Vi "O Artista", o filme com 5 Oscars deste ano e que ganhou quase tudo em todas as premiações. Sempre fico com o pé atrás com filmes muito aclamados, mas achei a idéia do longa tão boa que fui instigada a vê-lo na telona. E essa é a melhor forma de vê-lo, a que mais combina, a que deve ser utilizada.
Eu pensei em como classificar o filme, antes de qualquer coisa. Não posso dizer que é um drama... chamaria de comédia, mas não sei se dá pra usar esse termo - comédia logo nos lembra qualquer filme mais ruinzinho. Posso dizer que é um filme inovador? Não. Posso dizer que está à frente de seu tempo? Não. Posso dizer que é saudosista? Não. Retrógado? Não. Antigo? Não. Ok, o que eu posso dizer, então?
"O Artista" é ótimo. De verdade. Um filme que sabe te fazer rir, te fazer pensar. Você torce pro mocinho e pra mocinha. Se diverte com o cãozinho e seus truques. E não sente falta das falas.
Esse longa proporciona uma experiência nova, que é bem velha: o cinema sem fala, preto e branco. No início, é estranho não ouvir as palavras ditas, e ter que se acostumar a não ter todas as falas transportadas para aquelas telas com o texto. A trilha vai dando o tom das conversas, as personagens interagem, você assiste, não ouve... e entende.
A sessão que eu fui fez coro ao filme - silêncio total. Devo admitir que eu quebrei esse acordo algumas pouquíssimas vezes, mas bem baixinho, não incomodei ninguém (juro). Porém, o tempo quase todo fez-se silêncio na sala, entrecortado pelas risadas e reações das pessoas. Foi curioso - não tínhamos coragem de falar, ninguém atendeu celular, nem mandou mensagem. Todos de olho na tela.
Não vou contar a história d'O Artista, muito bem retratada no longa, por sinal. Dava pra ver o cuidado que os diretores tiveram com as cenas, os atores, os cortes de câmera. Aliás, os atores foram um show à parte - a moça que faz Peppy Miller é muito boa! Mas isso nem é o mais importante: o melhor é a experiência de passar algumas horas num passado que nenhum de nós conheceu no cinema.
E aqui entra a 2ª parte do título - eu realmente acredito em ver filmes com a atmosfera do cinema. Sentar-se na cadeira, recostar, olhar para a telona à sua frente, ouvir o projetor funcionar (sim, eu sentei bem embaixo da sala de projeção e dava para ouvir o projetor!). Pode ser que daqui há algum tempo essa experi~encia seja extinta. Será uma pena se acontecer; torço para que não. Enquanto puder, vou ao cinema!
E a parte mais estranha de todas foi depois da sessão: saindo da sala, depois de um par de horas quase no silêncio, voltamos ao nosso mundo barulhento. Shopping, pessoas falando, bandinha tocando música do Jota Quest (pois é) em uma lanchonete. Foi ensurdecedor voltar ao mundo dos sons em abundância.
PS: Não vou colocar o trailer. Ele dá informações que eu acho que ficam melhores se vocês virem durante o filme.
PS2: Eu fiquei com vontade de usar aqueles vestidinhos de mulheres dos anos 20. Sério, eu daria uma boa mocinha dessa época, com meu cabelo e minha boina. Hehe.
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