia consigo até brincar com essa situação.

A todos vocês que me leram, sabem que eu falei a sério e não para me fazer de vítima, se solidarizaram comigo, ficaram preocupados, quiseram me abraçar e me perguntar se eu estava bem, obrigada. Vocês são demais! Como já disse a Hita, eu tenho os melhores amigos do mundo =D, aqui e em Santos.

O agradecimento é também a vocês que se incomodaram. Eu acredito que vocês me conhecem o suficiente pra saber que eu não quero criar polêmica por criar. E peço que pensem no seu incômodo. Por que ele aconteceu? Pensem no que isso significa, porque isso pode dizer algo sobre vocês, e algo que talvez vocês precisem ou queiram mudar.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vadias, Xuxa e uma situação meio complicada pra mim, ainda hoje

A marcha das vadias e a luta contra a sociedade que nos diz para não sermos estupradas, ao invés de dizer aos homens que não estuprem. Essa é uma bandeira que eu abracei sem pensar muito. Afinal, parece bem claro que essa é a atitude correta, não? A marcha aconteceu, eu não pude ir, mas deixei registrado meu apoio e tal. E tive que ouvir de uma pessoa da família "Mas, Amanda, então você é vadia agora?". Pois é, sou.

Há 2 semanas a Xuxa deu um entrevista polêmica, no Fantástico. A entrevista virou comoção nacional, gente defendendo e atacando a Globo e a Xuxa, não se falava de outra coisa. Eu não vi a netrevista, e preferi esperar pra dar minha opinião. E aí li esse post da Lola, que é extremamente sincero e solidário, e acho que ninguém falou melhor desse assunto. E como eu não vou falar melhor, indico a vocês, hehe.

Acontece que isso acabou me fazendo pensar na sorte que eu tive. Quando eu era bem mais nova, por volta de 13 anos, um primo bem mais velho se declarou apaixonado por mim. Entendam bem o que eu vou dizer: isso foi assustador, totalmente assustador, porque ele morava na minha casa. Ele dormia há alguns metros de mim. E ele era grande o suficiente para conseguir me imobilizar facilmente, até porque eu sempre fui magrinha.

Essa história ninguém na minha família tem a menor idéia de que tenha acontecido. A verdade é que eu tive muita, muita sorte, porque ele não era o tipo de cara que estupra, ou força alguma coisa. Era só uma pessoa que achava estar apaixonado (ou estava mesmo, sei lá) por mim. Mas eu morri de medo, mesmo. Eu era criança de tudo, nunca tinha ficado, nem tinha me apaixonado.


Não foi fácil assimilar a informação. Ele pediu desculpas, falou que era pra eu esquecer isso, que nunca ia forçar nada. E eu ali, ouvindo, apavorada e confusa. Fiquei muitos, muitos anos sem ter coragem de contar isso pra ninguém. Tive medo de falar com meus pais, até porque, afinal, nada havia acontecido. E tive medo de ser vista como culpada, medo do que a minha famíla (grande pra cacete e cheia de fofoqueir@s) ia falar. Sério, eu achei que a culpa era minha, que eu deveria ter sido menos legal com ele, que deveria ter ficado mais quieta.

Eu e ele éramos amigos, conversámos muito. Tudo acabou nesse dia - eu não conseguia mais tratá-lo normalmente, e passei a ser extremamente ríspida com ele, pra fazer ele se afastar. Todo mundo percebeu a mudança, claro, entretanto eu não expliquei nada.

A revelação foi feita antes do almoço de natal, e eu lembro que perdi a fome. Lembro também de um dia, o mais aterrorizante de todos - eu acordei no meio da noite e vi ele olhando pra mim, perto da minha cama. Lembro do medo, e de como eu quase gritei, mas ele foi embora e nada fez.

Eu sei que isso me causou um trauma, que podia ser muito maior. Eu sempre fui tímida, magrinha, nunca fui "a garota que se desenvolveu antes". Sempre me achei feia, esquisita. Depois disso, eu tive mais vergonha ainda de mim. Usava umas roupas muito folgadas, me escondia, não quis saber de chegar perto de meninos até pelo menos os 16 anos.

O que eu quero dizer com isso é - se eu, que não sofri nada além do susto e do pequeno trauma, tenho problemas até hoje pra falar disso (consegui falar apenas com amigos, muitos anos depois, e a minha família não faz ideia), imaginem para vítimas de estupro? Imagine uma pessoa pública? Imagine qualquer pessoa?

Acho que, ao inves de demonizar um depoimento desses, devemos apoiá-lo. Não importam as circunstâncias. E digo mais - essa é, provavelmente, a única situação em que eu sou parcial de verdade. Estarei sempre propensa a acreditar se alguém disser que foi estuprad@, até que se prove o contrário. Novamente, não importam as circunstâncias. Transar com uma mulher desacordada é estupro, mesmo que ela seja sua namorada, mesmo que ela tenha trocado carícias com você instantes antes. Se ela mudou de ideia e você não, também é estupro. Não somos obrigadas a transar porque achamos você bonitinho. Se ela não consentiu, É estupro, e ponto final.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

E aí, beleza?

Me apercebi (esse verbo é tão engraçado e regionalista, hehe) que não tenho vindo aqui falar do que anda acontecendo. Não sei se é falta de tempo, ou de paciência, ou medo de falar. Enfim...

O italiano é um língua linda, mas tem um motivo pra ela ser a do Inferno de Dante. Eu tô amando aprender e odiando ao mesmo tempo. Ô saco, é terrível não saber se virar numa língua! Me sinto analfabeta... e sou, hahaha, uma analfabeta lutando pra aprender a usar as malditas consoantes dobradas.

Eu nem falei do show do Foo Fighters, falei? E, meu, faz muito tempo já. Foi o melhor show da vida (porque dos Titãs eu não posso considerar mais, ou nunca terei outra banda nesse posto). Foi uma delícia de show, eu pulei tanto, mas tanto, que fiquei com dores no corpo todo, com ênfase no todo, durante 2 dias. E eu chorei em duas músicas - My Hero e Best Of You. Aliás, decidi que uma frase de Best Of You será tatuada em mim também (além de Beatles e Coldplay). Tenho que parar com os planos de tatuagem e partir pra ação.

Quase fui parar na rua. Sério, corri risco de não ter onde morar... claro que eu sei que não ia pra debaixo da ponte, alguém ia me abrigar por uns tempos e tal. Mas não era uma boa idéia. Por isso procurei e, com a ajuda de vários amigos, achei um colega de quarto. É legal ver que as pessoas se mobilizam por você quando você tá meio desesperada. Grazie a tutti!

Minha vida vai indo. Muitos amigos em São Paulo, os de sempre em Santos, e eu continuo dividida entre as duas cidades. Nunca estou inteira - sempre um pedaço de mim em cada lugar. Gosto tanto das pessoas! Semana que vem passarei um fds aqui. Pensar que passei uns 2 anos sem praticamente nunca ficar aqui em SP.  Se isso mudou é culpa das pessoas de agora =D.

Quero ainda muita coisa, mas antes de tudo quero que o semestre termine, hahaha. E continuo com medo, e deprimindo, e me levantando. Tudo como a vida costuma ser. Nada de novo debaixo do sol.



PS: a qualidade não tá das melhores, mas a música vale muito.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Old College

Tava esperando vir aqui pra falar sobre os vários filmes que tenho visto (finalmente vi Pulp Fiction há pouco mais de 2 semanas), mas fui acometida por assunto mais tomador da minha atenção. Hoje, depois de bastante tempo, tive de novo fortes saudades do jornalismo. Saudades grandes, que tiraram minha atenção dos papos normais, me deixaram meio quieta, pensando. Um amigo estranhou, e eu respondi que era "sensação de domingo". Mas, em seguida, pensei melhor e vi que não era isso - era saudade de ser jornalista.

Deve fazer mais de 3 anos que eu não escrevo uma matéria. Isso é tão estranho, sabe? Eu não saí do jornalismo por não gostar dele, ou por ter me desiludido. Saí porque não encontrei espaço para fazer o que eu quero fazer, que é escrever. Eu ainda sou apaixonada por jornalismo, por ler jornal impresso, por ler revistas. Sei também que não perdi totalmente a mão - uma das minhas lições de casa no italiano foi escrever uma resenha de um livro, como se eu fosse jornalista, o que me divertiu! Apenas não estou jornalista - não sei se um dia voltarei a estar.

Eu escolhi ser jornalista, entrei e saí do curso pensando em fazer a mesma coisa (escrever), porém a vida não entende romantismos e nem todo mundo dá sorte de fazer o que mais gosta. Fui parar em assessorias terríveis, ficava ligando pra redações de jornais pra vender matérias que não são e nunca serão notícias. Cansei de brigar com o mundo, e resolvi mudar de rumo. Não me arrependo. Só tenho saudades enooooormes de fazer matérias, escrever histórias de pessoas, me emocionar e indignar, ajudar a consertar a realidade, ou pelo menos dar uma voz, mesmo que momentaneamente, a quem não tem voz nunca.

Ontem estava numa mesa com amigos da faculdade. Era o retrato do nosso curso - éramos 5 pessoas, só uma delas (meu namorado) trabalhando com jornalismo. Se eu for olhar para meus amigos da UniSantos, quase ninguém está em jornais ou revistas, ou sites de notícia. A maioria foi parar em assessorias. Alguns gostam, alguns somente aturam trabalhar nelas. Eu não consigo nem uma coisa nem a outra.

Bem, sei lá, não sei  que quis dizer com tudo isso. São só pensamentos traduzidos para essa telinha com fundo preto. Tenho saudades de ser jornalista. Saudades do "Baixada Online", das matérias no Dique da Vila Gilda, da matéria sobre mulheres vítimas de violência doméstica, dos perfis que eu fiz, das sessões de fotos, das matérias durante a corrida presidencial que o Alckmin perdeu, do meu TCC. De vez em quando dói um pouco. Hoje tá doendo bem mais...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Apego

E aí, from nowhere, aparece o velho sentimento novamente. Já tava estranhando, cerca de 3 meses sem aparecer, hehe. Eu me apego a coisas e pessoas, e aproveito como se não houvesse amanhã, torcendo para que ele haja. E quando preciso me desapegar um pouco, dói. Não é dor "fim do mundo", é uma dor tão, tão, tão bem conhecida, mas com a qual eu não sei lidar. Nunca vou aprender, pelo que parece.

E aí vem na minha cabeça todas as vezes que isso aconteceu. Todos os filmes passam novamente, e eu vejo que cometo sempre os mesmos atos, sabendo o que vem em seguida e não me importando. E dá uma vontade maluca de sair correndo e encontrar apenas duas pessoas nesse mundo, que não vou falar quem são. Se essas pessoas lerem isso, saberão que estou falando delas. Uma eu vou ver em breve. A outra eu não sei, mas, ah, como eu queria!

E aí, quem se importa? Eu sei que muita gente lendo isso aqui vai se preocupar, falar que estão aqui pra mim. Eu sei disso, e é isso que em parte me mantém em pé, conseguindo viver, me faz sair de casa, enfrentar mais um dia. Mas tem uma coisa que vocês terão que entender - quando estou assim, preciso ouvir esse tipo de coisa, sim, e preciso que vocês me deem atenção. Mas saibam que eu só vou sair disso sozinha, por mim mesma. Por mais apoio que eu tenha (eu tenho, graças a vocês), só eu sei como me curar disso, ao menos temporariamente.

E aí eu fico curtindo meus próprios velórios. Acredito em chorar bem o defunto. A questão é que ainda não há defunto - como sempre, sofro por antecipação. Tudo bem, estou encarando como uma preparação. Afinal, isso de sofrer antes é nada além de tentar sofrer menos quando for preciso, estar mais anestesiada.

E aí que não vai adiantar vir me perguntar o que está acontecendo. Não vou dizer. Apenas se aproximem e me façam cafuné na cabeça, se puderem. Me deem abraços fortes, digam que vai ficar tudo bem. Só isso. E, por favor, não me perguntem nada.

"Mas não me diga isso, não me dê atenção, e obrigado por pensar em mim"

quinta-feira, 29 de março de 2012

31 de Março

Mais um post de aniversário. Porque essa época sempre chega com uma vontade gigante minha de refletir, e repassar o que aconteceu, pelo menos na minha cabeça. E nesses últimos 364 (ano bissexto ainda incompleto) dias aconteceu tanta, mas tanta coisa que parecem ter se passado 5 anos, pelo menos.

Conheci muitas pessoas que me mudaram, e mudam, até agora. Engrenei no curso de Letras, passei no meu "carino" Italiano, saí de um emprego, fiquei de férias forçadas por um tempo, entrei no emprego novo, conheci mais pessoas. Tive um problema meio sério, que não vem ao caso (e do qual eu NÃO vou comentar mais que isso), vi pessoas, fui madrinha de casamento, recebi amigos de volta, tive saudades tremendas (ainda tenho), amei tanta gente, chorei um pouco, ri muito mais.

Vi muitos filmes, conversei, andei por lugares que nunca tinha ido em São Paulo e na USP (só passei a saber andar na USP esse ano), dormi em mais lugares diferentes do que me lembro agora, entrei em grupos diferentes, comecei a jogar RPG. Lutei contra uma greve na faculdade, e contra a PM no Campus. Não quero me definir por um lado, ainda prefiro, como disse um amigo, ir para frente ao invés da direita ou da esquerda. Mas sou um ser político, não tem jeito.

Muitas novidades, e elas continuam. Essa é a parte boa de envelhecer - sempre há algo novo, sempre! Mesmo que não pareça. A gente nunca é o mesmo, e a vida e as pessoas em volta nos mudam o tempo todo. Este ano, mais do que nunca, mudei. Apesar disso, continuo a mesma... e assim seja.

Todo mundo aí - Obrigada!!! =D

PS: não consigo incorporar o vídeo (saco). Vejam aí, é mó legal, e eu queria muito ter ido nessa festa:
http://www.youtube.com/watch?v=jHLCwc-4l3U

segunda-feira, 5 de março de 2012

"O Artista" ou "Porque eu gosto de ver filmes no cinema"


Vi "O Artista", o filme com 5 Oscars deste ano e que ganhou quase tudo em todas as premiações. Sempre fico com o pé atrás com filmes muito aclamados, mas achei a idéia do longa tão boa que fui instigada a vê-lo na telona. E essa é a melhor forma de vê-lo, a que mais combina, a que deve ser utilizada.

Eu pensei em como classificar o filme, antes de qualquer coisa. Não posso dizer que é um drama... chamaria de comédia, mas não sei se dá pra usar esse termo - comédia logo nos lembra qualquer filme mais ruinzinho. Posso dizer que é um filme inovador? Não. Posso dizer que está à frente de seu tempo? Não. Posso dizer que é saudosista? Não. Retrógado? Não. Antigo? Não. Ok, o que eu posso dizer, então?



"O Artista" é ótimo. De verdade. Um filme que sabe te fazer rir, te fazer pensar. Você torce pro mocinho e pra mocinha. Se diverte com o cãozinho e seus truques. E não sente falta das falas.

Esse longa proporciona uma experiência nova, que é bem velha: o cinema sem fala, preto e branco. No início, é estranho não ouvir as palavras ditas, e ter que se acostumar a não ter todas as falas transportadas para aquelas telas com o texto. A trilha vai dando o tom das conversas, as personagens interagem, você assiste, não ouve... e entende.



A sessão que eu fui fez coro ao filme - silêncio total. Devo admitir que eu quebrei esse acordo algumas pouquíssimas vezes, mas bem baixinho, não incomodei ninguém (juro). Porém, o tempo quase todo fez-se silêncio na sala, entrecortado pelas risadas e reações das pessoas. Foi curioso - não tínhamos coragem de falar, ninguém atendeu celular, nem mandou mensagem. Todos de olho na tela.

Não vou contar a história d'O Artista, muito bem retratada no longa, por sinal. Dava pra ver o cuidado que os diretores tiveram com as cenas, os atores, os cortes de câmera. Aliás, os atores foram um show à parte - a moça que faz Peppy Miller é muito boa! Mas isso nem é o mais importante: o melhor é a experiência de passar algumas horas num passado que nenhum de nós conheceu no cinema.


E aqui entra a 2ª parte do título - eu realmente acredito em ver filmes com a atmosfera do cinema. Sentar-se na cadeira, recostar, olhar para a telona à sua frente, ouvir o projetor funcionar (sim, eu sentei bem embaixo da sala de projeção e dava para ouvir o projetor!). Pode ser que daqui há algum tempo essa experi~encia seja extinta. Será uma pena se acontecer; torço para que não. Enquanto puder, vou ao cinema!

E a parte mais estranha de todas foi depois da sessão: saindo da sala, depois de um par de horas quase no silêncio, voltamos ao nosso mundo barulhento. Shopping, pessoas falando, bandinha tocando música do Jota Quest (pois é) em uma lanchonete. Foi ensurdecedor voltar ao mundo dos sons em abundância.

PS: Não vou colocar o trailer. Ele dá informações que eu acho que ficam melhores se vocês virem durante o filme.
PS2: Eu fiquei com vontade de usar aqueles vestidinhos de mulheres dos anos 20. Sério, eu daria uma boa mocinha dessa época, com meu cabelo e minha boina. Hehe.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Carnaval

Ando meio sumida daqui, mesmo. Porque não sei o que quero dizer agora. Tive medo de pensar em algumas coisas, de agir de algumas formas. Nada está perfeito, nada mesmo. Mas estou levando.

Ando preocupada com meu futuro próximo - a crise financeira chegou bem chegada, e não sei o que vou ter que fazer para continuar com a minha vida aqui em SP. Preciso arranjar um jeito de arranjar mais dinheiro, ou diminuir despesas. Procurar outro lugar pra morar, talvez. Difícil.

Não ando com os sentimentos confusos, ando é com sentimentos demais. E às vezes me sinto mal por isso. Não, não vou explicar mais do que isso, desculpe.

Ando meio estranha. Mas pelo menos ando.

E é carnaval, até a quarta-feira de cinzas.



Minha carne é de carnaval
Meu coração é igual
Minha carne é de carnaval
Meu coração é igual

Aqueles que tem uma seta
e quatro letras de amor
Por isso onde quer que eu ande, em qualquer pedaço eu faço
Um campo grande, um campo grande
Um campo grande ê
Um campo grande eba


Eu não marco touca
Eu viro touca, eu viro moita
Eu não marco touca
Eu viro touca, eu moita

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Eita

E eu tô sem escrever aqui há mais de um mês? Que absurdo! É isso que dá ter tempo demais... você não consegue fazer nada, hahaha.

Esses últimos tempos tem sido de ver pessoas. É curioso como eu preciso de outras pessoas por perto, quase sempre, quase todo tempo. Pelo menos tenho tido muito boas companhias.

Passei um tempo sem crises de solidão, o que é sensacional e libertador. E aí tive uma recaída ontem, pra me lembrar que eu ainda sou eu. Tenho algumas resoluções de ano novo pra cumprir - uma que estou certa que não conseguirei e outra que precisa se ancorar na minha coragem e dinheiro: vou fazer minha tatuagem esse ano! Está resolvido!

Por ora, passo tempo, corto o cabelo, escrevo bobagens, me apego a novas pessoas, leio poemas, ouço músicas, leio blogs, me manifesto de forma inútil, durmo em locais diferentes, ou nem durmo. Estou bem. O coração às vezes aperta de saudade de alguns, e de outros, novos e velhos. E a vida segue.

Uma musiquinha que embala esta tarde cinza em São Paulo: