quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Hurt

Algumas coisas me doem. Às vezes eu esqueço, e tudo fica normal. Então, vinda do nada, reaparece a dor. Ninguém sabe o que se passa aqui dentro, ninguém, nem eu sei direito. Ninguém conseguiria entender se eu dissesse. Mas não pense que estou aqui querendo parecer sublime, sensível, nada disso. Eu já disse que não sou um bom lugar, e não sou mesmo.

"O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime." Tabacaria - Álvaro de Campos

"Quando tudo está perdido, sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido, sempre existe uma luz
Mas não me diga isso

Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima

Queria ser como os outros, e rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso

É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto, isso passa
Amanhã é um outro dia, não é?

Eu nem sei porque me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim

E essa febre que não passa, e meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim

Quando tudo está perdido sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido sempre existe um caminho

Quando tudo está perdido, eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido, não quero mais ser quem eu sou

Mas não me diga isso,
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim" - Legião Urbana, Via Láctea

2 comentários:

  1. Não sei quem sou, pra onde vou, o que dizer ou fazer. Só sei que vivo e danço conforme a música!

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  2. A gente machuca a si mesmo e a dor parece vir com um anjo triste e insolente. O espinho cresce dentro do peito e ninguém pode ver e explicar, nem mesmo nós podemos apará-lo. Esquecer-se para depois se lembrar. Ignorar para depois ser incomodado. Dia após dia, permanentemente.
    Só para de doer quando em vez de espinho for flor, e isso acontece numa primavera só nossa, que não obedece estação ou calendário, simplesmente vem. Nesse dia o mundo muda e a gente nem sabe o quê, mas a dor nem existe mais.

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