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sexta-feira, 15 de julho de 2011

(mais ou menos) Novas

Bom, pra começar acho que devo dizer que passei nas matérias, inclusive na qual estava de recuperação, ou exame, como queiram chamar. Não fui muuuuito bem, mas valeu a pena passar um final de semana estudando numa casa de praia em que todo mundo se divertia. So much fun! Ainda tenho boas chances de me formar em italiano, e é isso o que importa!

Por enquanto, a vida segue.

Estas últimas semanas foram estranhas, engraçadas, divertidas e extremamente raivosas. Estava num mau humor incrível ontem, porque tenho um problema grande pra resolver, e preciso começar a resolvê-lo... a questão é que não depende só de mim, então não posso simplesmente colocar um ponto final imediato, e isso me enlouquece! Sério, eu fiquei muito perto de enlouquecer, me descontrolar e pular no pescoço de alguém. Com muito esforço e muito rock pesado, isso foi controlado, está passando.

Conheci muita gente nova nessas férias. Gostei de quem conheci e conversei. Me diverti muito com pessoas que não fariam parte de meu mundo não fosse por um amigo relativamente novo, que eu lutei (ainda luto) pra que não se torne daquela categoria, sabe? Não sei se vai dar certo... Acho que não sei ser de outro jeito, mesmo. Ninguém mandou ser essa depressiva carente, sobretudo carente de amor de amigo. E tem algo melhor que amor de amigo?

Não cito nomes até porque nem sei se alguma dessas novas pessoas vai ler isso aqui, haha. Vergonha master de mostrar essas mal traçadas linhas.

Mas, meus caros mais antigos, não sumam. Preciso muito de vocês.

Eu realmente cansei de brincar de ser adulta... só que estou velha demais pra voltar atrás.

Ontem senti uma falta absurda do mar. Vou à praia esse final de semana, em algum momento, só para olhar bem pra ele e me sentir pequena de novo.

Tenho pensado na perfeição, e acredito mesmo que não quero nem ficar perto de quem seja perfeito. Quero as falhas, os defeitos, o que está errado, mesmo que me doa, e dói. Não espero mais o melhor - me assumo pessimista, o copo está meio vazio.

Perguntei, via facebook, se saudade pode virar outra coisa. Me responderam "arte" e "história". Arte ela já virou mais de uma vez. Não queria que ela virasse história, porém não está nas minhas mãos.

Pra terminar - minha solidão é uma pessoa. A única que sempre me acompanha, a todo momento.

Álvaro de Campos / Fernando Pessoa:

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Envelheço na cidade

Ah... esse é meu segundo aniversário na cidade. Aniversários são bichos estranhos: eu gosto deles, gosto de acarinhá-los, mas cada vez que eles chegam me lembram da passagem do tempo, e de como tudo muda, vai mudando, mudou.

Estou na USP. Esse foi meu maior presente de aniversário (apesar de eu ter gostado bastante da bolsa que ganhei também:P), o que deu e dá mais trabalho. O aniversário este ano vem no meio do turbilhão trabalho/letras/casa, sem tempo pra ler ou dormir, e com atrasos nas aulas. Vamos levando...

Estou vendo as pessoas crescerem. Amigos se casando, indo para empregos melhores, mudando de vida, arriscando. Espero ver outros, ainda esse ano, mudando de vida e se arriscando de volta pra cá também. Espero eu mesma ter coragem de arriscar a mudar, mesmo que instantaneamente para pior, se eu precisar. Acho que precisarei.

Quero ter meu milhão de amigos, mesmo que esse milhão não chegue a uma sala cheia. Queria ter todo mundo que gosto no meu aniversário, perto de mim, mas não dá. Então, aceito o que tenho. Preciso aprender a aceitar algumas coisas.

Para finalizar, Aniversário, do Álvaro de Campos, na voz do Paulo Autran. Porque eu amo o Álvaro e porque aniversários são beeeeem legais, mas quando você começa a ficar velha passa a sentir falta de agumas coisas que não voltam...



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Esquecer é uma necessidade

Quando você se sente assim, meio estranho, meio faltando algo, você começa a lembrar de como era antes de se sentir assim. É desse jeito que estou. Lembrando de muita coisa, boa e ruim. O fim de ano próximo também ajuda nisso, claro, hehe.

Mas... enfim, sinto faltas. Penso em como minha vida tem sido, no que tenho pensado, o que tem acontecido. E bate arrependimento, de algumas coisas que fiz, do modo como fiz. Infelizmente, não há como voltar pra mudar... mas eu também não tenho certeza que quero mudar.

Meu humor não tá dos melhores, estou me sentindo estranha no mundo. É como se eu tivesse sempre um copo d'água perto de mim e, de repente, me visse no deserto sem nada em volta, nem a possibilidade de um oásis. É isso - perdi meu oásis, que me fazia não perceber, às vezes, que "Grandes são os desertos, e tudo é deserto", como diria o Álvaro de Campos.

Não sei como vou me acostumar com essas faltas. Sinto falta de coisas que lembro, e talvez esse seja o problema. Citando outro dos meus queridos, "Esquecer é uma necessidade", já disse Machado de Assis. Não sei o que fazer com essa vontade que às vezes tenho de largar tudo e ir embora. Vontade que tem sido mais constante nos últimos dias...

Todo mundo precisa de um oásis, eu também. Meu oásis mais possível no momento está longe daqui, e eu não tenho acesso sempre que quero. O que eu tinha aqui ao lado se foi, não volta mais.

Estala, coração de vidro pintado!

"Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.

Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.

Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.

Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.

Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.

Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.

Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!

Mais vale arrumar a mala.
Fim."

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Novas

Algumas coisinhas aconteceram nos últimos tempos, mas eu acabei não escrevendo por aqui, atropelada por um sentimento que tinha que expressar. Porém, agora que a minha chuva pessoal deu um espaço pro sol, falo pra vocês.

Minha tia está CURADAAAAAAAAAAAAA! O câncer foi-se! Melhor notícia que tive nos últimos tempos. Ela sofreu, batalhou, aguentou, pensou que ia morrer, sobreviveu. Nós sofremos com ela, e agora tudo acabou! Graças a Deus! Como eu fiquei feliz com isso! Ela é como uma segunda mãe, e pensar que ela tava passando por isso foi tão difícil como se fosse comigo. E agora que acabou, que alívio maravilhoso!

Andei fazendo coisinhas interessantes: fui num jogo de vôlei (quase dormi, mas a culpa não foi do jogo, foi minha mesmo, hehe), fui na final do Paulistão (sou alvinegro da Vila Belmiro, o Santos vive no meu coração); saí com pessoas novas num sábado paulista; estudei (menos do que devo), me diverti.

Estou acompanhando, juntamente com o Thiago, aulas de Fernando Pessoa na USP. Uma delas, inclusive, me fez acordar às 6 e meia. O que eu não faço pelo Álvaro de Campos! E semana que vem, vou acordar nesse horário de novo, para ver a análise dos meus dois poemas preferidos, "Lisbon Revisited" (o primeiro a gente nunca esquece) e "Tabacaria". O assustador é ver como eu, muitas vezes, me pareço com o Pessoa, sobretudo com o Álvaro. Depressivo, hehe.

Quero comprar um bongô! Vi um na Teodoro Sampaio e me apaixonei. Queria aprender a tocar percussão, não sei quando vou conseguir isso (sim, é uma espécie de cobrança, Thi), mas aquele bongozinho me conquistou.

Fui no museu da língua portuguesa, nova exposição, sobre erros de português. E lá vi uma frase fantástica: "A fé move montanhas. Mas os ecologistas são contra".

Sei que alguns de vocês ficaram preocupados com meu último post. Não liguem. Vou continuar sem explicar, mas estejam certos que tá tudo bem.

A vida segue como quase sempre. Continuo com medos, continuo vendo o mundo por uma ótica por vezes torta, por vezes incerta. Não sou exatamente quem eu queria, mas ainda bem - se já fosse tudo o que queria, de valeria continuar?

Amo, não sei se odeio, rio, choro. Nada(e tudo) de novo debaixo do sol.



Palavras - Titãs

"Palavras não são más
Palavras não são quentes
Palavras são iguais
Sendo diferentes

Palavras não são frias
Palavras não são boas
Os números pra os dias
E os nomes pra as pessoas

Palavra eu preciso
Preciso com urgência
Palavras que se usem
em caso de emergência

Dizer o que se sente
Cumprir uma sentença
Palavras que se diz
Se diz e não se pensa

Palavras não têm cor
Palavras não têm culpa
Palavras de amor
Pra pedir desculpas

Palavras doentias
Páginas rasgadas
Palavras não se curam
Certas ou erradas

Palavras são sombras
As sombras viram jogos
Palavras pra brincar
Brinquedos quebram logo

Palavras pra esquecer
Versos que repito
Palavras pra dizer
De novo o que foi dito

Todas as folhas em branco
Todos os livros fechados
Tudo com todas as letras
Nada de novo debaixo do sol"

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Viva la Vida e C_mpl_t_ como preferir

Estes dias próximos serão musicais!! A começar por hoje, show do Móveis Coloniais de Acaju na USP, e acabando na próxima terça-feira, com show do Coldplay, banda que poderia eleger como gringa preferida. Muito contente, apesar dos percalços para chegar ao ingresso, que ainda não acabaram... mas acabam neste sábado, se o bom Deus quiser.

Continua tudo calmo aqui na Paulicéia. Esta semana quase tive uma recaída de melancolia, me senti nostálgica... ainda me sinto, estou com saudades de coisas que aconteceram há pouco menos de 1 ano... pensar que em meses tanto mudou.

Estou com saudade da minha ignorância em relação a algumas coisas que descobri. Andei vendo fotos, lembrando de fatos, tão bons e que nunca voltarão. Estou com saudade da minha inocência em alguns momentos. Já falei: ignorância é uma benção... mas ainda prefiro saber.

Vou ter que deixar de lado a minha alma tristonha e me concentrar em estudar: é ano de vestibular. Sim, como parte de vocês já sabe, vou prestar vestibular este ano para Letras, na USP. A chance de não passar é grande, e podem ter certeza que eu vou ficar extremamente deprimida se não passar. Ah, vocês me conhecem, eu nem precisava ter escrito isso.

Eu sei o que todo mundo vai me falar, porque inclusive já estão falando: "Ah, Amanda, você vai passar, tenho certeza!" Não tenho certeza, acho que é possível, mas sei bem como foi estudar a vida inteira em escola pública e os resultados disso. Ensino estadual é uma merda, com o perdão da palavra.

Enfim, planos ocupando minha cabeça, companhias ocupando meu tempo, e, quando não, seriados legais, nerds e engraçados, tudo junto. Dica do dia: assistam The Big Bang Theory!

Quase recuperada da reviravolta na minha banda preferida... que aliás foi a causadora dessa nostalgia aflorada, pois a pouco menos de 1 ano eu via pela primeira vez o Branco Mello e depois os cinco (ainda eram cinco) Titãs.

Pensar nessa época me deu saudades... dos papos até 4 da manhã com a Isa, dos jogos de quarta-feira nos bares com Bruno e Felipe, dos passeios sem hora determinada com o Thi em uma SP que eu conhecia quase que só o Centro e a Paulista, das tardes sem fazer nada na Je, os ensaios da banda mais próxima... minha rotina da época. Ainda bem que tenho saudades. Talvez seja a proximidade com meu aniversário. Será? Ah, e por falar nisso:

Aniversário - Álvaro de Campos

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Go Back

Parece às vezes que eu tenho mais vontade de escrever quando estou triste por algum motivo qualquer. É como se escrever fosse uma terapia, uma sessão de descarrego, sei lá. Aí, venho aqui e despejo esse monte de palavras, esperando que alguém leia ou não. Não sei o que espero quando escrevo. Como falei aqui uma vez, não tenho pretensão nenhuma com esse blog. Só sinto uma vontade enorme e incontrolável de escrever qualquer coisa.

Essa semana aconteceram algumas coisas chatas, outras tristes, outras diferentes. Os meninos e a loira estão agora trabalhando comigo aqui em Sampa. Isso até causou um fato... mas não vou comentar, já comentei no post anterior. Mais três santistas na Paulicéia... hehe.

Mas eu ainda estou com uma angústia aqui dentro do peito, que não se dissipa. Em parte por antecipar fatos... sofro sempre por antecipação, não tem jeito. Mas sobretudo é medo, e cansaço. Medo do que veio e ainda vem. Cansaço de não conseguir agir da forma que gostaria sempre, de me policiar para não fazer errado, de pecar por negligência às vezes, ou por excesso. Problemas de quem não tem meio termo...

Mas não, não se preocupem comigo, estou muito bem. Está tudo certo aqui, gosto do meu trabalho, me divirto apesar de "algumas" pesares. Não há de ser nada, tratar com pessoas é mesmo difícil, e conto com a minha intuição para me avisar. E ela já apitou, então estou alerta.

Termino com um poeminha, voltei a lê-los. Como estou angustiada, aí vai meu escritor preferido nestes momentos: Álvaro de Campos, "Não":

Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.

Devagar...
Sim, devagar...
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar...
Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima...
Talvez isso tudo...

Mas o que me preocupa é esta palavra devagar...
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo...
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Necessidade, vontade, desejo...

Oi, pessoas que me acompanham. Não, esse post não é sobre nada disso que vocês estão pensando. Sim, estive sumida essa semana, mas foi por boas causas... estive de papo com pessoas que adoro, estive ocupada com planos, preocupações... como já disse aqui, me ocupo. E esses dias me ocupei tanto que nem tive tempo de dar toda a atenção que poderia para todos, mas, enfim, a vida segue.

Estou em paz comigo neste momento, coisa que é meio difícil, e que pode desmoronar de uma hora pra outra, por um detalhezinho besta. Algumas coisas não mudam por mais que você queira, e um dos meus defeitos é não saber ter meio termo. Outro é me cobrar demais. Me cobro em todos os sentidos, em diversos momentos da vida.

Até preferia ser diferente... mas, sabe? Uma vez vi uma frase que dizia para não tentar mudar todos os seus defeitos, porque você não sabe em qual deles está apoiada sua personalidade. É por aí, mesmo.

Ainda estou descobrindo verdades sobre mim, sobre outros... nem sempre coisas positivas, nem sempre que me deixam feliz. Roubando o bordão de um amigo, estou acreditando no mundo, agora. Não que eu tenha que me submeter, mas acredito nele agora mais que antes, e isso veio com meu crescimento nos últimos tempos. É difícil crescer, mudar, tomar decisões que afetam a sua vida e a dos outros. Porém, por nada nesse mundo devemos nos furtar de tomá-las. Não podemos nos dar esse luxo, não mesmo.

Eu quero morar sozinha. Quero mandar na minha vida. Cansei de dar satisfações o tempo todo pra pai e mãe, já passei da idade. E talvez as coisas estejam se encaminhando para que isso aconteça logo. Mesmo que não dê tudo certo, não vou mais mudar essa idéia, que aliás me acompanha desde que eu era pequena. Nunca, nunca mesmo quis sair de casa para casar, acho isso muito... sem imaginação. Qual é a graça de não enfrentar o mundo sozinha? De não dar a cara para bater? Não recrimino quem pensa diferente, mas não entendo. Juro que não entendo quem quer ficar na casa dos pais até arranjar marido/mulher.

Eu já podia estar casada nesse momento. Já podia estar morando com meu futuro marido, mas não quero isso agora pra mim. Preciso de um tempo sendo eu, sem mãe/pai ou responsável. Preciso ser responsável por mim. Preciso me matar de trabalhar pra pagar minhas contas. Preciso acordar cedo e ir domir tarde, como fazia em 2007, mas agora sem ninguém pra me mandar dormir. Preciso de um espaço, nem que seja emprestado. São minhas necessidades básicas: ser mais livre, mesmo que pra isso tenha que perder algumas facilidades e liberdades.

Não digo que vai ser fácil, aliás, "nobody said it was easy"... vai ser bastante difícil no começo, e depois, não tenho ilusões a esse respeito. Mas até prefiro assim.

Torçam por mim, que eu quero mesmo mudar de rumo.

"Reticências

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!

Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!

Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
(...)
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
(...)
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra..."