domingo, 11 de dezembro de 2011

Uma semana em Buenos Aires

Não sei se vou escrever mais de um post sobre o país, hahahah. Tem tanta ccoisa que eu queria falar sobre o lugar, nem sei bem por onde começar. Então, começo do início:

Fomos para lá, Bruno e eu, no sábado de madrugada, depois de uma noite sem dormir em companhia de amigos, hehe. Por isso, dormi muito no avião. E acordei em solo argentino com muita dor nas costas (não voem Gol se puderem evitar... só uma dica). E, surpresa: estávamos em outro aeroporto, não o de Ezeiza, como estava marcado na passagem. Sério, hahahha. Ainda bem que era até mais perto do hotel, na cidade de Buenos Aires, então não deu problema. Mas o melhor é que ninguém avisou de nada quando pegamos o avião no Brasil. Sensacional (de novo, não vão de Gol se puderem evitar).

Cansada como tava, nas primeiras horas por lá só dormi. Depois, fomos explorar a cidade. Ah, tão legal andar pelas ruas de lá... Era pra isso mesmo que eu queria voltar, para andar, ver as ruas, as pichações nas paredes, os anúncios, os outdoors. Respirar bem Buenos Aires, olhar bem de perto, enxergar os defeitos. Tão bom!

Era final de semana de fim de campeonatos: brasileiro e argentino. No Brasil, Corinthians campeão domingo à tarde. Na Argentina, Boca Juniors. Dois times que não me afetam. Mas admito que me diverti horrores vendo a final do Boca numa pizzaria, rodeada de torcedores. Engraçado demaaaaais. A parte chata é não ter entendido quase nada dos hinos de torcida, além dos "campeones otra vez" e alguns palavrões, hahaha. Festa na "Praça da Independência" deles, o Obelisco - e conhecemos um uruguaio e sua família.

Aliás, conhecemos várias pessoas legais - o uruguaio, com esposa argentina; taxistas mais loucos que o Bozo, entre eles um argentino que deu aula de política e outro que deu aula de relacionamentos; uma cantora lírica soprano costa riquenha; sem contar as pessoas na rua, nas  lojas, até na farmácia, que começavam a conversar quando viam que éramos brasilieros.

O Brasil, pelo que deu pra ver, é muito querido por lá. Nos jornais, todos os dias tinha alguma notícia falando de nós: a presidente, a morte do Sócrates, a queda de mais um ministro, o futebol, alguma comparação entre os dois países. Qualquer coisa é motivo pra citar o Brasil, e quase sempre com carinho, elogios. Surpreendente.

Fui no cinema, na ópera, no café Tortoni, na feira de San Telmo, no Caminito, exposição de fotos de rock, vi tango... Nossa, muita coisa! Dei risada até em Carrefour - sim, visitei um supermercado de fora do país pela primeira vez, hehe. E vi franceses saindo de um Carrefour, o que eu achei meio... nacionalista =).

Falando em nacionalismo... tenho que voltar a falar da política argentina, mas depois. Ela merece um post à parte.

Muito divertida a viagem... sério, que cidade linda, com gente tão buena, hermosa. E meu portunhol foi elogiado, olhem só! Não que eu confie nele, enfim, eu sei falar português e inglês (não que o inglês seja perfeito também, veja bem). Mas consegui me entender bem com as pessoas, e, no final da viagem, me peguei pensando em espanhol! Me dá mais 1 mês lá que eu volto portenha, hahahaha.

A política... é meio complexa, mas eu consegui entender bem. Voltarei a ela depois. Aguardem o próximo capítulo =D.




quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Democracia?

Democracia: substantivo feminino
Rubrica: política.
1 - governo em que o povo exerce a soberania
2 - sistema político em que os cidadãos elegem os seus dirigentes por meio de eleições periódicas
3 -  regime em que há liberdade de associação e de expressão e no qual não existem distinções ou privilégios de classe hereditários ou arbitrários
4 - Derivação: por extensão de sentido: país em que prevalece um governo democrático

Democratizar: verbo transitivo direto e pronominal
1 - conduzir (algo, alguém ou a si mesmo) à democracia; tornar(-se) democrata
2 - tornar(-se) popular; colocar(-se) ao alcance do povo, da maioria da população
(fonte: dicionário Houaiss)

Me sinto ludibriada hoje. Enganada por uma farsa mal encenada de uma porção de pessoas que se dizem maioria. Maioria? Dentre mais de 4 mil alunos, elas são quantas? Quatrocentas, quinhentas pessoas? Nem isso.

Ludibriada por uma falsa democracia, que não ouviu nem metade de quem interessava. Por um grupo de pessoas que pensa ter voz ativa. Por um grupo de pessoas que decidiu por uma greve sem sentido, sem começo, sem final, sem pé nem cabeça. Greve de alunos? E isso servirá para quê? Para conscientizar o governador? Sim, como não... ele vai ficar sensibilizado com os alunos de 5 cursos, e justamente dos cursos tido como de "vagabundos".

Mas me sinto ludibriada principalmente por mim mesma. Eu me enganei, me iludi. Ainda acreditei que existisse alguém com alguma sensatez no movimento estudantil. E que, se não existisse, que os outros, que representam a verdadeira maioria, conseguiriam avançar. Mero engano. Só os de sempre por lá, como é usual. Só os que sempre me afastaram da defesa dessas causas. Só os de sempre. Sempre.

Semana passada a votação para desocupação do prédio da FFLCH me deu esperanças, apesar de ter sido ignorada pelo grupo que invadiu a Reitoria. Sim, porque essas pessoas que agora defendem a "democrática" decisão de greve não respeitaram a mesma democracia uma semana antes. Muita gente estava lá, meus caros. Não adianta dizer que não - vocês sabem que naquele dia perderam, e mesmo assim resolveram montar acampamento na Reitoria.

Eu sou absoluta e totalmente contra a PM no Campus. Vou repetir, em letras garrafais, só pra ficar claro: SOU CONTRA A PM NA USP. Sei perfeitamente que essa não é a solução. Mas greve de alunos? Para quê? Para chamar a atenção de quem?

Todas as lideranças estudantis na Letras estavam a favor da greve, tanto que não havia quem representasse o outro lado. Se não fosse alguns dos nossos, esse lado nem teria sido representado. E para defender a greve, e posteriormente o piquete, havia um sem número de pessoas. Impressionante como o movimento estudantil não muda, nem com o tempo, nem com o lugar, nem com a cidade.

Eu não tenho mais 18 anos, e não descobri que existe política ontem. Eu sou formada em outra faculdade de humanas, jornalismo. Lá também existia movimentação, lá também acontecia ameaça de greve, piquete, mesmo sendo particular. Já vi tudo isso mais de uma vez, já participei de passeata contra aumento de mensalidades, já fui a festas, assembléias... Já vi tudo isso, minha gente. E sabe no que vai dar? Em nada. Daqui a 4, 5, 8 anos que seja, todos vocês do movimento estudantil vão sair da faculdade, e esquecer as causas. Porque É isso que acontece. É EXATAMENTE isso que acontece. Já vi muito revolucionário de cabelo comprido se vender ao primeiro que oferece emprego. Já vi partidários ferrenhos da esquerda e dos partidos de esquerda trabalhando na assessoria de imprensa do PSDB. Já vi esse filme.

Eu continuo me ludibriando, mesmo enquanto escrevo esse texto. Sempre fui partidária de causa impossíveis. Passei as últimas semanas defendendo de quem quer que fosse a causa desses últimos protestos na USP, e sempre deixei claro que a maconha não tem nada a ver com isso. Fui em todas as últimas votações, compartilhei textos, discuti com amigos, me irritei com pessoas que não tem a menor ideia do que se passa na USP e falam bobagem. Andei com o colante contra a homofobia até ele se esgarçar na bolsa. E pra quê? Pra que um grupo de pessoas que NÃO representa a maioria ( e vocês SABEM disso) decidisse que, se eu quiser entrar em aula amanhã, vou ter que passar por um piquete.

Piquete? Que raios de democracia é essa, que me impede de agir como eu quiser, sem infringir leis? Que me impede o ir e vir? Que quer me obrigar a aceitar o desejo da MINORIA? Que espécie de movimento é esse, que vai entrar em guerra com quem quiser fazer o que é seu direito, estudar?

Sem piquete não há greve. Olha só... é mesmo? Mas por que o medo de que as pessoas vão para as aulas?  Não, não respondam, eu sei o motivo - vocês tem medo por saberem que a maioria irá pras aulas, porque é o que a MAIORIA QUER. Não é? Alguém tem coragem de me dizer que não é?

Vocês venceram essa. Ganharam o coração de alguns incautos para a causa. Mas me perderam mais uma vez, e a muitos, também.

Eu vou continuar a me enganar, me ludibriar. Mas essa farsa chamada movimento estudantil não me engana faz tempo. Essa farsa mal encenada, e sem graça. Essa farsa responsável por momentos ridículos e risíveis, como a tentativa de retirada de uma faixa (muito mal feita, por sinal) por alunos no prédio da História, e a corrida desenfreada para evitar a retirada da dita faixa, aos gritos de "é a polícia, é a polícia".

Eu declaro aqui - vou furar essa greve SIM. Quer me comparar à direita, aos PMs, ao raio que o parta? Compare, fique à vontade. Eu vou furar a greve, porque é meu direito também.

Como dizia a tal faixa quase retirada "Democracia de cu é rola"

PS: sim, cu não tem acento... alguém podia aproveitar e corrigir a faixa supracitada.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

USP e PM


Eu tenho perfil de partidária de causas impossíveis. Sempre tive, aliás. Quando entrei em Letras, meus amigos tiraram sarro dizendo que em pouco tempo eu ia virar mais uma "sujinha da FFLCH". Não, não vou entrar no movimento estudantil, já passei da idade e não tenho paciência pra esse povo. Mas tenho opinião, e lá vai ela:

Sou contra a polícia militar no campus. Por mais que pareça absurdo o que eu acabei de escrever, sou contra. Eu fui assaltada, pela primeira vez na vida, este ano, saindo da USP. Do local onde eu fui assaltada dava pra ver a guarita que tem nas saídas, na qual havia um policial. Ele não fez nada, não percebeu nada. Mas até aí tudo bem, a função dele ali não era essa, nem citei isso na delegacia, quando fui fazer o BO e reconhecer as meninas que me assaltaram (mais detalhes aqui). Só que, se a polícia militar fosse impedir algo, o estudante da FEA não teria morrido, afinal a PM estava lá quando tudo aconteceu.


Não confio na polícia. Toda vez que vejo uma viatura, sobretudo da Rota, tenho mais medo que sensação de segurança. Parece absurdo também, né? E é. No entanto, é o que sinto - medo. E aí você se pergunta: mas, Amanda, você faz o que de errado pra ter medo? Nada. Eu não roubo, não fumo, nunca matei ninguém, nem beber eu bebo direito. Mas tenho medo da polícia, porque já vi muita história, até quando trabalhava em produção de telejornal. Já ouvi da boca de um policial que ele matou "muito vagabundo" naquela noite em que o PCC tocou o terror no estado, lembram? Segundo ele, se tava na rua naquele dia, era bandido, tinha que morrer. Foi exatamente isso que ele me disse. E enquanto ouvia isso me lembrei que meu namorado e meu melhor amigo estavam na rua naquele dia, indo pra casa de carro depois de terem levado pessoas com medo em casa. Eles poderiam ter morrido, por serem confundidos com bandidos. Dá pra confiar nessa polícia?


A polícia não está preparada pra lidar com estudantes. Aí você fala: e estudante é uma raça especial de pessoas? Não, somos iguais a todo mundo. Não vou aqui defender direito de ninguém de usar maconha, não joguem isso nas minhas palavras. Nem vou dizer que não tinha que prender os caras - ainda é proibido fumar maconha, está na lei. O problema é o algum abuso de abordagem e o sistema "dois pesos duas medidas". Deu isso tudo porque foi na FFLCH. Por que a PM não vai nas festas da Poli, da Medicina, da FEA e prende que estiver se drogando? Por que a PM não vai atrás de prender quem vendeu também? Ou será que a maconha se materializa, e apenas na FFLCH? E mais - por que a PM não consegue impedir assaltos, estupros, o que for? Talvez porque eles estejam muito preocupados em prender maconheiro? Que prendam, dane-se - contudo resolvam outras coisas mais graves também.

Mas eu falava de despreparo para lidar com estudantes. Pois bem - a polícia pegou os caras. Sério mesmo que ele não conseguiram levar os alunos para a viatura antes que juntasse centenas de pessoas em volta? Sério mesmo? Então quer dizer que os policiais não conseguiram ser rápidos o suficiente para levar 3 rapazes antes de se formar um tumulto generalizado? Ou será que eles acharam que estavam lidando com bandidinho normal, e que qualquer abordagem serviria?


Estudante é povo chato e corporativista. Claro que ia aparecer alguém pra defender, principalmente porque tem muita gente contra a presença policial ali. Mas os pms não pensaram nisso, não sabem com quem estão lidando, uma raça de gente que vai berrar e argumentar até o fim, até mesmo pra ganhar tempo e chamar mais pessoas à causa. E aí, deu no que deu. E eu tive que ouvir de muitos que isso é só um bando de maconheiros querendo o direito de fumar em paz, e que eu, como aluna, deveria ter vergonha.

Eu não fumo nem cigarro. Detesto cheiro de maconha. Estudo e trabalho, me viro para garantir notas razoáveis nos semestres. E não quero a polícia militar no campus. E aí, alguém tem o direito de me chamar de maconheira vagabunda?

domingo, 9 de outubro de 2011

Presente de aniversário

Talvez, em algum lugar... algum canto
Haja dois amigos
Que se amam, como irmãos;
Que sentem falta, saudosos, como irmãos
às vezes sentem;
Porque são parte de um todo, e um do outro.

Entre eles o pequeno se torna grande,
cresce aos poucos.

Talvez, só talvez,
eles vivam inseparáveis, e assim viverão.
Estão parados no tempo.

Olho-os. Conheço seus rostos
congelados em tempo e espaço únicos.
Ali, estão felizes.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O Guardador de Rebanhos parte VIII

Quando me perguntarem se eu acredito em Deus, em Jesus, vou passar esse link:


PS: espero que ninguém se ofenda =)

Num meio dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia
Vi Jesus Cristo descer à terra,
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
.
Tinha fugido do céu,
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras,
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
.
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três,
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz no braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras nos burros,
Rouba as frutas dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas,
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
.
Diz-me muito mal de Deus,
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia,
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que as criou, do que duvido" -
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
mas os seres não cantam nada,
se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres".
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
.
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos a dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
.
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
.
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales,
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos,
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
.
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu no colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
.
Esta é a história do meu Menino Jesus,
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

X & Y - Coldplay

Não tenho o que falar... eles falam tudo.

Trying hard to speak and
Fighting with my weak hand
Driven to distraction
So part of the plan

When something is broken
And you try to fix it
Trying to repair it
Any way you can

I dive in at the deep end
You become my best friend
I wanna love you but I don't know if I can

I know something is broken
and I'm trying to fix it
Trying to repair it anyway I can

You and me are floating on a tidal wave... together
You and me are drifting into outer space... and singing

You and me are floating on a tidal wave... together
You and me are drifting into outer space

You and me are floating on a tidal wave... together
You and me are drifting into outer space... and singing

domingo, 11 de setembro de 2011

Desculpas

Eu devo desculpas a muita gente. Não sei bem por onde começar. É difícil pedir desculpas por ser quem você é, principalmente se você sabe que não vai conseguir mudar muita coisa.

Eu sou uma pessoa estranha. Nem sempre sou legal, nem sempre sei falar com os outros. Peço coisas demais, e, às vezes, se não obtenho o que pedi fico como se o chão tivesse sumido debaixo dos meus pés. E aí me afogo em música, pra tentar calar os gritos aqui dentro.

Sou boa em resolver problemas dos outros, em dar conselhos para os outros. Gostaria de ser boa em ouvir meus próprios conselhos.

Queria ter o poder de dizer muito mais do que estou dizendo aqui. Queria não ser tão dependente de algumas coisinhas, por mais simples que elas sejam. Queria não sentir tanta falta de um sorriso de manhã, de um abraço, seja de amigo(a) novo, amigo(a) velho, irmãozinho(a) ou namorado. Na verdade quero tudo isso de vez em quando... mas tem dias que faz mais falta.

Não sei não ser saudosa. Não quero ser sozinha. Sou meio ruim em pedir desculpas, mas costumo assumir meus erros. Se magoei alguém, se irritei, se deixei alguém com raiva ou culpado, desculpe, foi um erro e não foi por querer.

Mas eu sei que os principais alvos dessa postagem nem vão ler isso aqui... Então, me desculpe também você que leu e não tem nada a ver com isso.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Memorabília


Assisti a dois filmes muito bons no último final de semana. Os dois tratam de assuntos diferentes, são filmes diferentes - um é uma ode à Paris (ah, Paris...), o outro é ficção nerd ao estilo de Goonies. Ou seja, à primeira vista, um não tem nada a ver com o outro. Sim e não - para mim, o grande tema é a saudade, o saudosismo, a nostalgia.

Vou explicar melhor - assisti "Meia Noite em Paris", de Wood Allen, e "Super 8", de J. J. Abrams e Steven Spielberg. Dois filmes que me conquistaram cada um de seu jeito. Começando pelo primeiro, "Meia Noite..." é lindo, lindo, lindo. Já nas primeiras cenas ele nos apresenta a cidade, nos deixa entrar nela, nos quer bem vindos. A história é contada pelas aventuras inesperadas de Gil Pender, escritor de roteiros hollywoodianos que deseja escrever um livro "de verdade", um grande romance.

Ele vai com a noiva e a familia dela para Paris, cidade onde queria ter vivido durante os anos 20, época em que seus heróis da literatura, música e pintura (Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Salvador Dalí, Cole Porter, entre outros) estavam por lá. Ele é um saudosista de uma época que não viveu, um romântico nessa acepção da palavra. Gil está de casamento marcado, e encontram amigos da noiva, Inez, na cidade, com os quais ele não consegue se sentir bem. Começa, então a sair sozinho por Paris, e em uma noite acontece o impossível - ele viaja no tempo, para 1920, para encontrar seus ídolos!



A reconstituição da época e das personalidades é um show à parte, mas não vou entrar muito nesse mérito, para não estragar as cenas. Dou apenas o destaque para Salvador Dalí e os outros surrealistas, engraçadíssimas as cenas com eles. E Ernest Hemingway está sensacional!

No entanto, o principal é mesmo Paris, o palco dessa aventura. A todo momento faz-se uma ode em homenagem a cidade luz, "mais bela sob a chuva". De tal forma que saí do filme totalmente enlevada pela atmosfera captada da tela. A única coisa que conseguia pensar era: "Por que eu não estou em Paris? Por que não largo tudo e vou viver lá, escrever um livro, como também é meu sonho?". O próprio filme dá a resposta a esse anseio, de certa forma - não vou revelar; assista e entenda o motivo.



Agora, "Super 8". Quando era mais nova e tinha tempo pra ficar em casa vendo sessão da tarde, nunca deixava de ver "Os Goonies". Considero o filme um pequeno clássico juvenil, e sei que muitos críticos concordam comigo, hehe. É extremamente divertido ver os sustos e as aventuras daquele grupo de meninos e meninas... e como esquecer o Sloth? Lembranças de infância, que já se apresentava levemente nerd =P.

Pois bem, "Super 8" tem tudo para ser "Os Goonies" de hoje, com umas pitadas de "ET, o Extraterrestre". Conta a história de um grupo de meninos e uma menina, que estão fazendo um filme de zumbis para participar de um concurso. Durante as filmagens de uma das cenas, os garotos presenciam um graaande e muito estranho acidente de trem... e aí começam os problemas para eles e a cidadezinha onde moram.

O longa tem todos os ingredientes: a amizade entre os garotos, a disputa velada pela garota, a coragem, a curiosidade. Já o vejo como um novo clássico, com o perdão da contradição. Deu vontade de ser mais nova, para ter esse filme como referência da minha infância... mas tudo bem, aproveitei muito o filme, mesmo já estando mais velha.

E é justamente aqui que entra a minha comparação entre os dois filmes. Para mim, os longas trazem bem forte o sentimento de saudosismo, memorabília. Em Paris, o personagem é nostálgico, e o público acompanha essa saudade e a entende. Em Super 8, a nostalgia é do diretor, J. J. Abrams, do produtor, Spielberg, e do público. Quem gostou e teve a infância marcada por filmes como "Os Goonies" vai assistir para sentir uma saudade diferente, que se faz ao ver referências na tela. Em Paris, Gil é saudosista, e nos encanta com suas referências. Em Super 8 ficamos encantados com as memorias que o diretor usa, para nos encantar com a nossa própria saudade. Ah, o cinema... thou art a heartless bitch!




quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Argentina

Buenos Aires tem um cheiro específico. Mistura de perfume, empanadas e vinho tinto. Pois é, passei um final de semana falando um portunhol bem ruinzinho e ouvindo um espanhol com sotaque quase impossível de entender, haha. Argentina, nossos vizinhos, tão diferentes de nós.

Primeira viagem de avião e primeira vez fora do país. Eu, Bruno, Marcélia, André, Mayumi e Arthur, soltos no centro de Buenos Aires. Que cidade bonita... e as pessoas foram bem legais com esses mais 6 entre muitos brasileños perdidos por lá. Cheguei na noite de sexta, encantada com o clima de grande metrópole (adoro grandes metrópoles). A defini, mais que rapidamente, antes que alguém tivesse a mesma idéia, como uma mistura de Curitiba e São Paulo. Em alguns momentos me sentia no centro de SP, em outros via as esquinas próximas ao mercado municipal de Curitiba. Muitos outdoors, muitos mesmo! É curioso ver outdoors, uma vez que moro em São paulo e Santos, dois lugares com Lei da Cidade Limpa. Aliás, não gosto dessa lei, mas isso é assunto pra outro post...



Muitas pichações políticas nos muros. Cara, fiquei impressionada como os argentinos são politizados. Sério, certamente eu nunca veria tantas pichações contra ou a favor do governo nos muros do nosso Brasil. Falavam dos desaparecidos políticos, de fome, falavam a favor de Cristina Kirchner, contra, falavam, enfim. É época de eleições nas províncias argentinas (lá a organização das eleições é diferente), por isso em todos os lugares via cartazes de políticos, e em todos os canais de tv passavam comerciais de candidatos.

Fotografei faixas na Plaza de Mayo que pediam resolução de problemas de trabalhadores, pichações na estátua no centro dessa praça que pediam fim de mortes. Queria muito conversar com alguém de lá, que me explicasse toda essa confusão, essa política. Consegui na volta, no avião, conversar com um cidadão de Buenos Aires que viaja pelo mundo, e vê essa efervescência de dentro e também com alguma distância. Mesmo assim, muitas dúvidas permanecem. E uma admiração pelo povo de lá. Ok, são pichações provavelmente motivadas por partidarismo. Ainda assim, não dá para ignorar as diferenças entre nós e eles nesse sentido. Aqui, nem isso a gente vê nas ruas quase, e sobretudo não com a mesma frequência.



Voltando à viagem, mais passeios pelos pontos históricos, Puerto Madero e Caminito se tornando meus preferidos, de longe. Puerto Madero porque é água, haha, não marinha, mas água, e meus finais de semana precisam de cenários aquáticos. E como é bonito o porto e os jardins que o acompanham! O Caminito também é lindinho, muito fofinhas as casas coloridas e os bares e restaurantes com apresentações de tango. Na próxima vez vou reservar uma manhã/tarde inteira só pra ele! Como é em área meio perigosa, não é aconselhável andar por ali à noite... como isso não é impedimento exatamente, talvez eu tente, não sei =P.

Fui na Bombonera, estádio do Boca Juniors, e assisti um jogo no estádio do San Lorenzo, e sim, foram passeios beem legais, porém esses são passeios mais Bruno Rios, hahahaha.


Agora, o ponto alto da viagem - o show de tango no Señor Tango. Não tenho mesmo como descrever o quão maravilhoso foi o show! Não é só a dança, tem teatralidade, tem canto, tem a orquestra ao vivo, tocando a alguns metros de você. Os casais dançam absurdamente bem, os cantores, sobretudo o rapaz, interpretam as canções de um jeito que você sente a letra. O local todo tem uma vibração, uma atmosfera que... não dá pra explicar. Foi totalmente encantador, completely blew me away. Eu chorei. Terrivelmente foda. Nunca a frase do Manuel Bandeira "A única coisa a fazer é tocar um tango argentino" fez tanto sentido.

Na volta, turbulência no avião, mas deu tudo certo, só um friozinho na barriga. Em solo paulistano, a sensação maravilhosa de ouvir pessoas falando em português! Na boa, cansei de ouvir espanhol, queria desesperadamente ouvir minha língua. De tanto falar portunhol, na Argentina e no avião, quando as comissárias de bordo vinham falar comigo eu tinha que pensar durante um tempo antes de falar inglês. Olha isso - era como se eu tivesse que desligar a chave "portunhol" para ligar a chave "inglês" na minha cabeça. Bizarro.

Enfim, Buenos Aires, voltarei a te visitar em breve.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Vergonha heterossexual

Desde quando a maioria estabelecida, com direitos assegurados, precisa lutar por algo? Desde quando o "normal" (entre milhões de aspas, por favor) precisa lutar para se defender do diferente? Sabe desde quando? Desde ontem, em São Paulo, de acordo com os vereadores que aprovaram o Dia do Orgulho Hétero. Pelamordedeus! Vergonha dessa raça, que deveria estar defendendo qualquer coisa mais digna, que deveria se preocupar com tantos problemas dessa grande cidade, e não exercer esse direito a ser heterossexual.

Alguém já foi discriminado por andar de mãos dadas com um namorado de outro sexo? Alguém já apanhou por ser hétero? Algum cara já morreu ou foi perseguido por namorar mulheres? Alguém já viu a decepção no rosto de pessoas por dizer que é hétero? Não. Mas agora alguns se sentem no direito de dizer que, se os gays têm o dia deles, os héteros também devem ter. Afinal, vivemos numa democracia. Tudo em nome da democracia. E de, segundo o vereador Carlos Apolinário, "conscientizar e estimular a população a resguardar a moral e os bons costumes".

Não falarei mais. Deixarei gente muito melhor falar por mim:

Sakamoto / Dimenstein (pois é, concordei até com o Dimenstein) / Inácio Araújo

Mais um link - matéria com nomes dos cidadãos que votaram a favor e contra esse projeto.

Vergonha de verdade. Não vou comemorar esse dia.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

História

De repente ela se viu só.
Janela fechada, 4 paredes, luz apagada, cobertas.
Não descobriu como não se importar, e dormir sem mais.
Não sabe como abandonar.

Só um momento...; e os poucos graus pesam.
Tira os óculos para não ver de longe.
Não vê e nada fala. Só ouve
ruídos que já lhe disseram tanto.

Outro dia, outro tempo, todos à mesma altura.
Até que algo veio, ficou,
mas não trouxe calor.
Não há calor ali.

Diz-se que a história é contada pelos vencedores.
Não, não. Ela é contada por sobre os perdedores.
Que escutam e atentos esperam
não tendo escolha a não ser olhar pra cima.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Lista de supermercado

Pão / leite
requeijão / coragem
sabonete / macarrão
companhia / escova de dente
calma / chocolate
arroz / amor
amizade / conforto
calor / presunto
milho verde / desejo
música / sabão em pó

Em débito.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

♫ And the tears come streaming down your face ♫

Problemão quase resolvido, não ficarei sem eira nem beira, ao que parece. Mas... deveria estar feliz, não estou. Vou ficar ainda mais sozinha, ainda mais fechada, ainda mais pequena, apertada. Não suporto essa solidão terrível que me invade. Não quero mais brincar de ser sozinha. Essa brincadeira não tem a menor graça.

Sim, meus caros, deprimi forte. Danei-me. Quero correr daqui neste instante e ir pro colo de mãe, do namorado, um amigo serviria. Mas quero colo, não telefone ou conversas virtuais. É bastante duro não ter onde se agarrar. Quero cafuné, quero abraço. Não abraço ninguém durante a semana, e isso dói mais do que parece.

Não sei ser de outro jeito, infelizmente. E cansei de tentar mudar, uma vez que não adianta mesmo. Danei-me, sempre danar-me-ei, então dane-se.

Preciso de outra vida, outra alma, outro tudo. Queria ser mais pragmática.

E as aulas já já recomeçam...

Republicando:

"Autenticação

Sou menor. Bem menor do que gostaria de ser
Pequena, um décimo, um átomo.

Parece-me que diminuo com os segundos
E todos são grandes demais para ver

Indesculpavelmente menor,
e, sendo assim, não peço desculpas

O exagero ao contrário é
A pequenez que força enxergar tudo maior

Mas no mundo não há lugar para os pequenos
Não. Tudo há de se mostrar em largo tamanho

Deem-me maioridade, comprovantes, contracheques
Nada vai adiantar, continuo menor.

O que é maior em mim não se pode ver;
Sente-se. O que nasceu do eufemismo?

Mesmo adormecida, ela está aqui, sempre aqui.
E, enquanto estiver, e durar, serei menor. "

sexta-feira, 15 de julho de 2011

(mais ou menos) Novas

Bom, pra começar acho que devo dizer que passei nas matérias, inclusive na qual estava de recuperação, ou exame, como queiram chamar. Não fui muuuuito bem, mas valeu a pena passar um final de semana estudando numa casa de praia em que todo mundo se divertia. So much fun! Ainda tenho boas chances de me formar em italiano, e é isso o que importa!

Por enquanto, a vida segue.

Estas últimas semanas foram estranhas, engraçadas, divertidas e extremamente raivosas. Estava num mau humor incrível ontem, porque tenho um problema grande pra resolver, e preciso começar a resolvê-lo... a questão é que não depende só de mim, então não posso simplesmente colocar um ponto final imediato, e isso me enlouquece! Sério, eu fiquei muito perto de enlouquecer, me descontrolar e pular no pescoço de alguém. Com muito esforço e muito rock pesado, isso foi controlado, está passando.

Conheci muita gente nova nessas férias. Gostei de quem conheci e conversei. Me diverti muito com pessoas que não fariam parte de meu mundo não fosse por um amigo relativamente novo, que eu lutei (ainda luto) pra que não se torne daquela categoria, sabe? Não sei se vai dar certo... Acho que não sei ser de outro jeito, mesmo. Ninguém mandou ser essa depressiva carente, sobretudo carente de amor de amigo. E tem algo melhor que amor de amigo?

Não cito nomes até porque nem sei se alguma dessas novas pessoas vai ler isso aqui, haha. Vergonha master de mostrar essas mal traçadas linhas.

Mas, meus caros mais antigos, não sumam. Preciso muito de vocês.

Eu realmente cansei de brincar de ser adulta... só que estou velha demais pra voltar atrás.

Ontem senti uma falta absurda do mar. Vou à praia esse final de semana, em algum momento, só para olhar bem pra ele e me sentir pequena de novo.

Tenho pensado na perfeição, e acredito mesmo que não quero nem ficar perto de quem seja perfeito. Quero as falhas, os defeitos, o que está errado, mesmo que me doa, e dói. Não espero mais o melhor - me assumo pessimista, o copo está meio vazio.

Perguntei, via facebook, se saudade pode virar outra coisa. Me responderam "arte" e "história". Arte ela já virou mais de uma vez. Não queria que ela virasse história, porém não está nas minhas mãos.

Pra terminar - minha solidão é uma pessoa. A única que sempre me acompanha, a todo momento.

Álvaro de Campos / Fernando Pessoa:

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

domingo, 3 de julho de 2011

TAMTA

Eu não sei fazer música. Mas eu canto, porque acho essencial, e danço, porque isso eu sei fazer. Como é bom, nesses dias estranhos, cantar a plenos pulmões e dançar sem coreografia, amarras, limites, com a dança deve ser. Em cada berço, em cada fosso que essa solidão viscosa, grossa, surja, tento colocar um pouco de música. A música salva - por isso minha relação com ela vai virar 3 tatuagens, assim que tiver dinheiro e coragem pra isso, hehe (se não virar mais, pode ser...).

Tô tentando não acumular mais raiva e rancor, nem que pra isso eu tenha que deixar de ser tão boazinha, samaritana, generosa, filantrópica. Sempre cuido dos problemas dos outros, e essa é uma maneira de fugir dos meus. Não que isso vá mudar de vez, já que é parte integrante do que eu sou, mas tenho por força que cuidar dos meus problemas. Eu vezes Eu, sabe? Eu contra mim, eu a favor de mim. Eu, mínima, múltipla, comum, única e nenhuma. Preciso crescer... dentro de 30 segundos, 15, 10, contagem regressiva.

Quero que saia de mim, e das pessoas de quem eu gosto, tudo que está estagnado. Que seja expelido, exorcizado, vá embora. Se eu pudesse, queria me dividir, me multiplicar, e ter sempre quem eu amo bem e à minha volta...Sei que nem tudo o que é ruim pode sumir, nem o que é bom se manter sempre. Então aproveito este instante em que meu peito bate, retumba, e sigo vivendo. E o mundo segue seu curso. Agora, a chuva evapora lá fora. Agora, não me despedi, falta uma palavra, e não quero ir. Agora sinto a língua em minha boca... mas agora, na verdade, a criança sou eu, dentro dessa selva adulta.

Não falo tanto da minha felicidade. Essas páginas estão sempre mais carregadas de tristeza, porque é aqui que eu a exteriorizo. Não é por não falar em felicidade que eu não goste de felicidade, nem que eu não a sinta. É simplesmente o fato de eu ser mais uma alegre deprê, tenho tendência a me sentir mais nostálgica, saudosa mesmo, que simplesmente alegre. Isso para mim é perfume. Hoje, por exemplo, não estou triste. Mas quem disse que consigo passar isso para essas linhas? Alma de poeta, meus caros.

Sou extremada e contraditória. Quero tudo ao mesmo tempo agora, mas uma coisa de cada vez. Já quis demais algumas coisas, continuo querendo outras. Quero aprender que o fácil é o certo. Porque é mesmo.

Se você está aqui... Obrigado.



Você já tentou varrer a areia da praia?
Já ficou no escuro ouvindo o canto da cigarra?
Já ficou no espelho rindo sozinho da sua cara?

Já dormiu sem ninguém num canto de rodoviária?
Já dormiu com alguém por migalha?
Você já tentou varrer a areia da praia?

Você já tentou varrer a areia da praia?
Já perdeu a hora quando o tempo para?
Já gritou uma palavra até perder a fala?

Já colocou todas as roupas do armário na mala?
A sua casa já desmoronou no meio da sala?
Você já tentou varrer a areia da praia?

Já quis demais alguma coisa já quis alguma coisa já?
Jamais quis alguma coisa já? Já?

Você já tentou varrer a areia da praia?
Já viu sumir a última estrela da madrugada?
Já ficou um dia, um mês, um ano sem fazer nada?

Já colocou todas as roupas do armário na mala?
A sua casa já desmoronou no meio da sala?
Você já tentou varrer a areia da praia?

Jamais quis alguma coisa já quis alguma coisa já?
Já quis demais alguma coisa já?
Já? Já!



Expire o ar que inspirar
Respire quando você respirar
Diga o que tem a dizer
Acaba sendo o que tinha que ser
Esqueça isso, tanto faz
Ande não olhe pra trás
Olhe por onde anda
Faça o que o coração manda

Diga como é que se sente
Levante-se, siga em frente
Faça o que está fazendo
Não o que estou lhe dizendo
Use se quiser usar
Use depois de agitar
É proibido parar
Olhe antes de atravessar

O fácil é o certo, o certo é o fácil
O fácil é o certo
O fácil é o certo, o certo é o fácil
O fácil é o certo
O fácil é o certo, o fácil é fácil
O fácil é o certo
O fácil é o certo, o certo é certo
O fácil é o certo

Não importa o que você fez
Há sempre uma próxima vez
Não se perca, não pare
Escolha o menor dos males
Faça o que quer fazer
Aconteça o que acontecer
Tanto faz como se chama
Entregue-se ao que você ama

O fácil é o certo, o certo é o fácil
O fácil é o certo
O fácil é o certo, o certo é o fácil
O fácil é o certo
O fácil é o certo, o fácil é fácil
O fácil é o certo
O fácil é o certo, o certo é certo
O fácil é o certo

sexta-feira, 24 de junho de 2011

USP Fellings

Eu sempre fui boa aluna. Sempre passei bem, tendo que estudar pouco, porque conseguia absorver as informações nas aulas. Nunca fiquei de recuperação na escola, e nos 4 anos de Jornalismo peguei apenas um exame.

Por isso, logo após fazer a 2ª prova de linguística, fiquei muuuuuuuuuito deprimida. Porque me esforcei muito, estudei a sério, como não tinha estudado para a anterior, e não foi o bastante. Prestei atenção, fiz os exercícios, quase enlouqueci com os detalhes, e me saí muito (mesmo) melhor que na primeira prova. Contudo, não foi suficiente.

Estou escrevendo sem saber ainda minha nota final, e morrendo de medo de ter reprovado, porque, sim, essa possibilidade também existe. Se não reprovei, na melhor das hipóteses estou de “rec”.

Me sinto derrotada e inútil. Sei qual é meu problema - não dá pra fazer um bom ano na USP e trabalhar ao mesmo tempo. Sobretudo se esse ano é o 1º. É loucura tentar estudar e ler tudo que os professores mandam enquanto você tem uma atividade que te ocupa 10h30, pelo menos, por dia, contando tempo de trabalho e de deslocamento pela cidade. O que resta de tempo não dá para administrar como eu queria. Pode ser que alguém consiga. Eu não consigo.

Nas últimas 2 semanas eu só dormi mais de 5 horas de quarta para quinta-feira, feriado. Isso nclui os finais de semana. Esforço para dar conta do semestre, não só linguística, claro. Muita gente faz isso, ou já fez, e sabe como é ruim. Eu já vivi isso, e sei o que causa na minha saúde - meu princípio de gastrite voltou a reclamar, por exemplo, e eu voltei a pegar mais gripes.

Como dizia, eu sempre fui boa aluna. Não estou acostumada a ir mal em matérias. Só que não tenho alternativa - ou é assim, ou não é. Ou eu faço desse jeito ou não faço. Me dói pensar no meu esforço e ver que ele não resolve nem metade do que precisaria, e saber que eu não tenho mais de onde tirar esforço. Não dá tempo, não estou dando conta, e estou muito triste por isso. Queria estar feliz com o curso, que é muito bom e do qual eu tenho gostado, mas tá difícil. Me sinto pela metade, parece que estou fazendo tudo errado, nada é o bastante. Não sei o que fazer. Ou melhor, sei, mas não posso fazer.

A sensação é de derrota mesmo. Não posso reprovar este ano em nenhuma matéria, ou não terei créditos (nota) para fazer uma língua ano que vem, e assim perderei um ano. Realmente não sei o que fazer. Já pensei em desistir. Talvez eu esteja tentando dar um passo maior que minhas pernas. Talvez deva deixar de sonhar, encarar a realidade da vida, trabalhar em alguma assessoria qualquer, ganhar dinheiro pra pagar as contas, ter meus filhos, parar de adiar meu casamento. Eu tenho planos bons pra minha vida. Tenho o Bruno, tenho um futuro que quero dividir com ele. Talvez seja hora de eu parar de sonhar com um emprego que eu goste mais, parar de sonhar com a única coisa que me deixa feliz, que é escrever. Talvez seja hora de crescer de uma vez, assumir responsabilidades, deixar de lado esses sonhos bobos. Meu problema é ser essa romântica incorrigível e idiota, que quer melhorar, quer saber mais, quer viver das palavrinhas.

Não tô pronta pra desistir... E, sim, isso é um pedido de socorro, pra vocês e pra mim.

Preciso sobreviver, viver e estudar. Alguém tem a receita?

sábado, 11 de junho de 2011

As letras, o CQC, os plural e os peito de fora

Assuntos - CQC, cartilha do MEC, mamaço... várias coisas. É tanto assunto pra tratar que nem sei por onde começo. Vou começar pelo mais antigo, então.

Como vocês sabem, sou aluna de letras na USP. Entre as 4 matérias (complicadíssimas, por sinal - minhas notas tão um horror) que tenho, existe uma chamada Introdução aos Estudos de Língua Portuguesa, ou IELP, para os íntimos. Nessa aula estudamos variações na língua falada e escrita - e aprendemos como o que era errado foi sendo aceito e virando certo, ao longo do tempo e com a força do uso. Mas não é esse o ponto...

No meio do semestre, uma polêmica no mundo das letras: a cartilha do MEC e o capítulo que trata da língua falada, dos erros da vertente popular do português e de preconceito linguístico. Quem quiser, pode acessar a cartilha aqui. Mas eu vou explicar o que diz o capítulo, mesmo assim, hehe. Esse pedacinho do livro fala da língua falada que, acredite ou não, é muito diferente da língua escrita. No livro, existe a frase “os livro mais interessante estão emprestado”. Lá está escrito que essa frase não é correta de acordo com a norma culta da língua, mas que é falada pelas pessoas na versão popular. E aí vieram os baluartes da correção dizer que é um absurdo ensinar a falar errado. É nada! Não me diga, tá errado ensinar errado? Uau, não sabia. ¬¬

Vamos lá - quando você tá de conversa com seus amigos, você fala certo o tempo todo? Gente, nem eu que sou chatona com essas coisas falo. Eu não digo que vou à praia, por exemplo. Eu vou na praia. Tá errado... mas você entendeu, não?

Ainda assim, o livro não defende que alguém fale assim, nem ensina a falar errado, escrever errado. Até porque isso as pessoas já sabem, ninguém precisa ensinar. O livro só explica que há contexto para usar o português formal, e outros para o informal. E que se você falar “os livro mais interessante estão emprestado” em uma entrevista de emprego, ou em um texto formal escrito, você vai sofrer as consequências disso, como o preconceito linguístico, que existe. Porém, não tem problema falar isso entre seus amigos... o máximo que vai acontecer é eles tirarem sarro de você. É alguma mentira?

Um dos jornalistas sagrados e canônicos do Brasil, Clóvis Rossi, chegou a afirmar que falar em preconceito linguístico é como dizer que alguém que comete um assassinato sofre preconceito jurídico. Alguém explica pra ele que “matar o português”, nesse caso, não é dar um tiro no dono da padaria? Ele comparou mesmo falar “a gente vamos” com tirar a vida de alguém? Por favor...

Pois bem, com isso chegamos ao segundo assunto: o CQC. Sempre assisti o programa, sempre o defendi, mas eles andam pisando na bola muito feio. Não vou citar as piadas meio sem noção que Rafinha Bastos e Danilo Gentili têm feito. O CQC resolveu fazer uma matéria falando do livro do MEC. E foi extremamente tendencioso, tirando a frase do contexto, não explicando o que diz o restante do capítulo e, o que é pior, não ouvindo o outro lado, regra básica de jornalismo. Admiro muito tudo que o programa é capaz de fazer, o Tas é meu ídolo de infância, mas dessa vez a decepção foi complicada. Faltou ouvir o outro lado! Como se faz uma matéria com um lado só, gente? Como se fala de algo sem saber do que se trata? Cadê os estudiosos do tema, cadê os linguístas? Quem duvidar, aqui está o vídeo.

Agora, vamos aos peitos de fora. Descobri, sexta-feira à tarde, que está havendo uma polêmica entre uma blogueira e o já citado Marcelo Tas. Em um comentário na versão do CQC na internet, o CQC 3.0, os três apresentadores falaram sobre mães que amamentam crianças em público. A minha mãe tinha um pouco de vergonha de amamentar em público, pudor dela. Então, quando meus irmãos choravam de fome, ela dava de mamar com um fraldinha em cima do peito. Decisão dela. Agora, se eu vejo uma mulher amamentando o filho na rua, não sei onde está o problema. Se ela não se importa, e se este é um momento bonito, afinal ela está dando alimento a um filho, tem algum problema nisso? Ah, vá, algum menino vai me dizer que nunca viu um peito, e só de ver algum já fica sem poder se controlar? E alguma menina vai dizer que não se sente bem vendo peitos? Não olha, ué.

A blogueira Lola, do http://escrevalolaescreva.blogspot.com/ , em dois posts - aqui e aqui , foi quem levantou a polêmica. E, pasme, ela foi ameaçada de processo judicial pelo Marcelo Tas por ter expressado sua opinião! É sério - eu não queria acreditar, mas é sério. Justo quem, justo o Tas querendo processar uma pessoa que expôs sua opinião. Inconcebível...

Dito isso, declaro meu apoio à blogueira. Lola, não concordo com todas as suas posturas, mas nessa você conta comigo. E espero que o Tas caia em si, veja a bobagem que é isso tudo e não desfaça o carinho que eu sempre tive por ele. Mas, qualquer coisa, se ele se sentir ofendido por mim também... entro na campanha: #tasmeprocessa.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Literários de terça

Sabe o que mais?
Espero que tudo fique exatamente como está.
Que nada mais mude, nada, nada. Nada.

Cansei.
Estou como estou, e assim ficarei, e acabou-se.

Quem buscar, quiçá não achará mais.
Não estou. Não existo, não sou, não penso.
O inferno e o inimigo são eu.

Quer a verdade? Olha-a em mim.
Mas, sinto muito dizer, a verdade também não existe.

Não há nada errado em não querer mais nada.
Entenda – não quero mais nada.
O nada passou a ser tudo que está presente.

Ausências? Sentir a ausência é negá-la,
E não nego, não é possível. Não, é possível...

Quero... isso mesmo, esta aqui
Parada, fria, revelada, espelhada,
Aos gritos, surda, em silêncio.

- Como está? Melhor? Não? Desde quando?

Ah, vão-se embora todos! Todos! Vão!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Recombinação

Em processo de reconstrução lenta, bem lenta. Sozinha, a passos curtos. Difícil. Ainda causa estranhamento esbarrar com algumas imagens, fotos tão recentes e tão antigas, ao mesmo tempo. É estranho pensar que, há pouco tempo, as coisas eram diferentes. Mas tudo muda, pro bem ou pro mal. No momento, as coisas começam a mudar pro bem, eu acho.

Novas amizades, praianas ou não. Novas pessoas, pessoas diferentes. Não, não anulam as mais antigas, antes que me perguntem. Quero, a qualquer custo, manter as velhas pessoas que me acompanham a 2, 6, 7, 12, 13 anos. Tenho orgulho de saber que conheço algumas pessoas há tanto tempo que os dedos das mãos não bastam para contá-lo. Que continue!

Mas precisava de alguns novos membros na minha vida... os atuais estavam acabando, hahahaha.

Só não sei se ainda sirvo pra ser amiga. Minha última decisão drástica foi não ter aquele amigo mais próximo, como sempre tive. Todos os meus amigos são próximos, não me entendam errado, por favor. Falo de uma categoria extinta, cada vez me convenço mais que essa categoria é finita, sobretudo por falta de vontade minha, e também por falta de voluntários dispostos. Meu medo agora é não saber achar um meio termo... sempre tive tanta dificuldade com meio termo, só conheço extremos, 8 ou 80. No entanto, pelas minhas mudanças pessoais, parece que finalmente esse algo que quebrou de propósito em mim vai me fazer achar um número por volta do 40.

Estou melhor do que estava, porém não bem de todo. Pretendo continuar melhorando, nem que pra isso tenha que tomar mais decisões drásticas. Momento totalmente egoísta, necessário para minha reconstrução - estou me importando comigo, com o meu tempo, com o que eu preciso fazer. Pensando primeiro em mim, não importa o que seja ou o que eu faça. Pensando em mim, mesmo que pra isso faça algo que vai contra minhas convicções já reconfiguradas.

Afinal, ainda por cima, tenho um semestre da USP pra resolver. =P




Blackbird

Blackbird singing in the dead of the night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise

Blackbird singing in the dead of the night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free

Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night

Blackbird singing in the dead of the night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise

Blackbird fly, Blackbird fly
Into the light of the dark black night

Blackbird singing in the dead of the night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Do the evolution

“Aqui estamos, senhores, para dar início ao processo. Os que invocam os direitos do homem acabam por negar os direitos da fé e os direitos de Deus, esquecendo-se de que aqueles que trazem em si a verdade têm o dever sagrado de estendê-la a todos, eliminando os que querem subvertê-la, pois quem tem o direito de mandar tem também o direito de punir. É muito fácil apresentar esta moça como um anjo de candura e a nós como bestas sanguinárias. Nós que tudo fizemos para salvá-la, para arrancar o Demônio de seu corpo. E se não conseguimos, se ela não quis separar-se dele, de Satanás, temos ou não o direito de castigá-la? Devemos deixar que continue a propagar heresias, perturbando a ordem pública e semeando os germes da anarquia, minando os alicerces da civilização que construímos, a civilização cristã? Não vamos esquecer que, se as heresias triunfassem, seríamos todos varridos! Todos! Eles não teriam conosco a piedade que reclamam de nós! E é a piedade que nos move a abrir este inquérito contra ela e a indiciá-la. Apresentaremos inúmeras provas que temos contra a acusada.”

Santo Inquérito, Dias Gomes - texto escrito durante a ditadura militar. Trecho de fala do Padre Bernardo. A peça fala da inquisição e do julgamento de Branca Dias, acusada de ser herege.


Tem dias que vejo notícias que me dão vontade de chorar. Chorar muito, copiosamente. Não, não aconteceu mais nenhuma tragédia como a de Realengo. Meu choro é pelas pessoas intolerantes. É tristeza de saber que tem gente assim no meu país. Dói ver o ódio disfarçado de opinião, o preconceito disfarçado de defesa das leis de Deus. É triste ver as pessoas torcendo fatos e citando a bíblia, a mesma bíblia que ignoram diuturnamente em vários pontos. Amar ao próximo como a ti mesmo?

Me segurei esse tempo todo, porque não queria entrar nesse assunto de novo. Parece patrulha ideológica. Mas não dá, não dá pra ver tanta mediocridade e ficar quieta. Não posso compactuar com isso.

Os homossexuais tem direito a ter uma união legalizada pela lei. Vejam bem - união homoafetiva é válida PARA A LEI, não para as religiões. O Brasil é um estado LAICO, portanto não deve se orientar por ideologias religiosas.

A cartilha chamada pelo ilustre deputado Bolsonaro de cartilha gay NÃO será dada a crianças de 6 anos de idade. Será distribuída, se assim a escola/diretoria achar por bem, a adolescentes de 14 anos. O deputado falta com a verdade quando diz que será dada às crianças para chocar os pais.

Homens e mulheres morrem todos os dias, por diversos motivos. Homossexuais também morrem de assalto, bala perdida etc. Porém, os heterossexuais não morrem nem são atacados por serem heterossexuais. Homossexuais são.

Pessoas como o pastor Silas Malafaia e o já citado deputado falam em ditadura homossexual, em vergonha de ser heterossexual, citam a bíblia, misturam Deus a essas posições mesquinhas, preconceituosas. Por favor! Pensem um pouco: vocês realmente acreditam que em breve nós teremos vergonha de nos assumir heteros? Mesmo? MESMO?

Esse antagonismo criado pela bancada evangélica, Bolsonaro e companhia limitada só incita o ódio e a violência. É de uma irresponsabilidade sem tamanho falar, em rede nacional, que garotos homossexuais devem apanhar para aprender a serem homens. Quantas pessoas podem ser atingidas por essas palavras? Queremos uma guerra de sexos? Queremos queimar os homossexuais na fogueira? Queremos uma nova inquisição?

Eu tenho medo do futuro. Medo de que essas pessoas intolerantes comecem a implicar com coisas mais simples, me impeçam de algo que faz parte de mim, como querem impedir quem é homossexual de agir de acordo com sua natureza. Por enquanto eu não sou pessoalmente atingida por essa espécie de preconceito. Será que não serei amanhã?

Meus filhos não serão criados assim. Serão criados como eu fui - sabendo respeitar os outros e não julgando alguém pelo tipo de sexo, oposto ou não, que esse alguém namora. E se um dos meus filhos for gay, acredite, acredite mesmo, eu não vou esconder. Terei orgulho, porque será meu filho, e tentarei fazer dele uma boa pessoa.

“O mais importante é que eu sinto a presença de Deus em todas as coisas que me dão prazer. No vento que me fustiga os cabelos, quando ando a cavalo. Na água do rio, que me acaricia o corpo, quando vou me banhar. (...) Ou num bom prato de carne-seca, bem apimentado, com muita farofa, desses que fazem a gente chorar de gosto. Pois Deus está em tudo isso. E amar a Deus é amar as coisas que Ele fez para o nosso prazer. É verdade que Deus também fez coisas para o nosso sofrimento. Mas foi para que também o temêssemos e aprendêssemos a dar valor às coisas boas. Deus deve passar muito mais tempo na minha roça, entre as minhas cabras e o canavial batido pelo sol e pelo vento, do que nos corredores sombrios do Colégio dos Jesuítas. Deus deve estar onde há mais claridade, penso eu. E deve gostar de ver as criaturas livres como Ele as fez, usando e gozando essa liberdade, porque foi assim que nasceram e assim devem viver.”

Santo Inquérito, Dias Gomes, trecho da fala de Branca Dias.

domingo, 8 de maio de 2011

Uísque para Elefantes

* A vida continua um negócio esquisito e solitário
* Eu amo Christoph Waltz! PQP que ator! Qualquer coisa que ele fizer eu verei!
* Quero um elefante de estimação! E que entenda polonês!
* Não vou fugir com o circo, hahahaha, nem ferrando!
* Tenho vontade de matar pessoas que maltratam animaizinhos e animaizões. Hunf!

Por que essas frases? Assistam "Água para Elefantes" e a gente conversa depois =P. Ah, sim, o filme:

quarta-feira, 27 de abril de 2011

The Missing-Brotherhood Complexity Continuous

Estou melhor. Não sei se estou me enganando de novo, talvez esteja. Mas estou melhor. Essa semana tive mais uma crise na segunda, procurei ajuda, chamei, ninguém por perto. A ajuda veio via telefone, do nível do mar, e via msn, mais tarde, from other country. Me dei conta, por fim, que não posso mais contar com o que contava, nem pessoalmente, nem por email, nem por mensagem. E não posso obrigar ninguém a me ajudar, por mais que eu sinta falta, ame, queira ver, tenha saudade. Então desisto, oficialmente. Não é um adeus exatamente, mas uma adaptação que trará consequências mais pra frente. Já vi esse filme outras vezes, já sei como acaba.

Tenho muitas coisas para me ocupar, mas nada adianta se estou triste. Não consigo me desvencilhar do que sinto, e por isso, de certa forma, foi bom surtar. Explodindo, me reconstruo. A reconstrução é lenta, caco por caco, deixa cicatrizes, rachaduras, mas funciona.

Algo em mim mudou. A mudança é proposital, mas existe, “deu certo”. Não conseguirei mais ter um amigo tão próximo como estive acostumada a ter. Na minha vida sempre tive pelo menos um desses amigos que, só por estarem perto, já me modificam. Que me acrescentam tanto, que sabem tudo da minha vida, absolutamente tudo, que me entendem completamente e me apóiam. Que eu amo tanto amar. Graças a Deus (a ele, não a mim, que eu sou muito chata, hehe) tenho amigos (as) sem tamanho, que mesmo longe mil léguas, ou nem tão longe assim, me ouvem, compreendem e amam. Graças a Deus tenho amigos (as) que, mesmo não estando perto ou falando sempre, e mesmo eu falhando, continuam a me amar e pensar em mim. Mas esse tipo de amigo ao qual me refiro... acabou. Terei sempre espécies de substitutos para isso, cada um contribuindo com uma parte. Mas um que una todos... não mais.

Estou indo, estou melhor. Ficarei bem.

terça-feira, 26 de abril de 2011

The Missing-Brotherhood Complexity

Nunca senti tanta falta de um abraço.



"So,
So you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here"

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ar condicionado

EU ODEIO AR CONDICIONADO!!!!!!!!!!!!

Seria capaz de matar quem inventou essa porcaria.

Já que isso existe, as pessoas poderiam pelo menos usar direito, sem deixar alguns congelando, como eu, por exemplo. Antes de reclamar, eu tentei dar meus jeitos, trago casacos, cada vez mais quentes. Mas não adianta, nem apelar para o bom senso, nem pedir, implorar por alguma mudança. Não adianta dizer que fiquei doente mais de uma vez, que estou com dor de cabeça porque o vento do maldito ar condicionado vem direto na minha testa, nada adianta. Então, a partir de amanhã, farei meu protesto silencioso: vou passar a trabalhar de gorro, ou capuz, luvas, cachecol. Talvez assim consiga não ficar doente, já que ninguém parece se importar mesmo com isso por aqui.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Benção

“Ignorância - ig.no.rân.cia:
1. Característica ou estado de quem ignora; falta de saber, de conhecimentos; Desconhecimento [ antôn.: Antôn.: instrução, conhecimento ]
2. Estado de quem não tem informação ou não está a par de algo: Mostra total ignorância desses fatos.
3. Imperícia, inabilidade, incompetência: É lamentável a ignorância desse pintor.
4. Rudeza, grosseria. [ antôn.: Antôn.: gentileza ]
5. Estupidez, boçalidade. [F.: Do lat. ignorantia, ae.]

Coloco essa definição do dicionário Caldas Aulete para não deixar margem à dúvidas, porque vou citar ignorância algumas vezes no texto, apenas em um sentido: o de não saber, não conhecer algo.

Uma das frases que acho mais verdadeiras é “a ignorância é uma benção”. É mesmo. Mas, sempre que posso, prefiro saber, deixar essa ignorância de lado, mesmo que doa. Na maioria das vezes dói, =).

Eu tenho problemas com religiões - vejam bem, religiões, não fé. Diferencio as duas: fé não depende de religião, e vice-versa. Conheço gente que vai todos os domingos em missas, cultos, o que for, e não acredita realmente ou, o que é pior, não leva os ensinamentos que recebe para a vida. E a pessoa de mais fé que conheço não tem religião, e não conheço quem fale com mais propriedade do que ele sobre a bíblia, sobre viver em paz com as próprias ações.

Admiro e respeito as pessoas que conseguem se manter numa religião. Eu não consegui. Comecei a questionar e não ter respostas que achasse satisfatórias, comecei a duvidar de alguns preceitos, comecei a me incomodar com alguém decidindo o que é certo ou não por mim. Questões que surgiram bem cedo, quando eu ainda era criança e vi um garotinho que não tinha uma parte do braço. Ia perguntar pra ele porque faltava aquela parte, e minha mãe não deixou. Nunca tinha visto uma criança assim, e perguntei pra minha mãe, então, o motivo. Minha mãe disse que ele tinha nascido assim, porque foi assim que Deus quis. Me lembro de não entender isso: por que eu nasci perfeita, sem problemas, e ele não? O que ele fez para ser punido ainda antes de nascer?

Claro que ainda não sabia procurar respostas, tinha no máximo 6 anos. Depois que cresci fui atrás disso, já com outras perguntas na cabeça. Achei uma ou outra resposta, mas todas me levavam para uma imagem que não condizia com Deus, pelo menos para mim. Ouvia que deveríamos ser tementes a Deus, e até hoje acho isso estranho. Por que temente? Por que a palavra medo? Tenho reservas com relação à bíblia como documento histórico, e até com relação a alguns ensinamentos contidos nela. Enfim, problemas que surgiram porque resolvi questionar dogmas sagrados.



Pode parecer que estou me julgando diferente porque “questionei”, e que penso que se você acredita em uma religião é porque não a questionou. Não, não é isso. Esse foi apenas o meu caminho de questionamentos; por isso disse que admiro quem consegue questionar e se manter acreditando na religião, uma vez que eu não consegui. Sai da ignorância para uma espécie de saber que não me permitiu continuar a seguir a igreja católica, que era a minha religião.

Procurei melhores respostas, achei no espiritismo kardecista. Acredito em reencarnação, e ela explica porque nascemos diferentes, alguns com problemas, outros perfeitos. Mas não sou espírita. Essa seria a religião mais próxima da minha fé, porém, ainda assim, eu não me encaixo nela. Não fui ver nenhum dos filmes espíritas que viraram moda, assim como não fui ver os filmes do Padre Marcelo, porque me incomoda essa doutrinação, essa busca por fiéis. Me incomoda a posição de alguns espíritas, como se a religião deles fosse melhor, mais evoluída. Já vi essa posição em outros lugares, e não penso ser certo. Isso também me afasta das religiões.

Porque estou falando isso, do nada? Porque estou numa faculdade laica em que muitos se declaram ateus. Ok, respeito, como respeito os religiosos. Mas não gosto da apologia a esse pensamento. Isso também é doutrinação, só em causa contrária a que falei antes. Não, não quero doutrinação, não quero que alguém interprete palavras ou histórias por mim e diga que só existe uma verdade. Quero procurar minhas interpretações e minhas verdades.

Eu tenho uma fé própria, acredito em Deus, já o questionei, e a imagem que construí dele é pacífica, amorosa, justa. Para mim, acreditar em Deus é agir com justiça, respeito as diferenças, ajudar quando se pode, tentar não maltratar as pessoas, tentar fazer coisas boas, seguir um caminho certo, de acordo com suas impressões e seus valores. Esse conceito parece amplo e indefinido, e é mesmo. Gosto de pensar que sendo uma pessoa boa já significa muito. Deus me conhece, como conhece a todos, e acredito que ele sabe melhor do que eu o quanto isso é verdade pra mim.

Todos somos iguais, não importa o que somos, muito menos para Ele. Não acho que Deus despreze homossexuais porque eles estão “indo contra as leis”. Que leis? As que estão na bíblia? O “crescei e multiplicai”? Poderia ser minimalista e perguntar, então, se pessoas inférteis estão fora das leis também, mas nem vou fazer isso. O Deus no qual acredito não discrimina ninguém, por mais imperfeita que essa pessoa seja. Ele não vai mandar ninguém “para o inferno” porque esse alguém gosta de pessoas do mesmo sexo. Nem vai deixar alguém vagando na “danação eterna” por não ser batizado. Desculpa, mas não dá. Acredito que Ele tenha coisas mais sérias para se preocupar.

Se você que está lendo isso tem sua religião, não entenda mal ou se ofenda. Melhor - pode colocar sua opinião aqui. Sei que muitos de vocês seguem uma religião, e, repito, admiro isso. Desde que vocês já tenham questionado algumas coisas, sem simplesmente aceitar o pré-concebido como uma tábula rasa, uma folha de papel em branco. A ignorância é uma benção. Mas eu prefiro saber.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Virada Cultural

Eu Vou! Fico em Sampa no fim de semana só por isso. Vou ouvir Beatles Cover, ver stand-up, tentar ver algum filme, e o que mais der vontade. O Paulo Miklos não vai dar pra ver, acho, mas quem sabe...

Agora, pra terminar com chave de ouro meeeeesmo, quero muito ver o Paulinho da Viola!!! Ah, quero mesmo!! Ouvi uma música dele agora há pouco, no trabalho, e me enchi ainda mais de vontade. Então, em homenagem a isso, Coração Leviano, do Paulinho. Como ela dialogou comigo hoje, medo!

A música e o Paulinho me lembram meu pai, e ele vai morrer de inveja (e de orgulho) quando eu disser que vi um show do cara, haha. Quer dizer, se eu arranjar alguém que vá comigo. Alguém se habilita????



Update - não fui no show do Paulinho, =(, e acabei não vendo tudo o que queria dos Beatles. Mas foi legal! Ano que vem, estarei lá de novo!




Vídeo do acústico do moço aí, com a música "Timoneiro" de brinde:



Trama em segredo teus planos
Parte sem dizer adeus
Nem lembra dos meus desenganos
Fere quem tudo perdeu

Ah, coração leviano,
Não sabe o que fez do meu
Ah, coração leviano,
Não sabe o que fez do meu

Este pobre navegante
Meu coração amante
Enfrentou a tempestade

No mar da paixão e da loucura
Fruto da minha aventura
Em busca da felicidade

Ah, coração, teu engano
Foi esperar por um bem
De um coração leviano
Que nunca será de ninguém

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Da solo

Essa última semana foi difícil. Nunca me senti tão só na metrópole. Acordei cedo, fui pra faculdade, fiz compras pra casa, fui pro trabalho, fui pra mais aulas na faculdade, cheguei em casa. Tudo isso sozinha. Almocei, jantei, troquei um vale-presente por 5 livros, vi The Big Bang Theory, reclamei, chorei. Tudo sozinha.

Vocês sabem que eu não gosto de ficar só, minha solidão é complicada de vencer. Essa semana ela estava como nunca. A ponto de, só de ver um rosto amigo, eu cair no choro. Só de pensar que ia comer sozinha em casa, eu cair no choro.

Na quinta-feira já tava sensível, e ainda acontece aquela desgraça toda no Rio de janeiro, e que fiquei mais sensível ainda, querendo correr pra casa em Santos, abraçar meus pais e meu namorado. Por boa parte do dia eu anulei minha tristeza pessoal, e fiquei com a tristeza que todo mundo tava. Mas logo fiquei sozinha, e me bateu uma vontade de largar tudo. Só não segui essa vontade por causa das minhas responsabilidades. Depressiva sim, irresponsável nunca.

Pois é. Sei que podia estar pior, mas não tô bem. Sei que tenho muuuuuito pelo que agradecer, e agradeço, mas sou humana e falha. Estou me sentindo abandonada. Não que eu ache que alguém me abandonou, não é isso, juro. É o sentimento de abandono, que não vem com raiva de uma pessoa, ou reclamação. Sentimento, e só. Metaabandono (neologismo?).

Não queria ter subido essa semana, e só não saio correndo agora, pego um ônibus e vou dormir em Santos porque fiz escolhas: não ser mais um gasto na família, procurar meu caminho, me virar. Quer se virar, ser independente, não ser mais um problema, sair do conforto, arriscar? Tudo tem seu preço, minha cara.

Mas tá difícil. Queria ter alguém pra bater papo no final do dia, contar como foi o meu, saber como foi o da pessoa, mas cara a cara, vendo as expressões, a risada, as rugas na testa, os tiques. Podia ser meu namorado, meus irmãos, minha mãe, meu pai, um amigo daqueles grandes (não necessariamente nessa ordem). Podia ser alguém. Não tem ninguém.

Como eu queria ser da área de exatas, me importar com números, fórmulas, teorias. Como eu queria ser o Sheldon agora...

"Mas não me diga isso. Não me dê atenção. E obrigado por pensar em mim"



Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz

Mas não me diga isso

Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima

Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor

Mas não me diga isso

É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia, não é?

Eu nem sei porque me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim

E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim

Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho

Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou

Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim

Não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim

quinta-feira, 31 de março de 2011

Envelheço na cidade

Ah... esse é meu segundo aniversário na cidade. Aniversários são bichos estranhos: eu gosto deles, gosto de acarinhá-los, mas cada vez que eles chegam me lembram da passagem do tempo, e de como tudo muda, vai mudando, mudou.

Estou na USP. Esse foi meu maior presente de aniversário (apesar de eu ter gostado bastante da bolsa que ganhei também:P), o que deu e dá mais trabalho. O aniversário este ano vem no meio do turbilhão trabalho/letras/casa, sem tempo pra ler ou dormir, e com atrasos nas aulas. Vamos levando...

Estou vendo as pessoas crescerem. Amigos se casando, indo para empregos melhores, mudando de vida, arriscando. Espero ver outros, ainda esse ano, mudando de vida e se arriscando de volta pra cá também. Espero eu mesma ter coragem de arriscar a mudar, mesmo que instantaneamente para pior, se eu precisar. Acho que precisarei.

Quero ter meu milhão de amigos, mesmo que esse milhão não chegue a uma sala cheia. Queria ter todo mundo que gosto no meu aniversário, perto de mim, mas não dá. Então, aceito o que tenho. Preciso aprender a aceitar algumas coisas.

Para finalizar, Aniversário, do Álvaro de Campos, na voz do Paulo Autran. Porque eu amo o Álvaro e porque aniversários são beeeeem legais, mas quando você começa a ficar velha passa a sentir falta de agumas coisas que não voltam...



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Bolsonaro

Acho que não preciso comentar, se você está aqui sabe o que penso de um monte de coisas, incluindo preconceitos de cor ou sexo. Enfim, não vou chover no molhado - vou indicar um texto que fala de aspectos anteriores à polêmica do deputado federal pelo Rio de Janeiro Jair Bolsonaro, do PP (Partido PROGRESSISTA, vejam vocês). Defender a ditadura militar já é ruim o suficiente, mas não para esse senhor. Ele tinha que mostrar preconceito contra vários tipos de pessoas, situações, o que for.

O blog é esse aqui - http://blogdosakamoto.uol.com.br/. O nome do post é "Não quero ser filho de Bolsonaro". Leiam, vale a pena.

Medo de pessoas como esse senhor. medo e raiva de ver que o mundo tem gente assim, ainda. Sempre terá?

segunda-feira, 28 de março de 2011

Não sei esperar...

... e não quero postar no dia certo. Então, vai agora. Aniversário chegando, época perfeita pra lembrar, recomeçar e tentar seguir em frente. Isso.

Para mim, essa música fala de muitas pessoas. Algumas que eu perdi geograficamente, outras que se perderam por própria escolha, outras pela vida, outras por melhores caminhos. In my life I love them all.



In my life

There are places I remember all my life,
Though some have changed,
Some forever, not for better,
Some have gone and some remain.

All these places had their moments
With lovers and friends I still can recall.
Some are dead and some are living.
In my life I've loved them all.

But of all these friends and lovers,
There is no one compares with you,
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new.

Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before,
I know I'll often stop and think about them,
In my life I'll love you more.

Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before,
I know I'll often stop and think about them,
In my life I'll love you more.
In my life I'll love you more.

Na minha vida

Há lugares dos quais vou me lembrar
por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado
Alguns para sempre, e não para melhor
Alguns já nem existem, outros permanecem

Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos, dos quais ainda posso me lembrar
Alguns já se foram, outros ainda vivem
Em minha vida, amei todos eles

Mas de todos esses amigos e amores
Não há ninguém que se compare a você
E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso em amor como uma coisa nova

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais a você

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais a você
Em minha vida... eu amo mais a você

sexta-feira, 25 de março de 2011

Generator

Música do dia - Generator, Foo Figthers (torcendo bastante pelo possível show!!!!)



Lately I'm getting better
Wish I could stay sick with you
But there's too many egos left to bruise
Call it sin, you can call it whatever,
Eating deep inside of you
Well if it were me it's all I'd ever do

(Guitar Solo)

Steal me now and forever
I'll steal something good for you
The criminal in me is no one new
Till you find something better
When there's nothing left to use
And everything starts going down on you

(Chorus)

I'm the Generator, firing whenever you quit
Yeah whatever it is, you go out and it's on
Yeah can't you hear my motored heart
You're the one that started it

Send me out on a tether
Swing it round I'll spin your noose
You let it down
I'll hang around with you,
till you find someone better
When there's no one left to use,
and everyone keeps going down

(Chorus x 2)

I'm the Generator, firing whenever you quit
Yeah whatever it is, you go out and it's on
Yeah can't you hear my motored heart
You're the one that started it