Qual é a memória mais antiga da vida de vocês? Vocês se lembram de algo muito, muito velho, e que por algum motivo desconhecido os marcou? Lembranças são meio difíceis de entender... e ultimamente tenho me lembrado de fatos muito antigos, alguns de mais de 10 anos...
Às vezes me basta um cheiro, um perfume, uma música, e pronto: lá vem uma lembrança. É engraçado como algumas ainda me deixam um pouco triste, mesmo que tenham acontecido há eras!! Minha memória é sensorial, e quando eu lembro e é como se vivesse tudo de novo. Nem sempre isso é confortável, mas é positivo. Só tem memórias quem viveu.
Tenho um pouco de medo de um dia esquecer o que me aconteceu, as pessoas que passaram pela minha vida. Acho que isso só ia acontecer se eu tivesse Alzheimer, ou algo parecido, hehe. Não gosto e nem quero esquecer nem mesmo do que foi ruim, ou que me deixou confusa, transtornada. Porque tudo isso é parte de mim... e não estou afim de deixar partes de mim por aí.
Mas eu falava de lembrar... lembro de quando eu tinha 3 anos, e quebrei uma divisória do guarda-roupa de uma vizinha, hahahaha. Fiquei com medo de levar bronca, e nem contei pra ninguém! Fingi que não tinha feito nada... e até hoje acho que a minha vizinha não entendeu o que aconteceu.
Lembro de assistir o Chacrinha (ih, acabo de entregar o quanto sou velha, hahaha) quando eu tinha, sei lá, uns 4 anos... e lembro do dia em que ele morreu, e foi levado num carro do corpo de bombeiros pelo Rio de Janeiro. Não fiquei triste porque ainda não sabia o que era a morte.
Lembro de brincar na escola, lembro dos garotos que eu odiava e das briguinhas que eu arranjava com eles, porque eles eram meninos, e só por isso. Ah, não sei se as crianças de hoje ainda brigam só por serem meninos e meninas, mas espero que sim. Era tão divertido!!
Lembro de crescer entre livros e lendo feito uma desesperada, de me achar muito feia, de me sentir menor, sozinha... e do primeiro garoto que eu realmente gostei, e de todos os outros, claro. Mas o primeiro é o primeiro. Me marcou tanto que até hoje, quando ouço algumas músicas, me lembro imediatamente dele (Bruno, não fique com ciúmes!!). Ele também foi o primeiro grande amigo que perdi, porque foi pra longe... e eu me lembro perfeitamente da dor (quase física... não, física mesmo). Até porque ela se repetiu depois, e deve se repetir ainda... mas isso é outra história.
Me lembro de muitos momentos. E quando isso acontece, parece que estou vendo todas as pessoas, sentindo tudo de novo. O começo do meu namoro com o Bruno, as brigas de faculdade, os passeios no palio do André pela Baixada Santista, as aventuras nos carros do Nogueira; os dias sem fazer nada na Facos, depois da aula, e as frases que escrevíamos na lousa; as tardes inteiras que passei fazendo nada com a Hellen, no shopping ou no Sesc, e as fotos roubadas de revistas.
As fotos que tiramos, com a câmera do Jama ou não, pelos motivos mais banais e divertidos; as matérias do Baixada On Line, e o dia em que deixamos o Felipe sozinho atualizando o carnaval; os passeios em São Paulo, as minhas 359 idas no Museu da Língua Portuguesa, e todos que eu já obriguei a ir comigo (hahahaha); as sessões de cinema em Sampa e os passeios "nóia" em museus, quase todos na companhia do Thiago; as "grandes voltas" até o Gonzaga que dei em companhia do "túnel", e as sessões de domingo no Cinemark. Os ensaios da banda dos caras mais legais que eu conheço, as risadas e as fofocas com a primeira dama do guitarrista.Os papos intermináveis do MSN de madrugada, na companhia dos notívagos de plantão.
Não, esse post não é uma despedida, não estou indo embora. Eu só estou sentimental hoje, queria falar das minha lembranças. Isso faz um bem!
Lembrem-se sempre que eu não esqueço de nenhum de vocês!
Pra terminar, um poeminha que não tem muito a ver com nada, mas é divertido. De Manuel Bandeira, Pneumotórax:
"Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .— Respire.
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— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
INVENTÁRIO DE PERDAS
Há 9 meses
Tenho um pouco de pena das revistas do SESC, ou não! hahaha
ResponderExcluirE fico feliz em saber que você não se esquece de ninguém, nem de nada. Me conforta! =D
memórias nos trazem paz, confiança, destreza e, principalmente, aprendizado. E, quanto a isso, as memórias não tão felizes são essenciais, pois estão cheias de lições imprescindíveis. Mas é sempre bom ter bastante lembranças boas para se divertir. Beijão!
ResponderExcluirÉ tão poder lembrar das coisas boas e ruins que aconteceram. Elas nos fazem crescer e ver o quanto evoluimos. Guardo na minha memória (e espero que para sempre, com mto carinho) os momentos que passamos juntas. Porque, foi o que falei nesse final de semana pra você: Nós (o grupo) passamos por tanta coisa juntos, que não somos amigos, e sim, irmãos! Belo post, Amanda!
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