quinta-feira, 15 de abril de 2010

Cosmo Ético

Espia pela fresta. Ela não está entre iguais.

As belas aldeãs falam línguas que não entende, nem faz questão de entender. Não sabe se está certa em não querer... mas não pensa estar errada. Apenas espia.

Ela não pretende se render, nem fazer parte dessa cosmítica de nomes famosos, marcas indeléveis nos outros. Mundo tão diverso do seu. E ainda bem?

Talvez haja quem julgue que deveria ser próximo, uma vez que é natural de sua espécie. E talvez o fosse, se ela se importasse; Contudo, não se importa. Na verdade, até bem pouco tempo ignorava muito do que ouve nas conversas.

Porém, agora que observa, o que vem das falas das belas aldeãs a incomoda, tanto quanto a espanta. Pensa em quanto tempo, palavras, espaço, atenção, valores desperdiçados. E por motivos tão óbvios, rasos, desimportantes a seu ver.

Em seus pensamentos, as críticas não recorrem à pobrezas, misérias, desastres ou outros assuntos quaisquer, naturalmente considerados mais importantes. Não; ela não quer se fingir superior, não nega sua pequenez, seus interesses menores.

O que realmente a espanta é o fato puro e simples de que ela se espantar. É ela se sentir estrangeira nesta aldeia, na qual trafega todos os dias. É ver um mundo que não está nem perto do seu, e ainda assim fica logo ao lado.

Pensa, por alguns segundos, se deveria se juntar a esse mundo, e enquanto pensa espia mais um pouco. Resolve: não se unirá. Continuará a espiar, de perto ou não. Ouvirá as conversas das belas aldeãs, finjirá participar às vezes, se quiser, mas nunca se unirá.

O que espiou desse mundo, de belas aldeãs, é suficiente para saber que ela, definitivamente, não o quer para si.

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