Eu tenho perfil de partidária de causas impossíveis. Sempre tive, aliás. Quando entrei em Letras, meus amigos tiraram sarro dizendo que em pouco tempo eu ia virar mais uma "sujinha da FFLCH". Não, não vou entrar no movimento estudantil, já passei da idade e não tenho paciência pra esse povo. Mas tenho opinião, e lá vai ela:
Sou contra a polícia militar no campus. Por mais que pareça absurdo o que eu acabei de escrever, sou contra. Eu fui assaltada, pela primeira vez na vida, este ano, saindo da USP. Do local onde eu fui assaltada dava pra ver a guarita que tem nas saídas, na qual havia um policial. Ele não fez nada, não percebeu nada. Mas até aí tudo bem, a função dele ali não era essa, nem citei isso na delegacia, quando fui fazer o BO e reconhecer as meninas que me assaltaram (
mais detalhes aqui). Só que, se a polícia militar fosse impedir algo, o estudante da FEA não teria morrido, afinal a PM
estava lá quando tudo aconteceu.
Não confio na polícia. Toda vez que vejo uma viatura, sobretudo da Rota, tenho mais medo que sensação de segurança. Parece absurdo também, né? E é. No entanto, é o que sinto - medo. E aí você se pergunta: mas, Amanda, você faz o que de errado pra ter medo? Nada. Eu não roubo, não fumo, nunca matei ninguém, nem beber eu bebo direito. Mas tenho medo da polícia, porque já vi muita história, até quando trabalhava em produção de telejornal. Já ouvi da boca de um policial que ele matou "muito vagabundo" naquela noite em que o PCC tocou o terror no estado, lembram? Segundo ele, se tava na rua naquele dia, era bandido, tinha que morrer. Foi exatamente isso que ele me disse. E enquanto ouvia isso me lembrei que meu namorado e meu melhor amigo estavam na rua naquele dia, indo pra casa de carro depois de terem levado pessoas com medo em casa. Eles poderiam ter morrido, por serem confundidos com bandidos. Dá pra confiar nessa polícia?

A polícia não está preparada pra lidar com estudantes. Aí você fala: e estudante é uma raça especial de pessoas? Não, somos iguais a todo mundo. Não vou aqui defender direito de ninguém de usar maconha, não joguem isso nas minhas palavras. Nem vou dizer que não tinha que prender os caras - ainda é proibido fumar maconha, está na lei. O problema é o algum abuso de abordagem e o sistema "dois pesos duas medidas". Deu isso tudo porque foi na FFLCH. Por que a PM não vai nas festas da Poli, da Medicina, da FEA e prende que estiver se drogando? Por que a PM não vai atrás de prender quem vendeu também? Ou será que a maconha se materializa, e apenas na FFLCH? E mais - por que a PM não consegue impedir assaltos, estupros, o que for? Talvez porque eles estejam muito preocupados em prender maconheiro? Que prendam, dane-se - contudo resolvam outras coisas mais graves também.
Mas eu falava de despreparo para lidar com estudantes. Pois bem - a polícia pegou os caras. Sério mesmo que ele não conseguiram levar os alunos para a viatura antes que juntasse centenas de pessoas em volta? Sério mesmo? Então quer dizer que os policiais não conseguiram ser rápidos o suficiente para levar 3 rapazes antes de se formar um tumulto generalizado? Ou será que eles acharam que estavam lidando com bandidinho normal, e que qualquer abordagem serviria?
Estudante é povo chato e corporativista. Claro que ia aparecer alguém pra defender, principalmente porque tem muita gente contra a presença policial ali. Mas os pms não pensaram nisso, não sabem com quem estão lidando, uma raça de gente que vai berrar e argumentar até o fim, até mesmo pra ganhar tempo e chamar mais pessoas à causa. E aí, deu no que deu. E eu tive que ouvir de muitos que isso é só um bando de maconheiros querendo o direito de fumar em paz, e que eu, como aluna, deveria ter vergonha.
Eu não fumo nem cigarro. Detesto cheiro de maconha. Estudo e trabalho, me viro para garantir notas razoáveis nos semestres. E não quero a polícia militar no campus. E aí, alguém tem o direito de me chamar de maconheira vagabunda?
Não, ninguem tem o direito de chamar vc de maconheira, porém, a USP não é uma Republica com leis diferentes, o principio de igualdade deve servir a todos.
ResponderExcluirProvavelmente os alunos da USp serão os nossos lideres, politicos, empresariais, artisticos, se eles que serão os nossos lideres não respeitam as leis o que devemos esperar do nosso futuro?
Att.
Antonio
Antonio, não é questão de repseitar leis. Primeiro: a USP é uma autarquia, com um estatuto próprio que foi desrespeitado pelo senhor Rodas que colocou a polícia por debaixo dos panos terceirizando a guarda universitária, que deveria ser bem treinada e não jogada pra escanteio (que aliás, é o que o senhor rodas sabe melhor fazer com funcionários).
ResponderExcluirSegundo: Esperaram explodir isso tudo: guarda mal treinada, lugares escuros. Nunca, nunca ninguém realmente pensou nisso pra melhorar a segurança do campus? De verdade? Por que polícia agora? Por que não treinar a guarda? Por que não iluminar a universidade? A USP tem sim problemas de segurança e drogas como qualquer ponto da cidade de São Paulo, mas a presença ou não da polícia deveria ser uma escolha da comunidade universitária, o que aliás n aconteceu, afinal, o que esperar de um reitor que foi escolhido sem a aprovação da maioria?
Terceiro: os pms realmente não sabem lidar com estudantes. Tenho relatos de colegas que dizem que desde de manhã eles estavam na FFLCH abordando alunos. Uma menina chegou a ser revistada de manhã ao lado da biblioteca e o policial lhe pertguntava insistentemente se ela n tinha um baseado. Ou seja, eles estavam procurando encrenca desde cedo.
Quarto: há tempos eu não via pms pelo campus, de verdade! Em pontos cruciais como a saída para a linha do trem, no caminho da vila indiana, rua do matão e p3 e p2 (uma menina perdeu a visão num assalto um dia desses, onde estavam os pms?), simplesmente não os vi... vc viu?
Quinto: muuuito estranho tudo isso estourar bem quando explodiram muitos, mas muitos escândalos contra o senhor reitor Rodas... ou será que foi só mais uma coincidência? uuuuhhh
Em primeiro lugar, queria dizer que estou publicando os comentários por querer ser imparcial, mesmo. Aprendi a tentar isso na faculdade de jornalismo, hehe. Mas não me agrada publicar comentário anônimo - não apenas sem mostrar a conta, ou email, mas também sem colocar nome no final. O Antonio ainda fez isso, a segunda pessoa que escreveu não. Mas tudo bem, achei que a opinião deveria ser colocada aqui. Porém, preciso responder a algumas coisas, de ambos os comentários.
ResponderExcluirSim, o princípio de igualdade deve servir a todos, tanto nos direitos quanto nos deveres. Se você, Antonio, ler minha postagem verá que eu não defendo ousso da droga, nem disse que os usuários não deveriam ter sido presos. Ao contrário, citei que está na lei, e essa deve ser cumprida, sim. O que eu digo é não confiar na polícia, e saber que ela não lida com estudantes da forma certa. É preciso preparo, só isso. (continua)
Mas anônimo/a - não concordo inteiramente com seu comentário. A USP é um autarquia, e por isso tem a guarda universitária, por exemplo, que deveria MESMO ser melhor preparada. No entanto, a entrada da polícia militar não foi decidida na calada da noite - houve votação entre respresentantes de todos os cursos, e apenas a FFLCH e a ECA foram contra a pm no campus. Foi democrático, portanto. Quanto às tais denúncias contra o Rodas, não acho que isso tenha realmente influência nesse caso específico. vejo a presença da pm na USP como uma resposta que ele devia à parte da sociedade e resolveu dar.
ResponderExcluirAgora, com toda a certeza, falta segurança em pontos cruciais, como as entradas de pedestres que você citou. Eu fui assaltada em uma delas, como disse, e não sou o único caso, infelizmente. Gostaria de ver a guarda universitária melhor preparada, e não a pm no campus. Porém, com invasão do prédio da FFLCH e da Reitoria, vejo que estamos cada vez mais longe de conseguir isso.